15 de maio, 2005

pink blood

MRP voltou. FJV recebeu-a. Ela esconde a magreza com um fio de pele e um disco de plástico rosa ao pescoco. Ela considera-se uma escritora pop, logo uma Lichtenstein ou uma Wharol (sic). Fala de Rosa Mantero com propriedade. Fala da vida de "pessoas como nós" como sabendo a verdade certa e a errada, e como devem ser distribuídas. MRP deixa no ar a hipótese de FJV não ter lido bem o livro, um ou dois minutos depois, ela descobre algo novo no seu livro pela mão dele. Ela sabe vender o seu trabalho: fala da culpa judaico-cristã, da violência doméstica... E num só parágrafo escreve cinco (5) vezes "merda". E escreve frases como "Sou uma puta fixe". MRP continua dentro... Afinal eu nunca li livros dela. O que ela diz é suficiente para eu não querer lê-la. Esta minha conversa está vazia desde o início. [...] E nem fodê-la, fique claro. Não faltam objectos para amar com sentido.

Escrito por jm às 14h15... | Comentários (3)

25 de abril, 2005

25 de Abril sempre

porque falta construir um presente diferente. contra poderes únicos e sectaristas. porque há quem pense num país como uma quinta fechada e delimitada por arame farpado. porque a liberdade só existe na formação da gente que é nova e ainda não chegamos lá. porque o 25 de Abril está ainda longe da meta.

cravo vermelho

Escrito por jm às 12h29... | Comentários (1)

9 de janeiro, 2005

resistir é o que os parasitas fazem!

porque interessa sabermos colocar as pilhas num rádio em caso de acidente violento, de preferência natural. se ainda tivermos rádio de pilhas em casa. interessa saber onde colocar as pilhas. não será útil ir a correr á loja para mudar as pilhas ou carregar as pilhas como tanta gente faz com as másquinas de fotografar que possuem... se não for intuitivo, leia-se o manual. um mini livro de caracteríticas didáticas que costuma acompanhar dispositicos mecânicos e electrónicos ou mesmo puzzles e jogos intelectuais. READ THE FUCKING MANUAL deveria vir em letras gigantescas no lado de fora da caixa de todo o objecto que dele necessita. em Portugal deveria constar a frase LEIA A PORRA DO MANUAL, numa tradução menos chocante, acompanhado de SEU IDIOTA DE MERDA.

a nação resiste! a nação de lêndeas!

o pessoal deixou de ler manuais desde que abandonou a primária. os manuais escolares não eram bem lidos... eram mais as páginas que a prof. mandava.

os governantes não lêem manuais... são eles que os fazem, mas não os lêem. as revisões são escassas. e a aplicação dos manuais fica-se perto do zero. e eles lá resistem! e os que os apreciam vêem-se ao espelho. nunca mais vem um tsunami para esta zona?

Escrito por jm às 21h22... | Comentários (6)

29 de novembro, 2004

natureza morta

o rio vermelho em posição parado imóvel metafísica da imobilidade que nada está imóvel se não de facto o rio vermelho que já não é rio e segundo muitos nunca foi mas agora é apenas um fio de água sem crianças à beira sem a alegria dos namorados nem a vertigem do caminho em direcção ao futuro que é já a seguir

o rio vermelho continua morrendo por este leito de agonia

Escrito por jm às 16h57... | Comentários (2)

25 de outubro, 2004

SIS à espreita com o olho do cu

Para contentamento de muita gentalha, andam por aí os SISters a fazer olho gordo despropositado e sem sentido... sentido? Saberão o que significa putanheiros de merda?

Gente que governa e outros a mando são governados sem se interrogarem. Dá-lhes prazer uma certa ordem... experimentem uma com pau de vassoura, mas longe, longe!

O SIS e os seus SISters. Santana e comadres, tricot de sala bafienta. Não olho para trás! Olho para a frente e vejo o vómito.

No dia 19 de Outubro do corrente ano da graça do Santana e Portas, por obra do Sampaio, Possidónio Cachapa escreveu isto:

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O REGRESSO DA PIDE

Estou a avisar há uma série de tempo que este início de século, em Portugal, será uma época de barbárie onde os valores mais retrógrados e confundidos irão causar dano...
Eis a prova:

Telefonam-me do "CRIME", para me interrogarem a propósito de um relatório que o SIS (Sistema de Informações e Segurança) lhes teria fornecido (vendido?) em que uma das minhas obras era referida. Aparentemente, sou citado, ao lado de Thomas Mann e de André Gide, como um dos escritores que escreveram livros que "apresentam a pedofilia a uma luz favorável". O livro em questão é A Materna Doçura. O meu primeiro romance entra assim para o Index 5 anos após a sua publicação (o que só abona a favor da penetração da Oficina do Livro entre os meios... por assim dizer, policiais...).
E aqui estou eu, que nunca lidei de perto com a PIDE e não percebo nada de estar fichado por ter escrito um livro obviamente não lido, chocado...
Ainda mais com pasquins a farejar sangue (ainda que inexistente...), sempre atentos na produção de lama.
Quem nos protege disto?

O Sântano é ainda mais triste do que eu pensava...

ps: se não fosse desolador ver que o dinheiro dos nossos impostos vai para os ordenados de pessoas que perdem tempo a ver em livros "matérias proibidas", em vez de andarem atrás dos gangs de criminosos que matam e lesam economicamente o país, seria risível. Assim, nem por isso.

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Escrito por jm às 23h40... | Comentários (4)

13 de janeiro, 2004

por Angola, pela amizade, por um futuro livre

por uma Angola livre e não humilhada. numa Angola que não será liderada por José Eduardo dos Santos e o seu séquito. contra os portugueses que continuam a insistir em partilhar a mesma mesa com homens de Angola; homens que vilependeiam Angola e a destróiem.

José Eduardo Agualusa escreveu na Pública de ontem, a seguinte crónica:

«A POLÍTICA REAL DOS CASAMENTOS
Domingo, 11 de Janeiro de 2004

Na generalidade dos países a classe política divide-se entre o governo, os apoiantes do governo e a oposição. Em Angola não existem apoiantes do governo. Aliás, a bem dizer, nem sequer existe um governo. Todo o mundo está na oposição. A oposição critica os ministros e o Presidente. Os ministros criticam-se uns aos outros publicamente e, em privado, criticam o Presidente. O Presidente critica a oposição, critica os governadores, critica os ministros todos. Também não há aquilo a que noutros países se chama Estado. Num gesto de extraordinária clarividência política José Eduardo dos Santos tratou, ao longo destes últimos anos, de extinguir o Estado. Em lugar das instituições do Estado existem hoje uma série de prósperas empresas privadas, nas áreas da educação, higiene, comunicação, saúde e segurança, ligadas ao Presidente, à família presidencial, designadamente à Primeira Filha, ou a pessoas da sua maior confiança. Não havendo Estado fica o país protegido desse mal tão comum a sul do equador - os Golpes de Estado. Foi, estou em crer, um golpe de génio.

Li atentamente alguns dos artigos que apareceram na imprensa portuguesa criticando, ou apoiando, o primeiro-ministro Durão Barroso por ter aceite abrilhantar, em Luanda, o casamento de uma das filhas de José Eduardo dos Santos. Vários articulistas manifestaram a sua indignação pelo facto de um presidente de esquerda desperdiçar tanto dinheiro numa cerimónia de casamento, quando, em Angola, milhares de pessoas sofrem com fome. Este qualificativo, "de esquerda", há-de ter irritado Eduardo dos Santos mais do que a fome alheia. Caramba!, ele deu-se ao trabalho de organizar aquele faustoso casamento, trazendo de Lisboa todo o jet-set português (seja lá o que isso for) precisamente para se demarcar da esquerda. Erros da juventude. O primeiro-ministro Durão Barroso sabe bem do que falo. É verdade que a bandeira angolana, ainda em vigor, apesar do parlamento ter já aprovado uma outra, exibe símbolos, digamos, comunistas. Mas isso é puramente uma questão de amor à moda, é fashion - soviet chic. Também se diz que se a nova bandeira ainda não tremula ao vento, nos edifícios públicos, é porque se torna cada vez mais difícil distinguir os edifícios públicos dos privados.

Já o director do Expresso, José António Saraiva, entendeu apoiar o primeiro-ministro português. Na opinião de Saraiva o importante é que Portugal mantenha boas relações com Angola, país com o qual terá muito a lucrar num futuro próximo, e a forte amizade que liga Durão Barroso a José Eduardo dos Santos é a melhor garantia de que esse futuro de bons negócios está assegurado. O director do Expresso só lamenta que o Presidente angolano não tenha mais filhas em idade de casar - e já agora, acrescento eu, dispostas a unirem-se a cidadãos portugueses. É todo um original projecto político que aqui está desenhado. George Bush, por exemplo, teria feito melhor em casar a sua filha com um dos filhos de Saddam Hussein. Evitava-se o derramamento de sangue, bem como todos os custos políticos e económicos resultantes de uma guerra em larga escala, e assegurava-se na mesma o acesso ao petróleo iraquiano.

Se José António Saraiva lesse o Expresso saberia que existe em Luanda uma aguerrida imprensa independente. Se lesse essa imprensa saberia que o casamento da filha de José Eduardo dos Santos foi muito mal recebido pela generalidade dos angolanos. Acreditará José António Saraiva que é possível a Portugal manter boas relações com Angola, a longo prazo, desrespeitando e humilhando os angolanos?

Mais tarde ou mais cedo haverá eleições em Angola. O partido no poder não tem já forças para contrariar o processo de democratização. Enfrenta, por um lado, o renascimento da sociedade civil. Confronta-se, por outro, com as correntes renovadoras dentro do seu próprio seio, e se é certo que estas ainda se mostram muito frágeis, também me parece óbvio que começam a perder o medo. Até lá - às eleições - muita coisa pode ainda acontecer. Em democracia nada é certo. Os amigos de Durão Barroso, por exemplo, podem perder o poder.

Salvo uma ou outra honrosa excepção os dirigentes políticos portugueses não gozam em Angola de grande respeito. Nunca souberam dar-se ao respeito. A impressão que os angolanos têm, e que artigos como os de José António Saraiva reforçam, é que os dirigentes e empresários portugueses estão apenas interessados em bons negócios. A isso não se chama amizade.»

Escrito por jm às 10h33... | Comentários (25)

6 de janeiro, 2004

Filhos da PUtA - Política de Utilização Aceitável

A TV Cabo, empresa prestadora de serviços exclusivos de má qualidade, remeteu hoje aos seus clientes o seguinte e-mail:

Estimado Cliente, A TV Cabo adoptou uma Política de Utilização Aceitável (PUA) do Serviço NetCabo, que integra regras de boa conduta na utilização da internet, no sentido de promover práticas que não sejam prejudiciais aos subscritores, em geral, e à comunidade de utilizadores dos serviços de internet e, dessa forma, contribuir para a oferta de um serviço cada vez melhor e com mais qualidade. Estas regras entram imediatamente em vigor e são aplicáveis a todos os Clientes NetCabo, pelo que deverá consultar a PUA através do endereço www.netcabo.pt/pua. Com os melhores cumprimentos, TV Cabo Portugal Direcção de Marketing

Existe neste documento uma tentativa deliberada de controlo absoluto das acções dos clientes enquanto indíviduos cidadãos de uma democracia. Existe, com extrema evidência, uma fonte acusatória: a TV Cabo, cuja premissa é não ser responsável por nada que contrarie a sua convenção unilateral.

Temos (utilizadores Netcabo), neste momento, sobre nós a possibilidade de sermos acusados por qualquer entidade ou pessoa de não cumprimento da PUtA e, assim, a TV Cabo, de nos suspender o acesso ao serviço NetCabo.

Escrito por jm às 11h43... | Comentários (8)

24 de dezembro, 2003

movimento

estou num sítio interessante. estou longe do meio genérico de uma véspera de natal. estou num sítio onde se vê que os portugueses são uns labregos e que mesmo durante as reuniões familiares do jantar de natal (,de que tantos se orgulham como elemento natural que eleva valores morais), sabem bem afastar-se delas: pecadilhos, e tentar, dizem eles, resolver problemas consumistas: disfarces.

os portugueses sabem que as reuniões familiares são um momento tenebroso e que geram conflitos reprimidos. os portugueses sabem que o natal é uma hipocrisia. mas não o admitem. mas continuam a popular demagogicamente ideiais de moral concreta, que não passam de vontades travestidas.

falo genericamente, fique claro.

Escrito por jm às 21h55... | Comentários (4)

20 de dezembro, 2003

Hititas

os portugueses não nasceram com Viriato! o Viriato, nada querido ao Estado Novo, não é o Adão dos portugueses!! Os portugueses são descendentes de hititas! Esta é a tese de Augusto Ferreira do Amaral, para breve em livro, A Escrita e a Língua do Sudoeste... e apresentada na Grande Reportagem de hoje.

Finalmente, vamos perceber que os celtas não nos ajudaram muito, neste caso importa salientar que ajudaram a esquecer a escrita... Elemento recuperado com a presença dos romanos.

Vou guardar em memória este lançamento... penso que, finalmente, vou ler um livro de tese histórica com gosto!

Escrito por jm às 19h39... | Comentários (4)

19 de dezembro, 2003

a bolha de sabão

A existência precária de uma bolha de sabão assemelha-se em muito à actividade mental humana.

Frases assim ditam o mundo como uma bola de felpo imundo. Mas não fosse este adjectivo e até lhe achavamos alguma graça.

Alguns de nós são felizes, estou em crer. Nós, eu na massa humana. Eu considerando que nenhum dos leitores deste local é feliz... desgraçando o nós. Arrepiando o pêlo, em consideração pelos demais.

O senhor da papelaria, que me quis vender três x-actos, não saberia o que fazer com a incompreensão de um cliente que o sacudisse e lhe dissesse: senhor, que pensa você desta notícia escrita nas nuvens e atirada às valetas pela chuva?

Ainda na lenga-lenga do Canibal, ouve-se: a chuva é o meu conforto

Não temos rigorosamente nada para dizer uns aos outros, somos tristes e assumimos tal facto com um sorriso nas trombas e não somos pobrezinhos ou coitadinhos... olhamos os outros pelas veias e não pela roupa que envergam.

A bolha de sabão não resistiu este tempo todo, mas outra virá para a substituir.

Escrito por jm às 20h53... | Comentários (0)

30 de novembro, 2003

em banho maria

globalmente, no mundo, o capitalismo trouxe de volta a ignorância. a ignorância é a solução ditatorial e totalitária para que o poder regente não seja posto em causa: assim temos uma espécie de igreja: fanáticos com poder.

a população portuguesa é uma esponja no que toca a valores globalizantes, sejam eles de facto globalizantes ou simplesmente caracterizados por uma actuação governativa de interesses. os interesses são, definitivamente, o que move as esferas do poder, esferas estas que ou detêm o poder ou lhe acedem indirectamente por meios pouco claros, embora há muito esclarecidos.

a população portuguesa, e não só, tem agrado em ser ignorante, cede facilmente à necessidade de ordem imposta e perturba-se com a abstracção.

curioso é ver que uma governação hesitante, apesar de castrativa, deixa em aberto várias ideias, tais como: a população é assim porque não existe ordem; a população é assim porque existe perda de valores - quero dizer aqui que recuperá-los implica voltar atrás e não uma transformação; tudo o mais exige uma reacção ou uma revolução.

neste momento é claro que não existe espaço para revoluções. o poder foi distribuído de uma forma que equilibra a defesa dos interesses de vária ordem, inda que em permanente conflito.

portanto reage-se: reage-se à direita e à esquerda, radicalmente. os discursos são, no entanto, abstractos. à esquerda são abstractos porque ninguém entende o que é a recriação das estruturas a partir da base, isto é, dar capacidade às bases da sociedade de modo a que ela intervenha. à direita são abstractos por serem obscuros: recriam-se mílicias, utilizando a base da sociedade como massa bruta para fundir vontades de mudança com elemento de combate físico, e geram-se cúpulas de interesses que coordenam regras normativas.

a direita tem valores morais antigos, antigos por serem de há muito tempo e recuperados sempre pelas novas gerações, mesmo que os grupos associados ao pensamento de direita tenham sofrido mutações mais humanistas. mas, essencialmente, as regras são fundamentais. as regras desta direita reduzem os direitos, restringem o verbal a um infíma parte do vocabulário disponível e a conversa a uma vertente única de felicidade.

a esquerda, munida dos intelectuais, apresenta conflitos internos quanto aos métodos de intervenção directa e, sabemos, acaba por não acreditar na mutação da sociedade ignorante, de tão acéfala e pouco disponível para aprender que esta se mostra.

acredito pois que em breve teremos células de reacção à ordem instituída. em breve teremos intolerância ainda mais visível e próxima de todos nós. e os mesmos que apelarão à calma e à segurança serão os instigadores morais e reais das atitudes condenadas.

o poder cairá - se não caíu ainda - nas mãos dos interesses de poucos elementos: reaccionários e violentos, cujo objectivo não é mais do que alegrar na ignorância uma população já alegre e ignorante, mas ainda cativada por uma liberdade de movimento, mas já castrada intelectualmente - por isto inacessível à esquerda.

este país não teve uma guerra civil no século passado, para fazer estremecer os espíritos incautos, e as novas gerações não sabem o que significa, por lhes ter sido ocultado, a permanência duma letargia imposta durante 48 anos... a letargia, apesar de tudo, é agora continuada de uma forma mais subreptícia.

