novembro 14, 2005

Aventura no rio (Loge)



Nessa manhã de cacimbo lá fomos nós passear té o rio. No caminho se encontramos mais com outros amigos lá do Ambrizete!
Tinham vindo num machimbombo antigo que os Cuembas tinham oferecido ao chefe do posto, assim ele deixava eles caçarem e não fazia queixa no Comandante!
O nosso guia quando perguntava a ele se estavamos perto do rio dizia: Esse morro logo ali vês? Depois ta o rio!
Ora o morro que ele dizia logo ali era longe p´ra ai 1 KM!
Pelo caminho apanhamos umas laranjas, o laranjal era grande e cheio de fruta fresca nesta época do ano.
O pior era mesmo as moscas atraidas pelo cheiro das laranjas. Aqui e acolá se ouvia um "tunda mosca sanhada". As copas frondosas das árvores sempre davam uma sombra fresca e nós lá iamos rindo e brincando de toca e foge.
Falta muito para chegar no rio? O guia olhava em frente e dizia logo rapidinho: Esse morro logo ali vês? Depois ta o rio!
E assim passamos dois morros e na picada vimos as cabras do mato, javali nas espinhaças, pacaças pastando, e gulungos saltitando e brincando. Sem querer esquivamos do guia para apanhar umas mucuas (a sede era muita) e sentamos a descansar.
Depois de meia hora lá fomos nós picada dentro a caminho do rio.
Ao longe viamos uma cacimba (neblina) a levantar por trás do morro e a fazer um meio arco-iris. Era o rio de certeza!
Assim chegamos ao cimo do morro (o terceiro) e lá estava o rio. Correndo serenamente por entre a vegetação, lá ia ele ziguezagueando.
Descalçamos as sandálias, e mergulhamos, chapinhando alegres e divertidos pela frescura da água!
Até a algazarra dos papagaios nas árvores parecia silencio comparada com os gritos e risos da malta a brincar na água!
De repente ouvimos o guia cota a gritar: Jacaré, Jacaré!!
Foi um repente até todos saltarmos para fora do rio assustados, e vermos, sentados na margem, bem afastados da berma, dois grandes Jacarés.
Já estavamos satisfeitos pois o soberano do rio o Jacaré, tinha estado afastado aquele tempo todo que brincamos.
E assim passamos o dia no rio Loge.
O regresso foi com um pôr do sol lindo mas os morros pareciam muito mais longe desta vez.
Que dia! Cinco horas a andar, meia hora a nadar, muita fruta fresca, e até vimos Jacarés além dos outros bichos do mato.
Agora só mesmo um bom jantar e cama!
Que bom ser criança nesta terra do Ambriz.


Publicado por rakar às 01:02 AM | Comentários (0)

Memórias de criança ( a caçada )

