agosto 1, 2004

SERÁ O FIM DO MUNDO??

Desfibrilhado às 5:00. | | 2 Comentários



julho 27, 2004

AMIGOS, COMPANHEIROS, PALHAÇOS

Desfibrilhado às 13:05. | | 5 Comentários

Caros companheiros blogueiros,

Depois de ter matutado bastante sobre este assunto, chegou a hora de me despedir de todos. Existem momentos para tudo, e o Desfibrilhador Histórico representa um bom momento da minha vida, um aspecto mais ou menos vincado da minha personalidade e um pedaço de mim que ficará aqui na blogosfera. Talvez continue noutros lados, talvez nem continue de todo. Existem aspirações, e mudanças de opções que me levaram a este abandono. Bem sei que me poderão criticar por ter atirado a toalha ao chão. Talvez tenham razão, talvez não, porque a pessoa física continua a existir e as suas convicções também. Este bloque já há algum tempo que se mostrava desinteressante e desactualizado, e não obstante destes dois pontos, a conjutura política é tão arrepiante que deixo a sua análise a profissionais qualificados, ou seja, os cómicos, humoristas e outros que tais. Os restantes membros deste blogue poderão continuar a sua actividade, se assim o entenderem, uma vez que este "abraço de despedida" é individual, mas como alguns continuam a ter projectos paralelos, portanto não correm riscos de se apagar.

A todos, umas óptimas férias se for caso disso, uma boa vida, uma óptima continuação sazonal de «silly season», e um abraço fraterno nesta despedida irreversível. Bem haja. Adeus, foi um prazer.

Miguel Rodrigues



julho 26, 2004

A SEMANA REVISTA

Desfibrilhado às 13:09. | | 0 Comentários

IRAQUE: A JÓIA NA COROA DE GEORGE W. BUSH


O cúmulo de incompetência, o epitáfio do homem que quer concorrer por um segundo termo

A coisa mais absurda acerca de George W. Bush é que ele está convencido que tem razão. Duas guerras ilegais, milhares de civis assassinados, crimes de guerra, a quebra da Convenção de Genebra, tudo é varrido por baixo do tapete com frases como “O mundo está melhor agora”

O mundo está melhor depois de quatro anos de Bush? Onde?

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GALIZA É UMA NAÇÃO

Desfibrilhado às 13:07. | | 0 Comentários

«Um novo Estatuto e o reconhecimento da dívida histórica que o governo Espanhol tem para com a região da Galiza. Os dirigentes do Bloco Nacionalista Galego (BNG) já se reorganizaram e reconciliaram depois das divergências manifestadas na ressaca eleitoral em que perderam assento no Parlamento Europeu, e ontem mostraram-se nas ruas de Santiago de Compostela, em mais uma manifestação do "Dia da Pátria Galega", para exigir a revisão do actual Estatuto Autonómico que permita à Galiza ser "uma nação de pleno direito num estado espanhol plurinacional".

Os nacionalistas entendem que o Estatuto Autonómico da Galiza está ultrapassado, porque assenta num texto escrito há 23 anos e que já não tem em conta que "a sociedade galega é outra, e as suas necessidades também". Para que "na era da globalização, a Galiza seja ela mesma, com a sua língua e a sua cultura" exigem a possibilidade de os galegos poderem fazer, tal como já iniciaram "as outras nações do estado, como Euskadi e Catalunha", um processo de reforma estatutária que possa dar mais autonomia à região. "Somos um povo maduro e queremos escolher o nosso caminho".

Se estas eram as explicações dadas nos folhetos entregues a quem assistia à manifestação, os gritos dos participantes eram bem mais explícitos: "Que queiran, que non, Galiza é unha Nazón". Os activistas do BNG, bem como os ruidosos militantes da "Nova Galiza", a juventude partidária do bloco, desdobraram-se em palavras de ordem enquanto percorriam as ruas de Santiago de Compostela, durante quase uma hora, enchendo-as ora de sons arrancados às gaitas de foles, ora às batucadas que fazem lembrar uma bateria de samba do carnaval brasileiro. Foi com muito ritmo e maior festa, que foram desembocar depois, na praza da Quintana, o mítico local onde está a Porta sagrada que conduz ao túmulo do apóstolo Santiago.

