abril 13, 2008

Fantasia

 
Rosa - Foto de Stanmarek
 
       
Sonhos meus, ateus,
que desde sempre almejo
   
       
   
meus lábios rudes nos teus
húmidos de desejo.
 
 
   
 
[Luís Eusébio]
   
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abril 06, 2007

Única!

Única!, é tua boca papuda,
de lábios carnosos carmins.
Sacerdotisa de Vesta sisuda.
Górgona de cabeçudos vis.

Desdentada e sem gengivas,
- púlpito de lábios varonis -
senão pelo sorriso cativas,
cativos deixas a quem sorris.

E se dos homens és a enseada,
- a doce baía de águas calmas -
dos vindouros és portal da matriz.

Orvalhada, latejas quando ceada,
e a tora toda em ti amálgamas
e toda te nutres do que em ti delis.

[Luís Eusébio]

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março 21, 2005

Soneto de Sempre

21 MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA
Tua presença é só uma camisa suada
de terylene florido e transparente.
Breve ilusão dum corpo ausente
Tanto mais puro quanto mais amada:

Congresso de mãos que acaríciam.
Olhares ternos, quase ridículos.
Doce função em tempos cíclicos.
Bocas coladas que se esvaziam.

Palavras convulsas: Inerentes
Qual espelho mágico coniforme
De que as verdades exsudam.

Coisas das tais irreverentes:
Acordando o que em mim dorme
E me doendo, em si não mudam.

Copyright ©Luis Eusebio
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novembro 28, 2004

O Sorriso

Aqui esmagado sob um céu de chumbo
Memórias do teu sorriso radiante
Tal qual o astro que ilumina o Mundo
E nos aquece e alegra de rutilante.

Dos efémeros momentos passados
Do desejo, do sexo, mesmo da mágoa
Dos sentimentos de ganga desbotados
Pelas distâncias de tempo e água,

Não há memória além da do sorriso
Polido, franco e cintilante,
A culminar o gesto indeciso
Que nos uniu num beijo electrizante.

Assim que aqui sob um céu imundo,
Aconchegado na minha memória,
Sobra-me apenas o calor profundo
Desse sorriso que passou à história.

Londres, 22/11/04
O Sorriso - Copyright ©2004 Luís Eusébio
Tema de Croft - Copyright ©2004 Lara Santos

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setembro 12, 2004

O Teu Retrato

Deus criou o homem e a mulher e logo depois o cavalo, que tem a força do homem e a beleza e sedução da mulher.

Eu criei-te a ti, dentro de mim.

Criei-te intuição, sensibilidade, força, determinação, beleza, sedução. Criei-te e recriei-te, em cada momento dos nossos olhares; das palavras escritas ou ditas nunca renegadas; nas noites perdidas e tão desejadas.

Criei-te nos amanheceres frios e húmidos duma cidade senil e triste e recriei-te no anoitecer calmo duma cidade gentil e alegre. Criei-te no momento em que nossas bocas se uniram e recriei-te docemente nesse em que nossos corpos se colaram.

Das imagens, das sensações, dos gestos, dos vazios, das emoções, fiz o teu retrato e contemplei-o, embevecido, serenamente.

Não te dei palavras, nem poemas, nem promessas. Não te enchi de fútilidades em jogos de sedução ventríoloquos. Não houve lugar a rancores, nem dores, quando parti. Apenas tristeza por não seres minimamente como te senti.

Eis o teu retrato, hibrído equino dos meus amores.

.Londres, 02/05/04
copyright ©2004 Luís Eusébio
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abril 17, 2004

Marca D'Água

Eis-me reduzido
A qualquer coisa que não sei.
A tristeza é uma capa fria
Que me descobre e arrepia.

Tudo o que era Eu se acabou.
Sou uma marca d'água de mim.

Não mais eu próprio.
Apenas aquilo que me legitima.

.Londres, 05/03/02
Copyright ©2002 Luís Eusébio
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abril 15, 2004

Tempo Presente

Tempo Presente

(Intróito)

Às vezes olhamos a vida passada e sentimos o peso do tempo. As coisas, como as sentíamos noutros tempos, parecem-nos tão relativas. Nós sabemos que aquele tempo faz parte da nossa memória. Mas, raramente o sentimos da mesma forma. Desprendemo-nos dele, como ele ao passar se desprendeu de nós. Porque o tempo não pára, o meu tempo é sempre o Tempo Presente.

