novembro 04, 2006

De abalada

Eu não posso, nem brincando,
Dizer adeus a ninguém
Quem parte leva saudades
Quem fica, saudades tem

Sou uma piegas e uma sentimental, está a custar-me escrever o que vão ler a seguir.
Este blog é uma distracção e uma brincadeira, mas também é um modo, que me tem sido muito agradável, de comunicar com as pessoas. Sou sujeita sociável, que gosta de partilhar as suas ideias, de ouvir o que os outros pensam, de brincar, de participar neste mundo fascinante que é esta blogolância.
Por feitio, e talvez por alguma ‘disciplina’, passo por aqui todos os dias. É claro que às vezes não venho mas, como sabe quem me acompanha, isso é raro. Nem que seja só com uma imagem, uma poesia, uma graça, passo pelo Pópulo quando tomo o meu pequeno-almoço. E, muitas vezes, na pausa do almoço espreito se alguém deixou aqui um sinal, o que me deixa bastante satisfeita e finalmente lá para o fim do dia volto a dar uma olhadela para responder ao que me foi dito. É esta a minha «rotina» e que me sabe bem.
Ora isto não tem podido ser cumprido desde há muito tempo. Não porque eu tenha mudado os meus hábitos, mas sim porque desde há quase um ano me sinto numa montanha russa desde que a weblog anda com uma «crise de soluços».
Quem quer comentar, dizer de sua justiça sobre aquilo que eu disse, encontra a porta fechada. Há muitos e muitos meses que comentar na weblog é uma aventura, tudo pode acontecer! Saírem os pobres multiplicados por vários clones, só aparecerem uma hora depois, não aparecerem de todo, ou… até aparecerem mais ou menos a tempo, com surpresa de quem já não esperava nada de bom. Para além disso, por último, até o prazer de entrar no blog para escrever, desapareceu! Ficamos ali à porta, esperando uma «aberta», a ver se o 'guardião do templo' se distrai e nos deixa entrar… Eu esperei um tempo sem fim que isto voltasse ao que era no tempo do Paulo Querido. Tive mais paciência do que muitos dos meus colegas. Até, em desespero de causa, montei uns comentários alternativos a ver se assim facilitava. Mas a verdade é que continua a ser difícil aceder ao privado do Pópulo e … fartei-me!
Por coincidência, este post tem um número engraçado – 2222. Fecho a porta, apenas no trinco porque SE, contra todas as expectativas, isto voltar mesmo ao que já foi, talvez reconsidere e volte para 'casa'.
Mas a partir de amanhã a minha morada será

A Q U I


Emiéle

Publicado por populo às 11:30 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(6)

Bichitos insignificantes

Às vezes quando andamos a passear no campo, levantamos uma pedra e encontra-se lá debaixo um bicho. Quase sempre os bichos que encontramos debaixo das pedras não são muito bonitos, eles lá sabem porque precisam da escuridão da pedra… Mas têm direito à vida, pois então! Nunca lhes faço mal e deixo-os desaparecer debaixo de outra pedra.
Aqui há uns tempos fui mordida por um insecto qualquer. Nem o vi, só dei conta do inchaço e da comichão que aquilo fazia. Andei por aí às voltas com umas pomadas e bastante aborrecida quando uma minha amiga médica me disse: “O melhor era teres posto uma pedrinha de gelo!” Imagine-se! Uma pedra de gelo, nunca me teria lembrado e coisa mais fácil e barata não há.
Acontece que na nossa vida real, ou por vezes aqui na net, de vez em quando somos mordidas por «uns bichos» que lá saem por debaixo de umas pedras e, sabe-se lá porquê, decidem morder. Não é morte de ninguém, fazem só uma certa comichão e é um tanto desagradável, mas não passa daí. Gosto bastante da técnica-da-pedra-de-gelo, ‘traduzindo’ – deixar passar algum tempo até ficar de cabeça fria. Claro que me incomoda mais quando, nessa ânsia de me irritar picar, vai apanhar por ricochete outra pessoa que não tem nada a ver comigo. Mas eu vou tentar passar o cubo de gelo aos outros e explicar-lhes que estes bichinhos que vivem debaixo das pedras são mesmo assim, taditos, não primam pela inteligência.