Nessa praça deu-se também o já tradicional comício dos nacionalistas, e foi aí onde horas antes se haviam juntado milhares de peregrinos de todo o mundo, que os dirigentes do BNG foram avisando que os conflitos internos que viveram estavam ultrapassados, e que os "agoireiros" e os que "preferem ver a Galiza degradada à categoria de região" devem perder a ilusão porque sentem que chegaram a "um ponto sem retorno". Descontentes com Fraga Iribarne, eleito sucessivamente pelo Partido Popular desde que am democracia regressou a Espanha, os nacionalistas insistem que os galegos "têm direito a expressar o seu voto" e o seu grito de "nunca mais", o mote que ficou célebre desde a tragédia trazida pelo petroleiro Prestige e que ainda não ultrapassaram, muito menos esqueceram. "Nunca mais à mentira. Nunca mais à incompetência", discursou um orador. »

in Público, 26/Julho/2004



julho 22, 2004

NA TEORIA...

Desfibrilhado às 12:52. | | 0 Comentários

«Não concordo com as teses sobre o "vazio" do discurso de Pedro Santana Lopes. Não que fique impressionado com os disparates que o povoam: de Thomas Skuhravy e do saneamento financeiro do Sporting com uma quota suplementar de 25 mocas a Frank Gehry e ao Casino de Lisboa, é definitivamente o mesmo homem. Transferir ministérios para Faro e para Santarém e descer o IRS são assim apenas esforços de manutenção da média por semana.

Disparates como estes não têm graça nenhuma e são graves porque, ...

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MINISTROS QUE SE ADORAM!

Desfibrilhado às 2:15. | | 0 Comentários

A coabitação das cidades com o ambiente é maravilhosa.

MR



O ESFORÇO DE CARDOSO E CUNHA

Desfibrilhado às 2:12. | | 0 Comentários

O eng. António Cardoso e Cunha não descansou enquanto não conseguiu pôr fora da TAP Fernando Pinto e a sua equipa de gestores, que salvaram a TAP da falência.

O militante do PSD, Cardoso e Cunha, ficou bem conhecido pelo gigantesco buraco financeiro que conseguiu escavar, com afinco, durante o seu mandato como comissário da Expo-98, tendo-se demitido em Janeiro de 1997, por «não aceitar as críticas nem terá admitido, como legítimo, que alguém se interrogasse, de forma negativa, sobre os possíveis buracos financeiros da iniciativa. (...) Chegou mesmo a afirmar, em público, que em vez de críticas ele próprio mereceria uma estátua. Foi substituido por Torres Campos» (João Rita em A Página).

Em relação a Fernando Pinto, «das três, uma: ou as empresas públicas não toleram gestores profissionais, ou os gestores profissionais não toleram a coabitação de governo nas empresas ou a governação das empresas é a metáfora moderna para encaixar políticos desocupados.

Ou, na pior das hipóteses, tudo se resume a uma lavagem de roupa suja. Em público, sem pudor e sem respeito pela TAP. Uma bandeira paga pelos contribuintes.» (Miguel Coutinho no Diário Económico).

Bem sei, que muitos trabalhadores tiveram de fazer sacrifícios, mas só com sacrifícios e a gestão da equipa chefiada por Fernando Pinto se conseguiu tirar a TAP da falência, fechar o exercício do ano de 2003 com resultados operacionais positivos, aumentar as operações da TAP em 35% e reduzir, nos últimos dois anos, o endividamento em 220 milhões, apesar da conjuntura extremamente negativa pós 11 de Setembro.

É triste... muito triste!

MR


PS - Já agora, conhecem os leilões da TAP? Hoje, quinta-feira, entre as 09h00 e as 21h59, há mais um!




julho 21, 2004

BOAS ESCOLHAS

Desfibrilhado às 11:46. | | 0 Comentários

Quem disse que o PSL não escolheu para ministros pessoas com provas dadas na área?