Escrito por jm às 21h58... | Comentários (4)

22 de novembro, 2003

"fuck USA politics" a message from USA

roubado ao Universos Desfeitos, que já o tinha recebido de outro lugar...

Escrito por jm às 23h55... | Comentários (4)

humpf!

o Mil Folhas - coisa impregnada de vícios e de estrutura calibrada - passa bem pelo suplemento sobre leitura (e associados) mais interessante - neste país - dos mecanismos de comunicação social em papel-jornal.

do Mil Folhas, como de outros, extraem-se sumos de diferente sabor... mas a cereja, mais rara, acaba por aparecer, mais semana menos semana.

a cereja existe sempre, a meu ver, desde que surja uma crónica de Jorge Silva Melo. a vivência deste senhor alegra-me a cada passo de leitura como me entristece o seu sentido de realidade, e tudo isto me deixa contente e com uma noção de algo novo.

hoje, Silva Melo, faz-nos uma visita sobre a relação com a arte (da escrita ou da imagem) que não entendemos e de como tão poucos admiram a arte que se não entende, exactamente por esse motivo pouco claro de futuro perene.

Obrigado!

Escrito por jm às 19h33... | Comentários (3)

21 de novembro, 2003

foi você que pediu um aumento de impostos?

eu aceito os impostos. eu pago os impostos. sinto-me obrigado e sou obrigado e sou coagido. há quem não pague impostos e se sinta feliz e rico.

que os carburantes sejam aumentados como coacção à não utilização de veículos particular, por mim tudo bem, MAS

1. o estado deve fornecer uma rede pública de transportes abrangente, flexível e segura
2. os meus rendimentos, enquanto trabalhador por conta de outrém, devem estar nivelados com as minhas despesas fundamentais
3. estar na cauda da europa significa hoje pagar o mesmo ou mais mas sem sobrar o mesmo
4. estar nos primeiros lugares da europa - como Portugal está em tantas situações - significa ser considerado filho dum país podre

para meu contentamento, são os outros que me dizem ser filho deste país... para minha tristeza não me considerar filho deste país não altera a minha realidade.

Escrito por jm às 00h28... | Comentários (14)

3 de novembro, 2003

Agualusa de Angola

José Eduardo Agualusa, numa crónica da Pública, apresenta-nos um ponto de verdade. Muitos dirão: "pretos, não sabem comportar-se" ou algo pior... Em Angola existem ainda os honestos... Ou de Angola ainda vem honestidade...

Questiona-se: «(...) quantas pessoas ouviram falar, por exemplo, em Rui Duarte de Carvalho, enorme poeta, antropólogo, cineasta, uma das mais extraordinárias e complexas figuras da cultura lusófona? Quantas pessoas conhecem o pintor António Ole, os editores e animadores culturais Jacques dos Santos e Adriano Botelho de Vasconcelos, o actor Orlando Sérgio, o guitarrista e compositor Carlitos Vieira Dias, o cineasta Zézé Gamboa, a bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques? Quantas pessoas, fora de Angola, ouviram falar em Aguiar dos Santos, em Américo Gonçalves, em Rafael Marques, em Tandala Francisco, entre muitos outros, jornalistas que com assombrosa coragem têm enfrentado o poder, denunciando a corrupção e a incompetência? »

Como é possível aos governos portugueses não tomarem medidas coercivas face ao não avanço da democratização do país? Antes, entram em jogos económicos e perdões de dívidas que só prejudicam o estado e melhoram as condições dos patos bravos e barões de ambos os países?

Escrito por jm às 10h52... | Comentários (0)

29 de outubro, 2003

Llosa vs Gauguin 2

Para acerto da verdade, duma certa realidade, enfim, para que se saiba, Nelson de Matos, além de ter vindo até este blog responder no post anterior, enviou uma breve missiva ao Público, em resposta à carta da bisneta de Gauguin.

Esta missiva responde em pleno às questões levantadas ontem. Transcrevo o texto publicado no jornal:

«"O Paraíso na Outra Esquina"
Quarta-feira, 29 de Outubro de 2003

Permitam-me que comente a carta de Mette Gauguin publicada na edição de 28 de Outubro. A Dom Quixote, ao saber que uma bisneta de Paul Gauguin residia em Portugal, teve o cuidado de a contactar convidando-a a estar presente num almoço com o escritor Mário Vargas Llosa, autor do livro "O Paraíso na Outra Esquina", recentemente publicado, e de que tivemos também a atenção de lhe oferecer um exemplar. Recusou Mette Gauguin este convite, declarando-se ofendida e chocada com o conteúdo do livro, nomeadamente no que diz respeito às referências sobre opções sexuais do pintor e de Flora Tristan. Insiste agora, de novo, neste tema, na carta endereçada ao PÚBLICO, referindo-se ao livro de Vargas Llosa como biográfico. Ora o livro de Vargas Llosa não é, nem pretende ser, uma biografia de Paul Gauguin. É um romance, uma obra literária, um texto de ficção, com todas as liberdades criativas e imaginativas que isso implica. Lamento que Mette Gauguin não entenda esta distinção, que lhe foi explicada, continuando a declarar-se ofendida com a publicação do livro.

Nélson de Matos

editor»

Escrito por jm às 19h29... | Comentários (2)

28 de outubro, 2003

Llosa vs Gauguin

no dia 5 de Outubro, Nelson de Matos, anunciava no Textos de Contracapa a vinda de Mario Vargas Llosa a Portugal. O entusiasmo do editor notava-se grande e deve ter sido... nesse anúncio escreveu Nelson de Matos:

«Para além do programa normal da sua estadia vamos tentar surpreendê-lo, a propósito do tema deste seu novo livro, organizando um encontro com uma Senhora, neta de Gaugin, que vive em Cascais.»

A família Gauguin - sim, esses mesmos! - é o centro do romance ficcionado "O Paraíso na outra esquina".

O que me espantou foi, hoje, ler a carta, enviada ao director do Público, de Mette Gauguin, a tal senhora neta do pintor. A senhora está muito ofendida com o romance, ela e os seus antepassados. Além de não acreditar na fórmula romance em prol da biografia... Ela chama mentiroso ao escritor. Suponho que ela não terá aceite a visita de Llosa.

Comente, por favor, Nelson de Matos!

Escrito por jm às 10h57... | Comentários (6)

27 de outubro, 2003

Deve ser amigo

Um escritor de barbas que deu uma entrevista à jornalista Ana Sousa Dias há alguns meses e cujo nome infelizmente não fixei, disse que não escrevia livros para construir casas com piscinas. Deve ser amigo do Eduardo Prado Coelho. Este tipo de comentários fazem-me lembrar os meus tempos de liceu em que as sonsas se juntavam num canto para dizer mal das outras e depois voltavam ao centro do recreio deixando cair aqui e ali insinuações maldosas.

Adivinhem lá quem escreveu isto?

Escrito por jm às 09h44... | Comentários (51)

21 de outubro, 2003

logo após

logo após o post sobre a minha inconsciência do presente, segue, para memória futura o texto lido, hoje, pelo Presidente da República.

fonte: Público

Comunicação do Presidente da República
21 de Outubro de 2003


Portugueses,
A administração da Justiça é uma função essencial do Estado, que tem de exercer-se num quadro de serenidade e de confiança.

Serenidade e confiança nas instituições judiciais e nos procedimentos que aplicam, serenidade e confiança nas pessoas investidas na função de fazer Justiça.

E isto é tanto mais necessário quanto mais graves forem as questões a julgar e quanto maior for a inquietação que elas possam gerar na comunidade.

É por isso que os apressados julgamentos de opinião pública são a pior maneira de procurar a Justiça; e é também por isso que se impõe encontrar um ponto de equilíbrio entre, por um lado, as legítimas exigências de informação e o escrutínio democrático da Justiça que ela ajuda a viabilizar, e, por outro, a garantia de um julgamento célere e equitativo, no local próprio - que são os tribunais e só eles.

Ao Presidente da República cabe zelar pelo regular funcionamento das instituições.

E por isso tem vindo a lembrar princípios essenciais que visam assegurar que o processo penal e a investigação criminal, que o serve, só estão de um lado - o da Justiça; e que estar do lado da Justiça exige que se protejam, com igual empenho, os direitos das vítimas e os direitos dos arguidos, para que à desgraça de não termos sabido cuidar das crianças que nos foram confiadas se não venha somar a desgraça de não termos feito Justiça, ou de termos ficado indesculpavelmente aquém, ou ao lado, na punição dos que delas criminosamente abusaram.

Desses princípios essenciais fazem parte a presunção de inocência; a lealdade processual; o uso ponderado e proporcional de poderes e de medidas, sobretudo quando, como a prisão preventiva, restringem direitos e liberdades fundamentais; a observância do segredo de Justiça, para a indispensável reserva das investigações e para a protecção do bom nome das pessoas.

No exercício das suas funções, o Presidente da República está na posição singular de ter direito a toda a informação necessária e legítima, e de nessa posição se relacionar com todos os órgãos do Estado e seus titulares.

Mas porque assim é, está fora de questão - e os Portugueses que me elegeram duas vezes bem o sabem - que o Presidente da República pudesse usar tal informação ou aproveitar tais relações para fins menos legítimos, designadamente - que fique bem claro- para obstruir ou influenciar a marcha da Justiça.

Posto isto, é tempo de ordenar prioridades e de não esgotar o empenho cívico dos portugueses em questões que, por mais decisivas que sejam - e são - para a moralidade colectiva, representam apenas uma parte do país que há para construir.

A ultrapassagem dos bloqueios do desenvolvimento e das crónicas deficiências estruturais constitui uma indeclinável prioridade do Governo. E essa ultrapassagem exige a mobilização de todos os Portugueses.

Defrontamo-nos, além disso, com um reordenamento estratégico e crucial da União Europeia, que irá influenciar a sua evolução, e projectar-se, assim, nas expectativas e interesses de Portugal, como Estado membro, e dos seus cidadãos.

A Justiça, em geral, e não apenas um processo, aguarda a reforma que agilize o sistema e o torne, finalmente, célere e equitativo.

Perante tudo isto - que é muito, e que é o essencial dos desafios que nos estão colocados - não faz qualquer sentido que as prioridades e preocupações dos portugueses continuem a ser, diariamente, secundarizadas, por uma qualquer novela judiciária, tantas vezes com criminosa e despudorada violação do segredo de Justiça, que não pode, naturalmente, ficar impune.

Novela judiciária que nos distrai de todas as outras preocupações e projectos, igualmente essenciais, e acaba por constituir, no alarido criado, entrave de monta a uma administração da Justiça que convença pela sua equidade, pelo seu equilíbrio e pela sua serenidade.

É isso que é próprio de uma nação que administra Justiça há muitos séculos, que se revê nas virtudes e nas capacidades que a trouxeram ao século XXI, e que não se deixa vencer pelo desânimo e apatia colectivas só porque no percurso da modernidade há males antigos a combater.

Por mais doloroso que seja este tempo, façamos dele um tempo de esperança.

Escrito por jm às 23h16... | Comentários (0)

15 de outubro, 2003

PREZ e UE

numa destas noites discutia com algumas pessoas o tema das presidenciais: de quem será o candidato da esquerda? pois, o candidato da esquerda, não das múltiplas esquerdas.

a razão verá pesar a direita, circunstancial e oportunista, ela saber-nos-á indicar com precisão a escolha do Alberto João ou outra ainda por criar, mas e a esquerda?

falou-se num nome que me agradou, mas existe um possível problema para a mentalidade mesquinha do povo que luta sangue e suor por um rectângulo mínimo... assim, será que a esquerda vai votar no Freitas?

as europeias e o possível referendo à constituição europeia já me estão a fazer comichão, mas a conjuntura obriga a marcar uma luta cerrada à direita e aos salões de chá.

o(s) constitucionalista(s) que se lembrou da regra básica de que dia de referendo não será nunca dia de eleição, revela-o pensante e promotor contra a instrumentalização do referendo, que não tem a ver com partidos mas com consciência e cidadania.

mudar a lei em benefício da governação presente e futura, parece ser um dos motes deste governo. ao se permitir uma votação para eleições e referendo num mesmo dia, não existirá mais que um espelhar partidário politizado nos resultados.

no que diz respeito à constituição, a falata de informação é tanta que a maiorira não tem nenhum interesse em promover a educção necessária sobre o tema, preferindo um referendo sem informação a nenhum referendo, estabelecendo a propósito de que o povo decidiu.

não estou a emitir qualquer opinião contra ou a favor da constituição europeia, quero sim afirmar que a maioria de direita não pretende mais do que o conforto dos bastidores para agir e tomar decisões de tão grande importância.


para download: Projecto de Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa

Escrito por jm às 13h04... | Comentários (0)

12 de outubro, 2003

o saque do Museu Nacional do Iraque

estatueta de mulher em mármore, período sumérioconhecer as obras que foram saqueadas do museu durante a guerra e antes(?) da invasão do Iraque, pode ser um trunfo para as recuperar.

com essa perspectiva, o jornal The Art Newspaper apresenta-nos uma secção dedicada ao acervo desaparecido, que inclui fotos dos objectos - as fotos são retiradas do único catálogo do museu, publicado em 1975/6.

a secção pode ser visitada aqui

Escrito por jm às 19h00... | Comentários (3)

merda às colheres

em notícia publicada ontem, dá-se conta do interesse do estado sobre os jovens portugueses para o serviço militar. lê-se que na falta de obrigatoriedade do serviço militar, outros países têm um dia da defesa nacional em que se obrigam os jovens a um dia de propaganda nacionalista e militarista. e, assim, aqui se cumprirá o mesmo, obrigando jovens de Lisboa a um dia no Alfeite a levar com propaganda.

talvez falte esclarecer o estado que, tal como surge no artigo, ainda existe serviço militar obrigatório, que ainda se gasta demasiado dinheiro com questões que não alimentam o dia-a-dia de muitos portugueses famintos.

escreveu o Prazer_Inculto que o Paulinho das Feiras quer ver os jovens desfilar para lhes tomar as medidas, não deixando de discordar, questiono ao estado o que nos interessa um serviço militar? e em segundo plano, o que nos interessa um serviço militar constituído por pessoas com vontade zero de a ele pertencer?

com o país numa situação económica degradada, vemos alguns, a la americana, correr para empregos militares, mesmo assim, não parece haver motivação monetária suficiente para que muitos possam, de facto, ingressar.

os que ingressarem ficaram à mama.. e quando houver guerra e forem forçados a partir, os pais irão chorar os mortos como heróis e pedir prémios....

mil vezes uma multa do que um dia a ingerir alimentos psicológicos de duvidoso interesse.

leu-se no Público de ontem a seguinte notícia:

Defesa "Obriga" Jovens a Tornarem-se Voluntários nas Forças Armadas
Por HELENA PEREIRA
Sábado, 11 de Outubro de 2003

Vários milhares de jovens da zona de Lisboa, que completaram os 18 anos, começaram a receber em casa, nos últimos dias, uma carta do Ministério da Defesa Nacional (MDN) a convocá-los para participar no Dia da Defesa Nacional. O convite para o próximo dia 20, contudo, não é facultativo e obriga a passar um dia na Base Naval de Lisboa, no Alfeite. Quem faltar, sujeita-se a uma penalização.

É a primeira vez que se realiza esta iniciativa, apesar de ter sido desenhada pelo anterior Governo do PS, que nunca a pôs em prática. De acordo com a lei do serviço militar - que determina o fim do serviço militar obrigatório em Novembro de 2004 -, é criado o Dia da Defesa Nacional com uma vertente destinada a captar novos recrutas, à semelhança do que sucede noutros países.

Na carta, datada de 2 de Outubro, que seguiu nos últimos dias para vários milhares de jovens, a direcção-geral de pessoal e recrutamento militar do MDN lembra que "o processo de profissionalização das Forças Armadas, iniciado no final dos anos 90, e a extinção do serviço militar obrigatório, em Novembro de 2004, constituem um marco histórico na evolução do serviço militar em Portugal e um desafio profundo e exigente para o país".

