12 de agosto, 2003

poesia

parece-me, cada vez mais, que qualquer pessoa que se queira arrogar de poeta, deveria ser calada no momento imediatamente antes de abrir a boca. afinal, se este país é considerado um país de poetas, é porque qualquer um atira umas palavras em verso e diz que ali está poesia.

a ignorância da poesia que o é, que vive realmente, neste país, é tão vasta quanto a maioria que olha a poesia e a nega... existe ainda uma minoria que a encara como uma estrutura díficil de compreender. nas suas diferentes vertentes, a poesia, hoje, faz descontinuar essas metafísicas essenciais ao espírito, partindo para momentos light. não sou um crítico, nem tenho para mim a experiência suficiente e o conhecimento claro da poesia portuguesa, mas sobre o que olhei, vi!

tenciono escrever sobre poesia e poetas, em breve, para já deixo apenas algo que guardo há muito dentro de mim...

compreendo que José Luís Peixoto tenha sido, por agora, arredado do grupo da poesia da sua geração: com dois livros oficiais publicados, o segundo deitou por terra qualquer esperança na sua integração*. na sua vontade de produção, de não querer deixar-se ficar só pela prosa, publicou em conjunto com o seu último romance, um livro de poemas A Casa, a Escuridão.

os poemas neste livro** têm formas demasiado fáceis e chegadas à prosa, dando de bandeja ao leitor o que pretende mostrar. tão simples em discurso e passíveis de corromper o próprio romance associado: existem poemas que revelam curiosidades mais cedo que o romance - tal acontece quando se faz uma acompanhamento das leituras -, como o sexo real duma das personagens do romance ser desvendado antes de o romance o anunciar.

José Luís Peixoto deveria ter guardado para si esta poesia, são momentos inerentes à escrita do romance, aceito tal, mas o seu conjunto é pobre e pouco trabalhado.



*o meu julgamento sobre o primeiro, A Criança em Ruínas, está aqui.
**adiei durante muito tempo esta pequena crítica, quando li o livro a decepção foi muito grande

Escrito por jm às 12h16...




Comentários

acho um bocado triste o comentário q fez sobre o escritor josé luís peixoto. A poesia não se reduz a versos e rimas, mas sim á beleza contida nas palavras. se acha que há muito tempo guarda a sua opinião sobre certos poetas, entao deveria ter aproveitado este momento para estar mais uma vez em silÊncio.

Escrito aqui por fairy em 31 de agosto, 2004 às 21h29

Cara fairy,

sou um dos mais acérrimos defensores de JLP.

Existem, no entanto, falhas em alguma da sua poesia, no meu entender.

Antes de julgar questione a sua relevância.

Se ler bem, inclusivé as letras pequenas e procurar as minhas opiniões sobre os livros de JLP, vai ver o que quero dizer.

Escrito aqui por jm em 1 de setembro, 2004 às 00h38