Quem disse que o Nobre Guedes não percebe nada de Ambiente?

Ora aqui está a prova de que isso é mentira!



DEPOIS DO TRIBUNAL DE HAIA, AS NAÇÕES UNIDAS

Desfibrilhado às 11:18. | | 0 Comentários

"The General Assembly in New York voted by an overwhelming majority to demand that Israel dismantle the barrier in line with a UN world court ruling."

"Israel will not stop building or abdicate its inalienable right to self-defence" - Raanan Gissin, an adviser to Mr Sharon.

in BBC News, 21/07/2004

Madalena Santos



REPOSIÇÃO DAS FRONTEIRAS

Desfibrilhado às 11:16. | | 0 Comentários

Governo quer que SEF volte a controlar fronteiras...
...parece que estamos a andar para trás, mais e mais...

MR



A FESTA DOS MINISTROS

Desfibrilhado às 2:30. | | 0 Comentários

Ontem (a esta hora já será correcto dizer anteontem, segunda-feira) quando vi Santana Lopes dirigir-se ao cemitério onde está enterrado Sá Carneiro para depositar um ramo de flores, logo vi, mais uma vez, como pretenderá, este novo governo actuar. Antes de tudo, pela imagem. O autoproclamado delfim de Sá Carneiro, à falta de outras actividades, resolveu dar um ar mítico de sebastianismo ao início da sua governação.

Enquanto andava, iria trauteando na sua imaginação "eu sou aquele que te quer e mais ninguém. Sem ti penso que não poderei viver..." E ia sorrindo com o poder que lhe caiu do céu, de mão beijada.

Por outro lado, o seu melhor amigo, Portas, resolveu ir para a Madeira marcar passo. Pensou concerteza que tinha de aproveitar enquanto dura este regabofe laxista e, portanto, promover o seu partido a todo o custo, nem que para isso tenha de dar umas facadinhas no seu amante de culigação.

Como a demagogia está na ordem do dia, temos de ver duas coisas: primeiro, se vão manter o péssimo hábito do seu antecessor, José Barroso (como agora gosta de ser chamado - já agora, não foi cómico vê-lo a dizer que não gosta de bajular os EUA? A cimeira dos Açores foi o quê? Só um beijinho no rabo do Tio Sam?), culpar e responsabilizar o governo antecessor por tudo o que de mau acontece;

Segundo, vão ou não descer os impostos? É que uma pessoa não consegue ficar com cara de máscara de teatro, metade alegre, metade triste. Ou descem os impostos, implementam medidas populistas desequilibrando as contas públicas, zangando o Presidente da República (e aqui até era engraçado de ver se este demitia o Governo ou não - e se não, negava as premissas do seu discurso de tomada de posse do governo); ou mantêm tudo na mesma, lamentado-se da conjuntura, e continuando a conduzir o país para o abismo.

De qualquer forma é o que farão, porque as suas medidas, como vamos vendo, muito pouco abonam a favor de uma política social justa e de uma sociedade mais igualitária e fraterna. Pelo sim, pelo não já tenho um lençozinho branco preparado. Para quê? Já que são tão religiosos, de certeza que vão compreender o significado do lencinho agitado por mim enquanto passam.

MR



FMI – FRAUDE METEDIÇO E INTRUSIVO

Desfibrilhado às 1:10. | | 0 Comentários

O Fundo Monetário Internacional tem um tom bonito e internacionalista, que cria noções de altruismo e solidariedade para com países em tempos de necessidade. De facto, nada poderia ser mais longe da verdade. A verdade é que o FMI não formece e não pode fornecer um serviço financeiro para remediar as enfermidades duma economia doente. O FMI é nada senão outro utensílio utilizado por Washington para deliberadamente desestabilizar mais economias já instaveis, tornar economias doentes ainda mais doentes e criar dependência financeira, económica e política em Washington, em países que não podem pagar a factura.