O programa intensivo, na Base Naval de Lisboa, é constituído pelo visionamento de um filme, debates, visita às instalações militares, observação de meios da Marinha, Exército e Força Aérea, uma palestra e um inquérito. Por ser a primeira vez, trata-se de uma experiência-piloto. O transporte até lá é assegurado pela Câmara de Lisboa.

"A sua participação nas várias acções de informação e divulgação vai proporcionar-lhe a oportunidade de conhecer mais e melhor as nossas Forças Armadas e partilhar a larga experiência de profissionais da área da Defesa Nacional. Ficará a saber como se tem garantido e continuará a garantir a segurança e a protecção do nosso país. Este será, certamente, um dia diferente e marcante para a sua formação como cidadão", lê-se ainda na carta.

Segundo o Governo esta iniciativa, é "um dever militar de cada cidadão português e constitui, ao mesmo tempo, um contributo profundo e exigente para o país". Isto também quer dizer que os jovens (que se recensearam no ano em curso) que faltarem ao Dia da Defesa Nacional ficam sujeitos, segundo a mesmo lei do serviço militar, a uma contra-ordenação punível com coima e não escapam a ter que frequentar as acções do Dia da Defesa Nacional noutra ocasião a fixar pelo MDN.

"A impossibilidade de comparência da sua parte, por impedimento de força maior, deverá ser comunicada através de carta registada com aviso de recepção no prazo de três dias úteis após a recepção desta convocatória", escreve o director-geral de pessoal, Alberto Coelho, que assina a carta, a qual informa ainda que o MDN justificará a falta ao trabalho nesse dia.

a mim não me interessa este país. interessam-me todas as pessoas. as fronteiras determinadas por um grupo de gente que não vi e desconheço são vãs para a mente e prisões para o corpo.

este é um tempo de fechamento que vivemos neste rectângulo obtuso.

Escrito por jm às 01h52... | Comentários (5)

9 de outubro, 2003

ditados da poesia

no passado Sábado, no suplemento Mil Folhas, do jornal Público, Eduardo Prado Coelho voltou a trazer para o jornal a questão da poesia geracional, com a desculpa de que nos irá elucidar sobre duas revistas.

Como que vamos construindo um puzzle de ideias e de conteúdos, contudo demasiado distantes do público generalistas e preocupado com o fantástico cartaz da pink anunciando o novo livro: I love this book...

Leia-se Existe Uma Nova Poesia?.

Escrito por jm às 02h16... | Comentários (2)

19 de setembro, 2003

celibato genital

[entrevista à Antena 1, hoje] D. José Policarpo afirma manter a opinião de que os homossexuais não devem ser padres.

Kama Sutra, Jeanne Carbonetti (watercolor)A jornalista faz a questão inversa, ao que o cardeal responde que a expressão da heterossexualidade e da homossexualidade não se reduzem ao genital, pelo que o celibato heterossexual é aceite.

Tendo o celibato sido descoberto após a confirmação da vocação dos primeiros cristãos, o celibato advém da disponibilidade total para o deus e para os seus desígnios e não de uma conduta não sexual.

Assim, e em bom jeito, a jornalista questiona as escapadelas sexuais/genitais de alguns padres, quebrando os votos. Replica D. José que também existem casados que quebram os votos. A jornalista, constatando a aceitação simpática da fuga à fidelidade do clero, questiona e se a fuga for por um amor homossexual? Não aceite.

"Por mais simpáticos que queiramos ser para com os homossexuais" eles são contra-natura.


--o meu comentário: dentro de alguns anos teremos alguma mudança, não total ou completa em relação à homossexualidade, mas pelos menos, face à falta de vocações e necessidade de manutenção da espiritualidade do povo, em relação ao fim do celibato.

Escrito por jm às 10h47... | Comentários (3)

16 de setembro, 2003

a hora

muitos são contra, falando das crianças e dos problemas que elas terão, se o delfim vier a fazer o mesmo que Cavaco fez.

esses que são contra e só falam das crianças são redutores do pensamento e facilmente linchados pelos favoráveis à mudança da hora de Portugal para se igualar à CET (Central European Time).

o problema da manutenção dum horário desses afecta todos os seres que se regem pelo relógio, porque biologicamente não deixamos de ser animais e viver segundo alguma regras ainda naturais, com sensibilidade à luz solar.

como já se sabe, não existem estudos sobre a privação do sono em grande escala ou sobre a alteração de horário crónica. contudo, lembro-me perfeitamente de como as alterações de disposição durante aquele período em que a experiência foi feita, a maiorira das pessoas sentia um cansaço permanente.

não me parece obrigatório alterar a base horária para correspondermos a necessidades de comunicação e/ou produtividade com os outros países. o que é necessário é flexibilizar horários de trabalho nas várias vertentes de serviços e administrativos e alargar o número de postos de trabalho, para que as lacunas existentes sejam colmatadas. Mais oferta de emprego para quem o procura e menos preguiça para quem o já tem - em particular conheço muita gente que se desunha no trabalho.

Escrito por jm às 12h21... | Comentários (0)

11 de setembro, 2003

11 de Setembro de 1973

Pouco mais de um mês do meu nascimento, o continente americano vive um acontecimento único que lhe trará uma transformação política ao longo das décadas seguintes, em que ditaduras de direita assassinaram e torturaram milhares e milhares de pessoas com o apoio político e logístico dos E.U.A..

Twin Towers
Hoje, dois anos depois dos atentados terroristas sobre os E.U.A., passam 30 anos sobre a queda de Salvador Allende, no Chile.

Para memória a sua última alocução radiofónica:

«…Pagaré con mi vida la defensa de principios que son caros a esta patria. Caerá un baldón sobre aquellos que han vulnerado sus compromisos, faltando a su palabra, roto la doctrina de las Fuerzas Armadas.

El pueblo debe estar alerta y vigilante. No debe dejarse provocar, ni dejarse masacrar, pero también debe defender sus conquistas. Debe defender el derecho a construir con su esfuerzo una vida digna y mejor.

Una palabra para aquellos que llamándose demócratas han estado instigando esta sublevación, para aquellos que diciéndose representantes del pueblo, han estado turbia y torpemente actuando para hacer posible este paso que coloca a Chile en el despeñadero.

En nombre de los más sagrados intereses del pueblo, en nombre de la patria los llamo a ustedes para decirles que tengan fe. La historia no se detiene ni con la represión ni con el crimen. Ésta es una etapa que será superada, éste es un momento duro y difícil. Es posible que nos aplasten, pero el mañana será del pueblo, será de los trabajadores. La humanidad avanza para la conquista de una vida mejor.

Compatriotas: es posible que silencien las radios, y me despido de ustedes. En estos momentos pasan los aviones. Es posible que nos acribillen. Pero que sepan que aquí estamos, por lo menos con este ejemplo, para señalar que en este país hay hombres que saben cumplir con las obligaciones que tienen. Yo lo haré por mandato del pueblo y por la voluntad consciente de un presidente que tiene la dignidad del cargo…

Quizás sea ésta la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron.

Soldados de Chile, comandantes en jefe y titulares… …al almirante Merino… … El general Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su solidaridad y lealtad al gobierno, también se ha denominado director general de Carabineros.

Ante estos hechos sólo me cabe decirle a los trabajadores: Yo no voy a renunciar. Colocado en un tránsito histórico pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos no podrá ser cegada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen, ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Salvador AllendeTrabajadores de mi patria: Quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia que empeño su palabra en que respetaría la constitución y la ley, y así lo hizo. Es este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes. Espero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición: la que les señalo Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctima del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena conquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios. Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra: a la campesina que creyó en nosotros; a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de su preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días están trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas de una sociedad capitalista.

Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha; me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente en los atentados terroristas, volando puentes, cortando las vías férreas, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder… …la historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa me seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes, por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la patria. El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.

Trabajadores de mi patria: Tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres el momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile, viva el pueblo, vivan los trabajadores!

Éstas son mis últimas palabras, teniendo la certeza de que el sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una sanción moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.»

Extraído de Salvador Allende, Discursos, Editorial de Ciencias Sociales, La Habana, 1975.

Escrito por jm às 16h39... | Comentários (1)

9 de setembro, 2003

poesia? iii

a.s.- venho insurgir-me contra o mutismo e a nivelização igualitária do objecto poesia. Quero dizer não aos que têm a opinião de que todos os que escrevem em verso são poetas.

Dedico um só entrada ao género conjunto de sites de poesia, por serem mais visíveis: com mais colaboradores e doadores de conteúdos, o panorama público torna-se menos preocupante do que para os outro géneros; por serem falsos qualificadores; por serem, enfim, propostas desviantes do que se pretende da poesia: que ela o seja.

Como já foi abordado nos comentários aos outros poesia?, a generalização do que aqui escrevo a outras áreas é possível e, porque não, até conveniente.

A maioria dos sites que convida a integração neles da poesia do navegante, são sites complexos cheios de maravilhosas pérolas de escrita individual, escritas em verso que deveriam ficar guardadas em diários, como uva pisada que fermenta durante horas antes de ser esprimida... e ainda ficar anos em casco.

Esses sites têm a excelência de concederem a qualquer um a exposição dos seus escritos, alguns até permitem a inserção de comentários individualizados (ex. @poesia). Contudo, a participação é anárquica, ficando somente à mercê dos leitores a crítica, o que tem, pelo menos, dois factores negativos: a opinião não é caracterizada por fundamentação, a exposição na montra pode levar o potencial poeta a deixar-se ir na letargia do seu sucesso público - mas sem apresentar qualidades -, ou atirá-lo para a desistência precoce, ainda que pudesse amadurecer e melhorar a sua construção poética.

Penso que na origem destes sites está uma vontade de divulgar escritos de pessoas com pouco volume de trabalho, pessoas a quem é negada a edição, pessoas a quem não interessa a edição, pessoas que só querem expor os seus trabalhos publicamente ou etc.. Louvável vontade, não negarei (ex. #poesia_livre).

Mas nessa vontade de não crítica, de serem cheios de alegria ao abrirem portas, são também horrivelmente niveladores qualitativos. Somos todos iguais, irmãos, nesta casa comemos todos do mesmo prato. A responsabilidade é vossa sobre o alimento que escolhem deglutir., parece-me um mote moralmente inútil nestes meandros.

O que falta? Penso que falta a estes sites uma consciência pedagógica, será que consideram, os seus gestores, que não têm que se arrogar de críticos ou educadores, porque também eles são ou foram acossados? Talvez! Mas, é necessário evidenciar falhas para que elas desapareçam. É preciso distinguir metas para que elas sejam ultrapassadas. E isto, no meu entender só se atinge com conselhos editoriais.

Já ouço as vossas vozes levantarem-se: caímos assim na mesma linha das editoras de papel!. Mas que têm elas de mal? (pergunta retórica) Se os gestores conhecem os pecadilhos das editoras de papel evitem-nos, mas não passem directamente para o lado oposto: do facilitismo rombo não se tornem indiferentes à necessária crítica.

Os conselhos editoriais podem falhar, podem ser ultrapassados por motivos de gosto, mas saber escolher um conselho e tornar clara a linha de exposição dos sites é o que os autores, os conteúdos e os leitores merecem.

p.s. - surgem apenas dois exemplos neste texto, mas são exemplos importantes pelo que têm, os dois, de bom e de mau.

Escrito por jm às 13h06... | Comentários (4)

8 de setembro, 2003

conversas entre poesias do papel

Os posts poesia? são e serão uma tentativa de mexer com ideias, mas não num sentido académico ou de cultivo de gostos, talvez mais tarde surjam posts poesia! onde eu me permita discutir gostos e construir críticas.

Para já, considero importante ir para a poesia em papel e ler o artigo-resposta de Pedro Mexia a Jorge Reis-Sá, publicado no Mil Folhas do passado Sábado.

Infelizmente, não tenho o texto de Jorge Reis-Sá (caso alguém me possa ceder uma cópia eu agradeço), mas fica agora o ficheiro de Pedro Mexia a salvo do passado.

Ler Contribuição Autárquica.


update 12h37: após uma única busca pelo Google.pt, encontrei o texto em falta, nesta dicussão entre Pedro Mexia e Jorge Reis-Sá, no blog de Carlos Alberto Machado, a quem agradeço a preocupação que teve em guardar o documento.

Ler A Poesia de Agora.

Escrito por jm às 11h40... | Comentários (0)

7 de setembro, 2003

poesia? ii

a.s. - uma introdução ao que se segue: A poesia enquanto linhas escritas em verso, ou seja, aquilo a que muitos chamam poesia... pode não ter sentido poético algum, pode, enfim, ser qualquer coisa que pareça mas soe mal, ou não seja nem soe.

A internet trouxe a liberdade, a cada um, de expor a um universo potencialmente gigantesco os seus escritos - eu sou um deles, não me estou a pôr de parte. Haverá sites mais lidos do que muitos livros - que ganham pó e são ninho de bichos lindos em livrarias e armazéns. Aquele universo é um retrato alargado da imagem real do mundo livreiro: a escolha é imensa e o objectivo é encontrar algo de que gostemos - que até pode lá estar mas talvez não encontremos.

A dita poesia, na internet, está espalhada como sementes de aveia ou trigo, quero dizer que a poesia na internet tem uma ocupação muito grande no espaço literário virtual, superior a qualquer área ocupada por livros de poesia em relação a todos os outros géneros, numa livraria . (Será melhor reservar esta generalização ao panorama da língua portuguesa em terras de língua portuguesa.)

Constata-se que existem três géneros efectivos de divulgação da poesia na internet: individual, comunitário e conjunto. Defino-os da seguinte forma:

     individual - site gerido por uma só pessoa com conteúdos dela;

     comunitário - site gerido por várias pessoas em que todas participam com conteúdos;

     conjunto - site gerido por uma ou mais pessoas, com conteúdos do(s) gestor(es) e de terceiros.

(Existirá, ainda, um quarto género que se imiscui por entre estes e se define pela apresentação de poesia de consagrados e/ou publicados, que não abordarei, pois só me interessa, agora, a poesia nova ou desconhecida.)

O grau de qualidade de cada género é muito variável, contudo, a maior análise insidirá sobre o género conjunto, que mais tarde abordarei.

A franqueza - pela exposição voluntária - de um site individual ou comunitário, é por si só garante de uma maior consciência face ao mundo leitor: o grau de qualidade é observável quase de imediato e a crítica - se a houver - dará elementos para uma validação, evolução e/ou recriação dos conteúdos.

Não darei aqui exemplos dos meus gostos, exactamente porque são meus, contudo, considero que a maioria dos sites, nestes géneros, oferecem poesia de má a muito má qualidade.

Escrito por jm às 20h08... | Comentários (5)

6 de setembro, 2003

poesia? i

a.s. - o que aí vem nada mais é do que uma opinião. A forma e o conteúdo não pretende ser mais do que o que se escreve.

O óbvio: há quem goste de comer peixe, mas a maioria torce o nariz sempre que o vê na mesa, preferindo um naco de carne.

A maioria não gosta de poesia, não a lê e nem se interessa em procurar. Alguns, que gostam dela, procuram mostrar aos que não gostam motivos que os levem a interessar-se. Esta acção, proactiva e salutar, compreende um primeiro passo que é encontrar um poema ou um autor que se aproxime dos gostos de leitura em prosa da pessoa ignorante.

Esse poema primeiro, costuma navegar por ideias acarinhadas pelo ignorante. O poema é sobre cães, gatos, amor ou isto tudo em conjunto com uma estação do ano. Os clichés literários são enfim uma falha comum ou tão só reflexo da vida comum.

Ler um poema de O'Neil sobre cães, pode não ser a melhor escolha para uma aproximação, porque os cães de O'Neil poderão não corresponder à figura de cão de que o ignorante gosta.

Isto vem de encontro a outra constatação do óbvio: podemos gostar de comer carne, mas existem muitos tipos de carne e é sempre possível não gostar de comer alguns.

Escrito por jm às 17h16... | Comentários (2)

20 de agosto, 2003

amargo

é este tempo! venho apresentar o meu pesar pela morte do alto comissário da ONU Sérgio Vieira de Mello (1948-2003). honra seja feita ao seu trabalho. agradeço-lhe em primeiro lugar o trabalho em Timor, por me ser mais querido.

os erros da forma implicam factos de injustiça humana. as religiões ensinam : olho por olho, dente por dente, o povo agradece e faz!

deixo aqui um artigo da CNN.com.

Sergio Vieira de Mello: 'A rising star'
Tuesday, August 19, 2003 Posted: 2305 GMT

UNITED NATIONS (CNN) -- U.N. envoy Sergio Vieira de Mello was among the 17 people who died in Tuesday's bombing of the organization's headquarters in Iraq.

