3 de maio, 2002

Inteligência Artificial - o mito humano

Ao contrário do que se supõe a inteligência artificial não tem a ver com máquinas ou computadores ou processadores do futuro, nada disso! A inteligência artificial é a inteligência postiça do ser humano!

Muitos seres humanos com quem cruzamos os nossos caminhos, particulares ou profissionais, aparentam um brilho diferente: a inteligência. É certo que a interpretação individual deste brilho pode variar, e funciona na generalidade por comparação, na base binária: eu e o outro. Só que, como em tudo, existem falsários!! Sim, pessoas que brilham inteligência suficiente em situações clímax que ofuscam a boa visão do outro, e ludibriam a realidade.

O que acontece, julgo eu, é que o binómio comparativo eu-outro é temporalmente minimizado de modo a não permitir grandes contactos com necessidade de exposição. Assim, quando o falsário é encaminhado para uma exposição maior sem que se aperceba, a inteligência anteriormente demonstrada revela-se postiça.

Mas... e afinal, que postiço é este? Eu não nego, nem o poderia fazer, que as pessoas não sejam inteligentes, ou que não tenham um nível mínimo de inteligência. O que eu nego é que estes falsários tenham argumentos quanto a pensarem por si. Supostamente inteligente, o esperto safa-se muito bem.. talvez melhor do que um falso inteligente.

O falso inteligente recorre à inteligência até ao patamar que supõe ser o dele, dentro deste patamar utiliza as ordens de patamares superiores para se guiar e para se exprimir perante os seus iguais ou outros em patamares inferiores. Quando dentro do seu patamar surge alguém a expressar inteligência de patamares considerados superiores - esta consideração é condicionada, não creio que exista - o artificialmente inteligente recorre a patamares superiores para que o outro seja eliminado definitivamente, ou pelo menos, posto no seu lugar.

A ânsia pela ordem imperativa e castradora é, para uma grande maioria, uma necessidade e, sobretudo, um garante da sua inteligência artificial, da manutenção do seu posto hierárquico... da subjugação daquele que essa maioria possa ver como inferior.

A ordem tem modos e tem razões e tem curvas e derrapa. A ordem deve permitir a re-organização em si mesma e flexibilizar a abstracção do discurso construtivo da sociedade. A sociedade tem nas mãos a razão para se permitir a moldar a ordem e não a ser moldada por ela.

Escrito por jm às 03h00...




Comentários

Nem mais.

Escrito aqui por José Pereira em 6 de outubro, 2004 às 14h20