30 de agosto, 2002

here goes a song

here goes a song with a story which is not yours nor mine.
it will make us cry
it will show us how people turn to life
and in a certain moment they die

lame

Escrito por jm às 15h01... | Comentários (0)

29 de agosto, 2002

Agosto suspira

Agosto suspira. Despede-se quente e cheio de amigos. O trajecto da teia revela o regresso ao centro dos seus habitantes. Amigos e companheiros de um mês que suspira.

Escrito por jm às 11h37... | Comentários (0)

27 de agosto, 2002

apontamento:

o tempo ignora. o movimento uniforme da sua passagem não obedece a uma ordem singular. o tempo não volta para trás. o tempo anda para a frente como se fosse essa a única direcção a tomar. o tempo ignora. o tempo nunca soube. aquela mulher. sim, aquela mulher, ela sabe e não esquece e vê o tempo. em ignorância. esquece-a. sentado, num mocho com as pernas cortadas, o homem vagueia o olhar pela rua e sente na sola dos pés o tempo a passar. os joelhos fracos. a insegurança de não saber se poderá caminhar da próxima vez que se levantar. o tempo ignora. se chover talvez haja esperança de um tempo mais solidário e amigo e justo. arde o tempo. na rua de baixo, às portas da praça, os cães e as cadelas arrefecem à sombra. quando passa um desconhecido fingem dormir sob o jugo do calor do alcatrão em volta. o tempo ignora. os cães e as cadelas não. sentem e relembram a cada cheiro a sua vida. as festas e os pontapés que receberam. a cada cheiro. o tempo ignora. os animais lembram. e a lembrança fá-los velhos. aos poucos, enquanto o tempo passa.

Escrito por jm às 13h29... | Comentários (0)

24 de agosto, 2002

apontamento:

o awfull season
o awfull season
we came and we'll die

this bird in my hands
his burden in my hands
no more his wings will fly

Escrito por jm às 18h52... | Comentários (0)

18 de agosto, 2002

APONTAMENTOS(as próximas entradas serão quase

APONTAMENTOS
(as próximas entradas serão quase sempre apontamentos)


Escrito por jm às 14h24... | Comentários (0)

17 de agosto, 2002

a continuar...

a continuar...

Escrito por jm às 13h02... | Comentários (0)

14 de agosto, 2002

O site ultrapassou as 500

O site ultrapassou as 500 visitas! Obrigado a tod@s!

Sem dúvida têm sido muitas as razões que me levam continuar a escrever aqui, e essas muitas razões são quase sempre pessoas muito particulares. Amigos e conhecidos, fizeram dum espaço como este não um simples meio de ventilação de sentimentos pessoais, mas, e sobretudo, um espaço em que acentuei a minha preocupação pelo conteúdo mais ou menos literário.

Neste momento estou a articular alguns pensamentos que podem não se reflectir no Rain Song, mas serão testados nas Leituras. Funciono bem com a mesma estrutura de uma banda de música: vou fazendo actuações similares e acrescentando mais qualquer coisa, testando e melhorando.

Com o aumentar do número de Leituras, as tertúlias alí geradas tornaram-se um forum de conversa e amizade crescente, que pretendo desenvolver proporcionando a todos um lugar para estar conversando e lendo em voz alta. Mais info na opção sentidos. O meu especial agradecimento e carinho para a Maria!

A todos os que aqui vêm espreitar podem sempre ir deixando um comentário!!! O link está no topo desta página, imediatamente abaixo do título Rain Song, ou através da opção sentidos mais acima! Os comentários, as sugestões e as críticas tocam muito e podem ser fontes de aprendizagem e motivação!

Bem hajam!

Escrito por jm às 15h51... | Comentários (0)

13 de agosto, 2002

o mundo existe agora

o mundo existe agora, catálogo de colectiva de fotografia com textos de José Luís Peixoto

José Luís Peixoto é um escritor que gosta de ir deixando os seus textos ao alcance de todos, mas sem compromissos ou locais certos.

A 23 de Julho inaugurou-se uma colectiva de fotografia no bar/restaurante Agito, no Bairro Alto - Lisboa, composta por doze fotografias de viajantes portugueses perdido noutros sítios do planeta Terra. As fotografias são individualmente acompanhadas por textos originais escritos por José Luís Peixoto, existe ainda um décimo-terceiro texto que introduz a exposição ao visitante.

Textos e fotografias foram reunidos num catálogo muito simples e sem pretensões nenhumas, mas, que na impossibilidade de carregar as fotos para casa e os acetatos expostos com os textos, foi oferecido aos visitantes do Agito para lerem com mais atenção e mirar as repoduções das fotografias com menos detalhe mas com mais tempo.

Raparigas, Carlos Silva - texto de José Luís Peixoto
Raparigas. Região de Katmandu, Nepal. Apanhar lenha depois da escola. Foto de Carlos Silva


José Luís Peixoto criou alegorias com base nos pormenores de cada fotografia: alegorias cheias de poesia. Sendo os textos muito curtos acabam por funcionar como pensamentos de quem observa as fotografias - talvez condicionando o olhar de quem leu primeiro antes de olhar a imagem respectiva - criando um mundo para além da imagem reproduzida. Nota-se, contudo, em alguns dos textos que a necessária contenção de palavras não foi saudável, revelando algum desconforto nos textos.

