novembro 28, 2003

Sporting, Benfica, Taça América e o País que temos

Foi patético o jogo do Sporting. A tactica terá sido discutivel, a adaptação ao jogo da outra equipa uma frustração, quando jogava bem não resultava, quando atacava não acertava, quando defendia a bola parecia telecomandada a entrar na sua baliza. Fazia impressão olhar para o campo: os outros pareciam vinte e dois enquanto eles não chegavam a meia dúzia. Aliás, devia estar um grande nevoeiro naquele estádio: as estrelas quando brilhavam era só um bocadinho depois era preciso perguntar ao árbitro se elas ainda estavam em campo. Talvez a constelação não tenha sido a mais acertada, talvez não houvesse outra melhor. O resultado foi o eclipse final, possivelmente com honra mas de certeza que sem glória.

Com o Benfica as coisas não se passaram assim. Teve mais sorte, nos momentos iniciais que tudo poderiam ter estragado conseguiu sair-se bem, depois teve a estrelinha inspirada no lugar certo e no momento certo. As atrapalhações não complicaram, o moral do adversário não teve motivos para crescer e, assim, foi salva a honra do convento. Nestes casos o resultado faz esquecer as misérias de maneira que o melhor é tapá-las. Mesmo assim será bom não esquecer a aflição do treinador tantas vezes patente durante o jogo.

Não será isto a imagem do país que temos? De vez em quando há um golpe de sorte e lá conseguimos umas coisas giras, desfraldam-se todos os estandartes, põem-se todas as fanfarras a tocar. Depois é o rame-rame extenso e baço, vivendo das memórias desses momentos mitificados ou das esperanças de outros momentos que hão-de vir, não se sabe quando. E se Deus quizer.

Não foi isto com a Taça América? Como tínhamos o Euro2004, como tínhamos tido a Expo, agora era a Taça América que viria, numa periodicidade dourada para os interesses dos patos bravos, eternos patrocinadores destes movimentos patrióticos. E foi assim que os maçaricos dos nossos regedores entraram prepotentemente em campo: prepotentemente para dentro, servilmente para fora, como se um porto de marca ou uma gravata de seda bem posta fosse o suficiente para decidir uma questão destas. Pela reacção não parece que tenham aprendido.

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novembro 19, 2003

Scolari, futebol e a sublevação nacional

O país está em estado de pré-sublevação e a situação não é para menos. Imagine-se que Scolari, aquele brasileiro selecionador nacional que, segundo dizem, é apenas campeão do mundo, tem o descaramento de não convocar Baía. Como se o país pudesse viver sem Baía na baliza! Ainda por cima não presta vassalagem ao vice-rei do norte, esquecendo insolentemente que vivemos numa monarquia virtual, com Bice-Reis, Varões, Biscondes, controlando tudo quanto é sítio ou feudo de interesse.

O desgraçado do selecionador só ganhou seis jogos, empatou três e perdeu dois (Itália e Espanha), nos jogos a feijões disputados até agora. O que é isso quando comparado com a figura que esta mesma selecção fez no último campeonato do mundo, há pouco mais de um ano? Claro que merecia bilhete de regresso. Alem disso o selecionador mais uma vez se esquece da monarquia virtual e não presta a devida homenagem a alguns jogadores, tambem eles bem implantados na dita monarquia com as posições de Bice-Bice-Reis, Bice-Varões, Bice-Biscondes, etc.

Assim não, assim não pode ser! Se quizermos ser alguma coisa temos de voltar ao modelo de Saltillo, isso sim, a grande demonstração das virtudes e das realizações nacionais!

Tambem não podemos esquecer que a equipa é de todos nós e, sendo assim, é de aplicar o grande lema: a equipa para quem joga! Portanto, os jogadores é que devem escolher a equipa e quem tiver maior influência, ou maior apoio, ou mais interesses por detrás, é que deve jogar. Nunca esta pouca vergonha de um selecionador fazer experiências, mostrar que todos os jogadores podem entrar na equipa, tentar saber com o que pode contar. Quem pode admitir um descaramento desses?

Por uma questão de justiça não podemos esquecer os preteridos treinadores nacionais os quais, por sua vez, tambem não se podem esquecer de quem os vai contratar depois de serem selecionadores. Ah, este é um mundo muito complicado!

Por último, se não houvesse estes assuntos de que falar como é que a rádio e a televisão iam ocupar os seus tempos? E os jornais encher as suas páginas? Se calhar não teriam outra alternativa se não falar dessa insignificância da inflacão sempre em aumento, ou dos rendimentos sempre a diminuir, ou do número crescente de novos desempregados que aparecem a cada hora que passa. Teria algum jeito falar de coisas tão chatas, tão incómodas, tão desagradaveis?

Portanto, como diziam os antigos, é fartar vilanagem já que, Graças a Deus, vivemos no melhor dos mundos com os mais encantadores dos basbaques!

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novembro 14, 2003

Afinal, há perigo no Iraque

Afinal o Iraque sempre é perigoso. Para os nossos iluminados e inteligentes políticos enquanto não houver uma desgraça estamos sempre no melhor dos mundos. Infelizmente o mesmo acontece com alguns cidadãos. Como nem eles nem os seus estão lá toca de blá blá, de clichés, de slogans estupidamente engolidos.

Uma coisa é o problema do Iraque, a miséria dos seus cidadãos, outra coisa a maneira como se resolvem esses problemas e os interesses que estão por detrás das soluções.

Parece que neste caso se aplica perfeitamente o velho ditado popular: se não morre da doença morre da cura!

A propósito, é preciso não confundir o que os governos decidem com o que sentem e pensam os respectivos cidadãos: aqui, no Iraque, na América ou em qualquer outro lado.

Publicado por polilog em 05:34 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 11, 2003

A PSP e a morte do agente

Morreu mais um agente da PSP em serviço e em combate ao banditismo.
Segundo as organizações da PSP se os agentes dispuzessem dos meios necessários a morte não teria acontecido.
Segundo o Director Geral a PSP tem os meios necessários ao cumprimento da sua missão. A prova é que vai investir dois milhões. Mas, se tem os meios e vai investir milhões trata-se de um desperdício que não se pode aceitar nos tempos que correm. Pelo contrário, se investe porque precisa então não tem os meios necessários e o Director Geral não está a dizer a verdade.

Por outro lado, logo a seguir á morte do agente, o DG autorizou a reutilização das famosas lagartas que, segundo os agentes, teriam evitado a morte do colega. Portanto há um implícito reconhecimento que, por negligência ou qualquer outra razão, a PSP não dispunha dos meios necessários à sua missão o que torna o DG responsavel, por omissão, pela morte do agente. Será essa a razão da ênfase posta nas suas afirmações? Será por isso que faz uma colagem tão intensa ao governo?

Publicado por polilog em 11:57 AM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 04, 2003

Pergunta frustrante:

Se a geração de 74 deu os brilhantes políticos que estão agora no poder o que é que vai dar a actual geração dos BigBrother?

E o que será viver da Segurança Social suportada por essa geração?

Publicado por polilog em 02:38 PM | Comentários (0) | TrackBack