10 de maio, 2002

Nation, Dieu et Famille

Nation, Dieu et Famille - Nation, Football et Television



a caricatura dos regimes é hoje em dia, em si, a realidade. daí os caricaturistas não terem um grande esforço a pensar a ideia - não estou a menosprezar, estou a ironizar.

se antes a família era o garante da religião, porque se reproduzia e enchia igrejas, hoje, a televisão garante que as famílias gozem de descanso mental e os estádios de betão e sofá encham... o futebol vive-se por fora e por dentro numa televisão que, de tão podre, cheira mal por fora e por dentro.

a comparação possível tem a sua charneira na nação, essa coisa delimitada num papel e pintada num pano e cantada em desafino. nas estruturas de apoio: religião e família, encontram-se os melhores dos mais broncos nacionalistas e neo-nacionalistas e, claro, fascistas.

as rixas guerreiras que a nação permite nestes locais cómodos e fechados, são fruto dum acumular de energia sem escape. a educação e o desenvolvimento do pensamento e da cultura não permite à maioria capacidades mentais suficientes para olhar o mundo e pensar em criar melhor.

mas... o problema da adjectivação é que recolhe sempre pontos de vista subjectivos.. eu digo que xpto é melhor... mas nem todos concordarão... assim, nem todos concordarão que a sociedade precisa de se reestruturar, com capacidades avaliativas do bem e do mal, e o porquê do mal que vêem e do bem que têm!

a televisão e o futebol foram os primeiros a criar um ligação estreita entre si, que se adjectiva agora por fundamental para o povo... as horas em que se fala e falou de futebol na televisão dão a este assunto a maior fatia de tempo televisivo... - falo de assunto, porque as novelas podem ocupar mais tempo, mas o assunto sempre varia um pouco.

tendo sido criada a necessidade do futebol e da televisão, a política mediática - a nação - viu com desespero a sua ausência nas consciências do povo - nada de novo se pensarmos na ditadura fascista de Salazar, se bem que a ausência para este era de nenhuma importância, mas em democracia os votos são precisos. assim, a política considerou que estando a televisão em todos os acontecimentos relacionados com futebol, o melhor seria a política ir ter com o futebol para poder aparecer, pelo menos na imagem!

temos então o trio maravilha reunido num plano a duas dimensões.

e... dentro de seis meses, anunciou o actual governo de Portugal, iremos assistir à extinção de um dos canais públicos da RTP, criando um só canal generalista e blah blah blah blah... o canal RTP 1 é generalista, não presta e assemelha-se em tudo à SIC e à TVI na sua qualidade de baixo nível.

adeus tipologia do canal RTP 2, adeus Jornal 2, Acontece, Triunfo dos Porcos... adeus cinema, adeus teatro, adeus Artes e Letras, adeus Onda Curta, adeus 2010... adeus ... sem deus!

o serviço público de televisão ganhará mais um terço do tempo de emissão com o fim da publicidade... mas onde está o serviço público? provavelmente vão recuperar as fitas do Marcelo Caetano e os seus ensinamentos à família e as imagens do Mundial de '66.

Escrito por jm às 13h02...




Comentários