Salim Lone, Vieira de Mello's spokesman in Iraq, told CNN that he had been with the U.N. diplomat two hours before he died.

"I grieve for him, I grieve for his family," Lone said. "I grieve most of all for people of Iraq."

All the national flags that ring the U.N. headquarters' entrance in New York were removed from their poles. The blue and white U.N. flag was lowered to half-staff.

U.N. staff members gathered in corridors, on the promenade facing the East River and around television sets as they mourned the loss of the man spokesman Fred Eckhard called "a rising star."

Vieira de Mello, 55, was trapped in the rubble after the truck bomb exploded beneath his office window Tuesday afternoon, and was reported gravely injured. He later died of his injuries.

After U.N. Secretary-General Kofi Annan appointed him as his special representative in Iraq, Vieira de Mello vowed to "help the people of Iraq out of what has been a terrible period in their long and noble history."

Sérgio Vieira de Mello, 1948-2003Annan responded to his death Tuesday: "The loss of Sergio Vieira de Mello is a bitter blow to the United Nations and to me personally. The death of any colleague is hard to bear, but I can think of no one we could less afford to spare than Sergio."

The experienced Brazilian diplomat was appointed in May to a four-month term in Iraq that would have ended August 27.

At least 100 others were wounded when the truck bomb ripped through U.N. headquarters at the Canal Hotel.

Vieira de Mello, who also was U.N. High Commissioner for Human Rights in Geneva, had extensive experience in humanitarian and peacekeeping operations in countries such as Bangladesh, Sudan, Cyprus, Mozambique, Peru and Lebanon.

In Iraq, the United Nations has a role in helping with humanitarian aid, reconstruction, refugee return, economic development, legal and judicial reform and civilian administration.

Vieira de Mello told the 15-member U.N. Security Council in July, "Iraqis need to know that the current state of affairs will come to an end soon. They need to know that stability will return and that the occupation will end."

In a talk in Baghdad in June, he said: "Iraq has suffered far too much for far too long. War, pervasive human rights abuse, and stringent sanctions. Iraqis deserve better, infinitely better.

"The task is huge. We should all come to it with a keen sense of humility and a strong sense of determination."

One of Vieira de Mello's previous positions was as a representative for the secretary-general in Kosovo.

He also served as transitional U.N. administrator in East Timor after that country voted for independence.

He studied in Brazil and France, and received a doctorate from the University of Paris. He was married with two sons.

Eckhard said Vieira de Mello was not the first top U.N. official to die in the line of duty. He mentioned the assassination of Count Folke Bernadotte, a mediator in the Arab-Jewish conflict in the Middle East, in 1948.

Escrito por jm às 01h13... | Comentários (0)

12 de agosto, 2003

poesia

parece-me, cada vez mais, que qualquer pessoa que se queira arrogar de poeta, deveria ser calada no momento imediatamente antes de abrir a boca. afinal, se este país é considerado um país de poetas, é porque qualquer um atira umas palavras em verso e diz que ali está poesia.

a ignorância da poesia que o é, que vive realmente, neste país, é tão vasta quanto a maioria que olha a poesia e a nega... existe ainda uma minoria que a encara como uma estrutura díficil de compreender. nas suas diferentes vertentes, a poesia, hoje, faz descontinuar essas metafísicas essenciais ao espírito, partindo para momentos light. não sou um crítico, nem tenho para mim a experiência suficiente e o conhecimento claro da poesia portuguesa, mas sobre o que olhei, vi!

tenciono escrever sobre poesia e poetas, em breve, para já deixo apenas algo que guardo há muito dentro de mim...

compreendo que José Luís Peixoto tenha sido, por agora, arredado do grupo da poesia da sua geração: com dois livros oficiais publicados, o segundo deitou por terra qualquer esperança na sua integração*. na sua vontade de produção, de não querer deixar-se ficar só pela prosa, publicou em conjunto com o seu último romance, um livro de poemas A Casa, a Escuridão.

os poemas neste livro** têm formas demasiado fáceis e chegadas à prosa, dando de bandeja ao leitor o que pretende mostrar. tão simples em discurso e passíveis de corromper o próprio romance associado: existem poemas que revelam curiosidades mais cedo que o romance - tal acontece quando se faz uma acompanhamento das leituras -, como o sexo real duma das personagens do romance ser desvendado antes de o romance o anunciar.

José Luís Peixoto deveria ter guardado para si esta poesia, são momentos inerentes à escrita do romance, aceito tal, mas o seu conjunto é pobre e pouco trabalhado.



*o meu julgamento sobre o primeiro, A Criança em Ruínas, está aqui.
**adiei durante muito tempo esta pequena crítica, quando li o livro a decepção foi muito grande

Escrito por jm às 12h16... | Comentários (2)

2 de agosto, 2003

este homem matou esta mulher

este homem bernard cantat, vocalista dos Noir Desir matou esta mulher marie trintignant, actriz uma notícia no Le Monde.

Escrito por jm às 12h32... | Comentários (0)

28 de julho, 2003

Sines

Cheguei a Sines na quinta-feira, ainda indeciso entre o primeiro dia do Festival Músicas do Mundo e o concerto Músicas de Sol e Lua, a ter lugar em Santiago do Cacém.

O agrupamento de músicos portugueses agenciado pela Praça da Flores ganhou na decisão. O concerto funciona e não funciona consoante o nosso gosto e desgosto ;) Janita Salomé apresentou-se em excelente forma e Sérgio Godinho fica estranho no conjunto!

Dos dois dias de Festival que restaram ouvi:

Mahotella Queensdia 25: Mahwash et l'Ensemble Kaboul (Afeganistão), deliciosos e entusiasmantes; Mahotella Queens (África do Sul), explosão de energia, movimento e excelência; Totonho e os Cabra (Brasil), não me agradou muito, mas tem muito para mergulhar o público num espectáculo cheio de movimento e alegria.

dia 26: Kronos Quartet (EUA), as cordas maravilhosas a embalar um castelo ainda a encher, gostei, mas gostaria de os rever numa Aula Magna; Kad Achouri (França/UK), concerto execrável; The Skatalites, grandioso concerto de de música e boa disposição, acompanhado pelo fogo de artifício do Festival que não encerrou as hostilidades... não assisti ao fim do concerto do Skatalites... mas deve ter sido às tantas.. a energia da banda era imensa.

O Festival começou a cobrar entradas (.2 por dia), penso que este valor poderá aumentar, pois o festival está bem organizado e apresenta excelente qualidade de escolhas musicais. O último dia do Festival teve lotação esgotada, o que fez com que o ambiente não fosse só para gozar o espaço e o som, mas, também, para nos precuparmos com o empurrão e com a cerveja do vizinho não ser entornada em cima de nós.

Um amigo só me dizia: freaks atrás de freaks... Sines é dos freaks. Esta frase não era pejorativa... era a realidade.

Escrito por jm às 12h19... | Comentários (0)

20 de julho, 2003

tantas vezes

tantas vezes considerei a verdade como a fronteira final que, hoje, olhando para trás, não há verdade alguma no que penso, no que digo nem no que faço. sinto-me triste. triste comigo e com o espelho e com o mundo ignóbil que sou e represento ao dar palmadinhas nas costas a quem vem ter comigo para me dar palmadinhas nas costas e sorrir, pelo fácil realismo em que torno os seus desejos. desejo, enfim, o melhor das verdades... o melhor da falsidade absurda a que esta gente, que me rodeia e me presenteia com armadilhas, está votada se depender de mim.

Escrito por jm às 22h25... | Comentários (0)

17 de julho, 2003

estes dias

Estou em recuperação. Ainda não liguei o rádio e, por isso, sinto como que uma distância alegre dos momentos de todos. Das coisas que aconteceram, entre terça e ontem... :

  • postal dos CTT para levantar encomentda e pagar direitos e taxas, os filhos da puta da alfândega a cobrar-me por dois DVD dos Sigur Ros

  • livro chegado em mão amigas, vindo do Porto e enviado por mãos de grande simpatia! (Obrigado, Cristina!!!)

  • os meninos e as meninas parlamentares vão de férias de Verão, dois meses - e depois querem que não os consideremos putos

  • descobri que algumas pessoas responsáveis de uma empresa-patroa multinacional que fazem de elo a empresa-empregada, têm a postura do portuguesinho: quando as coisas estão excelentes calamos, quando as coisas correm um pouco mal chicoteamos... e se, de repente, quando abrem os ohlos outra vez, as coisas se corrigem para parâmetros de excelência, numa inflexão que custa apenas uma directa a uma pessoa, a resposta é: parabéns pelo esforço... o mais grave é que existem pessoas nesta multinacional que não são assim.. mas que deixam estes marmanjos e marmanjas andar com o rei na barriga... se calhar são quase iguais.

    Escrito por jm às 12h33... | Comentários (0)
  • 13 de julho, 2003

    american prayer

    James Douglas Morrisonamerican prayer (scream of the butterfly) foi o título que Patti Smith deu ao seu artigo de crítica a An American Prayer, de Jim Morrison, publicado na revista Creem. O disco foi lançado em 1978, em vinil. Na minha estupidez, tive na mão uma first edition, em 1994, e não comprei.

    Este disco contém gravações de leituras de poemas de James Douglas Morrison, às quais foram adicionadas elementos musicais criados postumamente pelos restantes The Doors. As gravações originais, sem música, foram editadas em vinil (200 exemplares) e oferecidas aos amigos num Natal.

    Um extracto do texto de crítica de Patti Smith segue agora (ver o artigo todo aqui):

    «An American Prayer documents a fragment of the passion of Jim Morrison. It is not art as he would have it, but nothing posthumous is perfect. It is not the whole picture but the best part of the trip is intact. And like finding a roll of Diego Rivera.s under an industrial sink, it is treasure unearthed. We feel a sense of guilt but we are grateful for the glimpse. Notes toward a symphony of ritual. Last movements to reach out, to penetrate. New information. Interesting, inspiring new ammunition and that is truly something.»

    Escrito por jm às 19h53... | Comentários (0)

    12 de julho, 2003

    Sai um expresso!

    Foi o que disseram no café! Pensei, "será realmente um expresso? Um expresso passível de consumo e deleite?" Era!

    Mas, na mesa do lado, descansava a primeira página do Expresso, o jornal semanal. Espreitei... e ao espreitar lembrei-me que não espreitava o Expresso há muito tempo. Espreitei e foi imediato o meu arrependimento: a «ainda mulher do presidente do FC Porto, abre a alma» na primeira página do Expresso! Parabéns!

    Pedi emprestado o caderno do Expresso e folheei-o e agora pergunto aos entendidos: o José António Saraiva quer escrever sobre o dinheiro que Portugal não sabe usar ou perde ou gasta para comprar inutilidades.. enfim, quer escrever sobre o desenvolvimento do país e o nível de competição que não atingimos com os subsídios comunitários... mas porque raio utiliza um tal de Zé Maria do Big Brother como exemplo?? Expliquem-me, sff.

    Escrito por jm às 19h36... | Comentários (0)

    7 de julho, 2003

    Cite-me, por favor!

    Esta é daquelas frases que eu imagino atiradas aos jornalistas por jet set wanna be... mas não é sobre isso que vou escrever.

    As citações e o uso delas, correcto ou nem por isso, são das coisas que eu sempre achei mais estranhas e, ao mesmo tempo, interessantes no panorama da liguagem oral e escrita portuguesa. Professores, tive, que não dispensavam uma citação do autor sobre o qual versava o teste, para ter a certeza que nós, alunos, sabíamos muito sobre a coisa.

    Há pouco tempo, que nesta sociedade das pressas e dos ciclos pequenos, já é muito tempo, conheci uma pessoa que gosta tanto de citações que me ensinou a olhá-las por uma outra perspectiva. O Paulo, ensinou-me que os livros de citações podem trazer às pessoas ideias e sentimentos relacionados e contextualizados na sua realidade. O Paulo é um devorador de literatura! Ele próprio, como muitos leitores, retira citações dos livros que lê... mas, em vez de as deixar perdidas num caderno, partilha!

    O projecto Citador, http://www.citador.pt, apresenta-se:

    "Este site é um banco de informação sobre temas relacionados com a leitura e o pensamento, cujo objectivo é despertar ou aumentar o interesse por estas áreas, nesta sociedade em que os media nos levam a seguir hábitos de vida mais imediatistas."

    Ora pois! Para além da base de dados de citações, em permanente crescimento e acessivel na totalidade a quem se registe (o registo é gratuito), o projecto permite ao utilizador fazer a inserção online da listagem completa da sua biblioteca! E, desde o passado dia 4 de Julho, as citações de cada utilizador podem ser adicionadas ao site, como complemento à base de dados oficial.

    Este projecto é importantíssimo para o panorama cultural do livro e da leitura em português, em permanente crescimento e actualização, é um site de fácil utilização e cheio de bombons.

    Escrito por jm às 11h58... | Comentários (0)

    Golfinhos na marina de Vilamoura

    Em relação ao post Jornal Regional, recebi no mail quatro fotos, de grande formato, com a entrada dos golfinhos na marina. Não sei a sua autoria, mas conforme partilharam comigo, com todo o gosto partilharei com quem quiser. Deixem comentário aqui na caixinha ou enviem mail.

    Escrito por jm às 11h18... | Comentários (0)

    5 de julho, 2003

    sobre o Jazz II

    Carlos Barretto, 04Jul2003sobre o Jazz II Carlos Barretto, José Salgueiro e Mário Delgado brindaram Alcobaça com um excelente concerto. O Parlatório Café esteve recheado de um público heterogéneo, ruidoso... mas satisfeito por ter ali o trio.

    Num palco mais pequeno que muitas das casas de banho de alguns presentes, os músicos prestaram-se a uma exibição que teve direito a duas estreias: uma composição de Barretto e outra de Delgado, ambas sem título.

    percussão de José Salgueiro, 04Jul2003O primeiro tema é curto, calmo e fez-me pensar numa canção de embalar; gostei muito. O tema do guitarrista foi introduzido da seguinte forma: composto há três dias, ensaiado há dois e parcialmente tocado, mas mal, há um. A compenetração foi incrível... e a cumplicidade entre os três foi espectacular. Delgado, olha para uma pauta de três folhas e começa gravando uma pequena frase de ritmo que depois lança em loop, para que os restantes músicos entrem na conversa. Nesta conversa, houve um diálogo entre Delgado e José Salgueiro simplesmente brilhante! Esta composição tem duas partes, perfeitamente inteligíveis.

    Valeu a pena a deslocação até Alcobaça!

    Bilhete: €5 - Radio Song: €10 - Solo Pictórico: €10.

    Escrito por jm às 21h04... | Comentários (0)

    2 de julho, 2003

    A morte anunciada

    Nos últimos dias, tenho cruzado a virtualidade da blogosfera e vou-me deparando com blogues mortos, no sentido suicida do(s) autor(es). Os textos desaparecessem: eu chamaria a tal a cremação! Depois, casos como a Coluna Infame vão-se decompondo, e consoante o nível de embriaguez permanente antes do falecimento, varia a longevidade da sua existência. Eu prefiro a embriaguez - apesar de não gostar assim tanto da Coluna.

    Vejo com um sorriso trocista, a consciência de alguns sobre a importância dos blogues: matam a inépcia dos seus blogues porque o que oferecem não é de todo útil a ninguém... irão partir para projectos colectivos com pés e cabeça. Felizmente, os blogues continuam a ser uma maravilha de umbiguismos e individualismos... Mas como a "nata" da blogosfera portuguesa considera tal como algo a evitar, temos que nos comportar como quem dita as regras... umas tais regras... difundidas por um meio de papel...

    Esses neo-bloggers são uns interesseiros! E há sempre quem não goste da nata!

    Escrito por jm às 13h07... | Comentários (0)

    1 de julho, 2003

    contra a subida

    Eu sou contra subida a concelho de Canas de Senhorim e outros concorrentes (Samora Correia, Fátima, Esmoriz, Trofa). À partida nenhum cumpre o articulado da lei actual. Depois, eu sou a favor da independência destas populações. Eu sou a favor da nação de Canas de Senhorim e das outras, como Fátima, que seria o segundo Vaticano! Hoje, ao ouvir o líder do movimento de libertação canense, ele falou no seu povo e ouvi os seus apoiantes cantarem um hino... Eu sou a favor da INDEPENDÊNCIA. Assim, ficavam a dever ao país.. e não criavam mais despesas! E TUDO JÁ DEVERIA TER COMEÇADO COM A INDEPENDÊNCIA DA REPÚBLICA DAS BANANAS DA MADEIRA!

