29 de dezembro, 2002

olá! como tens passado? ...

olá! como tens passado? ... pois ............. pois ..................................... sim? ......... quando? ...... mas esse não era aquele que tu dizias ser o .......... não? ... ah! esse era o outro! aquele que tu gostavas que te ......... pois ............................... compreendo! ..... ...................................... ................................................................................. está bem! ......... bom ano! ...... adeus!

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27 de dezembro, 2002

às vezes

penso, às vezes, que poderia ser mais justo nas minhas decisões. penso depois que não preciso ser justo nem injusto. determino então, nesses momentos em que penso, que a vida é aquilo que tiver que ser e, se não for, que se lixe. são poucos ou nenhuns os que sabem quem sou, aqui, sentado à mesa do café onde meio mundo se depara com a pessoa estátua que representa o Pessoa homem. assim, serei justo ou injusto na minha tão maior ignorância quanto o desconhecimento que eles e elas têm de mim? este sítio é tão cheio de tudo quanto do nada que é a indiferença entre cada um dos presentes.

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25 de dezembro, 2002

25 de Dezembro

hoje é dia 25 de Dezembro.


Hungry child in Alabama, USA 1996 - Fotografia de Jacob Holdt
Hungry child in Alabama, USA 1996 - Fotografia de Jacob Holdt


que o sofrimento encapotado seja descoberto sempre e minimizado no possível! a imagem acima vai levar-vos a uma viagem longa...

Escrito por jm às 01h23... | Comentários (0)

22 de dezembro, 2002

"DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA" JÁ FIZERAM FILHOS

li recentemente uma intervenção do Jorge Silva Melo, de 11 de Novembro de 2000, entitulada «"DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA" JÁ FIZERAM FILHOS»; um manifesto de 15 páginas onde se concentra o pensamento na realidade cultural de um país sem rumo, que se não desafia e não sabe.

«DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA» JÁ FIZERAM FILHOS, intervenção de Jorge Silva Meloescreve JSM «Nestes últimos cinco anos saímos da "direita mais bronca do mundo" [...] como os seus Santanas [...] não direi para a "esquerda mais inteligente do mundo" mas pelo menos para a Bárbara Guimarães». Soubesse JSM quão horríveis iriam ser os dias de 2002 e teria, provavelmente, escrito qualquer coisa como: «E há-de voltar o bronco e destruir por todos os meios a vida cultural que construí», como se estivesse escrevendo um livro do apocalipse.

não acredito que JSM escrevesse isto, mesmo que o pudesse adivinhar, apenas e só, porque a vida cultural dinamizada n'A Capital deixou vontades, ainda acordadas.

entretanto, ainda na missiva que referi, JSM reinvidica para a cultura e para os elementos vivos da mesma (todos os que dela participam, criadores ou fruidores) a existência da dúvida, a dúvida permite pensar e questionar "as coisas". (este é um tema que me é especialmente querido.) escreve ele: «O que é a cultura precisamente a não ser a dúvida?»

JSM coloca também a seguinte premissa em análise: «A cultura é uma nova fé. E começa a mover tantos interesses económicos como noutros tempos mais singelos a religião moveu.» e antes tinha escrito que «Não se discute a cultura como não se discute Deus.»

a estagnação cultural portuguesa não existe, digo eu, o que existe é uma limpeza de qualquer vestigío cultural que possa "poluir". não temos lugar a uma relatividade mental e corpórea própria, sendo mais extensamente propangandeada a cultura do nulo e do seguidismo.

em substituição plena do tríptico salazarista, JSM oferece-nos «Cultura, Europa, Lusofonia», num gesto de ironia e para não ser mais rude do que já é considerado.............

-- a edição deste manifesto é da responsbilidade da Abril em Maio --
(this won't be continued)

Escrito por jm às 12h07... | Comentários (0)

21 de dezembro, 2002

se eu te tivesse aqui

se eu te tivesse aqui para te cheirar o cabelo e mergulhar no teu sorriso. se fosse gentil o tempo e me deixasse partir para onde eu nunca fui. fosse eu lá ficar e seria menos assim, como hoje. entre verdade e choro, a mentira raramente sorri, e fica entre a mediana coragem de resistir ao tempo... e o estar muito alerta. se eu te tivesse aqui para eu saber que me podias cheirar o cabelo e mergulhar no meu sorriso. aqui como se fosse o sítio de onde não fosse preciso sair. estou. sentado. miro as vozes tristes que passam no ar junto de mim. se junto de mim fosse noutra condição... se pudessemos cheirar o cabelo de um e de outro, e deixar de o cheirar por vivermos dentro de um e de outro como num só tempo. se fosse assim longe de todos os prantos e agonias do presente instalado na memória de sempre. desejo abrir a porta de um mundo fisicamente impoluto e pequeno e simples e pobre... e lá crescer o meu sorriso e o teu, cheirando contigo os cabelos lavados do acordar... sonhar contigo o minuto a seguir e não mais que o minuto a seguir. e saber-me, enfim, rico de glória e estima. sentado. escrevendo. em silêncio a tortura dos anos antigos. se eu te tivesse aqui para te olhar e sorrir...

