6 de julho, 2005

cenário .......

once upon a time
i was to linger on
your skin

foi ontem. foram todos os dias. os dias inteiros e nada aconteceu.

entre rumo e desarrumo da alma e do espírito, a captação de imagens nega a existência da simplicidade.

o racional não prevalecerá. o emocional é a interpretação única das coisas.

se me oferecem uma foto de um pneu, sinto-o em chamas

Escrito por jm às 11h57... | Comentários (0)

1 de julho, 2005

cenário .....

vejo-os chegar

são como leões

delicadamente furtivos

como se não houvesse

motivo para estarem ali


vêem-me vê-los

e correm

não tenho a agilidade

da gazela nem da zebra

a carne


fico-lhes entre os dentes

refeição desagradável

Escrito por jm às 12h23... | Comentários (2)

cenário ....

ao sol, na sombra

laranjeira sem frutos

e o corpo


sob a terra húmida

decompondo-se

Escrito por jm às 12h11... | Comentários (0)

28 de junho, 2005

cenário ...

nas conversas de bairro não participo

embirro

doem-me os ouvidos

gente

e aos intrusos evito-os

pardos

Escrito por jm às 00h33... | Comentários (0)

25 de junho, 2005

cenário ..

na descoberta

do indíviduo que és

liberto


as pontas dos meus dedos

martelando a tua pele

viva

Escrito por jm às 21h29... | Comentários (1)

23 de junho, 2005

cenário .

onde a guerra se atola em lodo
imediato enterramento dos mortos

onde o caminho das palavras
é lento como o gaguejar

sítio que fede

Escrito por jm às 11h52... | Comentários (0)

22 de junho, 2005

my own soul

i am against the news you might bring with you

i am against the choking life you live in

i am against being smothered by those who smother

i am against withering flowers

in time i'll learn to sell my own soul to the devils gods of certainty

i am against love with boundaries

i am against time locked in clocks

i am against the closure of mind

i am against not knowing your body from head to toe

before time to come i'll lean over your corpse to hold the past

Escrito por jm às 13h12... | Comentários (0)

21 de junho, 2005

cenário

a luta é

se fores ainda para lá

ao meio do tabuleiro da ponte

lembra-te de mim

onde o silêncio não é

o teu sorriso é

mais do que uma fotografia

Escrito por jm às 23h50... | Comentários (0)

originalidade

uma vez, durante a manhã senti-te madura. maçã vermelha.

a árvore adormecera e só tu, maçã vermelha, acordaras para o sol.

Escrito por jm às 01h16... | Comentários (1)

18 de junho, 2005

coreografia

existe um quadrado azul
risca-se

desenha-se um círculo vermelho
a circunferência do círculo poderá ser preta

em redor do círculo, a azul
desenham-se linhas onduladas

entre as linhas
alternadamente
mente-se preenchendo vazios
por escolha aleatória
com traços diagonais verdes e amarelos

pinta-se um ponto final
a castanho
no suposto canto inferior direito

Escrito por jm às 02h08... | Comentários (0)

2 de junho, 2005

lolipop

as mãos entrelaçadas nos dedos
os cabelos

a estrada é o caminho precoce
de quem não conhece pé posto

ou não viu ou não sabe

ignora
não lhe interessa

as mãos entrelaçadas nos dedos
os olhos

Escrito por jm às 12h47... | Comentários (2)

13 de maio, 2005

as palavras não se comem

abracei-te na leitaria
pedi um copo
e bebi

acompanhei com um pastel de nata
mas primeiro enfiei-lhe o dedo

Escrito por jm às 20h22... | Comentários (5)

19 de abril, 2005

the bird at night

silent waves
no moon to show us the trail

one howl crosses the sand
still no moon to show us how

Escrito por jm às 13h06... | Comentários (2)

26 de março, 2005

oliver where are you?

vejo no vazio

nada

e tua coragem dentro da sanita
verde
cheiro acre

só o silêncio para que adore
a virtude de um brilho
no céu plúmbeo

água
livre na cara do diabo

Escrito por jm às 20h20... | Comentários (2)