    Escrito por jm às 13h29... | Comentários (0)

    30 de junho, 2003

    Ao ouvido

    Ontem, falei com alguém que apenas clamava pelos seus direitos de propriedade, que os defenderia a tiro se fosse preciso, que era um cidadão igual aos outros e nem ao primeiro-ministro permitiria interferência nos seus direitos. Esta pessoa reconhece no juíz a única entidade que pode contrariar/negar algum direito que considere seu. A pessoa com quem falei é empresári@ em nome individual.. quando o confrontei com tal situação devido a questões processuais, disse que era «empresári@ da tanga».... isto diz muito do cumprimento dos deveres desta pessoa. Se as decisões do governo e do seu líder não afectam esta pessoa, é porque está impune... Será?

    Escrito por jm às 11h52... | Comentários (0)

    25 de junho, 2003

    Casa da Música (II)

    Artur Santos Silva terá sido um nome atirado para o ar pelos media, o que me deixa curioso, sobretudo depois de ter visto Pedro Burmester, ontem à noite, afirmar que considerava o banqueiro como alguém capaz para a Casa da Música.

    Manuel Alves Monteiro é o nome agora adiantado, foi presidente da Euronext Lisbon, tendo trabalhado com todas as bolsas portuguesas.

    (13:47 - O nome foi confirmado, além de se ter ficado a saber que foi Rui Rio quem se lembrou dele... Falta saber se Burmester ficará.)

    Escrito por jm às 09h59... | Comentários (0)

    Cuba - emoção

    Não tenho muito mais a dizer, ouço Paco Ibáñez a cantar Nocturno de Rafael Alberti:

    Lo que tanto se sufre sin sueño por la sangre
    se escucha que palpita solamente la rabia
    que en los tuétanos tiembla despabilado el odio
    y en las médulas arde continua la venganza


    Las palabras entonces no sirven, son palabras...

    Manifiestos, escritos, comentario, discursos
    humaredas perdidas, neblinas espantadas
    que dolor de papeles que ha de llevar el viento
    que tristeza de tinta que ha de borrar el agua


    Las palabras entonces no sirven, son palabras...

    Ahora sufro lo pobre, lo mezquino lo triste
    lo desgraciado y muerto que tiene una garganta
    cuando desde el abismo de su idioma quisiera
    gritar lo que no puede por imposible y calla


    Las palabras entonces no sirven, son palabras...
    Manifiestos, escritos, comentario, discursos
    humaredas perdidas, neblinas espantadas
    que dolor de papeles que ha de llevar el viento
    que tristeza de tinta que ha de borrar el agua


    Las palabras entonces no sirven, son palabras...

    Siento esta noche heridas de muerte las palabras

    Escrito por jm às 00h06... | Comentários (0)

    Cuba - factos

    Os tribunais cubanos ratificaram as penas dos últimos dissidentes a serem noticiados internacionalmente. Raúl Rivero, poeta, jornalista e «vicepresidente para el caribe de la Sociedad Interamericana de Prensa» foi condenado a 20 anos de prisão por atentado à segurança do estado.

    Ratifican condena contra escritor cubano disidente

    LA HABANA, 23 (AP) - El Tribunal Superior de Cuba ratificó el lunes la pena de 20 años de prisión para el escritor Raúl Rivero, a quien se condenó hace algunos meses por "mercenario" al servicio de Estados Unidos, mientras que otras 49 sanciones también fueron confirmadas en estos días.

    "Hasta ahora unas 50 condenas fueron confirmadas" por la instancia judicial de la isla, informó Carlos Menéndez de la no gubernamental Comisión Cubana de Derechos Humanos y Reconciliación Nacional (CCDHyRN).
    Raul Rivero
    Según Menéndez, 25 apelaciones fueron negadas por escrito y otro tanto lo fueron de manera verbal en estos días pasados.

    Blanca Reyes, esposa del disidente, fue convocada por la defensora de Rivero y se le entregó el resultado de la casación (apelación ante Tribunal Superior).

    "Yo siempre pensé que ese iba a ser el injusto resultado", comentó la mujer. El documentó explica que aunque severa, la sanción es acorde con la ley y por lo tanto se mantiene, explicó Reyes a la AP.

    En el expediente de Rivero también se determinó ratificar la condena de 20 años para Ricardo González, colega del escritor.

    "Ahora planeo hacer una revisión de la causa, voy a llamar a todos los periódicos para los que Raúl trabajó para que digan quién les paga a ellos y cuánto se le pagó a Raúl por sus colaboraciones", explicó la mujer.

    Durante el juicio, la fiscalía aseguró que el creador era financiado a través de la Oficina de Intereses de Estados Unidos por el gobierno de Washington.

    Las autoridades cubanas indicaron que estos opositores son "fabricados" para desprestigiar a la revolución con sus "calumnias".

    "También voy a conseguir una carta de la Oficina de Intereses diciendo que ellos no le pagaron nada a Raúl", manifestó Reyes.

    Ambos esposos se vieron por última vez el pasado 11 de junio, para un turno de visita en Canaleta, en la provincia de Ciego de Avila, donde el escritor se encuentra recluido.

    Según la mujer, Rivero se encuentra bien de salud y sólo lo aquejan algunos problemas circulatorios.

    "El mantiene una actitud positiva y a todo trata de sacarle el lado bueno", manifestó Reyes quien relató que su esposo hace ejercicio y escribe "sobre todo poemas de amor".

    Hasta ahora, las autoridades rechazaron la solicitud de retirar de la cárcel los escritos de su marido, dijo Reyes.

    Por su parte, Alida Viso, la esposa de González tampoco se mostró sorprendida por la ratificación de la causa.

    "Todo va a seguir igual, pero es una forma de llegar a las últimas instancias", señaló Viso quien también pedirá la revisión del proceso a González.

    González lleva adelante su sanción el la prisión de "Kilo 8" en la ciudad de Camagüey.

    Las detenciones de 75 personas se produjeron en marzo pasado y 15 días después fueron enjuiciados de manera sumaria. Las severas penas de hasta 28 años fueron duramente criticadas en todo el mundo.

    Mais info aqui e, genericamente, aqui.

    Escrito por jm às 00h03... | Comentários (0)

    24 de junho, 2003

    Casa da Música

    Hoje, o senhor primeiro ministro Durão Burroso (ler em inglês), irá apresentar a reforma da função pública, enquanto isso, no Porto, o compadrio político e económico causa uma implosão na Casa da Música. Lê-se aqui no JN online: «O Ministério da Cultura deve anunciar, hoje à tarde, no Porto, a substituição dos três gestores da Casa da Música e não apenas do pianista e programador Pedro Burmester.» Para ficarem de bem com o mundo mandam à vida também o senhor Rui Amaral (presidente da Casa da Música), melhor assim...

    Para conseguir que a programação mantenho o nível que tem apresentado, Burmester «estará a ser seduzido pelo Ministério da Cultura para integrar a nova equipa, mas apenas para a direcção artística da Casa da Música». Seria no mínimo curioso a demissão isolada do Pedro Burmester, seguida da integração neste novo cargo. Para bem da cultura do vulgar cidadão espero que aceite. Irá defrontar-se, com um senhor, com certeza, mais amigável, aliás só se aborrece com os ministros, o senhor Artur Santos Silva «é o nome que reúne maior consenso junto do Governo para encabeçar o próximo Conselho de Administração. O banqueiro é uma figura da cidade e conhece bem o dossier, até porque foi o primeiro presidente da Sociedade Porto 2001, de que se demitiu por divergências com o então ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho.» Roseta, põe-te a pau. Aliás, «Carrilho lamentou o facto de Pedro Roseta não passar de "um zombie".» (isto está aqui)

    Também bonito de se ver foram as óbvias indignações - estas sim corporativas - dos políticos da praça nortenha, insurgindo-se contra todos os que tendo um cargo político ou de nomeação política, apoiaram Pedro Burmester e o trabalho - isto é o que mais importa - que desenvolveu na Casa da música. Pode ler-se também no JN, aqui, que «"as exigências da Concelhia do PSD/Porto não constituem nenhuma obrigatoriedade para o vereador da Cultura da Câmara do Porto", disse, ontem, ao JN, Marcelo Mendes Pinto, comentando a exigência dos sociais-democratas na demissão de Isabel Alves Costa do Rivoli. Recorde-se que a directora artística do Teatro Municipal viu-se envolvida na polémica da Casa da Música quando teceu elogios ao desempenho de Pedro Burmester à frente daquela estrutura.»

    Seguindo a crónica do Eduardo Prado Coelho, hoje, no Público, sabe-se então que o vereador da Cultura da Câmara do Porto, «Marcelo Mendes Pinto, que, cometendo a terrível afronta de dizer o que pensava, declarou que era preciso "pensar a Casa da Música" e que Burmester é "uma figura incontornável da cultura portuense". Mais tarde, pressionado, disse também que a posição deste se tornara "insustentável" e que "deveria pedir a demissão".»

    Escrito por jm às 12h04... | Comentários (0)

    23 de junho, 2003

    Blogues ou umbiguismo solidário.

    Hoje, no Público, é dado destaque aos blogues portugueses, à blogosfera enquanto mundo novo, parido. Antes estava ainda em gestação, hoje, podemos afirmá-lo, a blogosfera escrita por portugueses é uma criança berrando brados em barda.

    Fala o Pedro Mexia da existência de uma crítica ao aparente "corporativismo" de bloggers. Escreve ele, que o significado não se alterou, o que é um facto, e que «Quem é criticado naquilo que faz - incluindo os seus hobbies - defende naturalmente o seu direito a fazê-lo se se vê alvo de críticas.» Vem isto a propósito das sucessivas críticas que surgem em determinados meios, salvaguardo já que as ondas públicas de alegria com o surgimento da blogosfera são bem mais que as de tristeza.

    As más críticas: Pedro Rolo Duarte, director do DN Alterado, insurgiu-se contra a utilização dos blogues por pessoas com acessos a meios superiores, fala dos jornalistas, evidenciando um colega (subordinado) seu como um dos maus exemplos - informação num post abaixo. Parece-me ser evidente que se trata de uma reacção: mal pensada, mal escrita, demagógica para quem não conhece a blogosfera. É absolutamente ridículo que se faça crer que a blogosfera não tem qualidade nem merece a atenção informativa que já foi concedida à Internet, quando a blogosfera faz parte da Internet. Por isto, parece-me óbvio que a massa crítica dos blogues interessados se tenha manifestado contra Rolo Duarte, não numa atitude "corporativa" mas sim, pela defesa do significado que esta actividade lúdica tem.

    As boas vindas: A imprensa escrita, pela mão do Público - por influência do seu cronista e blogger João Pacheco Pereira-, tem demonstrado um afecto especial pelos blogues, também a rádio Antena 1 já teve uma hora entregue a cinco bloggers, até o moderador tem um blogue. No teatro S. Luís teve lugar uma sessão pública sobre blogues. Contudo, estas alegrias não fazem descansar quem tem um blogue, porque as opiniões são diferentes e tendem a ser discutidas, a blogosfera cresce em permanente autocrítica.

    Conclui-se que a blogosfera tem intenção de se afirmar como um meio útil e interveniente neste mar morto e entediante que é o jornalismos activo e corporativista.

    Escrito por jm às 12h06... | Comentários (0)

    21 de junho, 2003

    O meu umbigo é bonito, digo eu e gostos não se discutem.

    Para os mais desprevenidos anuncio-vos que coisas como este Rain Song, blogues, são, neste momento, tema jornalístico - claro que o Rain Song enquanto coisa blogue individual não é mencionado. Ora sendo tema jornalístico, a coisa blogue, é-o porque, para além da festa da Casa Pia, com João Pedro Pais e o Grupo Novo Rock no estádio do Restelo, existem os blogues e a blogosfera - dois neologismos fixados por José Pacheco Pereira, em blogue e em jornal.

    JPP é o senhor que veio dar credibilidade - porque as coisas não mudam e não se acredita em formigas - ao viveiro que se tem materializado na internet escrita e livre feita por portugueses - é absolutamente necessário que se distinga a nacionalidade do local geográfico de edição de um blogue. Mais, falo de nacionalidade pela utilização da língua portuguesa e não considero um erro falar em nacionalidade em vez de internet escrita e livre feita em língua portuguesa, apenas porque a dimensão é rídicula e quase só portugueses escrevem português na internet. [Não, não considero que o português do Brasil seja português (estrito), o motivo é: eu percebo o que um brasileiro diz - excepto algumas interjeições - e raramente sou percebido por eles... a relação é mesma que com os castelhanos.]

    Retomando, agradeço a JPP a dimensão cultural que permitiu à blogosfera. MAS, terei, antes, que agradecer aos que a ele fizeram com que tivesse vontade de espreitar e participar na blogosfera. Pessoas como Pedro Mexia, poeta, e, talvez, José Mario Silva, jornalista, e grupos de pessoas como os que fazem a Janela Indiscreta. Por mim, vi com gosto aparecerem a Janela Indiscreta, o Possidónio. Outros vão aparecendo e eu tomo-lhes, ou não, a medida do umbigo.

    JPP tem descoberto verdadeiros blogues, os quais menciona graciosamente no seu blogue e acusa muitos, que não aqueles, de umbiguistas... chovem comentários e apreciações várias apoiando-o, mas o que é um blogue umbiguista realmente? Posso reconhecer um, mas difícil será explicá-lo em abstracto. Parece-me a mim que um blogue, ao contrário do puro jornalismo, tem características próprias do seu autor - quando individual - ou do colectivo. Deixemos quem lê interpretar o umbigo do outro.

    Como esclarecimento, não estou a acusar JPP de nada:

  • primeiro, porque existe umbiguismo
  • segundo, porque o umbiguismo é um retrato claro do ser humano

    Contudo, JPP executa uma função de triagem e de facilitismo aos mais preguiçosos, que acedem por convicção ou por amor à causa comum de JPP ou, tão só, a JPP, e, pela fórmula preparada, compreendem imediatamente o que é um blogue umbiguista, apesar de nunca terem visto mais do que uma meia dúzia... e, talvez, porque nem se dão ao trabalho de investigar os apontadores de blogues.

    (JPP, caso venha a tomar conhecimento deste post, tenha a certeza de que nem por sombras estarei a pretender compará-lo a MRS. Sim, eu também acompanho a Os Meus Livros.)

    Existem umbiguismos repugnantes na blogosfera, umbiguismos que recaem sobre os outros como forma de se esquecer quem constrói a opinião veiculada - não, não vou deixar link. Existem umbigos de amor que descem um pouco mais baixo para quem tiver dois palmos de testa! Existem umbigos descaradamente belos. Existem blogues umbiguistas porque escrevem sobre os temas próprios do autor ou autora: um arquitecto que dedique um blogue à arquitectura, como meio difusor de uma mensagem que considere importante e educativa e cultural... é umbiguista! Mas pode ser muito bom!

    Eu não sei qual o umbigo que gosto mais, afinal gostos não se discutem... tão só discuta-se o porquê dos gostos.

    Aproveito para saudar todos os novos bloggers de uma forma entusiasmada.

    Escrito por jm às 00h53... | Comentários (0)
  • 18 de junho, 2003

    Artistas Unidos, ao serviço do público

    No último dia da 73ª Feira do Livro de Lisboa, o último conto da série O Nariz e outros contos, foi lido pela Joana Bárcia no auditório. Como sempre, Jorge Silva Melo, o director dos Artistas Unidos, esteve presente.Artistas Unidos
    Jorge Silva Melo
    Uma amiga minha levou o livro Deixar a Vida, uma antologia de crónicas e apontamentos de Silva Melo, para o autografar. Esperamos que Jorge Silva Melo se despedisse de várias pessoas, que o ajudaram e geriam o auditório durante as leituras. Dirigimo-nos a ele, e pedimos que partilhasse um pouco do seu tempo connosco. Autografou o livro e perguntei: "como estão os A.U.?" - pergunta um pouco retórica, mas que resolveu bem o quebrar do gelo entre três espectadores assíduos dos A.U. e o director do grupo.

    A resposta foi simples: "Mal! Muito mal!". Ficamos a saber que o grupo se está a desagregar por falta de objectivos comuns. Senti-me triste e pensei na fúria com que o público d'A Capital rejubilava o seu aplauso no fim de cada peça. Como Baal foi recebido no S. Luís. E, como cada encontro com Jorge Silva Melo, na rua, me fazia dizer-lhe "Olá!".

    Ficamos a saber de reuniões com elementos da hierarquia da câmara, cujas datas não são respeitadas... reuniões que nunca chegam a acontecer... sem que seja dada qualquer justificação. Disse-nos Jorge Silva Melo que a ida para o Teatro Taborda acabou por ser uma farsa, ofereceram um mês - Silva Melo apresentou um projecto de dois anos. Aguardava, para segunda-feira, dia 16, um contrato, cujo conteúdo não conhecia... terá recebido o contrato?