Uma exposição a ver! Um catálogo para guardar.

(o Agito encontra-se fechado até dia 20 de Agosto)

Escrito por jm às 14h13... | Comentários (0)

Nenhum Olhar

Nenhum Olhar, de José Luís Peixoto

Nenhum Olhar, de José Luís PeixotoEste é o livro que lançou José Luís Peixoto em definitivo na literatura portuguesa e no mercado do livro. Ganhou o prémio José Saramago e já foi traduzido em várias línguas. Este é o livro que por uma ou outra razão descreve parte da história real de muitos e de um imaginário surreal de outros. O autor reúne os dois factores: a realidade de muitas vidas alentejanas e o surrealismo que se desprende das vidas que se viveram/vivem em determinados locais do Alentejo.

É importante, julgo, ter a certeza de que falamos do Alentejo. Neste livro conta-se a história de algumas vidas num lugar todo ele feito o mundo inteiro. Neste livro, muitos que o lêem reconhecem traços da sua vida e da sua aldeia de origem: existe um velho muito velho, que resiste a tudo e sobrevive a todos: existe a prostituta da terra, que necessariamente tem alguma deficiência que a impede de realizar o trabalho normal das gentes: existe o desgraçado, que por muito avisado que seja acaba sempre por ir ao local errado: existe a religião católica - invocada por uma figura que bem espelha o seu significado em terras do sol que arde -, que desequilibra as relações sociais: existem os cães e as ovelhas e o sol: muito sol: muito muito quente. José Luís Peixoto retrata-nos o Alentejo povoado da gente pobre, cuja única riqueza - a vida - é destruída por, talvez, alí terem nascido ou permanecido.

O autor escreve o livro numa belíssima prosa poética, com construções visuais excepcionais e repetições voluntárias como que nos obrigando a sentir a dor do tempo/sol infligida na pele.

Escrito por jm às 13h39... | Comentários (1)

11 de agosto, 2002

de manhã

parece-me sempre de manhã. eu recordo algumas manhãs. lembro-me que de manhã, por não estarmos habituados, sentíamos o nosso amor mais do que no resto do dia. era de manhã e certamente estaríamos de férias e víamos como os outros de manhã são tão estranhos ao acordar como de tarde já cansados. parece-me sempre de manhã: silêncio: silêncio.

Escrito por jm às 14h28... | Comentários (0)

10 de agosto, 2002

apontamento:

- bom dia, júlio.
- bom dia.
- nunca dizes o meu nome, júlio! quando falas comigo, nunca dizes o meu nome.
- porque haveria eu de te dizer o teu nome? tu sabes o teu nome! sabes que eu sei o teu nome e só estamos aqui nós dois, não está aqui ninguém que o não saiba.
- gostava que o dissesses... às vezes, pode ser, júlio? é como um carinho. ouvi-lo vindo da tua boca é...é tão bom como estar no areal ao fim da tarde e ouvir o mar a rolar as pedras.
- não te prometo nada. talvez... sabes que se o fizer por obrigação é capaz de soar mal e tu já não gostares.
- ora, júlio! também não te queixas de eu dizer o teu nome! tu sabes o teu nome e parece-me ser mais óbvio tu saberes que eu sei o teu nome do que eu saber que tu sabes.. afinal, eu digo-o!
- nunca te obrigarei a não dizer o meu nome ou a ser diferente daquilo que és. a nossa relação não depende disso.
- não depende disso, é verdade. dormiste bem, júlio?
- sim! e tu?

Escrito por jm às 13h26... | Comentários (0)

8 de agosto, 2002

o verão

o verão está a meio. só me lembro do vento.

Escrito por jm às 15h06... | Comentários (0)

6 de agosto, 2002

um pouco de doce amarga-me os sentidos.

Escrito por jm às 13h10... | Comentários (0)

5 de agosto, 2002

amor às vezes

Amor às Vezesfoi realizada uma edição de autor de 25 exemplares do texto amor às vezes, ao qual se juntou o poema o mergulho. a edição começou a ser distribuída no passado sábado, dia em que se realizou uma sessão especial de leituras no habitual espaço do Teatro Estrela Hall.

Escrito por jm às 15h44... | Comentários (0)

2 de agosto, 2002

não sou sal de nenhuma terra

não sou sal de nenhuma terra
serei sal da terra onde cair
não sou pó de nenhum lugar
serei pó do pó onde desparecer
não sou do mundo
serei de todos os mundos

sou eu
não serei nada

Escrito por jm às 15h25... | Comentários (0)

1 de agosto, 2002

escrevo em silêncio

escrevo em silêncio
a paisagem em frente
informe
desfeita em humidade

caminho em silêncio
na paisagem circundante
tropeço e tateio o solo
o pó

mergulho em silêncio
na imagem
colorida em sete cores
do negro vazio

abandono o silêncio
respiro o ar fresco
da gruta onde
sonho

Escrito por jm às 15h55... | Comentários (0)

pequeno

pequeno.
muito pequeno.
o mundo.
o mundo cresce.
uma árvore em flôr.
o olhar meigo de pássaro.
um chilrear sem mágoa.
o pássaro dança no ar.
solta-se a vida.
a vida.
muito pequena.
pequena.

Escrito por jm às 01h26... | Comentários (0)