19 de novembro, 2002

a última razão

por vezes a última razão para estar aqui é a certeza de não estar em mais lado algum - por triste que seja. muitas questões surgem quando pretendemos sentir a invisibilidade absurda da nossa existência; a sociedade olvida-nos por defeito; a partilha de espaços é incómoda quando a pretensão é invasão.

as flores de inverno são bonitas. as flores de inverno são corajosas e resistentes: tantas vezes sozinhas sobre as rochas.

anseio um brilho no olhar de quem gosto e me gosta assim, triste mas contente com esse leve sorriso de primavera: a esperança.


Apontamento:
acabei de tomar o café e perguntei: o seu trabalho...? o seu trabalho é...? respondeu-me: trabalho num escritório numa rua aqui na zona. sinceramente estou um pouco perdido. um pouco perdido? questionei-me. não sabe nada desta cidade é o que é. mas agrada-me a sua vulnerabilidade. eu? eu sou... sou poeta, trabalho no segundo andar esquerdo de um prédio numa paralela a esta rua. ali mais abaixo, junto ao rio, onde as putas sorriem.

Escrito por jm às 02h30...




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