Emiéle

Publicado por populo às 05:11 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(1)

O espantalho

Ontem falei aqui na curiosa sondagem que nos dizia que o Presidente dos EUA era visto por muitos como um perigo só suplantado pelo Bin Laden.
Contudo o homem foi eleito duas vezes, e decerto que com fortes apoios.
O cartoon do António hoje, vem dizer-nos quem na sua opinião «ele» está a proteger.
Pois… é isso. Faz sentido.

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Emiéle

Publicado por populo às 01:48 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(2)

Os cogumelos

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Apesar de fazerem parte de alguns pratos regionais, não estavam nos hábitos alimentares de muitos portugueses há algumas dezenas de anos. A pouco e pouco tem vindo a entrar na nossa culinária e já fazemos muitos pratos onde entram cogumelos.
Na Dinamarca, onde as pessoas têm um contacto com a natureza que nós nem sonhamos, um dos passeios habituais, mesmo dos habitantes de Copenhaga, é ir em grupo passear nos bosques para apanhar cogumelos…
Nós, se nas cidades os costumamos ir «apanhar» ao supermercado mais perto, nas aldeias ainda se anda bastante à caça dos cogumelos. Contudo, pelo que se lê,
mais uma vez quem lucra com isso são os intermediários e estrangeiros, para não variar…Espanha, Itália, França e Suíça, vêm comprar cá para depois industrializarem lá nas suas terras.
O que nos falta para passar à acção, para sermos nós a fazer essa operação e em lugar de os vender à saída das florestas, vendê-los com mais lucro já nas latas ou nos frascos?
Se o produto existe…
Agora é a iniciatica.

Emiéle

Publicado por populo às 12:20 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(4)

Chuva!

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Andamos sempre entre o 8 e o 80!
Isto é que é uma terra sem meias medidas!
Ou faz um calor sufocante, a terra fica seca, fala-se em «deserto«, ou então chove torrencialmente, parece um dilúvio, há cheias e inundações, o céu parece que se desfaz em água…
Desta vez passamos para os tais 80, e ninguém se pode queixar de falta de água, as queixas são até de excesso dela.
E eu estou aqui 'fechada em casa', este fim-de-semana creio bem que só vou sair para o indispensável.
Uns livritos que esperam ali para ser lidos, uma manta, um dvd, prevejo um fim-de-semana pacato.


Emiéle

Publicado por populo às 10:08 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(7)

Quando Portugal é falado por bons motivos

Ou não acontece muito ou nós temos a infeliz tendência de valorizar mais o negativo do que nos acontece do que o positivo.
Mas
esta notícia sim, merece realce!
Por tantos motivos: inventou-se em Portugal, já tem reconhecimento mundial, vai ser exportada, é uma criação de grande utilidade!
Trata-se de uma garrafa de gás - «neta» da conhecida Pluma - que, para além de mais leve do que as anteriores, o seu material pode arder e portanto não explode e também não enferruja.
Bom, útil, bonito, português, são adjectivos que não estamos habituados a ver reunidos.
Nomes a reter: Carlos Aguiar, o designer, a Universidade de Aveiro, onde decorreu a investigação.
Palmas!

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Emiéle

Publicado por populo às 09:50 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(6)

À batatada

Pelo menos é o que parece. A vereação do PS aqui da Câmara de Lisboa anda em desaguisados. Claro que aquilo é entre eles, mas dá mau aspecto…
Pelos vistos um vereador criticou o chefe Carrilho dizendo que era
"irresponsável", "ausente" e "displicente", nada de novo como se vê. Mas levaram a mal. A verdade é que a oposição do PS deve andar distraída porque não se nota que lá está.
Afinal quem foi convidado a deixar a vereação foi quem se atreveu a dizer que o rei ia nu.
Sim senhor. O respeitinho é muito bonito, e o próximo que quiser criticar é melhor morder a língua.

Emiéle


Publicado por populo às 09:22 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(3)

novembro 03, 2006

Se «o resto do mundo» votasse...

Quando foi a segunda eleição à presidência dos EUA, já se tinha feito por aí uma sondagem, que mostrava que a popularidade do Presidente não era de todo favorável a não ser no seu próprio país.
Lá, contra ventos e marés, era realmente popular, tanto assim que foi reeleito!
Agora vêm dizer que, por exemplo na Grã-Bretanha,
só Bin Laden é considerado mais perigoso para a paz mundial do que Bush
Isso é que tem sido uma política de sucesso, heim?
Se desse um badagaio ao Bin, lá ficava ele com a coroa de louros.
E se calhar, quem porfia…

(e mesmo clicando para aumentar nunca caberiam aqui todos!)