20 de março, 2005

cai sobre o artificial

não há outro lugar seguro
do humano que o artificial

enquanto nos penetramos em carne
e as flores em volta murcham
(as que não murcham desejam-nos)

cai sobre o fabricado
a excelência do que foi antes natureza

Escrito por jm às 13h31... | Comentários (0)

16 de janeiro, 2005

crossing fuck city

quem esperas ao fim da rua?
quem te vai ver no meio da rua?
quem te passará a onça que precisas?

vai um sorriso?
um riso ténue de esperança
em não sobreviver?

no fim da rua está uma luz
de túnel sem fim

não sobreviver na primeira oportunidade.

Escrito por jm às 16h02... | Comentários (2)

10 de dezembro, 2004

select a track and press play

os erros têm muitos nomes
na agenda democrática que levo
no bolso da frente do casaco dos seis bolsos
aquele castanho com botões castanhos
e uma chapa de latão na manga direita

nessa agenda escrevo prós e contras
desdenho uns e outros
desejo que se matem aos poucos
e cessem a sua existência

pesa-me
o bolso é grande e a agenda é grande
pareço manco quando caminho
e afinal é o blusão que manca
pareço mal

todos me olham e eu não sou bonito
riem-se e eu não tenho humor
tenho graça Argonauta das Unhas de Baixo
mas ninguém sabe e vocês não contam

a outra gente que eu sou o manco
do blusão castanho com uma agenda dos infernos

Escrito por jm às 18h58... | Comentários (0)

6 de dezembro, 2004

garatuja ou quando não existe objectivo efectivo na moderação pré-traumática

se me quiseres foder o juízo
começa pelo corpo que precisa mais
anseia mesmo que o fodam

qual amor? quem fala de amor?
já to disse, começa pelo corpo essa foda
moi-me depois para me não sentir

tão violado

Escrito por jm às 13h26... | Comentários (2)

25 de outubro, 2004

faith is somehow the fate combined with hope

se for para meu bem então...
se for por tu bem me quereres então...

se chegar o dia e me quiseres ter nas mãos

se lá chegar, eu
se lá chegares, tu

eu esperando
entregar-te-ei

tu esperando
receberás

de mim o revólver

de ti a bala.

Escrito por jm às 22h40... | Comentários (5)

11 de março, 2004

para um recado ...

tão belo o estertor
os espasmos
a debilidade da alma
e o abandono do corpo

Escrito por rainsong às 00h08... | Comentários (5)

10 de março, 2004

para uma nota de rodapé

a tua flor na haste
o nosso amor em
fruto madurando

Escrito por rainsong às 10h05... | Comentários (2)

9 de março, 2004

n, como em neblina

amanhã
o melro com a larva no bico
e a negritude no semblante da viúva
com a criança ao colo berrando
no frio da madrugada
e ainda o cheiro a maresia
traçando-lhe o destino que
o tornou orfão e rebelde

amanhã
o melro com o presente no sonho
e o negro manto ao largo
com os homens embalando
o pesadelo da terra e das mães
chorando na beira-mar os filhos
sem pedra sobre o túmulo

Escrito por rainsong às 22h30... | Comentários (0)

8 de março, 2004

para uma carta (incompleta)

um dia.

dois dias e meio.

três dias e quatro horas.

a distância.

a percepção do fim dos sonhos.

um caminho pelas nuvens.

dedos de conversa com a criança.

os cabelos loiros encaracolados.

caracois caminhando pelo trilho.

a alma a ganhar forma e o espírito em remissão.

lembras-te como foste?

não.

