março 21, 2004

Plenos Poderes

Plenos Poderes


 


Dia Mundial
da Poesia

21 de Março de 2004
Homenagem a
Pablo Neruda

A PURO sol escribo, a plena calle,
a pleno mar, en donde puedo canto,
sólo la noche errante me detiene
pero en su interrupción recojo espacio,
recojo sombra para mucho tiempo.

El trigo negro de la noche crece
mientras mis ojos miden la pradera
y así de sol a sol hago las llaves:
busco en la oscuridad las cerraduras
y voy abriendo al mar las puertas rota
hasta llenar armarios con espuma.


Y no me canso de ir y de volver;
no me para la muerte con su piedra,
no me canso de ser y de no ser.

A veces me pregunto si de donde
si de padre o de madre o cordillera
heredé los deberes minerales,

los hilos de un océano encendido
y sé que sigo y sigo porque sigo
y canto porque canto y porque canto.

No tiene explicación lo que acontece
cuando cierro los ojos y circulo
como entre dos canales submarinos,
uno a morir me lleva en su ramaje
y el otro canta para que yo cante.

Así pues de no ser estoy compuesto
y como el mar asalta el arrecife
con cápsulas saladas de blancura
y retrata la piedra con la ola,
así lo que en la muerte me rodea
abre en mí la ventana de la vida
y en pleno paroxismo estoy durmiendo.
A plena luz camino por la sombra
.
  Ao sol PURO eu escrevo, em plena rua,
em pleno mar, onde posso canto,
somente a noite nómada me detém
mas na sua interrupção ganho espaço,
ganho sombra para muito tempo.

O trigo negro da noite cresce
enquanto meus olhos medem a pradaria
e assim de sol a sol faço as chaves:
procuro na obscuridade das fechaduras
e vou abrindo ao mar as portas rota
até encher armários com espuma.

E não me canso de ir e de voltar;
não me pára a morte com sua pedra,
não me canso de ser e de não ser.

Às vezes eu pergunto-me se de onde
se do pai ou da mãe ou montanha
herdei os deveres minerais,

as linhas do oceano inflamadas
e sei que sigo e sigo porque sigo
e canto porque canto e porque canto.

Não tem explicação o que acontece
quando fecho os olhos e circulo
como entre dois canais submarinos,
um a morrer me leva na sua corrente
e o outro canta para que eu cante.

Assim pois de não ser estou composto
e como o mar assalta o recife
com cápsulas salgadas de brancura
e retrata a pedra com a onda,
assim o que na morte me rodeia
abre em mim a janela da vida
e em pleno paroxismo estou dormindo.
Em plena luz caminho pela sombra.
Copyright ©Pablo Neruda - Trad. para Português de Luís Eusébio
Posted by Titilador at 08:24 PM | Comments (0) | TrackBack