    No primeiro dia da feira, Silva Melo cruzou-se com Santana Lopes, presidente da edilidade lisboeta, Santana Lopes pareceu irritado e aborrecido quando confirmou com Silva Melo a inexistência de soluções postas em prática. Ali mesmo, se dirigiu a uma Vereadora e à administração do Teatro Taborda, exigindo um resolução. Do Teatro Taborda soube-se que existem compromissos que não podem ser alterados... "Quero os Artistas Unidos no Teatro Taborda!", afirmou o presidente: a ver vamos. Fica no ar a dúvida de quem está a impedir a boa resolução do assunto na câmara de Lisboa: Santana Lopes está a ser pressionado por figuras próximas do PSD, ligadas à cultura. Mas as hierarquias intermédias, espelho duma função pública horrenda e burocrata parece ser a certeza da incerteza deste grupo.

    Perguntei: "e as ligações internacionais?". "Ainda esta semana perdemos mais uma!" Jorge Silva Melo sorri com a ironia da vida, porque não vale a pena chorar.

    Escrito por jm às 22h22... | Comentários (0)

    26 de maio, 2003

    esta é a última, antes

    esta é a última, antes da próxima, memória que guardo do degredo.Recent Forgeries, de Viggo Mortensen os senhores da guerra estão irados e barulhentos, ouço-os tão longe: incomodativos.

    penso no lindo movimento que anunciei e ao qual renuncio, agora. este local é de silêncios e não de movimentos de elegância questionável. assim, não vos direi o que penso pela simples razão de que não tenho pensamentos nem tempo para os ter nem me apetece ter.

    alguns poetas são execráveis... ou nem por isso.. e os que nem por isso não são só poetas.. não se permitem ao parasitismo da cultura humana. hão pessoas poetas bonitas, outra feias e ainda outras que não se dá por elas, porque não incomodam uma mosca... e há quem morra e se deixe matar em consciência absoluta de uma nulidade inculcada e construída como a saída mais fácil, numa sociedade que admite a auto-exclusão e o suícidio como conceitos de controlo natural da raça humana.

    foda-se! como é lindo estar certo das incertezas dos outros e não ter dúvidas enquanto alguém se mija pernas abaixo para nos transmitir uma ideia: tão incapazes de armar aos cucos!! isto é, pôr o ovo no ninho de outro!

    estou muito contente, hoje! a vitória dos deuses... foi-me anunciada num jornal de actualidades. a vitória dos deuses e a minha morte no minuto anterior!

    Escrito por jm às 12h35... | Comentários (0)

    28 de abril, 2003

    destas coisas culturais

    uma amiga destas coisas culturais e menos culturais, sociais e, para muitos, apócrifas, congratulava-se humilde e timidamente de que começara a escrever para um universo superior a seis pessoas diárias. e, pensei eu, AINDA BEM!

    saber que somos lidos, em qualquer vertente da escrita - a grande maioria prefere os chats com mais de trinta users -, é um facto que massaja o ego. massaja o meu ego, massaja qualquer ego.

    a minha amiga estreou-se com um artigo simples, objectivo e, claro, controverso. a clareza da controvérsia, entitulada "A Cultura não é para quem pode - é para quem quer!" era tanta que ao terceiro comentário, lá estava um pessimista anónimo a dizer que a estupidez humana é tamanha que não crescerá mais... e tamanha é, ainda, que se nota ser indestrutível. no comentário deste pessismista o que mais me perturbou foi o seu anonimato, caracterizado por um receio óbvio de se confrontar com honestidade.

    acontece muito ao mundo identificar-se como sendo o melhor, revelando que o outro mundo, dele diferente - o outro -, é algo com limites bem definidos, pequeno e horrível. bem hajam estes anónimos do mundo! será que também escreve quadras populares?

    a minha amiga escreve na Janela Indiscreta.

    Escrito por jm às 21h43... | Comentários (0)

    23 de abril, 2003

    o dia do livro

    ler ou escrever? escrever sem ler? ou ler sem escrever? ou nada disto? ou tudo isto?

    hoje, que ninguém me vai ler, o mundo comemora o livro: o livro objecto, o livro conteúdo; o livro medo e tortuoso que comanda vidas e as enclausura. enquanto escrevo, ouço apontamentos de rádio sobre leitores, que lêem poemas e trechos de prosa. e penso: e os outros?, que não sabem o que um livro é, e não o sabem interpretar melhor por lhe dizerem um poema, ou lhe falem de "Gog", ainda que a descrição seja explícita. hoje, que se comemora o livro objecto ou não-objecto, por virtual, esquece o mundo que o livro não tem significado para a civilização que o comemora com a grandeza duma civilização superior, porque é a ignorância que dita os trilhos por que percorrem as vidas próprias. e, parece-me que há que definir os livros polo seu conteúdo, há que definir o objecto livresco independentemente do objecto livro. há que saber apelidar a incapacidade literária na escrita e chamar pelos nomes certos os que a fomentam.

    Escrito por jm às 11h10... | Comentários (4)

    21 de abril, 2003

    as novas estratégias

    as novas estratégias do homem enquanto homem, não são novas, são o reformular da sua atitude milenar perante o outro. o outro um seu igual diferenciado. das estratégias de interacção entre homens diferenciados, retira-se um denominador comum: o domínio de um sobre o outro.

    poderemos pensar que esse domínio advém do poder que cada um tem disponível. mas, na verdade, parece-me a mim - e não só, mas já lá vamos - que o domínio surge em primeiro lugar, o mais importante, o determinante, da vontade de o exercer.

    o que constatamos ao olhar e ver o mundo actual, contemporâneo nosso e de centenas de anos atrás, é que o exercer do domínio sobre o outro encerra também o fim das ilusões, o fim dos sonhos, o fim da vida utópica do subjugado, do dominado, que se deve comportar - de ora em diante - conforme é dito, ditado, pelo dominador, que lhe tirou a sua identidade, pois, se foi dominada, não tem interesse em permanecer.

    causa-me, a mim, confusão, que não se perceba as funções de equilíbrio, tão divulgadas e acarinhadas por metafísicas religiosas com raízes... enfim, com raízes em tempos tão recentes, tão carismáticos das suas motivações fundadoras: o domínio de um sobre o outro, em que um tira e o outro abandona. I take, you leave

    ontem, vi pela primeira vez o filme Instinto. o seu argumento foi baseado num livro que estimo: Ishmael. o filme trás um movimento de "o bom selvagem" para a nossa contemporâneidade, que pode prejudicar o conceito base: o respeito pela existência de cada outro, porque e só porque, o conceito de "o bom selvagem" é, ele mesmo, uma construção preconceituosa de ver o outro..

    Ishmael é um gorila que vive na cidade e que escolhe os seus estudantes. Ishmael ensina a construir uma filosofia de respeito pelo outro, em que o objectivo seria deixar de haver o domínio de um tipo de povo sobre outro tipo de povo. a necessidade inerente para a manutenção da harmonia é esta, cada um dos povos que existe permitir ao outro existir por si, com as suas regras.

    depois conversamos... algures.

    Escrito por jm às 11h54... | Comentários (0)

    17 de abril, 2003

    é preciso uma revolução.

    é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. não te deixes adormecer. é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! não te deixes enganar... abre os olhos! vê quem te persegue. ZOMBIES! vê quem te atinge o pensamento! líderes duma nova ordem, sem justiça nem verdade. é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! é preciso uma revolução. uma revolução! não nos deixaremos adormecer! é preciso uma revolução. uma revolução!

    Escrito por jm às 10h36... | Comentários (0)

    16 de abril, 2003

    escreve-se ponto no stop

    escreve-se ponto no stop

    um ponto final à vida vai ser o que muitos portuguesinhos vão dar a si mesmos como oferenda nesta Páscoa santa. as viagens, necessárias e obrigatórias à terra ou ao Algarve ou a Espanha, já começaram, na demonstração da possível felicidade dentro das dificuldades económicas que tantos têm. Tantos?, os outros... eu tenho cartão de crédito!

    os portuguesinhos são enfermos! não têm... inventam para ter... até chegarem ao ponto sem retorno do nunca mais vão ter.. e devem sempre... verdade seja dita, o que eu tenho visto de deliciosas vidas devedoras é capaz de fazer inveja a muitos.

    quanto mais velho, mais vejo que as gerações não mudam.. não existe preocupação pelo outro... ou, se existe, é tão banal e tão sem sentido... ele deixou-te? és muito melhor que ele! ou tenho que o ter sempre debaixo de olho. ou vou engravidar para sermos felizes. a mentira é a base de tantas relações. os amigos são de copos e discotecas e amores. os amigos são de copos e de dores.

    esta Páscoa trará felicidade a muitos... aos que morrem e a alguns que vivem. boa Páscoa.

    Escrito por jm às 10h33... | Comentários (0)

    29 de março, 2003

    as coisas irritam...

    as coisas irritam e, por vezes, prefiro silenciar a minha irritação do que colocar por escrito, aqui ou noutro sítio, o que quer que seja. mas, hoje, escrevo algo... vazio:

    a guerra que se assiste daqui e que muitos vivem, é um exemplo crasso de apropriação de emoções e de renascimento da ideia ter pena de.... neste caso, particular, ter pena de quem sofre os males do mundo governado por um déspota e ter pena da possibilidade desse déspota atingir o outro mundo. depois, há que ter pena de nós mesmos, cabisbaixos ministros de Deus, que sofrem as agruras das cruzadas. cruzadas lideradas por déspotas modernos, que se resguardam por trás de democracias reais, mas moldáveis às necessidades...

    a nossa democracia, recente... pura... virgem... mas que nem o diabo procura, segue cega. segue todos.. ou todos seguem a moda que lhes diz mais, que lhes diz qualquer coisa mais próxima dos corações... as emoções apelativas das figuras tão maternas da pintura...

    num chorrilho de idiotices, que aqui assumo enquanto minhas e apenas minhas... seria mais prometedor afagar os corpos sumptuosos dessas ninfas maiores e lindas.


    Rembrandt - Bathsheba at Her Bath (Bathsheba with King David's Letter) - 1654 (120 Kb); Oil on canvas, 142 x 142 cm (56 x 56

    Escrito por jm às 23h25... | Comentários (0)

    18 de fevereiro, 2003

    às vezes

    às vezes escrevo em fóruns. às vezes apetece-me debitar qualquer coisa... e às vezes considero que devo replicar aqui o que escrevo lá. assim, respondendo ao tema E Porque Se Escreve?? no (Fórum Livros do jornal Público ), escrevi:

    a.s. - as opiniões abaixo são as minhas, não pretendo generalizar o que quer que seja, inda que pareça tal.

    Stig Dagerman quis influenciar o mundo... nem que fosse o mundo ao pé dele... depois nada mudou.. a fonte secou.. e o suícidio foi a porta de saída.

    Sarah Kane abordou a invisibilidade palpável do ser humano, enquanto dor e limite na infelicidade do sorriso. Suicidou-se.

    Escrever não serve para nada. Escrever serve para tudo. Escrever serve a quem escreve... pode não servir quem lê - e aqui é óbvio que cabe toda a escrita possível, começando pelas banalidades infernais e por estruturas
    pink.

    Escrever é uma seca abismal, acompanhada de cigarros e vinho. Escrever é uma doença, um fungo que se não trata.. ou cresce ou morre ou revitaliza após qualquer coisa mais interessante que um quarto vazio e ecoando o respirar...

    Escrever é bonito para quem escreve a sete mil cores à hora na escola. Ou horrível no mesmo sentido, para quem só gosta de duas cores e as misturas possíveis delas.

    Escrever é um acto inútil.

    ps. ao Morais Sarmento: gostava de ser tão feliz como o sr.. ser um ex-toxicodependente de haxixe e acreditar que a cultura é algo aberrante.

    ps. 2 - o Morais Sarmento and cia, parecem David a lutar contra Golias (porque são pequeninos)... mas na verdade eles são os filisteus... são mais... são todos iguais... e o Golias já morreu...

    ps. 3 - a cultura está a ser chacinada... resistirá nos indivíduos.

    ps. 4 - porra!

    Escrito por jm às 23h25... | Comentários (0)

    31 de janeiro, 2003

    sobre o PM Durão

    sobre o PM Durão e o seu governo no apoio incondicional a Bush e as suas intenções de guerra ao Iraque

    indep de qq posição política, nunca a ogiva Anglo-saxónica da NATO pediria carne ao governos português - talvez umas vaquitas. a Portugal solicita-se as Lages e barcos de transporte de mantimentos.

    o PM afirmou hoje que a sua posição face ao governo israelita não é totalmente objectiva, porque a ogiva não se pronuncia objectivamente. Mais, que não concorda com algumas políticas israelitas, mas em forma não se pronuncia porque enquanto PM as suas palavras vinculam o Estado - ele não é o estado, é a conclusão a que chego que ele pensa, mas os amigos dele são Portugal.

    creio que muitas das pessoas de direita e muitas das pessoas de esquerda, são pessoas de direita ou esquerda com palas, e não pensam que os outros podem de alguma forma, alguma vez ter razão.

    parece-me objectivo dizer que para alguns de direita, numa ditadura de direita não se mexe porque é de direita, mas se for de esquerda já devia levar com artefactos em cima. E esta episódio repete-se no sentido inverso.

    considero importante que todos se lembrem que os EUA conceberam e criaram até à adolescência o político Saddam Hussein (atenção: o político, não a pessoa); os EUA não reivindicam frontalmente a queda do Hussein, apenas que ele informe peremptoriamente e com provas o desmantelamento do arsenal nuclear e afins...

    isto leva-me a crer que os EUA não pretendem mais que continuar a ocupar um lugar de força naquela zona geográfica. não pretendem libertar nenhum povo do ditador que eles mesmo criaram e com o qual concordam subliminarmente numa perspectiva: deixa-os ser miseráveis enquanto podes para nós sermos ricos (nós quem?).

    o PM pretende criar uma imagem de llíder internacional de destaque, como enquanto ministro/secretário dos Neg Estrangeiros lançou sementes, pretende agora estabelecer uma verdadeira aliança, que o leve, quem sabe à presidência da comissão europeia ou qq coisa assim...

    estou farto de escrever....

    Escrito por jm às 13h20... | Comentários (0)

    4 de janeiro, 2003

    hoje, no último Cartaz

    publica-se hoje, no último Cartaz do jornal Expresso (online), listas de gostamos e não gostamos. afirma-se sem justificações nem porquês que se gosta e que não se gosta, fazendo tão só valorativas interpretações que noutras publicações gostaram, e quase se afirma "nós, que somos bons, não quisemos nem saber". na música temos listas de ódio, nos livros temos «... e relativas decepções»

    segue o artigo assinado por Francisco Belard.


    José Luís PeixotoO sentido do que acima se disse [relativo ao artigo anterior em que se escreve sobre os autores mais admirados] acentua-se quando perguntamos aos críticos habituais do Expresso quais os livros de que menos gostaram. Não gostaram decerto dos que não chegaram a ler... E a referida diversidade de inclinações levou a escassas convergências nas rejeições. A grande celebração mediática de que foi objecto o ficcionista e poeta José Luís Peixoto não bastou para convencer todos os críticos ouvidos a integrá-lo nas suas listas (nem, em alguns casos, a lerem-no).

    A biografia de Tolkien ressentiu-se da alta expectativa que um dos críticos nela pusera. Do recente romance de José Saramago houve quem não o considerasse dos melhores do autor. Em geral, a ficção portuguesa do ano passado não parece ter impressionado muito os críticos que se esforçaram por acompanhá-la (e não foram todos). Injustiça? Talvez. Na política de autores, como na política «tout court», as eleições não são um critério de verdade, mas de legitimidade. Sem falar na forte concorrência que a ficção estrangeira exerceu sobre parte dos críticos, sem todavia impedir que também Tolstoi, Naipaul, Rushdie ou Vikran Seth tenham ficado na sombra...



    após o artigo passa-se à lista:


    NÃO GOSTÁMOS
    A Casa, a Escuridão, de José Luís Peixoto
    Tolkien - O Homem e o Mito, de Joseph Pearce



    Pois bem, JLP publicou dois livros em 2002, para além de contos e crónicas espalhados por várias publicações. O livro mencionado na listinha é o livro de poesia associado ao romance Uma Casa na Escuridão. Arrependo-me de não ter realizado um artigo, aqui no Rain Song, sobre esse livro, de não ter dito antes a minha opinião sobre o livro. Hei-de fazê-lo em breve.

    O que me aborrece com a notícia do Expresso é o minimalismo como trataram esta informação. Como levam rapidamente alguém que desconhece José Luís Peixoto a nem sequer se aproximar. Quando se fala na literatura portuguesa e se pensa em mercado, tendencialmente, diz-se e fazem-se correr rios de tinta sobre as poucas vendas, que os escritores não têm meios de sobrevivência próprios, etc.. Quando um escritor com a qualidade de JLP goza dum estatuto mediático comparável ao da inqualificável Pinto pink, os principais mediadores da informação fazem questão de pisar e repisar e fazer acreditar que nem vale a pena o esforço de ler um sequer texto...