Ainda era na verdade muito tenro o garoto com apenas seis anos e já se atrevia a pedir aos mais COTAS (mais velhos) para que o levassem na caçada, tinha tanta vontade de ver como era essa coisa das caçadas. Afinal durante meses ele fez um pouco de tudo, desde limpar as caçadeiras, preparar os cantis, e até na limpeza dos Jeeps ele era eximio e muito cuidadoso. Certas noites assim que o grupo saia para as caçadas ele sonhava que sentado na carroçeria dum lindo Land Rover, apontava a mata e dizia onde estavam as pacaças ( animal de grande porte tipo bufalo) , e era logo acarinhado pela sua perspicácia por todos os caçadores. O mais triste era quando acordava e realizava que tudo não tinha passado de um sonho! Mas como o sonho comanda a vida, lá se entretinha a brincar com os seus Jeeps de lata e rodas feitas de tampinhas de cerveja, usando o quintal como verdadeira mata de grandes perigos á espreita! Tal era o seu entusiasmo pelo sonho de um dia ir a uma caçada, que certo dia se preparou para a grande aventura, pois seu tio e alguns amigos, queriam ir de madrugada á caça de Javalis e como o guia deles se tinha deslocado ao Kimbo nesse dia para o funeral de um familiar, eles precisavam de ajuda para as várias tarefas que os esperavam, e o garoto tinha fama de ser muito práctico e grande entusiasta da caça, por isso logo o chamaram para se juntar a eles nessa madrugada!! Esteve o garoto acordado noite fora, ansioso pela hora da partida e revendo tudo o que tinha aprendido nas conversas de seu Pai com vários amigos a fim se não fazer má figura. Pela janela do quarto as côres arroxeadas com laivos avermelhados tão tipicas do nascer do dia por estas paragens, começavam a ver-se no horizonte. Tinha tudo preparado e assim desceu á sala para comer o mata-bicho que nesse dia tinha um aroma e sabor muito diferente de todos quanto se lembrava. Que delicia estão as torradas e o bolo está mais saboroso, exclamava para sua Mãe! Mal mastigou uma torrada e mordiscando uma fatia de bolo, saiu a correr em direcção ao grupo que estava quase a sair para a caçada. As pequenas aves madrugadoras chilreavam e esvoaçavam á volta dele, pela calçada do caminho de jardim os dois sardões seus velhos companheiros de brincadeira,espetavam os seus longos pescoços para cima para chamar a atenção do garoto, mas que estranho mundo este, pensavam os sardões, já o garoto não nos liga nenhuma, se calhar pensa que é Homem e já não nos digna com uma de suas brincadeiras. Sem dar por isso de repente lá ia ele sentado no lugar do farolim, posição de muita importância segundo lhe disseram os caçadores, e ele via agradado que confiavam na sua atenção e destreza para ocupar tão importante lugar no grupo de caça. Era uma madrugada linda, e a caravana seguia devagar pela picada (trilho estreito por entre a mata cerrada) com o garoto a farolinar atento á esquerda. á direita e sempre muito devagar como aprendera! Entretanto observava satisfeito as diversas espécies de animais que farolinava como gazelas, macacos, cabras do mato e por cima da caravana grandes abutres voavam a grande altitude, esperavam certamente que a caçada começasse para depois se alimentarem dos restos da caçada, pois por vezes os animais feridos escapavam aos caçadores servindo depois de repasto a estes necrófagos por excelência! O Land Rover onde seguia era o primeiro da caravana e atrás nas Chevy´s e nos Jeeps Willys vinham os turistas, de máquinas de filmar em riste ansiosos por gravar algumas imagens da vida selvagem para depois mostrarem aos seus amigos nos EUA! De repente o seu farol focou dois olhos como que arroxeados e fixos!! Era uma peça grande de certeza e estava imóvel fixa na luz do seu farolim! O seu Tio reduziu a velocidade que já era muito pouca, cerca de 10 KM hora, e imobilizou o Landarova (assim era designado em linguagem local) com cuidado. Era o momento que todos esperavam! Ali estava aquela bela Pacaça, imóvel, observando com atenção a luz forte que não conhecia, e os turistas extasiados filmavam ávidamente tão belo animal, excitados e felizes não se continham em exclamações de alegria, e eram logo admoestados para falarem baixo, não fosse assim a Pacaça assustava-se e debandava! Pouco depois os caçadores começaram a preparar as armas para decidir quem faria o tiro! Coversavam entre eles sobre quem faria o disparo, quando de repente a pacaça se mexeu e mudou de posição, tinha-se deslocado para um novo sitio que a colocava numa linha entre o primeiro e o terceiro Jeep. Agora o garoto não podia farolinar mais os olhos do animal e sentiu nesse momento uma grande alegria, invadiu-o uma sensação de profunda satisfação, era como se tudo estivesse de acordo com a sua ideia de liberdade! Que bom não poderem disparar e abater tão belo animal! Era grandioso e de olhar dócil apesar dos seus 300KG e chifres longos e aguçados! Logo de seguida, como por empatia a Pacaça, abanou a grande cabeça vigorosamente e disparou a correr afastando-se mata dentro! Ufa que alivio pensou o garoto, eles não o vão abater! E assim, de seguida, a caravana retomou a lenta marcha embrenhando-se mata dentro com todo o cuidado, pois estavam a chegar á area de outro tipo de animais de porte, mas estes muito mais perigosos. Era o território do Rei da selva o Leão!! Era já o romper do dia e junto a uma linda lagoa lá estava o grupo de Leões a dormitar á sombra de grandes acácias, e a caravana imobilizou-se para os turistas fotografarem e filmarem tão belos animais. Disparar nem pensar disse o Tio, o que encheu de alegria o garoto, finalmente tinha tido a sua experiência de caça , e sem derramamento de sangue nem abate de animais. No regresso a casa disse a sua Mãe: Nunca mais quero ir á caça, e espero que proibam o abate de animais nesta terra! E lá voltou ele a brincar com seus Jeeps de lata e rodas feitas de caricas, mas nunca mais brincou ás caçadas!

Publicado por rakar às 01:16 AM | Comentários (0)