Se uma economia precisa de candidatar-se para financiamento externo, é porque já se encontra com problemas, dado que não há força interna para atenuar os males. Em providenciar financiamento externo, o FMI corre um risco enorme (se é que não é de propósito) de criar o que se chama um perigo moral, o que quer dizer que está a actuar numa economia sem saber exatamente como essa economia irá comportar-se.

O FMI assim contribui para criar um clima em que a informação assimétrica seria mais fluida que a informação perfeita, criando um cenário de instabilidade que poderia levar a uma crise bancária e a seguir, outra crise cambial, criando a necessidade de pedir emprestado ainda mais dinheiro para adiar o desastre.

Enquanto a economia derrete, as visitas à porta do FMI são cada vez mais frequentes, resultando numa dívida externa massiva que por sua vez leva ao FMI ditar a política económica e estratégia financeira do país em dívida. Por FMI, substitui “Washington”.

Onde a instabilidade ainda não existe, é facil de criar, através de ataques especulativos, através de provocar fluxos de capital voláteis ou por instabilidade política, causando crises imprevisiveis nos mercados e levando a condições favoraveis para a existência de mais ataques especulativos, uma vez que o comportamento do sistema interno económico e financeiro e os níveis das reservas tenham sido calculados.

Em resumo, é um círculo perfeito, e qualquer ponto do mesmo pode ser iniciado ou terminado a qualquer altura com o adequado planeamento e os meios apropriados. Há um vencedor só e para aqueles que comem da mão do FMI, é uma situação perdida.

O FMI talvez crie um período em que há um hiato numa situação de catástrofe, como uma crise bancária (por exemplo quando os bancos sub-capitalizados são obrigados a fecharem as portas por causa de levantamentos massivos, resultado de pânico que por sua vez resulta de campanhas de desinformação, muitas vezes lançadas pelos dadores). Porém, o eifito a longo prazo será uma prolongação da crise e uma passagem do controlo da iniciativa política e económica para jogadores externos e estrangeiros. E aí, todos os caminhos levam a Washington.

Longe de ser um exercício teórico, este artigo é uma revisão da história económica recente de inúmeros países na América Latina e na própria Rússia. São horas para os países fazerem um esforço para pagar de vez o que devem ao exterior para parar de sustentar pançudos, e são horas para considerar todas as alternativas antes de dar qualquer confiança a Washington ou aos seus lacaios.

Timothy BANCROFT-HINCHEY



IRAQUE: A JÓIA NA COROA DE GEORGE W. BUSH

Desfibrilhado às 1:09. | | 0 Comentários

A coisa mais absurda acerca de George W. Bush é que ele está convencido que tem razão. Duas guerras ilegais, milhares de civis assassinados, crimes de guerra, a quebra da Convenção de Genebra, tudo é varrido por baixo do tapete com frases como “O mundo está melhor agora”.

O mundo está melhor depois de quatro anos de Bush? Onde?

Iraque

A campanha Liberdade e Democracia, ganhando Corações e Mentes com tácticas de Choque e Pavor, é uma oportunidade de vermos como crenças jingoístas e xenófobas, ideias simplórias para simplórios, quando aplicados como instrumentos da gestão de crises por nações como os EUA, conseguem ultrapassar aquela barreira que contém a loucura antes visto só em casos como a Alemanha Nazista de Hitler e Himmler.

A chacina de civis inocentes, as câmaras de tortura, a destruição de lares de inocentes, o assassínio de crianças, o estupro de mulheres...está tudo aí, enquanto o Iraque desce para o foro de caos.

Será que o Iraque está melhor? É melhor como país? Há mais segurança no emprego? Há melhor policiamento? Há menos criminalidade? As infra-estruturas funcionam melhor agora que foram obliteradas por armas de precisão? A matança parou? O Iraque mantém-se livre de terrorismo? Há mais segurança nas ruas? A população está livre de tortura?

