junho 01, 2005

Que o dia da criança seja todos os dias

Comemora-se hoje mais um dia mundial da criança. Caso não saiba fique a saber que o primeiro dia mundial da criança foi em 1950, quando a Federação Democrática Internacional das Mulheres propôs às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo.
No entanto só em 1959 se aprovou a Declaração dos Direitos das Crianças, um documento com 10 regras básicas que defendem a criança e lhes dá o direito de crescer com o mínimo de qualidade, onde se inclui a igualdade, a não descriminação, e o direito de protecção, saúde e atenção que lhes é devido.
Infelizmente estas regras nem sempre são cumpridas, pelo contrário, a par da fome e miséria em que muitas vivem, também muitas delas sofrem de abusos físicos e psicológicos.
Lembremo-nos que Portugal é o país europeu com maior incidência de casos de maus tratos a crianças. Os números de abandono e abusos sexuais também têm vindo a crescer de ano para ano.
Uma situação que envergonha o país e em especial os portugueses. O caso Casa Pia, o caso Joana, e muitos outros sem nome, desconhecidos, mas que existem dentro de quatro paredes, continuam a assombrar um povo conhecido pela sua simpatia e pela sua hospitalidade.
Será que o português é mesmo assim? Ou será que em cada cara se esconde um agressor, um pedófilo…
Não quero crer que todos nós o sejamos, claro que não, mas muitos de nós vemos e não denunciamos, mesmo sem certezas não devemos deixar as nossas crianças nas mãos de quem as maltrata, devemos lutar por isso e exigir que quem o faz jamais seja impune.
É isso que espero que aconteça em todos os casos que se passaram em Portugal este ano. Afinal crianças felizes serão certamente adultos felizes, e só assim se combatem os grandes males da sociedade.
Que o dia da criança seja todos os dias!

Publicado por Espacosideral em 02:53 PM | Comentários (0)

julho 27, 2004

Ter um filho, escrever um livro, e plantar uma árvore...

Nestes dias de autêntico inferno no nosso país, onde de norte a sul os fogos têm estado a queimar a fonte do ar que respiramos, pergunto eu, o que é que temos de fazer?

Ficamos sentados nos nosso sofás a ouvir os telejornais, paramos para ver as imagens que fazem os ecrãs das TVs ficarem vermelhos e laranjas, onde o fumo nos sufoca mesmo estando longe dos lugares, e que por fim tranforma tudo em cinza e negro.

Estes dois dias já queimaram mais hectares de terra que no verão do ano passado, que na altura colocou o país nos jornais internacionais e em estado de calamidade. Calamidade de quê? De gente que fala e fala e não faz nada? De um governo que prefere comprar submarinos do que investir em meios de perservação? Que prefere enviar tropas para o Iraque a colocar homens a ajudar no combate aos incêndios?

Onde andam as ditas associações de defesa ambiental? É fácil aparecer quando o inferno já começou, mas o que andaram a fazer durante o resto do ano? Não deveriam andar a conferir o que supostamente deveria ter sido feito para evitar estas situações? Não deveriam pressionar o governo, os municipios, as populações, para que todos juntos possamos evitar estes incêndios?

Não estamos a defender nada que não nos pertença. Estamos a defender o que é nosso: casas, animais, florestas.
Sempre me ensinaram que uma árvore é uma vida, que é dela que sai o ar pelo qual respiramos. Não se diz que um homem não pode morrer sem ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore?

Então se calhar é altura de sermos menos pacientes e agarrarmos os bois pelos cornos. Não vamos espalhar lixo e detritos por zonas florestais, não vamos atirar beatas pelas janelas dos automóveis. Vamos denunciar casos e situações de zonas florestais mal cuidadas e sem limpeza.

Vamos pedir ao governo para se responsabilizar pelo que acontece, eles estão cá para isso, ganham eleições para isso, ganham os tachos e panelas para isso, então peguem nas colheres de pau e ponham as mãos a obra. Vamos pedir ás associações ambientais para que o seu papel seja o que realmente delas se espera. Um papel de pressão por aquilo que defendem e de prevenção e consciencialização das populações.

