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<title>PRETEXTOS</title>
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<copyright>Copyright (c) 2006, guimaraes</copyright>
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<title>AUTOR</title>
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<summary type="text/plain">por acreditar que as fotografias roubam a alma
escreveu um retrato em tons de fado corrido...</summary>
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<name>guimaraes</name>

<email>cweb@netcabo.pt</email>
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<![CDATA[<p><a title="QuickPost | Movable Type Publishing Platform" href="http://pretextos.weblog.com.pt/g/mt.cgi?__mode=make_bm_link&show=allow_comments&show=convert_breaks&show=excerpt&show=text_more">QuickPost | Movable Type Publishing Platform</a></p>]]>
<![CDATA[<p>Dantes vivia noutras longitudes. Percebi que era melhor mudar-me para os paralelos, por causa do vento; quis ir para o 39, não porque goste das Bermudas mas porque queria fazer desaparecer muita gente que conheço. Um dia resolvi vir ver a bola e perdi-me pelas ruas da cidade. Encontrei um senhor que me disse chamar-se Sebastião e queria saber se eu tinha faróis de nevoeiro. Disse-lhe que não e ele disse que eu era um homem de pouca Fé. Para lhe provar o contrário fui ao dentista, pus o voto na urna e concordei que a Terra era redonda; fiquei com uma bruta dor de dentes, roubado e no meio duma coisa enormemente chata. Por isso fui dar uma volta: tentei meter conversa com o Adamastor mas ele mandou-me ir chatear o Camões. Sem grandes alternativas fiz-me aprendiz de poeta e com a fome fiz-me cozinheiro: inventei a sopa de letras e fui para o bosque à procura de uma elfa que goste de espelhos. Mais tarde comecei a entender melhor a vida desde que descobri que o mundo era injusto antes de se criar a Justiça e que todos os idiotas têm o condão divino de serem idiotas.<br />
            Agora, bastas vezes vou passear pelas ruas desertas ou procurar poças de água nos caminhos molhados à beira da estrada. Tudo fica perfeito se tiver a companhia de alguém amigo que saiba conversar de coisas simples, que goste de palavras, de pássaros, das estrelas, do sol, da lua, das canções da brisa ou das vertigens dos sentidos. Às vezes, fico-me pela bisca lambida e pelo tinto; o meu espírito livre e aberto permite-me algumas incursões pelo branco, especialmente de Trás-os-Montes. Vou sempre a jogo se o trunfo for bacalhau e piro-me se a conversa descamba para o oito ou para o oitenta. Ainda guardo no meu baú o pião e a faniqueira, as "vitórias", os berlindes e alguns cromos de jogadores; também lá estão a boina à Guevara, os 45 rotações do Zeca, do Adriano, da Baez, do Bob Dylan, do Hendrix e mais alguns; ainda leio os "mosquitos" e os "condores" do Cisco Kid, do Mandrake, do Fantasma e do Cavaleiro Andante.  Na tampa do baú ainda se conseguem perceber algumas letras do "making love not war" escrito num tempo em que o sonho era um pássaro azul no alto de cada madrugada.<br />
           Já fui magro e fumador; agora gosto mais de tremoços e uma conversa encostada ao fim da tarde. Já li Kerouac e Marx mas prefiro o Camilo ou o Junqueiro. Detesto pó de talco mas gosto de sardinhas na brasa. Tenho ataques de honestidade e já fiquei preso nas minhas próprias certezas. Calço quarenta, tenho tempo para perder tempo, para a amizade e para a água do mar; mas não tenho pachorra para as caras que não dizem com as caretas. Nunca odiei da mesma forma que amo, mas já descobri que os laços de sangue são pontos sem nó. Sagitário por imposição, sou Cavalo por devoção a lembrar o tempo em que vi o filme "os cavalos também se abatem" e achava falta de imaginação dizer que o prato preferido era bife com ovo a cavalo...<br />
          Também já fui novo, nos tempos em que o Mar Morto ainda nem sequer estava doente;<br />
não sou velho ainda: apenas as mulheres é que ficam cada vez mais novas...<br />
          Gosto da frase "não confirmo nem desminto" e pressinto que hei-de viver sempre com uma dúvida:<br />
os homens são todos iguais... a quem?<br />
          Pois..</p>]]>
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<title>MODOS DE FALAR</title>
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<modified>2006-02-08T16:19:55Z</modified>
<issued>2005-03-01T16:00:00Z</issued>
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<summary type="text/plain">outro logar que se chamou Porto que ora é cidade mui principal 
donde juntados estes dous nomes foi chamado Portugal..</summary>
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<name>guimaraes</name>

