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July 30, 2007

Como é que alguém que sempre manifestou publicamente dúvidas > cepticismo > descrença > abominação quanto a esse conceito pimba do amor pode contradizer-se? Escolhendo um filme de vampiros - «o» filme de vampiros – como primeiro de uma lista de preferidos; ficando fascinado, não com a «Buffy, Caçadora de Vampiros», mas com qualquer película, da séria A à Z, que envolva pescoços mordidos; tendo como certo que há mais paixão num acto de que resulte a troca de sangue, do que num beijo-burguês-até-logo-bom-trabalho. Pois. Haverá poucos actos actos mais contraditórios do que essa merda do amor.

Ruiva dum raio, isto é o que é: uma valente bosta. Estou um pouco zangado contigo, ó se estou. Porquê? Este género de desafios implica sempre o esforço de seleccionar memórias. Acredita nisto p.f.: é de evitar a aplicação de macros à memória; quando o livre arbítrio escasseia do lado de fora, não há como não deixar que a memória se organize com a autonomia de voo de uma mosca, i.e., perfeitamente à toa; só assim é possível garantir alguma autenticidade na transcrição do passado de cada um. E chega de preconceitos. Muito para além deles, é quase sempre agradável alguém lembrar-se de nós.

Esta é, provavelmente, a 5ª ou a 6ª corrente que recebi, e é a 1ª resposta que dou. Das outras vezes, ou calhou encontrar-me nas exéquias de blogues, ou não estava para aí virado.
Desta, acaba por ser mais fácil, pois não tento ver um filme decente desde o século passado. Neste, a única vez que entrei numa sala de cinema, foi para matar o tempo enquanto a família se ocupava em coisas piores ainda. Saí no intervalo de «Piratas das Caraíbas MCXVI». O volume do som e a cacofonia da intriga foram insuportáveis. Devo estar velho.

Há dúzia e meia de anos, quando ajudei a fundar o Cineclube de Vila do Conde, esforcei-me, sem êxito, por convencer os meus pares – moços bravos, cinéfilos shiitas – a tentar cativar o povo para as suas propostas mais elitistas, com propostas mais acessíveis.
Hoje, encontro-me naquele limbo demasiado comum: talvez não valha a pena tentar cativar seja quem for; talvez as águas estejam, como na economia, demasiado separadas. Talvez render-me ao «talvez» seja uma abdicação demasiado fácil. Que se lixe. Aqui vão 10 filmes em resposta ao teu desafio:

Nosferatu, eine symphonie des grauens – F.W. Murnau (1922)
Die Büchse der Pandora - G.W. Pabst (1929)
Sunset Boulevard – B. Wilder (1950)
À bout de souffle – J.L. Godard (1960)
Summer of ’42 – R. Mulligan (1971)
Ludwig – L. Visconti (1973)
F for Fake – O. Welles (1974)
Stranger than Paradise – J. Jarmusch (1982)
Simple Men – H. Hartley (1992)

July 20, 2007

um post ou coisa assim

Na-Arean estava só no espaço
como uma nuvem que flutua no nada
não dormia pois não existia o sono
não sentia fome porque ainda não havia fome
assim permaneceu durante longo tempo
até lhe ocorrer um pensamento
disse para si próprio
vou fazer uma coisa

Lenda da ilha Maiana (arquipélago Kiribati, Oceano
Pacífico), que pretende descrever a criação do Mundo

também

I heard them hearts in rooms tapping on the window panes
I saw the saddened eyes looking at the shoes go by
Then they remembered what the birds say
Kiribati-flag.gif
The birds say Happiness
And I saw the eyes light up
And I heard the eyes light up
I think the birds are a good idea

David Thomas, 1981

lugar: a população restante

At the outbreak of the (II world) war, about 78% of the native population were said to be Christians. This group was divided mainly into two: Congregationalists (43%); and Roman Catholics (35%). The rest of the population were largely semi pagan agnostics; they did not adhere to the Christian faith, nor did they retain much of their beliefs in their own ancient gods.

fonte

tudo

eu conto tudo mentira claro ninguém conta tudo seja a quem for seria preciso uma confiança que o excesso de ruído vai desfazendo pouco a pouco

65daysofstatic_the_destruction_of_small_ideas.jpg

foram muito mais do que 65 dias quase sem jornais sem blogues sem um livro sem um filme sem um corpo quase 135 dias sem informação de ti de mim sem querer quase morri

a não repetir tão cedo

Experiência: esticar a liberdade até ao ponto em que ela se confunde com a morte.

resumo

On the first part of the journey
I was looking at all the life
There were plants and birds and rocks and things
There was sand and hills and rings
The first thing I met was a fly with a buzz
And the sky with no clouds
The heat was hot and the ground was dry
But the air was full of sound

After two days in the desert sun
My skin began to turn red
After three days in the desert fun
I was looking at a river bed
And the story it told of a river that flowed
Made me sad to think it was dead

After nine days I let the horse run free
‘cause the desert had turned to sea
There were plants and birds and rocks and things
There was sand and hills and rings
The ocean is a desert with its life underground
And a perfect disguise above

I’ve been through the desert on a horse with no name
It felt good to be out of the rain

"Consider the Birds"

wooven.jpg
. . .

o meu lugar (ou a ausência dele)

cpp.GIF

July 10, 2007

de regresso

(Brent Green)