28 de outubro, 2001

ideias contra

não existe um termo apropriado para quando nos sentimos bem, nem um remédio para deixarmos de pensar. vejo o deslocar de milhões de pessoas e penso: o que vai mudar, depois? e nada mudará, por que quem corre não tem meios de controlo e é, apenas, subserviente a quem manda, a quem exige, a quem governa... a quem pisa com os pés ou com bombas.

sempre que corro desejo não correr. e sempre que olho apetece-me fechar os olhos e esquecer quem sou. e aquelas pessoas, o que querem mais é ter pernas para correr muito, poder ver o caminho que as leva e não se esquecer que são gente e querem viver... fazem-me lembrar as manadas de zebras na savana africana: existe sempre um caminho a percorrer para a sobrevivência. a maior diferença é que a cultura das pessoas é mais vasta... e neste momento está a modificar-se, como o barro nas mãos do oleiro carinhoso. contudo, enquanto o barro toma a forma bela, as mãos que moldam, agora, esta cultura são mãos de aço, fazendo dela um pior semblante do que aquele que temem.

caminho num passo lento. observo. e não vale a pena derramar lágrimas sobre os pés de nenhum santo por ninguém. as igrejas devem andar a orar por heróis que desconheço... por heróis que o são porque morreram em condições dramáticas... os conceitos mudam consoante as necessidades das pessoas... hoje, ser herói é ser assassinado ou cair-lhe um prédio em cima... ser herói já não tem a ver com feitos, tem a ver com o que lhe é feito.

não sei quem são aqueles mártires que polulam as estradas afegãs. não sei que mundo é este cheio de imagens iguais em todos os cantos... não sei quem tem medo do terrorismo e o combate de igual forma.... não conheço ninguém. e isto preocupa-me deveras. pareço estar preso a uma realidade imposta que combato sem sucesso.

Escrito por jm às 14h53... | Comentários (0)

26 de outubro, 2001

E

pergunta
pergun
per
pre
prego
pre go
go
gono
gonorrei
gonorreia

Escrito por jm às 01h24... | Comentários (0)

18 de outubro, 2001

poder poder

lido com várias pessoas em diferentes situações sociais: escola, trabalho, casa e lazer. não vou estar aqui a separar esses espaços, pois teria que os definir primeiro e, depois, realizar uma descrição de como essas pessoas são e, caso houvesse elementos pertencentes a uma intercepção de espaços, o que as diferencia em cada lugar. contudo, é do meu agrado que compreendam que cada um de nós toma forma diferente num lugar diferente com pessoas diferentes ou não, por isto, eu não sou igual em nenhum dos possíveis espaço físicos onde me encontre, com quem quer que seja.

tenho notado uma alteração no comportamento de várias pessoas no que toca à sua relação comigo. reparei que alterei primeiro a minha relação com elas. portanto, questionam vocês, para quê este falatório? não se trata apenas duma reacção? eu respondo: talvez! não se trate apenas duma reacção.

talvez! porque eu sempre pensei os outros como pessoas conscientes de si mesmas e da sua vontade. e a sua vontade mostra-se, na relação comigo, muito pouco à vontade. sinto medo nessas pessoas... preferia ter utilizado o substantivo respeito, mas não posso. não é essa a percepção que tenho das acções dos outros. chamam-me e, quando olho, vejo um sinal de subjugação (pietá) disforme... ah! e isso é o quê? disforme porque, na minha ausência, a relação comigo continua. permanece, mas com laivos de rispidez e maldizer. portanto, subjugação na relação directa e deformação na indirecta.

talvez! eu seja inócuo para quem me tente usar! contudo, não será essa inocuidade vista como desprezo? não sei. digam-me, o inócuo faz bem ou mal? não faz nada. exacto, não faz nada! se não faz nada... a reacção que descrevi não tem sentido. logo não serei inócuo. mas serei o quê?

não vou procurar. direi que não se trata de simples reacção porque existe um recriar de defesas implícito nesta forma de estar. esse recriar é já uma acção.. ou uma contra-acção!

... to be continued

Escrito por jm às 02h01... | Comentários (0)

11 de outubro, 2001

bom dia! ou a crónica idiota

tenho notado, ao acordar... bem, sinto que o dia vai ser uma merda. todos os dias penso isto! para aliviar o espírito, resolvi adoptar um estratagema... utilizar a tecnologia GSM e enviar mensagens de bons dias a um determinado grupo de pessoas.

bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia!


este grupo inclui vários amigas e amigos... por vezes, alargo o número de receptores.. e não é que, num destes dias, alguém pensou que eu estava a realizar assédio?? acho determinantemente ridículo a forma como as pessoas encaram a vida. primeiro, pensam ser o centro do universo! segundo, sexo é a palavra de ordem que as move, que as realiza e que as faz interpretar um bom dia! como um convite sexual!

ou terá a ver com ter sido eu a enviar-lhe a mensagem? será que cada vez que me pensa me vê como um sex freak? ou serei o representante de algo por que anseia ou que coisa abominável serei eu para essa pessoa? senti-me estúpido quando soube! senti-me lixado!

eu tenho que aprender a ficar silencioso num canto em forma de penico e cagar devagar as minhas vontades... depois despejar no sítio certo essas vontades e não deixar que os desmerecedores lhes tenham acesso. afinal quem deseja receber um bom dia!?

bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia! bom dia!


é que esta porra de querer sorrir parece não ser muito bem aceite! a infelicidade pertence a todos os outros, será isto que pensam?... o que eu penso... é que se sentem miseráveis, estas pessoas! que, de facto, se lembram que podiam ter mais e realizam ZERO para o seu bem estar geral!

eu não sou feliz! não tenho pretensão de o ser! tenho sim a pretensão de ter momentos inesquecíveis junto das pessoas que GOSTO e AMO. a minha vida pode virar um inferno... mas enquanto eu respirar a presença duma alma que me goste estarei confortável.

Escrito por jm às 00h39... | Comentários (0)

9 de outubro, 2001

somos senhores

somos senhores do nosso inferno, senhores da nossa consciência. e, no entanto, seguimos os outros.

Escrito por jm às 11h21... | Comentários (0)

6 de outubro, 2001

a mim não me interessa

a mim não me interessa muito o que poderei pensar amanhã sobre isto. pensar faz parte de um modo de vida desconfortável e marginalizador. os outros olham e mantêm-se a uma distância suficiente... para não sentirem nada e rirem à vontade, fora da linha de fogo. o que a mim me interessa é esquecer a existência dos outros, porque são os outros quem me incomoda.

Escrito por jm às 12h20... | Comentários (0)