Escrito por rainsong às 23h11... | Comentários (3)

5 de março, 2004

s, como em seda

num olhar sereno
o olhar efémero da paixão
adivinhada solitária
*
junto à mesa central da cafetaria
passam céleres as gaiatas rindo
umas com as outras de umas e outras
em gargalhadas sucessivas de calores
da véspera dançante e roçagante
dos corpos crescidos de desejo
*
senhor doutor sentado olhando
que me diz deste mundo renovado
destas meninas respirando
digo pouco com a certeza
de o senhor doutorando não ter
reparado nos meninos gargalhando
no canto sobre a véspera do dia
*
outro olhar realiza sonhos
no mesmo assunto e afasta
da mente a vontade mas
linda não sobreviverá ao dia

Escrito por rainsong às 10h55... | Comentários (0)

4 de março, 2004

pia baixinho

abraços cumprimentos (nas cartas) e apertos de mão
o resto escusa-se na sociedade que teme
o preconceito e se protege longe: beijos não

Escrito por rainsong às 13h03... | Comentários (7)

2 de março, 2004

para um postal .

tens tu na vida um sol
para encantar bela um olhar meu

ai, que tens tu na mão agora
que me ofuscas serena
ai, é um gladíolo amor branco
és tu como em flor serias

canta embala o teu menino mulher
cândida de tez qual neve e ardor
neste prazer nosso tão grande

Escrito por rainsong às 12h03... | Comentários (0)

8 de janeiro, 2004

dos dias presentes

porque chove e faz frio
e o quente não chega

porque o mundo é injusto
e a incerteza é a alteração das coisas

porque a vida parece resvalar
no momento inesperado

porque olhamos em volta
e é negro o espectro

sentamo-nos
crentes em nós
(única força)

Escrito por jm às 19h13... | Comentários (3)

7 de janeiro, 2004

aos da vanguarda

sabes, gentil, o cromado
frigorífico dos apliques
nos automóveis está fora da moda
titânio ou azul tunning
na incapacitante ignorância dos ébrios.

gentil, alma tua
que me refresca como sumo de laranja e limão
vindo dessa fonte fresca definida
pela electricidade do mundo moderno.

vens tu de onde?, pergunto
ao gelo ausente do enregelado absinto.
virás de cromados e metalizados frigoríficos
com a internet à distância de um toque tão perto.

prefiro os mamilos do teu corpo,
gentil, tocando-lhe para descobrir o teu calor
dentro sem cromados nem titânios
zumbido-me na cabeça veloz.

Escrito por jm às 11h20... | Comentários (0)

9 de dezembro, 2003

(des)

brinco apenas quando te vejo escarranchado
sobre o poial à procura de um quintal
brinco apenas julgando-te com a divertida ausência
de imaginação pós-natal esborrachado por um temporal

Escrito por jm às 20h38... | Comentários (0)

6 de dezembro, 2003

dão-se alvíssaras

não tenho palavras a mais.. tenho de menos
tenho de mais o ruído... tenho de sobra

vai a leilão, senhor doutor, o ruído do meu coração?

tenho o silêncio para te cantar a minha história
não tenho dinheiro para comprar
tenho de sobra para vender a doença
espanto-me, talvez, que não compreendas

vai para o adro carregar a tua cruz
anda com ela às voltas e o padre que te benza

Escrito por jm às 01h22... | Comentários (2)

7 de novembro, 2003

???

tivesse eu mãos
agarrar-te-ia no tempo
correndo sem som
no jardim japonês

olho-te atravessando
a ponte velho ícone
guardado pela garça

Escrito por jm às 22h34... | Comentários (2)

30 de outubro, 2003

ama

amarras
amas com garras
garras de amas
arre!
marras nas mamas
amas as mamas da
ama com garras

mar de ama
doces amarras
dos lábios nas mamas

Escrito por jm às 11h16... | Comentários (0)

8 de outubro, 2003

im-puro

sorrimos im-puros com a chuva frágil a pedir licença para entrar
sorrimos por não haver mais a fazer na tristeza que somos
enquanto gente enquanto grupo de pessoas apontadas e descritas em condições específicas
em manuais escolares e religiosos
sons de púlpito instruídos por superiores ordens
senhores vinde e deixai que as vossas crianças não assistam ao vosso fim

não esperamos mais do tempo que a vida que nos é permitida, ouço
mas ninguém espera a morte? sinal real de uma vida gasta e usufruída
ninguém espera porque nem uma vida é
gasta e usufruída. que lhe valha a morte para a coroar.

