4 de janeiro, 2003

hoje, no último Cartaz

publica-se hoje, no último Cartaz do jornal Expresso (online), listas de gostamos e não gostamos. afirma-se sem justificações nem porquês que se gosta e que não se gosta, fazendo tão só valorativas interpretações que noutras publicações gostaram, e quase se afirma "nós, que somos bons, não quisemos nem saber". na música temos listas de ódio, nos livros temos «... e relativas decepções»

segue o artigo assinado por Francisco Belard.


José Luís PeixotoO sentido do que acima se disse [relativo ao artigo anterior em que se escreve sobre os autores mais admirados] acentua-se quando perguntamos aos críticos habituais do Expresso quais os livros de que menos gostaram. Não gostaram decerto dos que não chegaram a ler... E a referida diversidade de inclinações levou a escassas convergências nas rejeições. A grande celebração mediática de que foi objecto o ficcionista e poeta José Luís Peixoto não bastou para convencer todos os críticos ouvidos a integrá-lo nas suas listas (nem, em alguns casos, a lerem-no).

A biografia de Tolkien ressentiu-se da alta expectativa que um dos críticos nela pusera. Do recente romance de José Saramago houve quem não o considerasse dos melhores do autor. Em geral, a ficção portuguesa do ano passado não parece ter impressionado muito os críticos que se esforçaram por acompanhá-la (e não foram todos). Injustiça? Talvez. Na política de autores, como na política «tout court», as eleições não são um critério de verdade, mas de legitimidade. Sem falar na forte concorrência que a ficção estrangeira exerceu sobre parte dos críticos, sem todavia impedir que também Tolstoi, Naipaul, Rushdie ou Vikran Seth tenham ficado na sombra...



após o artigo passa-se à lista:


NÃO GOSTÁMOS
A Casa, a Escuridão, de José Luís Peixoto
Tolkien - O Homem e o Mito, de Joseph Pearce



Pois bem, JLP publicou dois livros em 2002, para além de contos e crónicas espalhados por várias publicações. O livro mencionado na listinha é o livro de poesia associado ao romance Uma Casa na Escuridão. Arrependo-me de não ter realizado um artigo, aqui no Rain Song, sobre esse livro, de não ter dito antes a minha opinião sobre o livro. Hei-de fazê-lo em breve.

O que me aborrece com a notícia do Expresso é o minimalismo como trataram esta informação. Como levam rapidamente alguém que desconhece José Luís Peixoto a nem sequer se aproximar. Quando se fala na literatura portuguesa e se pensa em mercado, tendencialmente, diz-se e fazem-se correr rios de tinta sobre as poucas vendas, que os escritores não têm meios de sobrevivência próprios, etc.. Quando um escritor com a qualidade de JLP goza dum estatuto mediático comparável ao da inqualificável Pinto pink, os principais mediadores da informação fazem questão de pisar e repisar e fazer acreditar que nem vale a pena o esforço de ler um sequer texto...

JLP é preso por ter cão! Deixo aos senhores do Expresso o desejo de que o cão do JLP lhes defeque à frente!

Escrito por jm às 11h24...




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