Emiele

Publicado por populo às 03:00 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(5)

Cinderela quê…?

Já ouvi muitas versões da história da Gata Borralheira.
Mas, com toda a franqueza,
esta é a melhor!!!
É claro que o noivo não é príncipe, mas é poupadinho que isto de vestidos e anéis andam pela hora da morte e não se podem desperdiçar.
E pelos vistos a noiva/cinderela também deve ser poupadinha, para ter aceite esta proposta. Ou necessitada de noivo, que as coisas às vezes correm assim, um bocadito mal e há que aproveitar. (Apareceram dezenas [??? ] de candidatas? Bolas que por ali deve haver falta de homem)

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Emiéle

Publicado por populo às 08:00 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(18)

Putos!

Falou-me ontem uma amiga. Esperava o seu telefonema por um assunto mais ou menos importante mas não a queria pressionar, pelo que fiquei mesmo à espera em lugar de lhe ligar eu.
Quando me falou, vinha meio zangada, meio a rir. E lá contou:
Nem imaginas, Emiéle. É que tem havido aqui em casa uma importante operação de treino de táctica e estratégia mais ou menos militares. Disse ao L. (nota – 3 anos!) que estava a pensar telefonar ao Pai Natal porque as coisas não andavam bem e ele ultimamente estava a portar-se mal. Havia para ali umas mentiras e umas coisas feias. A verdade é que no dia seguinte o meu telemóvel sumiu-se. Completamente!!!
E lá tinha todos os meus contactos… O do Pai Natal também lá devia estar pelas contas do L. Finalmente encontrei o telemóvel, hoje, na gaveta das meias dele..
Enfim, cá te estou a telefonar!
»
Tecnologias novas, é o que dá!

Emiéle

Publicado por populo às 07:55 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(1)

Então não são só os restaurantes chineses

Foi muito badalado na comunicação social, uma inspecção a alguns restaurantes chineses que confirmou ali haver falta de higiene. Grande alarido e boca no trombone com alguns laivos de xenofobia.
Achei logo que era disparate, sem pôr em dúvida que ali as coisas estivessem mal, decerto havia outros onde tudo estava bem, e nos restaurantes não-chineses com certeza que não andava tudo no puro do asseio!!!
Ora nem mais.
Afinal
as nossas tasquinhas muito portuguesas etc e tal, mas também se deixam apanhar por más condições alimentares.
Pela boca morre … o quê?
Antes de se atirar a primeira pedra, era bom reflectir-se um pouco.

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Emiéle

Publicado por populo às 07:42 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(1)

Três anos sem progressão

É interessante que há tanta coisa que passa desapercebida, assim, leve, em branca nuvem. As queixas sobre a Função Pública são propagandeadas com grandes trombetas, os seus erros, vícios, ‘mau trabalho’ tem honras de muitas primeiras páginas.
Mas os incentivos a um bom trabalho, isso é completamente esquecido. A sucessiva perda de poder de compra, os anos sem nenhum aumento ou quando o há bastante abaixo do nível da inflação, é apenas um pormenor. Assim como o é estar-se 3 anos
sem poder progredir na carreira, pormenor esse completamente secundário.
Só que a A.P. é um dos locais onde coexistem mais filhos e enteados. É impossível ter cara alegre quando o ‘filho’ tem bolo e o ‘enteado’ nem pão suficiente. Como se pode deixar que progrida na carreira quem já lá está, quando se quer fazer um contracto de excepção a um arrivista?
Pobre país.

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Emiéle

Publicado por populo às 07:09 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(0)

Está explicado

Temos notado que o nosso dinheiro desaparece muito depressa.
Pensamos diversas coisas: que se ganhava pouco, que se gastava muito, que talvez o perdêssemos, que não sabíamos fazer contas, que o «euro» enganava, que havia quem nos vigarizasse, que… ah!
Só não nos lembramos que ele desaparecesse mesmo!
E afinal parece ser o que sucede. Cá não sei, mas
na Alemanha é isso tal e qual: as notas desfazem-se, no sentido literal.