enfim cai chuva sobre as cabeças sob o céu nublado
permitindo que nos lavemos das agruras impostas e vestidas
quais formas de roupa disformando os corpos
mesmo assim sorrimos para não haver diferenças
nem gargalhadas nem palavras de júbilo

deixem-nos morrer em paz, merecemos já o véu negro
das viúvas das praias ocidentais

Escrito por jm às 00h17... | Comentários (2)

23 de setembro, 2003

vontade de

entraste e afirmaste
a vontade de me ter
na vida tua
cresceu em mim
essa vontade de me ter
na vida tua

Escrito por jm às 12h19... | Comentários (2)

17 de setembro, 2003

um de nós

a ignorância está-nos no sangue
e cresce e rega-se e multiplica-se
não fosse ela em corpo o nós palpável
querem-nos estúpidos
e conseguem e fornecem
o produto já em cápsulas
somos pobres com honra
uma honra que depende da atitude dos outros
com a qual nos pretendemos ofendidos
e, por isso, ofendemos e matamos
estupidificando a honra que se diz nossa
e rastejando no pó
sujos e cabisbaixos e submissos
a senhores cuja honra é o poder que detêm
preferível sermos gentios
altivos e serenos connosco

Escrito por jm às 13h42... | Comentários (0)

16 de setembro, 2003

olho para trás

vejo-o calçando as botas
nos pés ausentes
vejo-o tratando da terra
com a força ausente

vejo-o prostrado num leito
sem pés
sem pernas
sem força

vejo-o tentando ensinar-me coisas
eu aprendi o que quis
eu, o rebelde dos netos
eu que nunca disse sim
ele sem força
ele, homem, balbuceia na dor

por me ter feito chorar
sem razão para tal
sou aquele que está mais próximo
na ilegitimadade humana contra-natura
na manutenção duma vida sem razão
não por amor nem por desgosto
apenas porque sim


este é um exercício que resolvo publicar, apesar de toda a inépcia, a falta de técnica e a falta de acerto na escolha das palavras e na sua interacção.

Escrito por jm às 13h42... | Comentários (0)

9 de setembro, 2003

a almeida

a almeida
varre a rua
ventosa
o lixo escolhe
se fica
se vai

fica mais
como a gente
que tem medo
de partir

pouco vai
e não volta

a mulher
varre a rua
ventosa
olha em redor
caminhando
a arrastar a vassoura

Escrito por jm às 10h51... | Comentários (3)

1 de setembro, 2003

calo a vontade de falar

calo a vontade de falar
e me defender
de quem me cansa
os sentidos

todos me cansam
receando pouco mais
que o meu silêncio
falam para os meus ouvidos

idolatram verdades imensas
num jogo de interesses
que perdi faz tempo

já não tenho mais
para além
do meu silêncio.

Escrito por jm às 13h00... | Comentários (3)

a new house is not always a home

a tua casa é onde te sentes em casa.
a tua casa é aquilo que fazes dela.
estarás em tua casa quando lhe chamares a minha casa.

não tenho a minha casa, vivo onde posso: tenho casa.

Escrito por rainsong às 00h00... | Comentários (5)

29 de julho, 2003

s/ t

entre um pestanejar
brilha uma lágrima
de partida para oriente

Escrito por jm às 11h47... | Comentários (0)

10 de julho, 2003

s/ t

escrevo a tua história na calçada
rio, em soluços
olhando a chuva apagá-la

Escrito por jm às 11h28... | Comentários (0)

20 de junho, 2003

...

Verão suplício
sejas morto
como matas.

Escrito por jm às 12h40... | Comentários (0)

15 de abril, 2003

três lírios brancos e uma rosa vermelha

três lírios brancos e uma rosa vermelha.

esta rosa vermelha
é para ti
junto-lhe três lírios brancos
despeço-me no vazio


nada sei
nada tenho a mais para te dar
agora


nunca soube do tempo
nunca soube de mim

Escrito por jm às 10h26... | Comentários (0)

5 de abril, 2003

Alá és grande.