<email>cweb@netcabo.pt</email>
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<![CDATA[<p><strong>'falar à moda do Porto'</strong><br />
Ou não é verdade que, fora das portas da Invicta cidade, dificilmente alguém entenderá se ouvir dizer "... vê se micas por aí o picheleiro e amanda-o à loja das miudezas antes que desatine com este moinas que me perdeu a chave do aloquete..."</p>]]>
<![CDATA[<p>MODOS DE FALAR <br />
  <br />
Apesar de todas as incertezas, dúvidas e hesitações no que respeita ao português ortográfico, sem dúvida alguma que a confusão oral é incomensuravelmente maior. Se a língua escrita representa um padrão, a pronúncia é a súmula dos costumes, das aptidões estéticas, intelectuais, morais, culturais e históricas duma região. Os dialectos populares justificam o seu estudo e a expurgação das conotações de incultura com que bacocos pseudo-intelectuais os atacam, pelo simples facto de que é através deles que emerge toda a força anímica que mantém a língua viva já que, com um desenvolvimento mais livre e espontâneo do que a dita 'língua culta' (em grande parte subordinada à tradição literária e, por isso, sujeita no estilo, no vocabulário e sintaxe aos humores dos ditadores das leis) podem dar azo a mutações que o povo vai originando no seu linguajar quotidiano de comunicações ao sabor de cada olhar e de cada vivência de experiência feita.<br />
Estas considerações, pecadoras por sumárias, justificam que se fale um pouco, mesmo que poucochinho, da linguagem vulgar que, neste caso particular, genericamente denominaremos por...</p>

<p><br />
'falar à moda do Porto'.<br />
Ou não é verdade que, fora das portas da Invicta cidade, dificilmente alguém entenderá se ouvir dizer "... vê se micas por aí o picheleiro e amanda-o à loja das miudezas antes que desatine com este moinas que me perdeu a chave do aloquete..."<br />
            Quererá isto dizer que não é só a pronúncia que é diferente?...<br />
            Será algum exagero dizer-se que um dicionário até fazia jeito?<br />
            Veja por si e se quiser contribuir aqui fica, desde já, o meu agradecimento pela pena do Garcia de Resende:</p>

<p><br />
" O caminho fica aberto<br />
a quem mais quiser dizer;<br />
tudo o que escrevi é certo;<br />
não pude mais escrever<br />
por não ter mais descoberto "<br />
  <br />
quando no Porto se diz... em Lisboa quer dizer... <br />
    <br />
    <br />
    <br />
    <br />
    <br />
picheleiro canalizador <br />
boeiro sarjeta <br />
quarto assoalhada <br />
bolinhos (de bacalhau) pastéis (de bacalhau) <br />
bufar soprar <br />
sótão trapeira <br />
tasco tasca <br />
rádio telefonia <br />
loja de miudezas retrosaria <br />
hidranja hortênsia <br />
trengo tótó <br />
calca pisa <br />
bitaite palpite <br />
carapins sapos de lã <br />
parolo saloio <br />
morcão palerma <br />
guita dinheiro <br />
botija (de gás) bilha (de gás) <br />
prego bitoque <br />
carola cabeça <br />
aloquete cadeado <br />
japoneira cameleira <br />
abafar roubar <br />
broeiro casca grossa <br />
basqueiral barulho <br />
butes pés <br />
chicharro  carapau <br />
sameira carica <br />
cardina bebedeira <br />
quarto de banho casa de banho <br />
caramilo chupa-chupa <br />
baraço cordel <br />
negos copo de três <br />
cimbalino  bica <br />
chanfra maluco <br />
(é só...) boca (é só...) paleio <br />
desmancho aborto <br />
galga mentira <br />
(andar na...) gandaia (andar na...) manguelice <br />
bolso algibeira <br />
parcómetro parquímetro <br />
maçã pero <br />
águas água <br />
mouro alfacinha <br />
portuense tripeiro <br />
catraia garina <br />
pingo garoto <br />
volta fio de ouro <br />
brunir engomar <br />
vermelho encarnado <br />
chusso guarda-chuva <br />
fazer praia ir à praia <br />
fino imperial <br />
milongas mentiroso <br />
canalha miúdos <br />
quarteirão oitavo de litro <br />
(horas) cinco menos dez (horas) dez para as cinco <br />
cruzeta cabide <br />
guarda-vestidos guarda-fatos <br />
sertã frigideira <br />
carcela braguilha <br />
feijoada dobrada <br />
peluda amuada <br />
solinho solzinho <br />
quartilho meio litro <br />
uma naçon Porto <br />
Lisboa Capital <br />
toalha de banho lençol de banho <br />
penca couve portuguesa <br />
malha chinquilho <br />
zupar  bater <br />
b v <br />
... ... <br />
 <br />
</p>]]>
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<title>JANELA</title>
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<modified>2006-02-08T16:19:55Z</modified>
<issued>2005-03-01T16:00:00Z</issued>
<id>tag:pretextos.weblog.com.pt,2005://1808.157351</id>
<created>2005-03-01T16:00:00Z</created>
<summary type="text/plain">Esta janela não dá para coisa nenhuma.
É vago orifício na bruma.</summary>
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<name>guimaraes</name>

<email>cweb@netcabo.pt</email>
</author>

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<![CDATA[<p>Esta janela não dá para coisa nenhuma.<br />
É vago orifício na bruma.</p>]]>
<![CDATA[<p>Esta janela não dá para coisa nenhuma.<br />
É vago orifício na bruma.</p>]]>
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