29 de novembro, 2002

apontamento:

o inócuo silêncio das reses faz-me pensar em deus. deus não existe.

Escrito por jm às 03h06... | Comentários (0)

28 de novembro, 2002

when we

when we cry for the most! when we try for the most of their souls.
when we must try to open their eyes. when we must and then we cry.

Escrito por jm às 14h20... | Comentários (0)

25 de novembro, 2002

apontamento:

um dia, caminhando devagar por entre os transeuntes aflitos com o tempo, encontrei uma pedra azul. uma pedra azul, um azul azul como não se vê nos dias de hoje pela fabricação dos homens. um azul azul como nas manchas das asas numa borboleta esvoaçando com a nossa presença. uma pedra azul, que apanhei e levei comigo, no bolso, para onde eu ia.

Escrito por jm às 13h32... | Comentários (0)

24 de novembro, 2002

me gun

shot me gun into the air
this bird came to me
oo this birdie came to me!
ooo this dead bird on my hand

o mundo inteiro modifica-se no mesmo sentido: um posicionamento autoritário perante os povos. os povos que também são o mundo e assim se sentem felizes, realmente felizes. . .

shot me gun to the mirror
this soul came to me
oo this little soul came to me
ooo my dead infancy in the mirror

Escrito por jm às 12h46... | Comentários (0)

23 de novembro, 2002

depois e depois

depois de adormecer e depois de acordar o significado do tempo é igual.

Escrito por jm às 13h50... | Comentários (0)

tenho sono

tenho sono. mas não quero dormir.
corto um papel e faço barulho ao fundo da sala.
tenho sono. mas não me apetece acordar assim.
pego na tesoura e no papel e atiro-os para longe.
ruidosamente. mas tenho sono.

Escrito por jm às 02h37... | Comentários (0)

deixei de fumar

deixei de fumar. penso que não existe um só motivo para ter tomado esta atitude. considero em voltar a fumar mais tarde, talvez cachimbo, afinal, eu gosto de fumar.

Escrito por jm às 01h53... | Comentários (1)

21 de novembro, 2002

riso

riso.
ri risos quem ri.
enquanto ri pode chorar de tanto rir.
não chora choros de choro triste de quem não ri risos de rir contente.

Escrito por jm às 01h02... | Comentários (0)

19 de novembro, 2002

a última razão

por vezes a última razão para estar aqui é a certeza de não estar em mais lado algum - por triste que seja. muitas questões surgem quando pretendemos sentir a invisibilidade absurda da nossa existência; a sociedade olvida-nos por defeito; a partilha de espaços é incómoda quando a pretensão é invasão.

as flores de inverno são bonitas. as flores de inverno são corajosas e resistentes: tantas vezes sozinhas sobre as rochas.

anseio um brilho no olhar de quem gosto e me gosta assim, triste mas contente com esse leve sorriso de primavera: a esperança.


Apontamento:
acabei de tomar o café e perguntei: o seu trabalho...? o seu trabalho é...? respondeu-me: trabalho num escritório numa rua aqui na zona. sinceramente estou um pouco perdido. um pouco perdido? questionei-me. não sabe nada desta cidade é o que é. mas agrada-me a sua vulnerabilidade. eu? eu sou... sou poeta, trabalho no segundo andar esquerdo de um prédio numa paralela a esta rua. ali mais abaixo, junto ao rio, onde as putas sorriem.

Escrito por jm às 02h30... | Comentários (0)

16 de novembro, 2002

uma casa na escuridão

uma casa na escuridão, de José Luís Peixoto

No seu segundo romance, José Luís Peixoto, não nos deixa espaço para a esperança. Não existe esperança no mundo criado dentro deste livro. Uma Casa na Escuridão leva-nos numa viagem onde o amor, o medo, o horror e a morte são governantes do mundo. Em consciência assumo que vivi a fantasia do livro no momento imdeiatamente antes da escuridão: entre a eventualidade de lhe escapar e a certeza de lhe pertencer.
uma casa na escuridão
Não existe neste romance a dolência vivida em Nenhum Olhar, onde as paisagens se reflectiam perenes na imagem do romance; agora, a acção ocorre tanto no interior das personagens como na superfície das suas peles. A acção é marcada pelo horror. José Luís Peixoto não quis que sorrissemos ou que sonhassemos um possível sorriso, exige a cada palavra o medo: o medo que temos do mundo que se aproxima e abala o que consideramos ter como certo e garantido, exige-nos ainda a uma reflexão sobre o amor, o amor verdadeiro que temos ou ansiamos ter ou perdemos num instante absurdo.

Em Uma Casa na Escuridão existe um narrador: o escritor. O escritor descreve-nos pouco mais de um ano da sua existência, um ano passado no mundo mutante e que é pertença do mais forte, sendo o mais forte o vencedor natural. O escritor pode ser José Luís Peixoto vivendo, em parte, uma fantasia interpretativa das consequências geradas pela publicação de Nenhum Olhar. O escritor guia-nos por um trilho de conhecimento do amor, da sua impossibilidade e da dor que pode provocar.

José Luís Peixoto não nos concede tempo para respirar. Utiliza com maior frequência frases curtas e incisivas. A acção corre desesperada. No entanto, com destreza, revela-nos o percurso de distâncias físicas calmamente, quase em câmara lenta, quando antes nos fez ansiar por já estarmos no local no momento em que as personagens chegam.

A poesia de Uma Casa na Escuridão é atroz, de sofrimento continuado e exerce uma carga de tristeza imensa. Ainda assim, foram publicados poemas relacionados com este romance num corpo à parte, entitulado A Casa, a Escuridão.

A beleza da escrita de José Luís Peixoto desenvolve-se e cativa. A beleza deste livro merece uma transcrição cinematográfica, talvez Alejandro Amenábar leia e goste.

Escrito por jm às 22h21... | Comentários (0)