Alá és grande.
Alá, meu senhor, sou teu servo.

o meu sangue pertence-te, utiliza-o
para que a vontade de bem
preencha os corações de
todos os homens.

Alá, meu senhor,
protege a família que me criou
e me fez orgulhoso
da tua vontade.

Alá, eu serei teu mártir e
partilharei contigo a vida
no paraíso eterno.

---- in caderno das armas, abdul ----

Escrito por jm às 18h35... | Comentários (0)

3 de abril, 2003

pergunta

pergunta
resposta
posta de peixe

espadarte
espada de arte
arte em riste

ris-te?
triste?

não interessa
pergunta
não respondas

---- in caderno das armas, tom ----

arde em prazer
a tua dor
sem questionar

ferida em sangue
a tua dor
arde

rasga-se o teu ventre
em prazer na dor
que tiveste

e tens dor
quente, em sangue
morres

---- in caderno das armas, tom ----

Escrito por jm às 11h28... | Comentários (0)

16 de janeiro, 2003

quem veio do frio e...

quem veio do frio e se instalou em dormitórios escuros?

ontem vinham uns versos estranhos na minha cabeça enquanto regressava a casa:

o those who care for us
they die
they die
o for us
they care for us and they die

bem... nem sempre se pode ter tudo! mas pior seria ter a certeza de que não se tem realmente nada!
contudo, sei que o futuro é esse: vazio de tudo: tudo vazio: nada!

Escrito por jm às 13h23... | Comentários (0)

7 de janeiro, 2003

a visão...

a visão do extremo que se permite encontrar!
o extremo da visão que se recusa em determinado tempo a olhar.
e tudo o pouco mais é
a boca
a pele
os ouvidos
o amor
o sexo
as palavras sussurradas junto do lóbulo da orelha.

Escrito por jm às 11h39... | Comentários (0)

17 de dezembro, 2002

i can't hold the dreams

i can't hold the dreams I have
so they
f
a
l
l

i can't see your eyes anymore
so i wonder
w
h
y
?

you are my breath
but still i
d
i
e
.

Escrito por jm às 11h36... | Comentários (0)

4 de dezembro, 2002

um pássaro

um pássaro
um pardal
uma andorinha

um cão
um lobo
uma raposa

o mar inteiro
de baleias
de golfinhos

Escrito por jm às 11h11... | Comentários (0)

3 de dezembro, 2002

estou cansado do tempo...

estou cansado do tempo em que todo o tempo é cansaço.

ficarei contente com um sorriso
leve na tua boca, que anseio
rever, a cada dia te perdendo
para o cansaço do mundo.

pareces uma miragem a cada tormenta,
de lua a lua,
no vazio dos dias e do leito.

num só olhar te tenho,
noutro abraço-te e dispo
de mim a vergonha
cega de não ter nada,
de ter todo

o meu amor por ti,
cheio de mares e saudades,
cantando uma enferma canção
negra no vestir, triste de paixão.

Escrito por jm às 00h42... | Comentários (0)

2 de dezembro, 2002

...

a cidade como um oceano.
as marés com hora marcada
e sem influência da lua.

Escrito por jm às 01h29... | Comentários (0)

23 de novembro, 2002

tenho sono

tenho sono. mas não quero dormir.
corto um papel e faço barulho ao fundo da sala.
tenho sono. mas não me apetece acordar assim.
pego na tesoura e no papel e atiro-os para longe.
ruidosamente. mas tenho sono.

Escrito por jm às 02h37... | Comentários (0)

21 de novembro, 2002

riso

riso.
ri risos quem ri.
enquanto ri pode chorar de tanto rir.
não chora choros de choro triste de quem não ri risos de rir contente.