    JLP é preso por ter cão! Deixo aos senhores do Expresso o desejo de que o cão do JLP lhes defeque à frente!

    Escrito por jm às 11h24... | Comentários (0)

    2 de janeiro, 2003

    apetece-me escrever uma crónica

    uma crónica sobre quem reclama por... por exemplo, não ser atendido nas filas das finanças para pagar o irs........ sem juros... AFINAL O IRS JÁ DEVIA TER SIDO PAGO HÃO MESES! sobre quem reclama... por não ter à sua disposição serviços que não pagou a tempo... e, no momento em que fez o FAVOR DE PAGAR, esses serviços TÊM QUE ESTAR IMEDIATAMENTE A FUNCIONAR. ... esses os que reclamam por fazerem o favor de cumprir os seus deveres FORA DE TEMPO deviam ser sancionados... afinal, eu PAGUEI OS MEUS IMPOSTOS E APRESENTEI DECLARAÇÃO DE IRS EM DEVIDO TEMPO, e sinto-me ULTRAJADO com estas benesses! SE ELES NÃO PAGAM JUROS EU EXIJO JUROS PELO TEMPO QUE O MEU DINHEIRO LÁ ESTEVE. mas eu, um simples idiota nos braços dum povinho, que é a maioria fundamental de Portugal, não passo disso mesmo: um idiota! um idiota que sabe que pagou e que irá pagar ainda mais por alguns não pagarem e muitos concordarem! ... esses da maioria, querida e amada por um povinho, exigem-me que realize o que desculpam aos outros por não fazerem. sancionam-me por cumprir! e protegem quem não cumpre. é triste viver em tempos de civilização bélica em que só os bravos maiorais têm razão. tempos em que é mais importante não saber nem querer saber nem notar que se tiram olhos ao nosso lado do que, por exemplo, ter consciência de quem se é e de quem é o outro! e o outro é sempre um inimigo. uma ameaça.... tenham um bom dia, que eu não vou escrever crónica nenhuma sobre essa gente execrável dum povinho assim, tão parecido com tantos mais.

    Escrito por jm às 02h58... | Comentários (0)

    6 de setembro, 2002

    algumas pessoas

    tenho notado que algumas pessoas mais novas se acham muito acima e muito bons por cima e com chapéu ainda. uma frase como: "O poeta da minha preferência sou eu." é de morrer por ter um ego assim e ter nascido auto-suficiente! haverá capacidade de aceitação duma crítica? ou se alguém já criticou e disse que era muito bom ou mesmo excelente, então porquê: "nunca publiquei nem sei se algum dia estarei em vias de o fazer".

    enfim, banalidades! mas o certo é que as pessoas ganham certezas ou têm-nas... arrogantemente vencedores sem esclarecerem em que competição entraram e a quem ganharam... ainda estou a tentar perceber... já não podem dizer que não me esforço!

    Escrito por jm às 12h12... | Comentários (0)

    2 de setembro, 2002

    Carta a Santana Lopes


    Assunto: Artistas Unidos - www.artistasunidos.pt

    Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa Pedro Santana Lopes

    Não me parece de todo interessante silenciar actos pelos quais sinto repúdio!

    O Teatro Paulo Claro, A Capital, sede da companhia de teatro Artistas Unidos e outras, foi encerrado pela polícia após um parecer dos bombeiros, salvaguardando a segurança do público, e por ordem da CM Lisboa. Foi encerrado sem aviso prévio, para desnorte da companhia! Foi encerrado ao mesmo tempo que o director da companhia estava em reunião com a CML, talvez para gozo e risada de alguns.

    Agora, eu manifesto-me - talvez insuficientemente - e não vou calar a barbárie de atentar contra um dos pólos culturais mais importantes deste país. Se me chamarem anarca - acho que chamaram -, penso que deverá ser por a CML estar a ter um padrão interessante de actuação: primeiro os Okupas depois os Artistas Unidos.

    A não preparação e não negociação atempada de espaços pode levar à extinção dos AU. Nunca mais me esqueci duma entrevista de Jorge Silva Melo, em que revela que caso perdesse esta companhia e fosse impossibilitado de trabalhar, deixaria o teatro para sempre. Certamente, tudo se resolverá, mas não calarei o tempo em que a cultura é limitada por marchas populares e festas nas docas: faz-me lembrar descrições dum tempo que felizmente não vivi nem quero viver, nem deixarei que se instale sem berrar bem alto: ESTÃO A LIXAR-ME! ESTÃO A FODER-ME! E TANTOS AÍ QUE OS DEIXAM E ATÉ GOSTAM!

    O sr. Presidente da CML fez muitos amigos durante a sua Secretaria de Estado da Cultura, fez os amigos certos diria eu: os que fornecem a cultura básica que agrada a careados e aos que lêem a Caras! E veneram a pink e as derivações dela! Essa cultura básica agrada à maioria, mas sabe o sr. Presidente que a cultura de um país se reduz a isso quando está orgulhosamente só!

    O sr. Presidente quer renovar e garantir a segurança do público! Eu aceito tal como bom juízo, mas... o melhor é esvaziar os prédios em volta d'A Capital, porque são muitos e com menos portas!

    Sr. Presidente, espero que a CML tenha a boa vontade de sair desta situação com o agrado dos que querem trabalhar para uma Lisboa - e um país - culturalmente melhor. Por mim, espero que da CML haja respeito também pelos contribuintes, pois os AU são patrocinados por nós... e gostaríamos de ver esse dinheiro emprege... e não simplesmente perdido.

    Ah! E sr. Presidente, até lá eu vou continuar a berrar, para já: URGÊNCIA NA NEGOCIAÇÃO COM OS ARTISTAS UNIDOS! A CULTURA NÃO ESPERA!

    Os meus melhores cumprimentos,

    Escrito por jm às 15h56... | Comentários (0)

    31 de julho, 2002

    no Porto

    a semana passada estive no Porto. uma cidade suja como todas as cidades antigas de Portugal. uma cidade que é bonita como todas as cidades antigas de Portugal. o que me chateia é o cerco duma multidão de gente na baixa portuense pronta a roubar o que é dos outros, para o vício da droga que se lhes entranhou no corpo e na mente.

    se fosse umbiguista o melhor que eu faria era ir falar com eles e dar-lhes palmadinhas nas costas e dizer-lhes que se continuam assim a próxima vida vai ser uma merda com os karmas que arranjam. mas não sou e considero que o problema social da droga no Porto é tão visível que obrigará o poder a tomar medidas necessárias e urgentes. considero mesmo que o problema deva ser atacado duma forma semelhante às acções tomadas em Lisboa pelo anterior elenco camarário.

    a existência de bairros com tantos problemas sociais no centro da cidade, e a má relação dos moradores pacatos com os visitantes dealers e consumidores, exige da cidade uma recuperação social pensada, mas urgente, da baixa e bairros circundantes.

    Escrito por jm às 13h32... | Comentários (0)

    30 de julho, 2002

    olhar para o umbigo... disfarçadamente

    no dia-a-dia tento ser uma pessoa confortavelmente só! no meu dia-a-dia cruzo-me com muitas pessoas, às quais tendencialmente não recuso colaboração ou ajuda conforme o caso e a gravidade do que se aborda! dou essa ajuda porque a outra pessoa precisa, porque penso que essa pessoa irá ficar melhor.

    tenho vindo a descobrir uma nova técnica de umbiguismo que me intriga:

    existe quem reflicta sobre os meus problemas de relação com os outros e me diga que devo dar oportunidades e possibilidade aos outros de se justificarem, perante argumentos que eu possa apresentar como irrefutáveis medidas de infortúnio para a continuidade duma relação saudável. essa pessoa, que reflecte sobre a minha atitude de exclusão, dá setenças de esperança e de boa sorte - terá lido nos bolinhos chineses? - e descreve-me como inflexível e seco e amargo e...

    enfim, a pessoa reflecte sobre a minha atitude e sobre mim. e parece ficar feliz! temos que ter esperança nos outros! e dar constantes oportunidades! UMBIGUISMO!!! esta pessoa que reflecte sobre mim, não me parece reflectir sobre ela mesmo nem sequer dar a mão a ninguém. parece-me tudo um jogo de auto-satisfação! um jogo de prazer mental em promover o bem do mundo sem o realizar realmente, sem identificar precisamente do que se está a falar!

    dizemos que temos um choque com alguém e temos uma resposta imediata, tirada de um livro de sentenças: tens que dar a oportunidade! sem mais... sem saber porquês, sem saber comos, sem saber nada: sem saber que a vida é mais do que um umbigo à procura de um sonho! mais grave, sem ter na mão atitudes reais para provar e mostrar o que diz! factos! factos!!

    Umbiguismo! eu sou contra o umbiguismo!

    Escrito por jm às 13h16... | Comentários (0)

    7 de junho, 2002

    de notar...

    de notar, neste novo ciclo de dirigência do estado português, a ausência de comentários e possíveis análises ao que se vê e ao que se sente... da minha parte. esse vazio não é, de todo, sentimento de culpa. é, talvez, falta de prática exasperar-me e construir na escrita momentos de resposta concretos e solúveis em si, como o faço nas conversas, que determinam diálogo e troca de ideias. o meu silêncio escrito não corrobora política nenhuma, e sem dúvida que o não fará pela actual.

    o aumento do imposto directo IVA, os despedimentos - ou não renovações contratuais -, a elaboração de um Quadro de Excedentes na Função Pública com elementos integrados compulsivamente, a impossibilidade de meios de criação de poupança e a frieza com que a maiorira parlamentar, que suporta o governo, trata os seus eleitores, faz-me apenas pensar e perguntar: os eleitores desta maioria parlamentar e governo votaram em quê? em programas e foram enganados? em pessoas, porque estas são diferentes das outras? em cores, porque o partido X tem um nome diferente do Y? em lados, porque a esquerda se divide e a direita manda sem pedir a ninguém para pensar e se pensar é dispensado?

    pessoas que votaram nesta maioria andam agora na rua! fazem greves também! afinal o descontentamento continua? afinal, a situação tornou-se mais grave em termos de segurança do emprego? as decisões sociais tomadas por este governo são graves e exploram o trabalho e o suor sem compensação nenhuma.

    se antes poderia decidir entre ir ao cinema e poupar uns trocos ao longo do mês e, claro, evitar comer em restauração, para cozinhar a própria comida, andar com termo e não gastar dinheiro, a pergunta agora será: posso comprar pão ao longo de todo o mês? porque não é possível poupar sequer! são soluções enfermas as deste governo, num estado de decisões que não olha as condições de trabalho de cada um. o emprego deixará de estar menos certo para ser inexistente, pela volatilidade do mercado e do consumo.

    mas, quem tem dinheiro vai manter o nível. e ainda bem, mas eu só queria manter o meu tal como eles. e olhar em volta e saber que em geral estaríamos a viver coerentemente num estado de direitos iguais. falsa visão.

    o que vivemos hoje, (e não vou aqui espraiar-me muito mais, como se se tratasse duma conversa), é mais grave do que apenas e só o momento presente, hoje ninguém sabe como vai ter valor de reforma, nem sabe como garantir o que quer que seja para um futuro que se diz longo, tendo em conta a longevidade humana.

    hoje, estamos vivos, amanhã em princípio também, só estaremos menos conscientes de que estamos vivos e menos conscientes de que os outros também podem estar vivos, e vamos arrancar olhos e dentes... enfim, a guerra.

    Escrito por jm às 13h04... | Comentários (0)

    3 de junho, 2002

    uma estratégia

    empty rusty bucketuma estratégia compensada pelo fracasso. um mundo sem destino que se diferencia pelo vazio. um vazio que é do nosso interesse globalizar para que todos sejamos iguais e com direitos iguais e com acessos iguais e responsabilidades iguais e todos sejamos felizes porque quem já é assim, já é feliz. todos os dias se ouve a rádio e a tv fazerem ecoar mensagens de vazio. e lê-se nas revistas e jornais que seríamos muito mais felizes se fôssemos outros e, por isso, sendo outros que são felizes!

    i'll paint my writing in pink. i won't lick no cunt anymore, nor taste her desire in little drops of moist. i'll tell her to never suck me again. now, we must only drop our heads on the pillows and dream or suffer of love, but never have it! silence is the wrong word in here. shall we dance and shake our frustrations in discos and frenzy bars? o, come on!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    o amor é tudo menos tédio! o sexo é tudo menos a vontade entediante de foder!

    pink me not and i shall not bother you!

    Escrito por jm às 15h21... | Comentários (0)

    2 de junho, 2002

    permaneço na solidão

    permaneço na solidão. não há momento fora dela que possa antever como bom: alguns são-no. mas a sua raridade apela à minha vontade de renegociar toda uma existência: a tua. a tua ausência é-me angustiante e quase choro em minutos inconstantes de sentimentos corrompidos pela saudade de ti. pouco me importaria o teu corpo se ao menos me pudesses falar do desapego que anunciavas das pessoas que cultivam o seu jardim, num ciclo de angústias e roturas constantes e quase permanentes. e assim, importa-me o teu corpo e a tua lânguidez sobre a cama desarrumada e a tua vontade de amor e sofreguidão de sentimentos verdadeiros. amei-te. di-lo-ei sempre e aqui o escrevo para sempre. mas esqueci-me e, agora, só odeio as conversas incipientes e as lamúrias sobre sexo na mesa de cafés cheios de tédio e impraticabilidades. encho o cinzeiro de tabaco queimado e cheiros químicos enegrecidos e beatas sintéticas. a minha mão direita tem duas cores: o meu olhar também. tal como as fotografias que guardo do tempo em que as cores eram mais e as palavras ridículas eram amores-perfeitos. e agora odeio o tempo como quem ama o seu deus se só tiver deus ou ama o que há por ter tanto quanto isso. o tempo exige compasso, e quer que a vida o acompanhe. e os idiotas clamam por relógios que os guiem e me guiem, como se lhes fosse útil o meu estar onde quer que esteja no tempo que são eles a querer impôr. consumo-me em cigarros e pouco mais me interessa do que folhear livros e escrever tinta em papel.

    Escrito por jm às 12h34... | Comentários (0)

    19 de maio, 2002

    o melhor seria...

    o melhor seria não ter que entender nada. não compreender nada. não sermos obrigados a ouvir o ruído dos outros, que para eles não existe. compreender é um esforço esgotante, porque depois de comprender são os outros que não entendem para que nos demos ao trabalho. entender custa-nos dor e sofrimento porque é incompreensível a percepção que temos dos outros... parece que gostamos de dar a outra face apenas e só porque sim!.. mas não, não gostamos e nem a oferecemos para levar as bofetadas que nos dão.. era para receber um beijo, porque, afinal, fizemos o esforço de compreender e entender... os outros é que não percebem nada. os outros.. aqueles que nos apelidam de os outros, são a maioria de massa cinzenta parada: atónita quando lhe puxam os cabelos, chorosa quando a Sra. chora lágrimas de sangue.

    Escrito por jm às 02h28... | Comentários (0)

    10 de maio, 2002

    Nation, Dieu et Famille

    Nation, Dieu et Famille - Nation, Football et Television



    a caricatura dos regimes é hoje em dia, em si, a realidade. daí os caricaturistas não terem um grande esforço a pensar a ideia - não estou a menosprezar, estou a ironizar.

    se antes a família era o garante da religião, porque se reproduzia e enchia igrejas, hoje, a televisão garante que as famílias gozem de descanso mental e os estádios de betão e sofá encham... o futebol vive-se por fora e por dentro numa televisão que, de tão podre, cheira mal por fora e por dentro.

    a comparação possível tem a sua charneira na nação, essa coisa delimitada num papel e pintada num pano e cantada em desafino. nas estruturas de apoio: religião e família, encontram-se os melhores dos mais broncos nacionalistas e neo-nacionalistas e, claro, fascistas.

    as rixas guerreiras que a nação permite nestes locais cómodos e fechados, são fruto dum acumular de energia sem escape. a educação e o desenvolvimento do pensamento e da cultura não permite à maioria capacidades mentais suficientes para olhar o mundo e pensar em criar melhor.

    mas... o problema da adjectivação é que recolhe sempre pontos de vista subjectivos.. eu digo que xpto é melhor... mas nem todos concordarão... assim, nem todos concordarão que a sociedade precisa de se reestruturar, com capacidades avaliativas do bem e do mal, e o porquê do mal que vêem e do bem que têm!

    a televisão e o futebol foram os primeiros a criar um ligação estreita entre si, que se adjectiva agora por fundamental para o povo... as horas em que se fala e falou de futebol na televisão dão a este assunto a maior fatia de tempo televisivo... - falo de assunto, porque as novelas podem ocupar mais tempo, mas o assunto sempre varia um pouco.

    tendo sido criada a necessidade do futebol e da televisão, a política mediática - a nação - viu com desespero a sua ausência nas consciências do povo - nada de novo se pensarmos na ditadura fascista de Salazar, se bem que a ausência para este era de nenhuma importância, mas em democracia os votos são precisos. assim, a política considerou que estando a televisão em todos os acontecimentos relacionados com futebol, o melhor seria a política ir ter com o futebol para poder aparecer, pelo menos na imagem!

    temos então o trio maravilha reunido num plano a duas dimensões.

    e... dentro de seis meses, anunciou o actual governo de Portugal, iremos assistir à extinção de um dos canais públicos da RTP, criando um só canal generalista e blah blah blah blah... o canal RTP 1 é generalista, não presta e assemelha-se em tudo à SIC e à TVI na sua qualidade de baixo nível.

    adeus tipologia do canal RTP 2, adeus Jornal 2, Acontece, Triunfo dos Porcos... adeus cinema, adeus teatro, adeus Artes e Letras, adeus Onda Curta, adeus 2010... adeus ... sem deus!

    o serviço público de televisão ganhará mais um terço do tempo de emissão com o fim da publicidade... mas onde está o serviço público? provavelmente vão recuperar as fitas do Marcelo Caetano e os seus ensinamentos à família e as imagens do Mundial de '66.