O legado de Bush é que apesar de ter gasto mais que um ano e quase duzentos mil milhões de dólares (200.000.000.000 ou duzentos bilhões de dólares), o Iraque está em caos, a sua sociedade destruída porque Bush queria impor uma democracia bonitinha num país que nunca a teve e onde o tribalismo é mais importante que o nacionalismo, impôs uma mão cheia de homens comprados no governo, que quase não tem poderes executivos, as infra-estruturas do país estão uma pilha de lixo e terroristas e extremistas jorram para dentro das fronteiras com cada dia que passa. Isso é que é “melhor”?


A Comunidade Internacional

“O mundo está melhor”. Ai é?
Nunca antes se viu tal clima de medo, de ataques terroristas na Europa, onde os milhões de Euros necessários para acções de solidariedade e segurança social estão a ser gastos em acções de segurança militar. Nunca antes se sentiu a fantasma de terrorismo internacional a pairar sobre o Velho Continente como agora.

A Europa não está mais segura. É muito mais perigoso e podemos culpar a política agressiva de Washington por isso, enquanto utilizou a força e a chantagem para persuadir os lacaios da OTAN a fazer seu trabalho sujo por ele, contra a opinião pública, causando a tragédia em Madrid. Até agora, se não haver mais chacina noutras cidades.

O legado de Bush na Europa é que ele colocou lenha na fogueira do anti-americanismo numa altura em que era preciso adotar uma abordagem mais inteligente, se bem que isso para Bush seria impossivel. A Europa está melhor?

Os Estados Unidos da América

Será que os EUA estão mais seguras agora depois de quatro anos de Bush? Ou será que a presidência de Bush antagonizou practicamente todos os fanáticos no planeta e instigou-os a agirem contra os Estados Unidos e contra os norte-americanos em todo o globo, agindo contra aquilo que é percebido, e com razão, como o imperialismo de Washington?

Os norte-americanos se sentem melhores agora do que em 2000? Ou se sentem mais inseguros, mais apavordados, com mais medo do intruso? Têm mais fé no mundo árabe? Acham que a questão do Médio Oriente está mais perto de se resolver? Podem dizer que o seu mundo está melhor?

A gestão internacional

Quando se é presidente dum país grande, há mais responsabilidades impostas na figura eleita para liderar não só este país mas para participar com responsabilidade na resolução de crises a nivel internacional, quando isso for da vontade da comunidade internacional.

Isso não quer dizer que tem o direito de substituir a diplomacia por beligerãncia e chantagem, desrespeitando por completo as organizações internacionais e a comunidade internacional numa altura em que o mundo estava a tentar resolver questões importantes e fundamentais para o desenvolvimento dum sentido de Comunidade.

Veio o cowboy, rude, sem qualquer ética nem etiqueta e abancou-se na mesa do rei, arrotou para o ar, atirou os ossos para a rainha, urinou no chão, defecou no bolo, cuspiu para o lado, colocou os pés em cima da mesa, violou a muida que servia a sopa, torturou o garçom, tirou uma matralhadora e chacinou metade dos convidados.

Que bela maneira de fazer gestão de crises. O Afeganistão está mais estável? O Médio Oriente está mais perto duma resolução? Os Objectivos do Milénio para Àfrica estão a ser conseguidos?
O Mundo está melhor?

A questão moral e ética

George Bush e seu regime espetaram uma faca nas costas da comunidade diplomática. A diplomacia de Washington hoje em dia se resume em intrusão, a ameaça de força, chantagem, forjar documentos e mentiras descaradas, actos de chacina, actos de tortura, crimes de guerra, crimes contra a humanidade. Bonito serviço, em quatro anos.

George Bush e seu regime mentiram sistematicamente acerca de qualquer causa desta guerra. Mentiram à sua nação, mentiram à comunidade internacional, mentiram ao Mundo. Curiosamente, comparando Saddam Hussein e Bush, o que estava a dizer a verdade era o primeiro. Acerca de Bush podemos agora afirmar: “Este homen enganou o mundo” (“This man stiffed the world”).

