22 de outubro, 2002

prometeu - rascunhos

prometeu - rascunhos, de Jorge Silva Melo

prometeu - rascunhosrapaz das obras - Mas porque é que estão tão tristes... a mim disseram-me que era uma festa, falaram-me da liberdade, falaram-me do fogo, de roubar o fogo aos deuses... não estou a perceber...

Este livro é um poema feito teatro. Continuamente, um poema dividido em cenas e espectáculos em si mesmos suportados.

Os textos neste livro estão em tensão/diálogo com o leitor/espectador. Responde, o livro, mais cedo do que se pensaria, ao leitor, sabendo nós que o livro não reflecte nem improvisa um momento diferente daquele em que foi concebido - talvez esteja a fechar a escrita ao escritor... mas ao leitor cabe tão só a gigante reinterpretação dos momentos.

Jorge Silva Melo, dramaturgo, encenador, escritor, artista, está triste, para além de descontente e insatisfeito, está triste com o mundo dos deuses que não existem - mas mostram e demonstram poder, subjugando todos os mortais (ignorantes, saudavelmente felizes). Nos momentos cruciais, em que o melhor pareceu possível, o poder e ânsia por ele, fez sucumbir homens e mulheres às mãos dos deuses - mortos pelos homens e mulheres.

Jorge Silva Melo revela-nos a sua aspereza perante uma sociedade que vive de derrotas consecutivas sem se aperceber delas, permanecendo em ignorância e atravessando os tempos num contínuo de festejos de momentos significativos mas sem geração de frutos maduros, pelo contrário: atrofiados por degeneração de ideais e transformações convenientes das ideias.

Este livro deixa em aberto a esperança de um teatro que pensa em conjunto com a sociedade.

a água que bebemos
a água que é o nosso corpo
é merda que nos mata
dia a dia nos mata


Escrito por jm às 03h08...




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