7 de junho, 2002

de notar...

de notar, neste novo ciclo de dirigência do estado português, a ausência de comentários e possíveis análises ao que se vê e ao que se sente... da minha parte. esse vazio não é, de todo, sentimento de culpa. é, talvez, falta de prática exasperar-me e construir na escrita momentos de resposta concretos e solúveis em si, como o faço nas conversas, que determinam diálogo e troca de ideias. o meu silêncio escrito não corrobora política nenhuma, e sem dúvida que o não fará pela actual.

o aumento do imposto directo IVA, os despedimentos - ou não renovações contratuais -, a elaboração de um Quadro de Excedentes na Função Pública com elementos integrados compulsivamente, a impossibilidade de meios de criação de poupança e a frieza com que a maiorira parlamentar, que suporta o governo, trata os seus eleitores, faz-me apenas pensar e perguntar: os eleitores desta maioria parlamentar e governo votaram em quê? em programas e foram enganados? em pessoas, porque estas são diferentes das outras? em cores, porque o partido X tem um nome diferente do Y? em lados, porque a esquerda se divide e a direita manda sem pedir a ninguém para pensar e se pensar é dispensado?

pessoas que votaram nesta maioria andam agora na rua! fazem greves também! afinal o descontentamento continua? afinal, a situação tornou-se mais grave em termos de segurança do emprego? as decisões sociais tomadas por este governo são graves e exploram o trabalho e o suor sem compensação nenhuma.

se antes poderia decidir entre ir ao cinema e poupar uns trocos ao longo do mês e, claro, evitar comer em restauração, para cozinhar a própria comida, andar com termo e não gastar dinheiro, a pergunta agora será: posso comprar pão ao longo de todo o mês? porque não é possível poupar sequer! são soluções enfermas as deste governo, num estado de decisões que não olha as condições de trabalho de cada um. o emprego deixará de estar menos certo para ser inexistente, pela volatilidade do mercado e do consumo.

mas, quem tem dinheiro vai manter o nível. e ainda bem, mas eu só queria manter o meu tal como eles. e olhar em volta e saber que em geral estaríamos a viver coerentemente num estado de direitos iguais. falsa visão.

o que vivemos hoje, (e não vou aqui espraiar-me muito mais, como se se tratasse duma conversa), é mais grave do que apenas e só o momento presente, hoje ninguém sabe como vai ter valor de reforma, nem sabe como garantir o que quer que seja para um futuro que se diz longo, tendo em conta a longevidade humana.

hoje, estamos vivos, amanhã em princípio também, só estaremos menos conscientes de que estamos vivos e menos conscientes de que os outros também podem estar vivos, e vamos arrancar olhos e dentes... enfim, a guerra.

Escrito por jm às 13h04...




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