E por fim vamos então plantar uma árvore... para podermos ter o ar para os nossos filhos respirarem... e o papel para escrever o que nos vai na alma.


Publicado por Espacosideral em 10:24 PM | Comentários (4)

julho 15, 2004

Solteirões e “bons” rapazes

Portugal está a viver um momento único no seu panorama politico. Não só, claro está, por tudo o que tem acontecido nas ultimas semanas, desde a ida de Durão para Bruxelas, às decisões do presidente, à tomada de pose de Santana Lopes, mas por outras razões.

Muito se tem falado na nova geração politica que se está a formar. Sim, concordo, plenamente. Mas já repararam que de repente os nossos dirigentes são solteirões e “bons” rapazes?
Pois é. Já lá vai o tempo de Soares, Cavaco, Freitas do Amaral. Politicos sisudos e bem casados, pouco dados à beleza e à vida social e mundana.

As suas mulheres eram e ainda são subejamente reconhecidas, afinal quem não sabe quem é Maria Barroso, Maria Cavaco Silva, Maria José Rita... a era das Marias acabou-se e não só, acabou-se a era das Anas, Carlas, Ritas ou seja lá qual for os seus nomes.

Os nossos dirigentes de hoje são solteiros ou divorciados, gostam de sair à noite e de ir para os copos, de andar bem vestidos, e de lançar o charme por este país fora.
Santana, Sócrates, Portas e Companhia são os rostos do nosso actual panorama politico, e se dantes era essencial uma esposa por detrás de um politico, agora parece que as coisas mudaram.

Pergunto-me a mim própria: será que as mulheres não estão para aturar este tipo de vida e preferem ficar longe destas coisas, preferindo estar na linha da frente a ser a sombra de um marido que esteja no governo?; ou será que por outro lado a presença de uma mulher forte e segura já não é importante para a credibilidade de um homem?

Afinal se pensarmos o contrário podemos constatar que são poucos os maridos de deputadas ou minitras que sejam conhecidos. Quem é que sabe o nome do marido da Ferreira Leite? Da Beleza? Da Carmona? Da Odete Santos? Nem sequer sei se elas são casadas, divorciadas, quanto mais o nome dos respectivos.

Prefiro pensar que este facto se deve a uma simples resposta: As mulheres para entrarem na politica preferem de uma vez por todas aparecer na frente, e quando assim é quem que se interessa em saber o nome dos seus maridos? O que fazem? Que são? Afinal valemos todas por nós mesmos, e nunca nenhuma delas, seja de que côr partidária for, precisa ou precisará de provar o seu valor por ser casada com A, B ou C.

E tenho dito!

Publicado por Espacosideral em 10:35 PM | Comentários (0)

julho 07, 2004

O “nosso” Euro

Não poderia deixar de falar no Euro 2004 aqui neste espaço. Agora que o campeonato já acabou e as coisas estão mais calmas, já posso escrever sem que seja influenciada pelo turbilhão de sentimentos e da euforia que o Euro gerou... nos portugueses e a mim claro.

Fui uma das pessoas mais cépticas em relação ao Euro e em especial à selecção e ao grupo de jogadores seleccionados.

1º achava que os portugueses não íam ligar nenhuma ao facto do Euro se realizar aqui;

2º achava que a selecção não ía para além da 1ª fase, quando muito passaria ate à fase seguinte aos grupos e e ...

3º achava que o Scolari não fazia cá falta nenhuma e que coitado se ía arrepender e muito de ter escolhido aceitar treinar a nossa selecção;
4º achava que ía ser uma confusão em Lisboa com tanto estrangeiro e em especial com os bêbados dos ingleses;

5º e chava mais alguma ou outra coisa que agora não me lembro
Resumindo... posso dizer que me enganei em tudo.