Escrito por jm às 01h02... | Comentários (0)

31 de outubro, 2002

um momento de sol

um momento de sol
um tempo lindo no raiar da manhã

és tu meu amor
a quem desejo
a paz
és tu
perdido entre os lençois

um momento de sorriso
sincero
um tempo aberto
à eternidade

num só silêncio
ao acordar

Escrito por jm às 14h59... | Comentários (0)

9 de outubro, 2002

o silêncio

o silêncio
bate em ritmos lentos
faz estremecer o sangue

o silêncio
tem carne e músculos
morre

Escrito por jm às 12h30... | Comentários (0)

24 de setembro, 2002

um eco

um eco


em construção



ecoa




esventrando





o silêncio

Escrito por jm às 02h01... | Comentários (0)

19 de setembro, 2002

um pouco de silêncio

um pouco de silêncio
silêncio

ouvem-se bater de asas
um pássaro pressente
passos
e voa

silêncio

gritam na sala
silêncio

chilreia
por entre folhas
a descendência
do pássaro

a lua
é um todo num vasto nada
em silêncio

dançam felizes na sala

Escrito por jm às 00h37... | Comentários (0)

15 de setembro, 2002

nada para ver na chuva

nada para ver na chuva.
felizmente se imagina as imagens incertas.
os desenhos pouco importam no nevoeiro.
e o calor refresca-se nos corpos.

nada para ver na chuva.
pouco mais que um amor todo
num sorriso infantil e doce
com gotas de água no rosto.

Escrito por jm às 12h02... | Comentários (0)

10 de setembro, 2002

descanso

descanso no teu regaço o peso da minha cabeça.
da minha cabeça esqueço o mundo.
em descanso
no teu regaço
adormeço.

Escrito por jm às 13h09... | Comentários (0)

1 de setembro, 2002

i am the voice

i am the voice you never heard
and then you fall in a big well
and then you scream your lungs out to me
and you think thinking is ok! ok! ok! ok!
but the shitty world doesn't notice you at all
but boots walk still for a march of pigs
but people look at you and they reflect themselves
they don't see you!
they don't see you...
who are you?
who are you?
who are you?


lame

Escrito por jm às 14h32... | Comentários (0)

30 de agosto, 2002

here goes a song

here goes a song with a story which is not yours nor mine.
it will make us cry
it will show us how people turn to life
and in a certain moment they die

lame

Escrito por jm às 15h01... | Comentários (0)

24 de agosto, 2002

apontamento:

o awfull season
o awfull season
we came and we'll die

this bird in my hands
his burden in my hands
no more his wings will fly

Escrito por jm às 18h52... | Comentários (0)

2 de agosto, 2002

não sou sal de nenhuma terra

não sou sal de nenhuma terra
serei sal da terra onde cair
não sou pó de nenhum lugar
serei pó do pó onde desparecer
não sou do mundo
serei de todos os mundos

sou eu
não serei nada

Escrito por jm às 15h25... | Comentários (0)

1 de agosto, 2002

escrevo em silêncio

escrevo em silêncio
a paisagem em frente
informe
desfeita em humidade

caminho em silêncio
na paisagem circundante
tropeço e tateio o solo
o pó

mergulho em silêncio
na imagem
colorida em sete cores
do negro vazio

abandono o silêncio
respiro o ar fresco
da gruta onde
sonho

Escrito por jm às 15h55... | Comentários (0)

pequeno

pequeno.
muito pequeno.
o mundo.
o mundo cresce.
uma árvore em flôr.
o olhar meigo de pássaro.
um chilrear sem mágoa.
o pássaro dança no ar.
solta-se a vida.
a vida.
muito pequena.
pequena.

Escrito por jm às 01h26... | Comentários (0)

21 de julho, 2002

o teu sonho não existe

o teu sonho não existe
desenha no ar uma expressão do teu sonho
mal descrito em palavras
que gaguejas com medo
rebola nas nuvens do fumo
na cidade dos amores o teu sonho
sem nexo e sem razão
esconde-o de mim e
dos outros que te disserem
que te não querem ouvir
esta é a minha canção de embalar
desenha no ar uma expressão do teu sonho

Escrito por jm às 13h42... | Comentários (0)

18 de julho, 2002

pouco importa o que tenho...

pouco importa o que tenho escrito ao mundo.
importa a alguns muito
o pouco que escrevo.

e a mim?
levanto-me de manhã e fecho os olhos.
e o dia todo é o mundo
sem mim.

