2 de junho, 2002

permaneço na solidão

permaneço na solidão. não há momento fora dela que possa antever como bom: alguns são-no. mas a sua raridade apela à minha vontade de renegociar toda uma existência: a tua. a tua ausência é-me angustiante e quase choro em minutos inconstantes de sentimentos corrompidos pela saudade de ti. pouco me importaria o teu corpo se ao menos me pudesses falar do desapego que anunciavas das pessoas que cultivam o seu jardim, num ciclo de angústias e roturas constantes e quase permanentes. e assim, importa-me o teu corpo e a tua lânguidez sobre a cama desarrumada e a tua vontade de amor e sofreguidão de sentimentos verdadeiros. amei-te. di-lo-ei sempre e aqui o escrevo para sempre. mas esqueci-me e, agora, só odeio as conversas incipientes e as lamúrias sobre sexo na mesa de cafés cheios de tédio e impraticabilidades. encho o cinzeiro de tabaco queimado e cheiros químicos enegrecidos e beatas sintéticas. a minha mão direita tem duas cores: o meu olhar também. tal como as fotografias que guardo do tempo em que as cores eram mais e as palavras ridículas eram amores-perfeitos. e agora odeio o tempo como quem ama o seu deus se só tiver deus ou ama o que há por ter tanto quanto isso. o tempo exige compasso, e quer que a vida o acompanhe. e os idiotas clamam por relógios que os guiem e me guiem, como se lhes fosse útil o meu estar onde quer que esteja no tempo que são eles a querer impôr. consumo-me em cigarros e pouco mais me interessa do que folhear livros e escrever tinta em papel.

Escrito por jm às 12h34...




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