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Ora se aqui a imagem é de uma de 50 euros, e o desgaste é tanto, imagine-se uma de 20 ou 10 que são aquelas que eu uso mais. Mais fraquitas, essas nem resistem ficam logo reduzidas a pó.
Afinal nós nem ganhamos pouco nem gastamos muito, as notas é que se vão…

Emiéle

Publicado por populo às 06:38 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(1)

novembro 02, 2006

Feira do Chocolate

Nham…nham…
Ouvi agora na rádio mas não li a notícia. De qualquer modo aqui vem a informação entusiasmada: Vai começar a
Feira do Chocolate
Aaaaaaah!!!!!!!!!!!!!
Acho que por hoje nem escrevo aqui mais nada!
Vou acabar os posts da manhã com uma coisa tão doce e boa.

VIVA O CHOCOLATE!

V I V A !!!!!!

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Emiéle

Publicado por populo às 08:37 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(7)

Categorias de crimes

Li uma notícia que me deixou a pensar.
É certo que um crime é um crime. O crime mais grave será tirar a vida a alguém, creio estarmos de acordo. Mas, é certo, que mesmo nessa categoria pode haver ainda diversos graus de gravidade. Matar alguém num acesso de cólera, por provocação, «a quente» digamos assim, sendo gravíssimo consegue entender-se. É o gesto de raiva, de desespero, que noutras condições não teria existido. Pode imaginar-se que aquele assassino não o seria noutro dia ou noutro lugar.
Mas há crimes realmente horrorosos. Este de que fala a notícia é de tal modo revoltante que nos dá a volta ao estômago, por ser um caso onde a ganância cilindra por completo o respeito pela vida humana. Vender peças para aviões já fora do prazo, falsificando os resultados, para ter lucro com tal é repugnante, nojento, para além de qualquer adjectivo. Não é simplesmente matar, é não ter a menor preocupação sobre quem morre, como morre, em que circunstâncias morre.
Horrível! E são «seres humanos» estas criaturas?!

(imagem daqui)

Emiéle

Publicado por populo às 08:11 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(0)

Mas o que se passa com a CRIL?

Ontem os jornais falavam no assunto e parece que a TV também mas essa não ouvi.
Fui alertada por um telefonema de uma amiga que, muito assustada porque mora exactamente em Alfornelos, tinha chegado à conclusão que
com este acordo a sua zona ia ficar emparedada, rodeada por 3 vias de grande velocidade. Quer quanto a impacto ambiental, quer quanto a poluição, era de fugir já, para bem longe, se esta solução fosse aprovada como parece que ameaça ser…
Os moradores daquele Bairro criaram um blog para o problema e pedirem outras soluções.
É possível que entre 3 Câmaras ( Amadora, Lisboa e Odivelas) não se encontre uma solução que não prejudique quem habita aquele bairro?!
Vejam aqui - sobretudo o vídeo que diz ‘Planning’ como se trabalha num país do primeiro mundo. Lá, na Suiça, escava-se um túnel com mais de 50 km!
Olhem que para resolver o problema de Alfornelos bastavam só mais 3 km!!!

Emiéle

Publicado por populo às 07:56 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(0)

Sem poder entrar em casa…

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(estou a escrever esta explicação enquanto posso, apanhei a «porta aberta» neste momento e estou a aproveitar)

De vez em quando acontece. Apetece escrever qualquer coisa, ou confirmar um pormenor, ou até verificar como está o blog e ao escrever a password de entrada recebo a informação

«Got an error: Bad ObjectDriver config: Connection error: Host 'm1-int' is blocked because of many connection errors. Unblock with 'mysqladmin flush-hosts'»

Nunca é agradável.
Há vários graus: O primeiro é quando a chave entra, dá-se a volta, mas a porta não abre. (entramos no «main menu» mas não se abre nem entradas, nem comentários, nem novas entradas) O outro grau, mais irritante, é quando a chave entra mas não dá a volta, fica ali encravada (ou seja, aceita a password, parece que vai abrir mas ficamos pendurados à espera e nada!). O pior de todos é quando a chave nem mesmo entra na fechadura!!! (assim que clica no Pópulo/privado dá imediatamente a mensagem de página indisponível!)
A solução é respirar fundo e ir dar uma voltinha ao quarteirão.
É o que eu costumo fazer, armada de paciência.
Desde ontem que tenho passado por todos estes graus ( e entretanto enviado emails à weblog sem qualquer resposta) e, desde que escrevi o último post, só «entrei em casa» uma vez.
Bloqueio completo sem qualquer explicação. Bem, é claro que entretanto fui dormir, talvez durante o meu sono isto abrisse de vez em quando, não posso afiançar, só sei que ao acordar estava na mesma!!!
Assim vamos mal.