Escrito por jm às 13h29... | Comentários (0)

15 de julho, 2002

um homem

um homem
virado ao contrário tem suspirado e morto
em cada suspiro ares infecundos cheios de bichos estéreis.
morre ao contrário
do avesso
de lá para cá ou de cá para lá
conforme o contrário e o avesso sejam
mirados do fundo concâvo ou convexo dos olhos.

Escrito por jm às 16h15... | Comentários (0)

11 de julho, 2002

apenas um grande vazio

apenas um grande vazio me preenche a euforia de estar cansado de escrever vazio
e quem ler se esvaziar do todo significado das coisas sem nome
perco por momentos a vontade de continuar escrevendo a solidão
que se me assemelha a uma espécie de pulga gigante e pesada
que me salta para o colo e adormece
incomodando-me o fedor de não ter deixado de fumar enquanto era tempo
sonhando imagens brancas sem significado
crendo possíveis linhas negras a darem-lhe sentido no horizonte de destino
quero fechar os olhos e ser como um peixe fora d'água debatendo-se
contra o irremediável
contra a única certeza que me encanta por ser a única que não mente

apenas um grande vazio me preenche o sorriso de lábios entreabertos
segurando o cilindro de gosto acre e esfumando uma nuvem cinzenta
os meus olhos sem brilho olham a distância duma imagem perdida no meio do rio
um rio de gente igual subindo a rua na cidade dos meus amores
seca o rio quando ando por lá... umas gotas fazem dele o silêncio
dum túmulo aberto por estranhos

apenas um grande vazio me preenche a descrição do passado acontecido
e a dúvida que se liberta sobre o futuro permanece vaga


"o dia roubou-me/ levou-me a alma/ raio parta o dia" - Lisboa, Adolfo Lúxuria Canibal

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24 de junho, 2002

vem devagar

vem devagar
ajeita-te
toma forma neste lugar
sonha o
desperdício de tempo
num sono sem
vontade põe-lhe
na cara uma pata
de lagarto velho
cansado
teso retesado
poisa sobre
lábios a desgraça
do bem de todos
antes de ti
ninguém
e a morte esconde-se de
cada sombra sem véu
que lhe foge entre os dedos
propositadamente
dispostos
a não segurar nada
ri enche
o espaço de som
estridente gralha
negra e sem humildade
não ensines
adormece num
jeito suave
lento

Escrito por jm às 02h17... | Comentários (0)

4 de junho, 2002

s/t

one
look into
one
closed eye
one
thought on
one
open mind
one
amongst the
one
crowd
one
wise soul
one
fallen child
one
lost paradise
one
found heaven in
one
beautiful hell
one
brilliant fire
one
dragon's gorge
one
dream of angels
one
battle of wings
one
belief lost to
one
dead
one
vulgar
one
damaged
one
society
one
end

Escrito por jm às 15h32... | Comentários (0)

19 de abril, 2002

à beira do caminho

à beira do caminho.....
...... a veste negra sem rosto ........
a minha morte acompanha-me............
em viagem pelo medo........
.................................................a luuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhh sorri, rrrrii
............
de mim.

Escrito por jm às 11h20... | Comentários (0)

11 de abril, 2002

agarra. foge. esquece. estraga.morde. larga.

agarra. foge. esquece. estraga.
morde. larga. deixa. destrói.
segura. abandona. parte. mata.
deus. deus. deus. deus.

Escrito por jm às 01h55... | Comentários (0)

9 de abril, 2002

falls down gently

falls down gently
on our heads

rain
sunlight
rainbow light

gives us cold
gives us pain
or a smile to hold

fall down from up
up in the sky

angel feathers
god's neighbours

from up to us
dark angels fall
with broken wings

fall down on our heads

Escrito por jm às 11h33... | Comentários (0)

17 de março, 2002

adormecer

adormecer
      sempre no vazio do tempo
          como se o mar não voltasse
       quando a onda vai
     e leva nas costas o barco
                com sonhos e dúvidas
          dos homens e mulheres
      que não cruzarão mais
o olhar

Escrito por jm às 14h14... | Comentários (0)

1 de janeiro, 2002

silence

silence
free silence
the silence
      after the end
      before the beginning
the same sound

can you hear me?

