16 de novembro, 2002

uma casa na escuridão

uma casa na escuridão, de José Luís Peixoto

No seu segundo romance, José Luís Peixoto, não nos deixa espaço para a esperança. Não existe esperança no mundo criado dentro deste livro. Uma Casa na Escuridão leva-nos numa viagem onde o amor, o medo, o horror e a morte são governantes do mundo. Em consciência assumo que vivi a fantasia do livro no momento imdeiatamente antes da escuridão: entre a eventualidade de lhe escapar e a certeza de lhe pertencer.
uma casa na escuridão
Não existe neste romance a dolência vivida em Nenhum Olhar, onde as paisagens se reflectiam perenes na imagem do romance; agora, a acção ocorre tanto no interior das personagens como na superfície das suas peles. A acção é marcada pelo horror. José Luís Peixoto não quis que sorrissemos ou que sonhassemos um possível sorriso, exige a cada palavra o medo: o medo que temos do mundo que se aproxima e abala o que consideramos ter como certo e garantido, exige-nos ainda a uma reflexão sobre o amor, o amor verdadeiro que temos ou ansiamos ter ou perdemos num instante absurdo.

Em Uma Casa na Escuridão existe um narrador: o escritor. O escritor descreve-nos pouco mais de um ano da sua existência, um ano passado no mundo mutante e que é pertença do mais forte, sendo o mais forte o vencedor natural. O escritor pode ser José Luís Peixoto vivendo, em parte, uma fantasia interpretativa das consequências geradas pela publicação de Nenhum Olhar. O escritor guia-nos por um trilho de conhecimento do amor, da sua impossibilidade e da dor que pode provocar.

José Luís Peixoto não nos concede tempo para respirar. Utiliza com maior frequência frases curtas e incisivas. A acção corre desesperada. No entanto, com destreza, revela-nos o percurso de distâncias físicas calmamente, quase em câmara lenta, quando antes nos fez ansiar por já estarmos no local no momento em que as personagens chegam.

A poesia de Uma Casa na Escuridão é atroz, de sofrimento continuado e exerce uma carga de tristeza imensa. Ainda assim, foram publicados poemas relacionados com este romance num corpo à parte, entitulado A Casa, a Escuridão.

A beleza da escrita de José Luís Peixoto desenvolve-se e cativa. A beleza deste livro merece uma transcrição cinematográfica, talvez Alejandro Amenábar leia e goste.

Escrito por jm às 22h21...




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