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novembro 16, 2004

o tombo

Rodávamos a uma velocidade de sessenta quilómetros-hora pelo trilho duro e traiçoeiro da picada, em contraste com as duas horas que leváramos para atravessar os seiscentos metros de anhara de barro vermelho e lamacento.

A prancha não fôra fixa ao taipal lateral, como se impunha. Por incúria, ou talvez a pensar que mais à frente se ia ficar atascado outra vez, atirara-se para a carroçaria da Berliet.

Costas com costas doze militares sentados.
De repente a Berliet afocinha num burado traiçoeiro e tomba para o lado direito. Com ela os doze soldados. Alguns gritos, ordens rápidas, e camuflados rastejantes procurando abrigo, não fosse prenúncio de emboscada. Depois... só silêncio.
E no silêncio eterno ficaram três soldados de crâneo aberto pelo embate da prancha abandonada, por incúria, na carroçaria.

***de "raízes esquecidas"

Publicado por Alvaro Giesta às novembro 16, 2004 09:14 PM

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