Escrito por jm às 15h48... | Comentários (0)

26 de novembro, 2001

estar, não estar, não ter que estar.

estar, não estar, não ter que estar.
ausência... sem ausência.
permancer.
não ser visto, estar cego.
não se pede uma compreensão capaz a nada.
não se pede porque pode incomodar.
silêncio... obtuso... falso.
assim... sem mais.

Escrito por jm às 01h25... | Comentários (0)

26 de outubro, 2001

E

pergunta
pergun
per
pre
prego
pre go
go
gono
gonorrei
gonorreia

Escrito por jm às 01h24... | Comentários (0)

16 de setembro, 2001

a sério?

a sério? achas mesmo essa merda? crês que isso se resolve assim? estou confuso....

e o duende foi embora num passo leve do seu tamanho!

Escrito por jm às 14h20... | Comentários (0)

17 de agosto, 2001

chicote

comprei um chicote.
comprei o chicote por causa do look.

ela meia nua, eu meio nú.
ambos numa pose de poder.
o chicote na minha mão e entre os dentes dela.

um look fantástico.
o chicote no chão e nós dois enrolados.

Escrito por jm às 14h19... | Comentários (0)

14 de agosto, 2001

aconteceu!

aconteceu!
o espelho comeu-me a cara!
a minha cara desapareceu à minha frente.
fiquei sem visão de nada do que alí estava.
o espelho reflecte agora o outro.
aquele que eu não sei quem é ou foi.

Escrito por jm às 02h20... | Comentários (0)

26 de julho, 2001

o meu mundo derroca breve.

o meu mundo derroca breve.
ao tê-lo assim, sem graça...
o meu mundo não é nada,
perante outros que são tanto
e derrocam longamente
sobre as cabeças.

Escrito por jm às 13h52... | Comentários (0)

5 de julho, 2001

e toda a minha dor...

e toda a minha dor me invadiu e me impede de pensar,
e ao não pensar sinto-me perfeitamente contente.
excepto quando me obrigam a pensar e me irritam e a dor se torna maior.

Escrito por jm às 11h58... | Comentários (0)

3 de julho, 2001

envio-te beijos do limbo.

envio-te beijos do limbo.
o meu contentamento é pequeno.
por aqui não existem anjos de qualquer tipo.
abro os olhos e sinto escorrer a vergonha pelos globos oculares.

Escrito por jm às 13h34... | Comentários (0)

23 de junho, 2001

Gosto do céu assim...

Gosto do céu assim...

Tenho vontade de ir contra uma parede e encostar-me lá!
Fazer parte da parede...
sentir-me quente com o sol e frio com a sombra...
molhado com a chuva e podre com o tempo.

Mergulhar em ti e soprar em ti uma brisa do mar. é isso q me apetece.
mas nem eu sou o mar e nem tu água.

horribilizo o meu olhar na luz...
escondo o meu pensamento em partidas forçadas...
saio devagar, se notam digo adeus, e ando
quando queria correr.

Escrito por jm às 15h37... | Comentários (0)

11 de junho, 2001

Ninguém vê nada aqui e...

Ninguém vê nada aqui e todos querem ver algo aqui.
O mundo inteiro arranja razões para não compreender o q está na frente dos olhos.
O inteiro do mundo acha q tem razões para ver à frente dos olhos melhor que eu.

Porra.
It's a confusion.
A fusion.

Escrito por jm às 13h58... | Comentários (0)

10 de junho, 2001

Ser inconscientemente vazio de tudo.

Ser inconscientemente vazio de tudo. Estar vazio de tudo.
Compreender que estando vazio de tudo é o melhor para voltar a encher.
Estar vazio de nada. Ser nada num vazio imenso.

Escrito por jm às 14h20... | Comentários (0)