Sinto o teu corpo, junto ao meu corpo
Nos teus braços enlaçado.
Olho meus olhos
Nos teus vidrados
E as palavras que morreram...
...Numa lágrima....em silêncio.

Pedi um tempo, ao sentimento
Fiz de nós acto acabado.
Segui em frente,
E num segundo
Fiz do presente passado...
...Numa lágrima...em silêncio.

Tenho no mundo dentro do peito
A solidão, ar rarefeito.
Vivo o presente
E vou em frente
Cabelo solto ao vento
Ou numa lágrima em movimento.

.Londres, 27/09/03
Copyright ©2003 Luís Eusébio
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abril 09, 2004

e-Ternamente

e-Ternamente

Se te amar é pecado
Eu quero ser pecador
Em cada beijo trocado
Ou cada gesto de amor.

Pecar e ser amado
Nessa mesma proporção
Em que sendo o teu pecado
És a minha perdição.

E, ao amar-te, pecadora,
Coisa tão contra-natura,
Sonho ver-te sonhadora
Na fogueira da ternura.

O pecado original
Seria só converter
O nosso amor virtual
Numa noite de prazer.

Para um amor querubino
Mil noites seriam pouco.
Tenho escrito no destino:
Para sempre ou ficar louco.

.Londres, 11/07/03
Copyright ©2003 Luís Eusébio
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março 27, 2004

Felicidade

Felicidade

Busquei felicidade uma vida
Até descobrir que, por fim,
Essa emoção mais querida
Vivia dentro de mim.

(E, nesta busca perpétua,
Hei-de viver inseguro
Procurando encontrar em mim
O que sou quando a procuro.)

 
Copyright ©2002 Luís Eusébio
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Existir

Existir

Toda a existência é efémera,
Como a efemeridade, ela própria.
Existirmos é não estarmos sós,
Ainda que habitados pela solidão.
Existirmos,
É sermos cúmplices de nós próprios.
É ousarmos percorrer
Todos os caminhos ignotos,
Dentro de nós e dos outros.
É sermos um átomo de "Deus".
Porque, "Deus", nao é mais
Que nós próprios,
Elevados a uma potência
Telúrica imensurável.
Porque, "Deus", só existe
Na medida, exacta,
Da nossa efémera existência.
E, só é eterno, na infinita
Transmutação cósmica.

 
Copyright ©2002 Luís Eusébio
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março 23, 2004

Inominado

Inominado

Primeiro foi o sonho,
Inopinado e louco.
Depois a audácia,
O corrupio, o sufoco.
Foi a nostalgia.
A dor da saudade.
Foi do trabalho o tesão.
Foram dúvidas e inseguranças.
Foi o coma da traição.
Foram os cansaços.
As olheiras. Os olhos baços.
Foram milhentas milhas
Percorridas em mil regaços.
Foi a solidão.
E, foi sempre o sonho.
Sempre a solidão e,
Dos medos o mais medonho.
Foi o bem querer!...
Apenas e só o bem querer!...

Percorri mil anos
À velocidade da luz.
Ultrapassei nebulosas.
Cabeceei asteróides
Para balizas imaginárias.
Doei os anéis de Saturno
A ninfas alucinadas.
Contornei buracos negros.
Fiz amor nas crateras da Lua
Com camisas de Vénus.
Fui amante duma marciana,
Louca e insaciável,
Loura e insociável.
Mandei para os raios que o partam...
...O Sol.
Passeei-me por Mercúrio...
...Crómio.
Julguei sarar minhas feridas.

Perdi Galateia. Perdi tudo.
E, eu próprio, perdi-me
Em qualquer parte.

Percorri mil anos
À velocidade da luz!...
De repente, o breu.
A ausência total de luz.
De repente, a dor.
De repente, a mais profunda,
A mais pesada das solidões:
Eu em busca de mim!