    Escrito por jm às 13h02... | Comentários (0)

    5 de maio, 2002

    porquê?

    homem na casa dos 30, deficiente físico devido a um acidente e a uma trombose no período de recuperação do acidente. filhos na Casa do Gaiato. pobre! é Domingo, o homem faz um determinado percurso numa zona residencial para pedir, diz que tem fome e quer ir visitar os filhos... no fim da conversa connosco e do resultado monetário, pergunta quase envergonhado se pode pedir um copo de água, que muitos antes lhe recusaram... enquanto vamos buscar a água, ele diz que pelo menos a água engana a fome. bebe 2 copos de água e vai embora. porque não lhe deram água?

    Escrito por jm às 12h40... | Comentários (0)

    3 de maio, 2002

    Inteligência Artificial - o mito humano

    Ao contrário do que se supõe a inteligência artificial não tem a ver com máquinas ou computadores ou processadores do futuro, nada disso! A inteligência artificial é a inteligência postiça do ser humano!

    Muitos seres humanos com quem cruzamos os nossos caminhos, particulares ou profissionais, aparentam um brilho diferente: a inteligência. É certo que a interpretação individual deste brilho pode variar, e funciona na generalidade por comparação, na base binária: eu e o outro. Só que, como em tudo, existem falsários!! Sim, pessoas que brilham inteligência suficiente em situações clímax que ofuscam a boa visão do outro, e ludibriam a realidade.

    O que acontece, julgo eu, é que o binómio comparativo eu-outro é temporalmente minimizado de modo a não permitir grandes contactos com necessidade de exposição. Assim, quando o falsário é encaminhado para uma exposição maior sem que se aperceba, a inteligência anteriormente demonstrada revela-se postiça.

    Mas... e afinal, que postiço é este? Eu não nego, nem o poderia fazer, que as pessoas não sejam inteligentes, ou que não tenham um nível mínimo de inteligência. O que eu nego é que estes falsários tenham argumentos quanto a pensarem por si. Supostamente inteligente, o esperto safa-se muito bem.. talvez melhor do que um falso inteligente.

    O falso inteligente recorre à inteligência até ao patamar que supõe ser o dele, dentro deste patamar utiliza as ordens de patamares superiores para se guiar e para se exprimir perante os seus iguais ou outros em patamares inferiores. Quando dentro do seu patamar surge alguém a expressar inteligência de patamares considerados superiores - esta consideração é condicionada, não creio que exista - o artificialmente inteligente recorre a patamares superiores para que o outro seja eliminado definitivamente, ou pelo menos, posto no seu lugar.

    A ânsia pela ordem imperativa e castradora é, para uma grande maioria, uma necessidade e, sobretudo, um garante da sua inteligência artificial, da manutenção do seu posto hierárquico... da subjugação daquele que essa maioria possa ver como inferior.

    A ordem tem modos e tem razões e tem curvas e derrapa. A ordem deve permitir a re-organização em si mesma e flexibilizar a abstracção do discurso construtivo da sociedade. A sociedade tem nas mãos a razão para se permitir a moldar a ordem e não a ser moldada por ela.

    Escrito por jm às 03h00... | Comentários (1)

    24 de abril, 2002

    aéreo

    tenho andado um pouco aéreo, com a cabeça a pairar em outras coisas que resultam em nada por causa da merda que os outros fazem.. ou não fazem... e fica tudo na mesma.

    entretanto, foi conhecida a morte do vocalista dos Alice In Chains, Layne Staley, que também deu voz a um dos mais belos projectos musicais dentro do estilo: os Mad Season.


    mais relevante para a nossa vidinha como seres comuns, terá sido a passagem à segunda volta das eleições presidenciais francesas dum tal senhor Le Pen. um tal senhor Le Pen que é um saudoso senhor do governo colaboracionista de Vichy. o nacional fascismo volta a tomar dimensões que permitem antever alguns futuros negros... pergunto-me: as pessoas têm problemas em ter liberdade de comandar as suas vidas por si mesmas? porque será que precisam sempre dum paizinho a dar-lhes ordens? e porquê isto em França, país que sofreu as atrocidades directamente e onde existem pessoas que têm na mente e no corpo dores provocadas pela II guerra mundial?
    pela igualdade - França pós-primeira volta (foto do Le Monde)
    sim! eu sei que nem comentei os resultados das eleições legislativas de 17 de Março passado. e, de facto, temos um senhor Paulo Portas, radicalmente colocado à direita duma política de direita anunciada pelo senhor Durão Barroso; os dois juntos, unidos por um só interesse: Portugal (dos pequeninos).

    como se tornou claro, nestes últimos tempos a direita ganha a corrida política europeia em muitos planos, mais grave: a direita leva consigo a extrema-direita para o poder. a União Europeia começa a revelar-se como um império ao qual só falta o ditador.

    não! eu não sou contra a União Europeia! e também pareço mais favorável a uma união política consolidada e garante duma cidadania, cada vez mais, do mundo. não me importa o país e a sua identidade no conceito da preservação nacional, isso são construções teóricas de ditaduras e totalitarismos. a identidade é localizada, regional se quiserem.... as cidades construíram, na última década e meia, identidades não reconhecidas como nacionais, ainda que tenham ocorrido e sejam produto de cá! porque de facto não são nacionais, são locais! e essas identidades, tal como as mais antigas precisam apenas de ser conservadas e não garante de linhas imaginárias.

    ser economicamente viável conservá-las passa pela governação regional, passa em primeiro lugar por melhorar as condições de vida das pessoas e permitir que construam as suas vidas nas zonas com tendência à desertificação humana.

    mas, não precisamos preparar isto tudo já!... a direita vem aí... nem vale a pena correr!!

    para se lembrarem: amanhã é 25 de Abril, faz anos que por aqui se conseguiu conquistar a democracia em 1974!

    Escrito por jm às 12h25... | Comentários (0)

    20 de abril, 2002

    O dia seguinte...

    O dia seguinte é uma catástrofe... Nós estamos aqui, no meio de vocês, mas não gostamos de vocês - We are here but we hate you -. Ser beto, ser pseudo-beto = ser amiba, ser rico, ser miserável. Ser entre vocês é um alívio para os dias mornos, quem haveríamos de criticar e objectificar em argumentos cinematográficos como os que sofrem as consequêcias dos monstros e não são heróis? O telefone não deveria tocar da mesma forma se vocês telefonassem... Mas partilha-se espaços com vocês e já o ar se torna rarefeito. E se torna inconfortável as vossas conversas sobre o mamilo esquerdo, ou sobre o umbigo, ou sobre a inclinação do falo que ainda não viram. Ou sobre o carro do papá que conduzem sem destreza nenhuma ou com a velocidade fantástica de quem não se importa de matar outros...

    (to be continued...)

    Escrito por jm às 11h45... | Comentários (1)

    20 de fevereiro, 2002

    a minha opinião não conta

    a minha opinião não conta e é um contentamento que tal aconteça sem que eu tenha que me expôr à situação na prática.

    nunca me iriam perguntar a opinião que tenho sobre os livros fenómeno portugueses, de autoria portuguesa, de amores e sexos portugueses, etc.

    a banalidade circunscrita a esses livros denota uma igualdade assumida entre as pessoas no seu viver e exposição das suas realidades, mas ela não é admitida enquanto seres diferenciados: pobres, ricos, pretos, brancos, amarelos, etc..

    uma senhora autora de um desses livro diz na TV: "as pessoas podem ler os nossos livros sem terem que recorrer aos dicionários!"

    outra diz, também na TV: "nós não escrevemos por uma receita, escrevemos para todos."

    como poderia eu refutar números, num eventual pedido de opinião: qualquer destes livros vende mais que qualquer livro de Saramago e, diz Alçada Batista, na TV: "que podemos fazer? não vamos proibir os livros. e sempre são leitura."

    eu que não sou escritor, mas talvez gostasse, fico estúpido e mais amorfo, só de pensar que um manuscrito vale tanto como nada na prateleira dum editor apenas e só por que não terá venda.

    e.. a repórter da TV disse: "centenas de manuscritos são recebidos nas editoras, escritos por centenas de pessoas que julgam ter descoberto a fórmula para venderem." agora, pergunto eu: mas as pessoas só pensam na venda e no dinheiro? atenção a minha pergunta tem a palavra «só»... pensar em fazer dinheiro é normal, mas reduzir o pensamento a isso, não!

    por isso, os meus parabéns a quem vende e é feliz.. e parabéns à TV, pela excelente promoção do Livro.

    Escrito por jm às 14h35... | Comentários (0)

    28 de novembro, 2001

    o zurrar de muita gente

    o zurrar de muita gente parece uma parada de burros falantes.

    como seria bom entender quem tem direito a falar. como seria bom que a fala de alguém, a quem é dada voz, fosse perceptível a todos... e realmente falasse e mostrasse o que quer.

    destes, quem fala tem poder. quem fala é rei em terras de república. quem fala esconde, na verborreia construída sobre dicionários de termos esdrúxulos, ataques à inteligência dos outros... e afirma e ordena e diz e manda fazer... qualquer coisa que se não entende... e nunca se revela... e se pedirem bis não se repete porque já se não sabe ou não interessa por motivos pouco claros e recomendáveis.

    mas, se há culpa... seja essa culpa o que for... não é só de quem fala em catadupas de metáforas e analogias baratas, é, também, de quem lhe dá a voz... sinto megafones nos meus ouvidos, todos os dias, produzindo ruído sem intervalo.

    a sorte macabra dessa gente é a gentinha surda que deambula pelos mesmos lugares que nós todos.. e acenam... e assentem... e crêem... surdos mais surdos que surdos!

    Escrito por jm às 01h59... | Comentários (0)

    28 de outubro, 2001

    ideias contra

    não existe um termo apropriado para quando nos sentimos bem, nem um remédio para deixarmos de pensar. vejo o deslocar de milhões de pessoas e penso: o que vai mudar, depois? e nada mudará, por que quem corre não tem meios de controlo e é, apenas, subserviente a quem manda, a quem exige, a quem governa... a quem pisa com os pés ou com bombas.

    sempre que corro desejo não correr. e sempre que olho apetece-me fechar os olhos e esquecer quem sou. e aquelas pessoas, o que querem mais é ter pernas para correr muito, poder ver o caminho que as leva e não se esquecer que são gente e querem viver... fazem-me lembrar as manadas de zebras na savana africana: existe sempre um caminho a percorrer para a sobrevivência. a maior diferença é que a cultura das pessoas é mais vasta... e neste momento está a modificar-se, como o barro nas mãos do oleiro carinhoso. contudo, enquanto o barro toma a forma bela, as mãos que moldam, agora, esta cultura são mãos de aço, fazendo dela um pior semblante do que aquele que temem.

    caminho num passo lento. observo. e não vale a pena derramar lágrimas sobre os pés de nenhum santo por ninguém. as igrejas devem andar a orar por heróis que desconheço... por heróis que o são porque morreram em condições dramáticas... os conceitos mudam consoante as necessidades das pessoas... hoje, ser herói é ser assassinado ou cair-lhe um prédio em cima... ser herói já não tem a ver com feitos, tem a ver com o que lhe é feito.

    não sei quem são aqueles mártires que polulam as estradas afegãs. não sei que mundo é este cheio de imagens iguais em todos os cantos... não sei quem tem medo do terrorismo e o combate de igual forma.... não conheço ninguém. e isto preocupa-me deveras. pareço estar preso a uma realidade imposta que combato sem sucesso.

    Escrito por jm às 14h53... | Comentários (0)

    18 de outubro, 2001

    poder poder

    lido com várias pessoas em diferentes situações sociais: escola, trabalho, casa e lazer. não vou estar aqui a separar esses espaços, pois teria que os definir primeiro e, depois, realizar uma descrição de como essas pessoas são e, caso houvesse elementos pertencentes a uma intercepção de espaços, o que as diferencia em cada lugar. contudo, é do meu agrado que compreendam que cada um de nós toma forma diferente num lugar diferente com pessoas diferentes ou não, por isto, eu não sou igual em nenhum dos possíveis espaço físicos onde me encontre, com quem quer que seja.

    tenho notado uma alteração no comportamento de várias pessoas no que toca à sua relação comigo. reparei que alterei primeiro a minha relação com elas. portanto, questionam vocês, para quê este falatório? não se trata apenas duma reacção? eu respondo: talvez! não se trate apenas duma reacção.

    talvez! porque eu sempre pensei os outros como pessoas conscientes de si mesmas e da sua vontade. e a sua vontade mostra-se, na relação comigo, muito pouco à vontade. sinto medo nessas pessoas... preferia ter utilizado o substantivo respeito, mas não posso. não é essa a percepção que tenho das acções dos outros. chamam-me e, quando olho, vejo um sinal de subjugação (pietá) disforme... ah! e isso é o quê? disforme porque, na minha ausência, a relação comigo continua. permanece, mas com laivos de rispidez e maldizer. portanto, subjugação na relação directa e deformação na indirecta.

    talvez! eu seja inócuo para quem me tente usar! contudo, não será essa inocuidade vista como desprezo? não sei. digam-me, o inócuo faz bem ou mal? não faz nada. exacto, não faz nada! se não faz nada... a reacção que descrevi não tem sentido. logo não serei inócuo. mas serei o quê?

    não vou procurar. direi que não se trata de simples reacção porque existe um recriar de defesas implícito nesta forma de estar. esse recriar é já uma acção.. ou uma contra-acção!

    ... to be continued

    Escrito por jm às 02h01... | Comentários (0)

    11 de outubro, 2001

    bom dia! ou a crónica idiota

    tenho notado, ao acordar... bem, sinto que o dia vai ser uma merda. todos os dias penso isto! para aliviar o espírito, resolvi adoptar um estratagema... utilizar a tecnologia GSM e enviar mensagens de bons dias a um determinado grupo de pessoas.

    bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia!


    este grupo inclui vários amigas e amigos... por vezes, alargo o número de receptores.. e não é que, num destes dias, alguém pensou que eu estava a realizar assédio?? acho determinantemente ridículo a forma como as pessoas encaram a vida. primeiro, pensam ser o centro do universo! segundo, sexo é a palavra de ordem que as move, que as realiza e que as faz interpretar um bom dia! como um convite sexual!

    ou terá a ver com ter sido eu a enviar-lhe a mensagem? será que cada vez que me pensa me vê como um sex freak? ou serei o representante de algo por que anseia ou que coisa abominável serei eu para essa pessoa? senti-me estúpido quando soube! senti-me lixado!

    eu tenho que aprender a ficar silencioso num canto em forma de penico e cagar devagar as minhas vontades... depois despejar no sítio certo essas vontades e não deixar que os desmerecedores lhes tenham acesso. afinal quem deseja receber um bom dia!?

    bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia!


    é que esta porra de querer sorrir parece não ser muito bem aceite! a infelicidade pertence a todos os outros, será isto que pensam?... o que eu penso... é que se sentem miseráveis, estas pessoas! que, de facto, se lembram que podiam ter mais e realizam ZERO para o seu bem estar geral!

    eu não sou feliz! não tenho pretensão de o ser! tenho sim a pretensão de ter momentos inesquecíveis junto das pessoas que GOSTO e AMO. a minha vida pode virar um inferno... mas enquanto eu respirar a presença duma alma que me goste estarei confortável.

    Escrito por jm às 00h39... | Comentários (0)