Dezenas de milhares de civis foram assassinados em sangue frio. Bombas de fragmentação foram deitadas em áreas residenciais. Munições de Urânio Empobrecido foram utilizadas, deixando áreas residenciais perigosamente radio-activas. Foi quebrada a Convenção de Genebra. Houve o uso de tortura numa escala massiva, com o pleno conhecimento de altos oficiais no regime. Foi quebrada a carta da ONU por Washington, nos olhos de muitos um estado paria num mundo que quer prosseguir para outro estado de civilização, mas sem cowboyadas e sem cowboyismos.

Washington divorciou-se da comunidade internacional, divorciou o povo norte-americano das corações e mentes dos seus pares no resto do mundo. São horas para uma mudança de regime.

É esse o legado de George Bush. A glória do Iraque, a jóia na coroa do presidente-palhaço, o bimbo Bush.

Timothy BANCROFT-HINCHEY



julho 20, 2004

AFINAL...

Desfibrilhado às 21:36. | | 0 Comentários

Descobri hoje, com um mês de atraso, que o Vaticano publicou um relatório de cerca de 800 páginas sobre a Inquisição. A conclusão, como quase todas as tiradas pelo Vaticano, é brilhante: afinal eles não foram assim tão maus!

Segundo o estudo, o Tribunal do Santo Ofício não fez tantas execuções nem torturou tanto quanto se pensa. Agostino Borromeu, editor do livro, diz que em Espanha apenas (acho que o professor usou mesmo este termo) 1,8% dos “investigados” foram mortos. Segundo os números que o mesmo lançou (125 000 julgados) e fazendo as contas, dá cerca de 2500 bruxos executados. Até nem são muitos! Na Alemanha, que bate os recordes, 25 000 foram executados. Não é assim tanto! Os Inquisidores, que afinal não eram tão maus, aliviavam os bruxos, se eles mostrassem arrependimento, estrangulando-os antes de os queimarem vivos.

A Inquisição foi instituída em 1233 pelo papa Gregório IX e vigorou até 1859. Seis séculos, durante os quais não se executaram nem torturaram assim tantas pessoas, não se fizeram assim tantos Autos de Fé, não se queimaram assim tantos livros, não se confiscaram assim tantos bens.

Podem ver aqui, como curiosidade, o Manual dos Inquisidores "Directorium Inquisitorum".

Daqui a uns tempos, hão de dizer que nem foram assim tantos os padres que sodomizaram crianças ou que não foram assim tantos os que foram torturados em Abu Ghraib…

Madalena Santos



julho 19, 2004

O NOVO PM DE PORTUGAL

Desfibrilhado às 15:21. | | 0 Comentários

Pedro Santana Lopes é herdeiro político de Durão Barroso

Enquanto José Manuel Durão Barroso se prepara para assumir a Presidência da Comissão Europeia, Jorge Sampaio exprime a sua preferência por Pedro Santana Lopes em vez das eleições que o povo pedia.

Presidente Jorge Sampaio decidiu ontem pedir ao número 1 do Partido Social Democrata, o maior partido na coligação governamental (juntamente com o Partido Popular, Conservador), formar um governo, poupando a coligação duma derrota quase certa numa eleição antecipada.

Pedro Manuel Santana Lopes aguarda o aval (certo) do seu partido para apresentar um novo governo ao Presidente na função de Primeiro-ministro.

Nasceu em Lisboa no dia 29 de Junho de 1956. Pedro Santana Lopes interessou-se pela política na sua infância, conversando com seu pai e avô. Entrou na faculdade de Direito de Lisboa em 1974, trabalhando como professor a noite e vendendo livros de dia para ajudar nos custos do seu curso.

Foi na faculdade de Direito que Pedro Santana Lopes começou a revelar as suas capacidades como orador, liderando um movimento estudantil (Movimento Independente de Direito) antes de se ingressar no Partido Social Democrata (PSD) em 1976.

Tendo terminado seu curso em 1978, ganhou uma bolsa de estudos do governo alemão para estudar Ciência Política e Estudos Europeus. Um ano depois, entrou na equipa do Primeiro-ministro Sá Carneiro, fundador do PSD, como conselheiro legal e em 1980, foi eleito Deputado da Assembleia Nacional, com 24 anos.