 
Copyright © Luís Eusébio
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março 20, 2004

Estar Sem Ti

Estar Sem Ti

Estar sem ti é o vazio.
A solidão mais profunda.
É viver num desvario.
Fazer da vida rotunda.

Estar sem ti é o não estar
Onde por virtude esteja.
É sentir o peito rasgar
Por saudades da cereja.

Esse fruto que me deste
Na ternura, no olhar
Nesses lábios, no beijar:
Sonhos nos meus depuseste.

.Londres, 03/03/04
Copyright ©2004 Luís Eusébio
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março 18, 2004

Poemeto a Lara

Poemeto a Lara
  Gedichtje voor Lara

Escuto no silêncio do discurso
A tua respiração travessa
Leio o tracejado cintilante
Dos pensamentos mudos
E o sorriso esboçado
É o cego obrigado
Por te dares...
...Tão fielmente
A conhecer.

 
Je praat, maar tussen de regels door
hoor ik je schalkse ademhaling
Lees ik een fonkelend begin
van onuitgesproken gedachten
Een glimlach tekent zich af
Onvoorwaardelijke dank
Om wat je geeft ...
... zo trouw
te kennen.
Londres, 17/02/04 - Copyright ©2004 Luís Eusébio
Trad. para Holandês de Ruud Harmsen - Copyright ©2004 Ruud Harmsen
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Saudade

Saudade
  Heimwee

Por uma rua deserta
Altas horas, chuva e frio
Só meus passos na calçada
Oiço, caminhando para nada
Ou em busca do destino.

No outro lado do Mundo,
O teu dia é o passado.
O meu, o teu futuro.
Caminhando ignorado,
Passo a passo me torturo.

Coisa esta: Saudade
Que invade e nos dói.
Entristece a realidade
Em função do distante,
E nos burilando, mói.

 
Laat door stille lege straten
Het regent en 't is koud
De echo van mijn passen
Op weg naar niets
of wat het lot me brengt

Aan de andere kant van de wereld
Vormt jouw heden het verleden,
dat van mij dan, voor jou toekomst
Ik loop maar, niemand kent me
Pas na pas kwel ik mezelf.

Het heeft een naam: Saudade
Die pijnlijk binnendringt.
De werk'lijkheid vertriest
En die grote afstand
malend in ons kerft.

Londres, 06/12/03 - Copyright ©2003 Luís Eusébio
Trad. para Holandês de Ruud Harmsen - Copyright ©2004 Ruud Harmsen
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Análise de Absinto

Análise de Absinto

Sou aquele que passou
desconhecido no madrugar
do conhecimento.

Sou o pobre, o coitado,
O triste, o arruinado,
O amante, o amado.
Sou o gato e a serpente,
O lúcido e o demente,
Éter e corpo ardente,
Sempre aqui e ausente.

Sou a erva e o pó
O criminoso sem dó
Sou o Juiz e o arguido
Um lamiré sustenido.
Sou a manteiga e o pão,
Retraímento e acção
Vencedor e vencido.

Sou o amigo e não
Infiel e à Brás,
Operário e capataz.
O frio e a chama
O colchão sem a dama
O presente e o passado
O sincero e o mordaz.

Sou paixão e entrudo
A carícia e o gesto.
Sou um selo que grudo
Valho tudo e não presto.

.Londres, 13/12/03
Copyright ©2003 Luís Eusébio
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março 17, 2004

A Verdade

A Verdade

Não sei se estou certo ou errado
Não sei se vejo o que não existe
Se serei o inocente ou culpado
Apenas que, sem ti, fico triste.

Não sei se é Inverno ou Verão
Se é de noite ou já é de dia.
Nem sequer sei que horas são
Só busco a tua companhia.

Não sei se é por mim que choras
Ou se choras sem saber por quem
Se será a palavra que penhoras
Tão valiosa para ti também.

Só sei que te busco e quero
E em te buscando te perco
Pensando que te recupero
Sempre que de ti me acerco.

A iniludível verdade é uma,
Coisa pouca, sem discussão:
Separa-nos um mar de espuma
Que nos não separe o coração.

.Londres, 06/01/04
Copyright ©2004 Luís Eusébio
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