1º os portugueses em geral (eu incluida) começaram a viver o que se pode chamar a febre do Euro. Eles eram bandeiras nas janelas, eles eram bandeiras nos carros, eles eram camisolas, lenços, cachecois, chapéus, pinturas e tudo o que se pode imaginar para adornar cabeça, tronco e membros. Era buzinadelas até ás tantas, gritaria e autenticas marchas de apoio à selecção. Alcochete, onde ficaram sediados os nossos meninos tornou-se o destino preferido dos portugueses, em especial em dias de jogos da selecção. Faziam questão não só de ir até à academia do sporting como faziam um autentico cortejo de alcochete a Lisboa. Motas, carros, barcos, motas de agua, skysurfers, e claro pessoas espalhadas por tudo quando era lado começaram a juntar-se à medida que se íam eliminando os adversários.

2º enganei-me nos prognósticos quanto à performance da selecção. Bem dizia o outro que prognosticos só no fim do jogo. No primeiro embate... pumba... perderam com os gregos mas qual desânimo qual quê. A partir daí foi vê-los partir. Os espanhois, os russos, os ingleses e os holandeses. Até ao fatidico dia em que os gregos novamente se pusseram no nosso caminho. Perdemos na final é verdade mas não perdemos no fairplay. Além de todos terem ficado muito contentes só pelo facto de termos chegado à final, as buzinadelas continuaram, o apoio continua e até passado 3 dias continuam as bandeiras nos carros e nas janelas das casas. Até a Europa ficou espantada com a euforia que aqui se passou. Os jornais dos nossos vizinhos espanhois elogiaram a selecção, o apoio dos portugueses e a boa organização. Claro que agora vêm buscar os heróis para jogarem nos seus clubes... mas claro isto é a velha historia... nós continuamos pobres e eles ricos.

3º o Scolari... afinal não só fez falta como veio tocar num ponto fraco dos portugueses... a crença e a fé nos resultados. Desde alguns jogadores que juravam ir a pé a fátima, a Figo que segundo dizem ía para o balneário rezar, o presidente da federação que não ia ver os jogos por superstição, até ao Durão que levava sempre a mesma gravata aos jogos... enfim foi ver para crer.
Scolari fez falta e é hoje importante porque fez o que muitos outros terinadores não conseguiu fazer, chegar ao povo e ao que de mais profundo existe em cada um de nós. A emoção, o patriotisto e o acreditar que com a força de todos é possivel chegar a algum lado.
Faz falta porque mostra que a teimosia ás vezes é positiva e que um grupo unido jamais será vencido... não contando com os gregos é claro. Mas esses têm de certeza não só os santos do lado deles como todo o Olimpo, porque da forma como foram ganhando os jogos só mesmo com uma serie de deuses gregos invisiveis em frente à baliza.

4º em Lisboa muitas vezes nem se dava conta que se estava a realizar um campeonato europeu de futebol, sem contar com a baixa.
Vi algumas vezes turistas com camisolas da respectiva selecção e nos dias de jogo na Luz o metro ficava realmente um pouco “apertado”, isto claro até um inglês se lembrar de atirar um verylight para uma das estações. Aí cortou-se o mal pela raíz e fechava-se o metro em dias de jogos. De resto só o Algarve é que sofreu um pouco mais à conta claro dos celebres ingleses que perto dos bares faziam das suas, se bem que nada de muito grave.

Portugal ganhou sem duvida. Ganhou em provar que consegue organizar um grande evento aclamado por todos, ganhou porque provou mais uma vez que o portugues é simpatico, hospitaleiro e bom companheiro, ganhou porque conseguimos formar uma boa selecção com gente nova e com garra de ganhar.

Ganhamos todos porque para quem o viveu vai concerteza ficar para sempre na nossa memória estas 3 semanas. Voltou-se ao back to reality, aos problemas do dia a dia, mas não faz mal... viveu-se quase um sonho e foi bom, foi... o “nosso” Euro.