O Primeiro-ministro Cavaco Silva nomeou Santana Lopes como Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, posto que foi interrompido durante dois anos (1987-1989) quando foi membro do Parlamento Europeu. De volta a Portugal, foi Secretário de Estado de Cultura entre 1989 e 1994.

Foi daí que Pedro Santana Lopes deu provas daquilo que era capaz, restaurando edifícios degradados, lançando iniciativas múltiplas que testemunharam a criação de três orquestras, 48 bibliotecas, a modernização de numerosos espaços públicos – cinemas, anfiteatros, salas de exposição para pinturas e fotografias e financiamento público e privado para companhias e iniciativas suportando as áreas da dança, teatro, música e artes plásticas.

Pedro Santana Lopes cresceu com o posto, presidindo sobre o Conselho Europeu de Ministros de Cultura em 1992.

Em 1995, num breve intervalo da vida política, Santana Lopes se candidatou com êxito para a Presidência do Sporting Clube de Portugal, dando continuação ao trabalho de Sousa Cintra, estabilizando as finanças do clube e nomeando o pessoal que iria nos anos seguintes trazer os primeiros troféus a este clube lisboeta durante décadas.

Em 1997, tornou-se Presidente da Câmara da Figueira da Foz, ganhando louvores como o Presidente mais energético e com mais êxito de sempre. Melhorou a acomodação escolar, a rede rodoviária, melhorou áreas residenciais, parques públicos, a rede sanitária, criou empregos, aumentou o turismo e atraiu visitantes para os numerosos eventos culturais que patrocinou ou organizou.

Passado quatro anos, ganhou a eleição para a Câmara de Lisboa de forma brilhante, iniciando um programa ambicioso para melhorar os problemas de trânsito e uma série de iniciativas para dar mais-valias aos espaços urbanos e à vida dos lisboetas.

Acusado por alguns de aplicar soluções cosméticas em vez de estratégias de longo prazo, Pedro Santana Lopes é talvez o único membro desta coligação com o carisma suficiente para lhe dar qualquer hipótese eventual de vencer as eleições daqui a dois anos.

Como Primeiro-ministro, é justo dar a Pedro Santana Lopes uma folha em branco para ele escrever o seu destino.

Peter’s Principle

Cada pessoa sobe para o nível da sua incompetência


Assim vai o preceito inventado por Laurence J. Peter, chamado o “Princípio de Peter” (Pedro, em português). Será que Pedro Santana Lopes, o novo PM de Portugal, acertou na escolha do seu novo governo, ou será que o ex-autarca de Lisboa irá encalhar nas águas turbulentas da vida política portuguesa?

Em primeiro lugar, se bem que se pode perguntar ao eleitorado português, “Foi você que escolheu este Primeiro-Ministro?”, se pode perguntar com toda a justiça, “Foi Santana Lopes quem escolheu este governo?” A resposta seria “nim”. Um começo mau.

Seis dos 19 ministros são iguais ao executivo de Durão Barroso, que se apressou a instalar-se em Bruxelas, suspirando de alívio sem dúvida já que está livre do pesadelo que criou (uma duplicação da taxa de desemprego em dois anos – grande obra – e uma situação em que o desempregado tem de esperar até sete meses para receber qualquer subsídio do estado). Ainda mais, o novo Ministro de Negócios Estrangeiros (António Monteiro), é um amigo pessoal do antigo Primeiro-Ministro, que conseguiu manter o Ministro de Estado e da Presidência, Nuno Sarmento (que vê aumentado seu estatuto como Ministro de Estado) e José Luís Arnaut, agora Ministro das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional, por procuração. Maria da Graça Carvalho continua no seu lugar como Ministra da Ciência e Ensino Superior e Luís Filipe Pereira continua como Ministro da Saúde.

Também o partido na coligação, o Partido Popular, xenófobo (que apesar do nome conseguiria angariar sensivelmente menos que 5% dos votos neste momento), viu aumentar o seu poder no governo, subindo de três para quatro ministérios e registando uma subida de cotação em termos de peso político, ganhando o Ministério das Finanças.

