20 de fevereiro, 2002

a minha opinião não conta

a minha opinião não conta e é um contentamento que tal aconteça sem que eu tenha que me expôr à situação na prática.

nunca me iriam perguntar a opinião que tenho sobre os livros fenómeno portugueses, de autoria portuguesa, de amores e sexos portugueses, etc.

a banalidade circunscrita a esses livros denota uma igualdade assumida entre as pessoas no seu viver e exposição das suas realidades, mas ela não é admitida enquanto seres diferenciados: pobres, ricos, pretos, brancos, amarelos, etc..

uma senhora autora de um desses livro diz na TV: "as pessoas podem ler os nossos livros sem terem que recorrer aos dicionários!"

outra diz, também na TV: "nós não escrevemos por uma receita, escrevemos para todos."

como poderia eu refutar números, num eventual pedido de opinião: qualquer destes livros vende mais que qualquer livro de Saramago e, diz Alçada Batista, na TV: "que podemos fazer? não vamos proibir os livros. e sempre são leitura."

eu que não sou escritor, mas talvez gostasse, fico estúpido e mais amorfo, só de pensar que um manuscrito vale tanto como nada na prateleira dum editor apenas e só por que não terá venda.

e.. a repórter da TV disse: "centenas de manuscritos são recebidos nas editoras, escritos por centenas de pessoas que julgam ter descoberto a fórmula para venderem." agora, pergunto eu: mas as pessoas só pensam na venda e no dinheiro? atenção a minha pergunta tem a palavra «só»... pensar em fazer dinheiro é normal, mas reduzir o pensamento a isso, não!

por isso, os meus parabéns a quem vende e é feliz.. e parabéns à TV, pela excelente promoção do Livro.

Escrito por jm às 14h35...




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