Emiéle

Publicado por populo às 07:42 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(0)

novembro 01, 2006

Dúvidas

Para que não se interprete mal o que vou dizer quero avançar já com um ponto: tenho o maior respeito, um sincero respeito, pelo modo como cada um vive os seus lutos e as perdas que sofreu. Tive os meus desde muito nova, perdi pessoas que amava profundamente e ainda hoje sofro com isso. Portanto completamente longe de mim a mais pálida censura ao modo como se vive os rituais fúnebres. Nunca o faria porque sei que cada um sente isso à sua maneira.
Acontece que eu não tenho grande sensibilidade aos rituais tradicionais. Choro os meus mortos à minha maneira, e tenho-os bem guardados na minha memória, no meu coração, e não sinto necessidade de ir ao cemitério. Mais uma vez falo apenas por mim!
Hoje é um dia onde, por tradição, se fazem deslocações enormes aos cemitérios. Volto a repetir que não tenho nada com isso. Mas tenho de observar que me impressiona um pouco que tanta gente se pareça preocupar mais com os mortos do que com os vivos. Paradoxalmente parece que o ser humano só dá preocupação antes de nascer e depois de morrer. Enquanto por cá anda, pode sofrer horrores, pode sentir-se só, pode não ter que comer ou onde dormir, pode desesperar, pode enlouquecer de desgosto, de solidão, de tristeza, que isso parece ser considerado normal.
Tenho uma amiga que desde há uns tempos trouxe o seu pai de 80 e tal anos para a sua casa. Esta decisão foi muito difícil porque implicou um enorme aumento de trabalho do seu lado. Mas ela tem-se desdobrado, quase não dorme, levanta-se de madrugada e deita-se a altas horas, porque para além do seu trabalho, tem de cuidar do marido, dois filhos adultos e amimar o pai. Tem 4 irmãs, que têm lavado as mãos desta questão com a maior calma. Há meses que não visitam o pai, porque ao fim-de-semana têm que fazer, e durante a semana não podem… Hoje telefonaram dizendo que iam a 300 km, à campa da mãe que morreu há 10 anos, deixar-lhe flores. Foi um gesto bonito, sim senhor. A minha amiga ainda teve forças para dizer, sorrindo «Quando voltarem, podiam parar aqui e dar um beijo ao Pai que não vos vê há tantos meses…». Acredito que o senhor gostaria de voltar a ver as filhas enquanto está neste mundo. Ou terá de esperar passar para o outro para que se preocupem com ele?
Temos um Dia de Finados.
Talvez fosse de instituir um Dia dos Vivos.

Emiéle

Publicado por populo às 05:00 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(1)

Distâncias

É uma espécie de lugar comum dizer-se que hoje em dia não há distâncias. Grande mentira! É evidente que a medida é diferente da que era antigamente. Hoje os transportes são outros e portanto podemos movermo-nos mais rapidamente. Mas é só isso… A distância está lá, firme, forte, intransponível.
Quando se está longe de uma amiga, quando temos meio mundo entre nós, um oceano, muitas horas de caminho mesmo num avião muito rápido, como dizer que não há distância…?! Quando a nossa vida está ensarilhada de modo a ser impossível largar tudo para acudir a alguém que amamos muito e gostaria de nos ver, mas está muito longe, como dizer que não há distâncias? Quando o preço do bilhete do famoso avião super-rápido é incomportável para aquilo que ganhamos, como dizer que não há distâncias?
Quando nos apetecia tanto segurar-lhe a mão, limpar-lhe a testa, aconchegar-lhe o lençol, e nos limitamos a enviar mensagens cheias de lágrimas que lhe vão ser transmitidas por outros numa outra língua que não a nossa, como negar a distância..?
Existe, sim! Existe distância quando não podemos estar perto de quem gostamos, quando a vida separa quem cresceu junto e fala ainda «a mesma língua», canta as mesmas canções, amou as mesmas obras de arte, vestiu as mesmas roupas, teve um fraquinho pelos mesmos rapazes. E odiou também as mesmas coisas, lutou pelas mesmas causas, entusiasmou-se, apaixonou-se pelos mesmos ideais.
Estamos distantes do passado e contudo ele está muito mais perto do que o presente que se passa agora noutro continente. E que me põe no peito esta bola, tão dura, tão dura, esta bola pesada que teima em não passar…