Assim António Bagão Félix, Independente mas ligado ao CDS/PP, transita do Ministério de Segurança Social e Trabalho para o Ministério das Finanças e da Administração Pública. Luís Nobre Guedes, o número dois do PP, assume o Ministério do Ambiente, que tanto surpreendeu a média em Portugal mas sem necessidade, visto que há um ano e meio dizia ao seu círculo de conhecidos que estava interessado nesta pasta. O novo Ministério do Turismo é criado para Telmo Correia, líder da bancada do PP no parlamento e Paulo Portas, o líder dos Populares, fica como Ministro de Estado e da Defesa Nacional, apesar de ter querido mudar de pasta (já farto de fazer revistas aos tropas e comprar helicópteros e submarinos para enfrentar qualquer eventual invasão da…Quirguistão?)

Dos restantes ministros novos, quantos são “Santanistas” e quantos pertencem às escolas dos barões do PSD, um partido vastíssimo em termos de vertentes políticas do centro e da direita? Poucos. Carlos Costa Neves, açoriano, Ministro da Agricultura, Pescas e Florestas, é próximo do Presidente do Parlamento, Mota Amaral (açoriano). Daniel Sanches, que agora ocupa a pasta de Ministro da Administração Interna, é protegido de Dias Loureiro (que ocupou esta pasta no tempo do Primeiro-ministro Cavaco Silva, 1987 – 1995) e José Aguiar-Branco (Ministro da Justiça, que substitui Celeste Cardona, PP) é amigo do antigo líder do PSD, agora comentarista político, Marcelo Rebelo de Sousa.

Restam apenas sete novas caras escolhidas pelo novo PM/Partido PSD/Presidente Jorge Sampaio (ex-Socialista, hoje em dia, ??). Na escolha de Álvaro Barreto, número dois do governo (Ministro de Estado, das Actividades Económicas e do Trabalho), Pedro Santana Lopes tem um animal político com uma história de grande competência em várias pastas…há dez ou vinte anos atrás. Quem o conhece hoje em dia diz que o Álvaro Barreto de hoje não é a mesma pessoa. Será fundamental seu empenho neste governo novo.

Maria João Bustorff é a novo Ministra da Cultura, Maria do Carmo Seabra assume o Ministério da Educação, Fernando Negrão chefia o novo Ministério da Segurança Social, da Família e da Criança, António Mexia entra na pasta de Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.

Santanistas, Santanistas mesmo…são apenas dois. Henrique Chaves é o Ministro adjunto ao Primeiro Ministro (seu braço direito) e Rui Gomes da Silva é o Ministro dos Assuntos Parlamentares.

Afinal, o novo governo em Portugal é um guisado político com muitos ingredientes, uns mais indigestos que os outros e é precisamente aí que Pedro Santana Lopes vai ser julgado.

Quem o conhece, e apesar dos boatos, sabe que é um homem solidário com seus amigos, com preocupação social, com grande sensibilidade quanto a assuntos de exclusão social e de marginalidade.

Será que Santana Lopes tem a maturidade e a habilidade suficiente para ser um costureiro político capaz de reunir gregos e troianos que se agruparam a volta dele porque Pedro Santana Lopes é a única figura política no governo com carisma e qualidades pessoais capazes de evitar uma eleição precoce?

Ou será que o governo de Santana Lopes, que desde já muito favorece o empresariado português (que pouco ou nada entende da vida diária dos cidadãos), irá desmoronar-se numa guerrilha de interesses pessoais e de grupinhos de pressão?

Muito dependerá de Pedro Santana Lopes, a quem seria correcto e justo dar o benefício da dúvida, uma página branca para ele escrever os primeiros sinais, antes de começarmos a criticá-lo. O resto dependerá dos poderes da oposição, que tem todo o direito, e a obrigação, de se expressar.

Daqui a dois anos veremos se Santana governou bem ou se chegou ao nível da sua incompetência.

Timothy BANCROFT-HINCHEY