Escrito por jm às 11h04... | Comentários (0)

20 de dezembro, 2002

hei! tu aí! hei!

hei! tu aí! hei! chega aqui! quero dizer-te que tás queimado. um dias destes vais mais pesado para casa com um carrego de porrada. os dias já não são como antes e tu não me pareces de confiança. por isso, vais apanhar um valente enxerto, como exemplo e para ninguém te tentar assemelhar. estou farto de bardamerdas que pensam em ser diferentes e insistem em ter comportamentos desestabilizadores. e é isso que acho que tu és e fazes! a tua opinião não tem valor nesta conversa. ninguém sai de casa despenteado num sítio onde todos se penteam.

Escrito por jm às 11h05... | Comentários (0)

19 de dezembro, 2002

i was

i was gone for a little longer
gone forever

Escrito por jm às 16h08... | Comentários (0)

apontamento

o homem de azul atravessou a rua em direcção ao homem de castanho e perguntou-lhe as horas. são horas da madrugada, retorquiu o homem de castanho. o homem de azul voltou para o outro lado da rua e gritou de lá: o homem de amarelo nunca chega a tempo de nada, que porra. o homem de castanho atravessou a rua e disse ao ouvido do homem de azul que não gritasse, pois a gente estava a dormir.

o homem de azul assistiu ao regresso do homem de castanho ao lugar inicial e pensou que o mundo era injusto e que, quando o homem de amarelo chegasse, se iria aproximar do ouvido dele e gritar-lhe: isto são horas de chegar!? entretanto, o homem de castanho reflectiu sobre a presença de ambos de cada lado da rua e lembrou-se de algo evidente: as horas de madrugada acabariam dentro de momentos e se o homem de amarelo não chegasse o mundo não seria igual ao que eles tinham previsto, isto é, às horas da manhã não estariam os três homens juntos.

o homem de amarelo ouviu-se, ao fundo da rua, gritando aqui estou!, aqui estou!. acordou gente mas fez sorrir o homem de azul e o homem de castanho, porque ainda eram horas da madrugada e as horas da manhã seriam iniciadas com um trio de homens a olhar-se mutuamente com ar cúmplice e sorriso idiota no rosto.

o homem de amarelo dirigiu-se à porta que ficava no fim da rua e tocou-lhe e sem chave ela abriu-se. fez um gesto convidando os dois homens que o aguardavam a passar a entrada do café finalmente aberta. o homem de azul ainda se lembrou de gritar ao homem de amarelo, mas não o fez e apressou-se em entrar no estabelecimento. o homem de castanho sorria com a certeza do universo se não ter modificado e as horas da manhã se iniciarem com os três homens dentro do café, como previsto.

ao contrário do que se possa supor este café não tem nome tricolor, chama-se "todos os dias" porque abre todos os dias.

Escrito por jm às 02h46... | Comentários (0)

18 de dezembro, 2002

actualidade:

barril de petróleo não pára de subir: greve geral na venezuela no décimo dia: agora chavez poderá cair.

Escrito por jm às 13h31... | Comentários (0)

17 de dezembro, 2002

i can't hold the dreams

i can't hold the dreams I have
so they
f
a
l
l

i can't see your eyes anymore
so i wonder
w
h
y
?

you are my breath
but still i
d
i
e
.

Escrito por jm às 11h36... | Comentários (0)

13 de dezembro, 2002

na Culturgest

o encarregado, de Harold Pinter - à esq Américo Silva, à dir. Jorge Silva Melo o encarregado, até 14 de Dezembro na Culturgest
na Culturgest, o sacrifício de levar a vida como se pode.

talvez seja já tarde para vos dizer "vão ver!" mas haveria dúvida? claro, se não souberem quem são os Artistas Unidos ou Harold Pinter. não serei a melhor pessoa para vos prestar esclarecimentos sobre teatro. o que sei é emocional e sensorial, a pele de galinha talvez seja o mais comum nestes tempos conturbados da vida portuguesa.

culturalmente espoliados, os portugueses nunca precisaram de se estender ao sol e ver nascer as couves. culturalmente espoliados, os portugueses cantam lamúrias de desassossego. culturalmente espoliados, os portugueses não são nada.