(pode aumentar)

Emiéle

Publicado por populo às 10:12 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(2)

Novas “tradições”

Vamos lá a uma adivinha: Qual a diferença entre «as nossas» tradições e as anglo-saxónicas importadas? Fácil, não é? As nossas não têm custos, ou os que têm são insignificantes. Portanto é lógico que o comércio adira em força às outras, importadas, com montes de gadjets para usar e deitar fora.
Nós por cá tínhamos o Dia de Sant’António.
Era um santo casamenteiro, simpático, popular, que ajudava aos casamentos e até por brinde vinha com um menino ao colo a mostrar bem onde aquilo podia levar… Mas a festa era muito simples. Uns tronozinhos na rua, com um bonequito de barro, e a miudagem a pedir «um tostãozinho p’ró sant’antónio». Coisinha simples e doméstica. Mas… lá do outro lado do canal e do oceano festejava-se S. Valentim. Era logo outra coisa! Postais variados, muitas prendas, muitos corações de todos os materiais possíveis, e o comércio facturava. E pronto! Cá temos agora o Dia dos Namorados para alegrar os corações e os vender.
Também tínhamos uma tradição que era no 1º de Novembro pedir-se o «pão-por-Deus». Também era coisa inocente, um grupo de miúdos com uns talegos, ia de porta em porta e gritavam muito alto «Pão por Deus!!» recebendo bolos, rebuçados, coisas boas que depois dividiam e comiam fazendo uma festarola. Mas mais uma vez isso era coisa pouca. Um saquinho de rebuçados e um pacote de bolachas não faz disparar as vendas em nenhuma loja. Portanto vem aí o «halloween». Assim, sim! As lojas ficam cheiinhas de fatos de monstros, abóboras sintéticas, coisas para assustar, facas a pingar sangue, dentes de vampiro, cabeças de Frankenstein, ena, ena… E os meninos pedem Trick or Treat, um pedido um pouco diferente do primeiro porque contém uma risonha ameaça… Nada de mal, é claro, tudo é brincadeira, mas o 'espírito' é diferente, mais agressivo.
E o comércio a facturar!!!
Aqui na blogosfera temos tentado não deixar apagar a chama. O ano passado,
fui eu, e a Teacher e uma mãe carinhosa e ainda vários outros, com boas intenções.
Chegará…?

Emiéle


Publicado por populo às 09:31 AM | Comentários p'ra quem não tem pressa(4)

outubro 31, 2006

Eu gosto de gatos, e não de caça

Ou seja, a velha expressão de quem não tem cão caça com gato, não me diz nada.
Mas há talvez outra frase que sirva para aqui, e é «a necessidade é mestra do engenho». Passemos aos factos:
Aqui a nossa plataforma anda enervante. Liga, desliga, volta a ligar, entramos, não entramos, pára tudo, depois recomeça, às vezes não abre mesmo o próprio blog… Enfim, vocês sabem do que falo.
Como ainda espero que tudo isto sejam ajustamentos do sistema, não perdi completamente a esperança. Contudo, como escrevi no post aqui em baixo o que me deixa mesmo muito zangada é quando os comentários não entram. Como é que hei-de dizer…? Sinto uma falta de cortesia para com quem me visita.
E ando há uns tempos a pensar em montar aqui um outro sistema. Se um falhar pelo menos tenho o outro.
Só que a minha ciência informática… cof…cof..cof… olhem, vamos falar de outra coisa…? Contudo, para compensar a azelhice tenho tido a sorte de apanhar aqui nesta rede uns verdadeiros bons amigos. E o que eu não sei, sabem eles. Desta vez a salvadora foi a
Catarina, que correu em meu auxílio e me fez o trabalhinho todo.
Senhoras e senhores, amigos e amigas, tenho o prazer de inaugurar «amadrinhados» pela Senhora Dona 100nada , os novos comentários do Pópulo, e estes NÃO FALHAM!!!

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Emiéle


Emiéle

Publicado por populo às 02:00 PM | Comentários p'ra quem não tem pressa(4)