21 de abril, 2003

as novas estratégias

as novas estratégias do homem enquanto homem, não são novas, são o reformular da sua atitude milenar perante o outro. o outro um seu igual diferenciado. das estratégias de interacção entre homens diferenciados, retira-se um denominador comum: o domínio de um sobre o outro.

poderemos pensar que esse domínio advém do poder que cada um tem disponível. mas, na verdade, parece-me a mim - e não só, mas já lá vamos - que o domínio surge em primeiro lugar, o mais importante, o determinante, da vontade de o exercer.

o que constatamos ao olhar e ver o mundo actual, contemporâneo nosso e de centenas de anos atrás, é que o exercer do domínio sobre o outro encerra também o fim das ilusões, o fim dos sonhos, o fim da vida utópica do subjugado, do dominado, que se deve comportar - de ora em diante - conforme é dito, ditado, pelo dominador, que lhe tirou a sua identidade, pois, se foi dominada, não tem interesse em permanecer.

causa-me, a mim, confusão, que não se perceba as funções de equilíbrio, tão divulgadas e acarinhadas por metafísicas religiosas com raízes... enfim, com raízes em tempos tão recentes, tão carismáticos das suas motivações fundadoras: o domínio de um sobre o outro, em que um tira e o outro abandona. I take, you leave

ontem, vi pela primeira vez o filme Instinto. o seu argumento foi baseado num livro que estimo: Ishmael. o filme trás um movimento de "o bom selvagem" para a nossa contemporâneidade, que pode prejudicar o conceito base: o respeito pela existência de cada outro, porque e só porque, o conceito de "o bom selvagem" é, ele mesmo, uma construção preconceituosa de ver o outro..

Ishmael é um gorila que vive na cidade e que escolhe os seus estudantes. Ishmael ensina a construir uma filosofia de respeito pelo outro, em que o objectivo seria deixar de haver o domínio de um tipo de povo sobre outro tipo de povo. a necessidade inerente para a manutenção da harmonia é esta, cada um dos povos que existe permitir ao outro existir por si, com as suas regras.

depois conversamos... algures.

Escrito por jm às 11h54...




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