7 de setembro, 2003

poesia? ii

a.s. - uma introdução ao que se segue: A poesia enquanto linhas escritas em verso, ou seja, aquilo a que muitos chamam poesia... pode não ter sentido poético algum, pode, enfim, ser qualquer coisa que pareça mas soe mal, ou não seja nem soe.

A internet trouxe a liberdade, a cada um, de expor a um universo potencialmente gigantesco os seus escritos - eu sou um deles, não me estou a pôr de parte. Haverá sites mais lidos do que muitos livros - que ganham pó e são ninho de bichos lindos em livrarias e armazéns. Aquele universo é um retrato alargado da imagem real do mundo livreiro: a escolha é imensa e o objectivo é encontrar algo de que gostemos - que até pode lá estar mas talvez não encontremos.

A dita poesia, na internet, está espalhada como sementes de aveia ou trigo, quero dizer que a poesia na internet tem uma ocupação muito grande no espaço literário virtual, superior a qualquer área ocupada por livros de poesia em relação a todos os outros géneros, numa livraria . (Será melhor reservar esta generalização ao panorama da língua portuguesa em terras de língua portuguesa.)

Constata-se que existem três géneros efectivos de divulgação da poesia na internet: individual, comunitário e conjunto. Defino-os da seguinte forma:

     individual - site gerido por uma só pessoa com conteúdos dela;

     comunitário - site gerido por várias pessoas em que todas participam com conteúdos;

     conjunto - site gerido por uma ou mais pessoas, com conteúdos do(s) gestor(es) e de terceiros.

(Existirá, ainda, um quarto género que se imiscui por entre estes e se define pela apresentação de poesia de consagrados e/ou publicados, que não abordarei, pois só me interessa, agora, a poesia nova ou desconhecida.)

O grau de qualidade de cada género é muito variável, contudo, a maior análise insidirá sobre o género conjunto, que mais tarde abordarei.

A franqueza - pela exposição voluntária - de um site individual ou comunitário, é por si só garante de uma maior consciência face ao mundo leitor: o grau de qualidade é observável quase de imediato e a crítica - se a houver - dará elementos para uma validação, evolução e/ou recriação dos conteúdos.

Não darei aqui exemplos dos meus gostos, exactamente porque são meus, contudo, considero que a maioria dos sites, nestes géneros, oferecem poesia de má a muito má qualidade.

Escrito por jm às 20h08...




Comentários

São esses poucos que fazem a diferença!

E que tal como eu escrevi, existem mas são difíceis de encontrar ;)

Escrito aqui por jm em 7 de setembro, 2003 às 23h16

Mas isso é como em tudo, e tu sabes isso... Na poesia, na música, na fotografia (deixa-me defender-me um bocadinho que eu sou dos que têm o seu trabalho num site pessoal ;) )...
A Internet veio facilitar a divulgação do trabalho de cada um, qualquer pessoa pode fazer facilmente um site e colocar online as suas criações, independentemente de serem boas ou más - enquanto que um livro ou um disco passam sempre pelo crivo da editora (não quero entrar pela discussão dos seus critérios...), na Internet não há quaisquer entraves. Daí que surja lixo e muito.

Mas como se diz nos comentários acima, o bom disto é que se acaba sempre por encontrar algo de qualidade no meio do resto - o que custa é procurar. Mas isso há muito que é quase a definição da própria Internet, seja em que área for... ;)

Escrito aqui por Bruno Espadana em 8 de setembro, 2003 às 03h06

O que escrevi é abrangente, é um gacto :)... essa é a vantagem das artes, cabem quase todas numa abstracção da coisa que é a sua publicação livre ou restrita.

Escrito aqui por jm em 8 de setembro, 2003 às 12h11

Poesia. Poetas. Trabalho. Ora aqui está uma sequência interessante. De todos os que colocam poesia original na internet, quantos dizem que colocaram "trabalhos" seus? E quantos desses colocarão no seu CV ocupação presente: "poeta"? Ou mesmo assumirão que gostam de poesia? Quantos? Poderemos definir, talvez, que no mesmo número daqueles que realmente valem a pena ler. Não se é, envergonhado de o ser. Só se é, sendo. Assumindo. Independentemente do meio em que se é.

Escrito aqui por Artur Z. em 8 de setembro, 2003 às 18h22

Artur:

     parece-me inútil escrever "poeta" no CV quando escrever "poeta" no CV faz um sentido vazio na forma. ninguém escreve "pai" ou "mãe" no CV, e ser "poeta" é da mesma ordem ou superior.
     agora, se a pessoa ganha a sua vida, ou parte dela, à custa da escrita e da arte... que escreva no CV que é "poeta" se o for... mas estes precisam de CV?

     concordo em absoluto com a necessidade de se assumir o "ser poeta" - não no CV, que esse não melhora em nada.
     mas dizer "sou poeta" não é unicamente competência própria, pois os outros relevam contextos e imagens dos textos da poesia.
     eu digo poucas vezes "sou poeta". quase vez nenhuma, contudo muitos sabem que escrevo... e, depois, apenas o silêncio permanece.

Escrito aqui por jm em 9 de setembro, 2003 às 10h41