agora, que definição dar a esta cultura que afirmo espoliada? deixo então a ideia de que esta cultura não é a que faz deste país uma nação nas bocas bem tratadas dos políticos. a cultura de que falo, é erecta no desenvolvimento do pensamento e conhecimento enquanto pessoa ligada a outras pessoas, não só numa estrutura complexa de relações de produção de riqueza material, mas também numa cadeia ainda mais complexa da produção do efémero momento da descoberta do conhecimento e da partilha do mesmo.

este é uma país espartilhado por várias influências culturais: o sr. Arcebispo de Braga não tem ("graças a Deus!", diria ele) a cultura de base de que eu usufruo; o sr. Santana Lopes terá uma qualquer cultura da ignorância e faz questão de exterminar por todos os meios a eventualidade de as outras culturas co-existirem com a sua ignorância, deixando nos anais da política a intenção expressa de criar standards de cultura.

esses standards tendem a ser pagos a peso de ouro - cOltura de elites - ou a serem distribuídos gratuitamente - cOltura popular. nestes últimos incluam-se as marchas populares (tradição com mau cheiro e sarna, herdada do tempo populista do sr. Oliveira Salazar), as festas das TV e os choradinhos pimbas de sorriso nos lábios em todos os palcos políticos.

e no meio desta azáfama na destruição da eventualidade de alguém ter ideias ou imaginação e as querer transmitir, existe gente nas ruas sem saber nem lhe interessar, se soubesse, a merda que estou aqui a escrever: que nunca lhe levará comida à boca nem calor ao corpo. mas, existe outra gente que escreve e revela que gente é essa para outra gente que não sabe...

agora, se tiverem vontade e liberdade, assistam a esta magnífica peça o encarregado e vão perceber tudo o que escrevi ainda melhor.

Escrito por jm às 02h23... | Comentários (0)

11 de dezembro, 2002

...

reflecte no espelho o teu desejo de vida

Escrito por jm às 10h15... | Comentários (0)

10 de dezembro, 2002




Greve Geral 10 Dezembro de 2002


Escrito por jm às 12h42... | Comentários (0)

9 de dezembro, 2002

apontamento:

enquanto estiveres à espera, a chuva pode tocar-te e sentir-te-ás melhor. o sol virá e irá secar de ti as lágrimas do tempo. sem loucura e sem vontade, tudo parece tão perdido e sem sentido nas nossas vidas. um dia, quando te sentares aqui, nesta cadeira, e baloiçares o tempo com o tempo que tiveres, saberás que nem tudo foi vida e tanto foi morte dentro de nós. foram afastando de nós a ventura e em troca deixaram-nos nas proximidades da amargura eterna.

choro o teu sorriso. choro a tua alegria incontida. choro, de negro, a vida que te tiraram. choro o futuro que não teremos.

sorrio na esperança de um novo sorriso. sorrio a volta dos teus risos. sorrio, de negro, a vida que conquistaste para ti. sorrio para o futuro que seremos.

Escrito por jm às 11h55... | Comentários (0)

4 de dezembro, 2002

um pássaro

um pássaro
um pardal
uma andorinha

um cão
um lobo
uma raposa

o mar inteiro
de baleias
de golfinhos

Escrito por jm às 11h11... | Comentários (0)

3 de dezembro, 2002

estou cansado do tempo...

estou cansado do tempo em que todo o tempo é cansaço.

ficarei contente com um sorriso
leve na tua boca, que anseio
rever, a cada dia te perdendo
para o cansaço do mundo.

pareces uma miragem a cada tormenta,
de lua a lua,
no vazio dos dias e do leito.

num só olhar te tenho,
noutro abraço-te e dispo
de mim a vergonha
cega de não ter nada,
de ter todo

o meu amor por ti,
cheio de mares e saudades,
cantando uma enferma canção
negra no vestir, triste de paixão.

Escrito por jm às 00h42... | Comentários (0)

2 de dezembro, 2002

...

a cidade como um oceano.
as marés com hora marcada
e sem influência da lua.

Escrito por jm às 01h29... | Comentários (0)

1 de dezembro, 2002

apontamento:

vocês estiveram lá! estiveram naquele lugar ao mesmo tempo que eu. estivemos lá todos a garantir que era aquele o lugar certo. foi ali, naquele lugar, que estivemos sozinhos em vezes anteriores. não nos iremos esquecer nunca do momento em que nos confudimos com as pedras. e deus nos abençoou como uma rês balindo.

Escrito por jm às 12h47... | Comentários (0)