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junho 26, 2007

A revolta das portas

Era uma vez o dia
Raiz quadrada de menos um.
E uma cadeira assim dizia:
"Exame não há-de sobrar nenhum!"
A mesa concordava,
E a janela em concordância acenava.

Então, num dia de Verão com neve,
As lâmpadas fizeram uma revolução;
E foi tanta, tanta a contestação,
Que até as portas fizeram greve!

E o Ministério da Educação
Teve de abrir um regime de excepção...
Excepção que já se tornou regra:
É deles, e não minha, a sorte negra!

Publicado por tptw às 11:35 AM | Comentários (2)

junho 15, 2007

Belzenás e o Computador Satânico - Parte 14

Será que tínhamos sido apanhados? A sala continuava a mexer-se e não parecia ter abrandado, apesar do choque.

- Não, não fomos apanhados. - disse a jovem. - Acabámos de sair do subsolo da ilha.

- Que alívio - respondi eu. - Já agora, como te chamas?

- Eu chamo-me Diónica. E tu?

- Eu sou Belzenás.

A sala do computador continuava a avançar. Voávamos agora pelo céu nocturno, deixando um rasto brilhante entre as estrelas. A nossa luz iluminava todos os sítios por onde passávamos, e o monstro já não vinha atrás de nós.

- Onde foi o monstro? - perguntei eu.

- Ficou preso no inferno e derreteu.

Entretanto, cerca de seis horas mais tarde, estávamo-nos a preparar para tomar o pequeno-almoço, quando veio um demónio ter com a Diónica e lhe disse:

- O computador já completou o processo.

Continua...

Publicado por tptw às 01:55 PM | Comentários (1)

junho 11, 2007

Belzenás e o Computador Satânico - Parte 13

Saímos da sala e viemos de novo para a divisão onde estava alojado o computador. Havia agora um rebuliço enorme, com todos os demónios a correrem de um lado para o outro, a monitorizarem os numeros ecrãs, luzes e sons que a grande máquina fazia.

E assim foi por mais cinco horas. Até que aconteceu algo de que ninguém estava à espera. De repente, o chão começou a tremer, e ouviu-se um ruído assustador do lado de fora da sala.

Olhámos todos para o lugar que onde vinha o barulho, e ficámos pasmados. Um enorme monstro gelado resistia à elevada temperatura e ameaçava destruir todo o complexo infernal onde estávamos.

- Oh, não! Se aquele monstro destrói o computador, lá se vai por água abaixo a nossa hipótese de acabar com os exames! - disse eu.

- Eu sei, eu sei - limitou-se a responder-me a jovem. - Mas eu cá me arranjo com isso.

Saquei da varinha mágica, mas ela disse-me:

- Não vale a pena. Temos de fugir. - E, dizendo-me isto, ordenou aos demónios: - Activem o modo de comboio!

Assim que ela disse isto, a sala começou a tremer mais, e, aparentemente, a mexer-se.

- O que está a acontecer?

- Estamos a voar. O nosso quartel-general vai sair da ilha.

De facto, estávamo-nos a aproximar do que parecia ser o solo daquele lugar desértico. Entretanto, o monstro aproximava-se rapidamente de nós. Será que nos apanharia?
Então, a certa altura, aconteceu o que eu mais temia. Ouviu-se um ruído surdo, como se tivéssemos embatido nalguma coisa.

Continua...

Publicado por tptw às 02:35 PM | Comentários (1)

junho 08, 2007

Belzenás e o Computador Satânico - Parte 12

- Aceito o contrato. Mas como podemos destruir os exames? - disse eu.

- Esse é o problema. No mundo real não dá. Mas aqui, na Internet, temos alguma hipótese.

- Então qual é a tua ideia?

- Não sei, mas estou prestes a descobrir. Viste o computador na sala onde estiveste há bocado?

- Sim.

- É o Computador Satânico. Construí-o há duas décadas para encontrar uma solução para acabar com os exames. No entanto, a tarefa demorou muito mais do que o que eu previra. Porém, agora, o computador está prestes a acabar de processar os dados.

- Quer dizer que a solução está prestes a chegar. Mas como a aplicaremos?

- Quando chegar a altura, o Computador Satânico encarregar-se-á disso. Mas não o fará sozinho - nós teremos de lhe dar uma ajuda.

- Então esse assunto está resolvido. Mas quem és tu afinal? Não te vi ainda.

- Já vês - disse a voz, saindo da sombra.

Fiquei pasmado. Era uma jovem alta e deslumbrante, com cabelos longos, um vestido que lhe dava um ar superior e olhos laranja, da cor do fogo que reinava naquela zona. Tinha uma pele absolutamente linda, sem rugas, borbulhas, pontos negros, nada!

No entanto, pouco depois, alguém bateu à porta.

- Entre! - disse a jovem.

- A resposta chega dentro de seis horas, segundo o computador! - anunciou o demónio que estava junto à porta.

Continua...

Publicado por tptw às 08:32 PM | Comentários (1)

junho 05, 2007

Deixem cá ver se me lembro de mais algum...




Aqui vai disto!
É hora da contestação!
Toca a fazer barulho,
Que os exames são isto, e só isto:

Inúteis paragoges,
Obesos descorregedores,
Causadores de apendicites,
Filhos do desperdício,
Pais da desgraça
Do ambiente e dos alunos,
Mentirosos de primeira,
Fanáticos pelo fascismo,
Em suma... a tormenta de toda a gente!

Mas quem quer ser justo não mente!
As intenções são boas, mas os resultados são péssimos!
Faz-se um grande sacrifício em vão!
Matam todos os alunos de asfixia,
Porque nem respirar se pode!
Quem anuncia igualdade deve fazê-lo, mas não!
Só julga que o faz!
E vai continuar a não o fazer!

São assim os exames...
Mas, assim, mais valia nem existirem!



Publicado por tptw às 09:29 PM | Comentários (2)

junho 04, 2007

Belzenás e o Computador Satânico - Parte 11

- Estás a fazer perguntas demais para o meu gosto! - disse a estranha voz.

- Responde imediatamente ou...

- Ou o quê? Que pensas que podes fazer, seu convencido?

- Muita coisa, sua voz idiota!

- CHEGA! De qualquer forma, vou-te responder.

- Ah bom...

- O homem que te acompanhou era um defensor dos exames. E eu...

- Queres destruí-los? É isso?

- É exactamente isso!

- Mas porque não me disseste isso logo? Eu também quero!

- Não me digas que te queres juntar a mim...

- Se conseguirmos destruir os exames, quero!

- Muitíssimo obrigadíssima pela ajuda! Estás contratado! - exclamou ela.

Continua...

Publicado por tptw às 07:44 PM | Comentários (1)

junho 02, 2007

Belzenás e o Computador Satânico - Parte 10

A sala estava escura e quase vazia. O chão era de diamante negro, e as paredes também. Havia uma pequena secretária de talha dourada muito gasta ao fundo, com uma pessoa lá sentada, que perguntou:

- Quem és tu?

Aquela voz era cavernosa, e assustou-me. Mas respondi-lhe:

- Chamo-me Belzenás. Que me queres?

- Isso pergunto eu!

- Estava na Internet quando uma pessoa que vinha comigo desapareceu. Quem a raptou deixou um rasto de fogo. Segui-o, mas depois fui forçado a vir até aqui por uma série de contratempos.

- Ah, sim, esse. Pois bem, ele está aqui no Ciberinferno. Mas lamento não o poder libertar...

- Porquê?

- Porque ele está a tentar defender algo que eu quero eliminar...

- O quê?

Continua...

Publicado por tptw às 03:41 PM | Comentários (1)