Continue a ler "O “nosso” Euro"
Publicado por Espacosideral em 10:53 PM | Comentários (0)

maio 27, 2004

Durão e o selo

Durao Barroso mandou imprimir um selo de correio com a sua cara para comemorar um ano do seu governo. Ele exigiu um selo de altíssima qualidade. Os selos sao criados, impressos e vendidos.

Durao fica radiante!

Mas em poucos dias ele fica furioso ao ouvir reclamaçoes de que o selo nao adere aos envelopes. O 1s Ministro convoca os responsáveis e ordena que investiguem o assunto. Eles pesquisam as agencias dos Correios de todo o país e relatam o problema.

O relatório diz: "Nao há nada de errado com a qualidade dos selos.
O problema é que o povo está a cuspir no lado errado."

Publicado por Espacosideral em 06:58 PM | Comentários (1)

maio 05, 2004

Passei Toda a Noite

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

Alberto Caeiro
(heteronimo de Fernando Pessoa)

Publicado por Espacosideral em 10:53 PM | Comentários (1)

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Publicado por Espacosideral em 10:43 PM | Comentários (0)

abril 20, 2004

O ministro e a Saturday night fever

Quem é o ministro do nosso executivo que ao Sábado à noite se torna num ganda maluco e vai abanar o capacete para as discotecas da capital?

Vou deixar a dúvida no ar e como sou uma menina bem comportada deixar no anonimato o nome do senhor (se é que voçês já não adivinharam).

Qual Santana Lopes qual quê, esse hoje em dia até mais parece um menino de colo face ao senhor ministro das noites loucas.

Dizia-me no outro dia uma amiga: - “Então mas um ministro é uma pessoa como outra qualquer, tem tanto direito de ir para a discoteca como tu!” – Sim, tudo bem, o homem tem todo o direito de dançar e gostar de se divertir. Mas, será que é normal um ministro, ir às tantas da madrugada para uma discoteca cheia de gente, com a camisa aberta até ao umbigo, dançar frenéticamente como se de um pateta se tratasse? Sim, porque com aquelas figuras até um nomal cidadão não passaria despercebido.

Enfim, somos um país no minimo engraçado e único. Quem é que imagina o Tony Blair, o Schroeder, ou outro qualquer a fazer o mesmo?

Ao menos já percebemos porque é que depois vêm os ministros para a televisão dizer uma coisa e o Durão outra.

Sabe uma coisa senhor ministro? Já dizia a minha avó: “Homem pequenino ou velhaco ou dançarino!

Publicado por Espacosideral em 11:22 PM | Comentários (0)

Soccarstars

Parece que 2004 está seguir a mesma linha de 2003 no que toca a escândalos e novelas mediáticas.

Desta feita um escândalo no futebol no ano em que se realiza em Portugal um dos mais importantes eventos desportivos.

Como se não bastasse a batatada em Guimarães, os confrontos entre as claques, e sem lá mais o quê, eis que prendem o major Valentim Loureiro, que só por acaso é presidente da Liga Portuguesa de Futebol.

Não podiam ao menos esperar pelo fim do Euro?

Toda a gente sabe à muito tempo que há malandragem no futebol, que há sacos azuis, ou negros ou lá como chamam. Seria possível árbitros cometerem erros como os que se cometem aqui em Portugal? Toda a gente sempre se queixou mas nunca ninguém investigou, claro que no dia em que a policia metesse as mãos na porcaria esta iria deitar logo cheiro.

Dirigentes, árbitros, etc, o mundo do futebol está podre há muitos anos.
Limpem a porcaria toda para ver se de uma vez por todas se vive o verdadeiro espírito do futebol.

Só espero que mais uma vez não se coloque interesses económicos à frente da verdade e da justiça, e que tal como no caso pedofilia, passado uns dias os culpados não estejam cá fora a gozar com a cara de quem trabalha.

PS: isto não será alguma manobra da RTP? Se o programa soccarstars tal como dizem está a dar prejuízo com a falta de audiências, pode ser que isto anime o interesse :-)

Publicado por Espacosideral em 06:32 PM | Comentários (1)