24 de junho, 2003

Casa da Música

Hoje, o senhor primeiro ministro Durão Burroso (ler em inglês), irá apresentar a reforma da função pública, enquanto isso, no Porto, o compadrio político e económico causa uma implosão na Casa da Música. Lê-se aqui no JN online: «O Ministério da Cultura deve anunciar, hoje à tarde, no Porto, a substituição dos três gestores da Casa da Música e não apenas do pianista e programador Pedro Burmester.» Para ficarem de bem com o mundo mandam à vida também o senhor Rui Amaral (presidente da Casa da Música), melhor assim...

Para conseguir que a programação mantenho o nível que tem apresentado, Burmester «estará a ser seduzido pelo Ministério da Cultura para integrar a nova equipa, mas apenas para a direcção artística da Casa da Música». Seria no mínimo curioso a demissão isolada do Pedro Burmester, seguida da integração neste novo cargo. Para bem da cultura do vulgar cidadão espero que aceite. Irá defrontar-se, com um senhor, com certeza, mais amigável, aliás só se aborrece com os ministros, o senhor Artur Santos Silva «é o nome que reúne maior consenso junto do Governo para encabeçar o próximo Conselho de Administração. O banqueiro é uma figura da cidade e conhece bem o dossier, até porque foi o primeiro presidente da Sociedade Porto 2001, de que se demitiu por divergências com o então ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho.» Roseta, põe-te a pau. Aliás, «Carrilho lamentou o facto de Pedro Roseta não passar de "um zombie".» (isto está aqui)

Também bonito de se ver foram as óbvias indignações - estas sim corporativas - dos políticos da praça nortenha, insurgindo-se contra todos os que tendo um cargo político ou de nomeação política, apoiaram Pedro Burmester e o trabalho - isto é o que mais importa - que desenvolveu na Casa da música. Pode ler-se também no JN, aqui, que «"as exigências da Concelhia do PSD/Porto não constituem nenhuma obrigatoriedade para o vereador da Cultura da Câmara do Porto", disse, ontem, ao JN, Marcelo Mendes Pinto, comentando a exigência dos sociais-democratas na demissão de Isabel Alves Costa do Rivoli. Recorde-se que a directora artística do Teatro Municipal viu-se envolvida na polémica da Casa da Música quando teceu elogios ao desempenho de Pedro Burmester à frente daquela estrutura.»

Seguindo a crónica do Eduardo Prado Coelho, hoje, no Público, sabe-se então que o vereador da Cultura da Câmara do Porto, «Marcelo Mendes Pinto, que, cometendo a terrível afronta de dizer o que pensava, declarou que era preciso "pensar a Casa da Música" e que Burmester é "uma figura incontornável da cultura portuense". Mais tarde, pressionado, disse também que a posição deste se tornara "insustentável" e que "deveria pedir a demissão".»

Escrito por jm às 12h04...




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