outubro 31, 2003

Cidadãos estúpidos: uma epidemia

Segundo o comandante da GNR se as suas patrulhas em serviço no Iraque correm riscos tambem os correm quando em serviço no país.

É rigorosamente a mesma coisa: todos os dias, antes de sairmos de casa, espreitamos a ver se não há nenhuma explosão à esquina ou uma mina na rua. E, claro, no aeroporto é uma confusão imensa com as organizações internacionais a deixarem o país por absoluta falta de segurança.

Parece uma epidemia irresistivel, que assolou o país, esta mania de considerar o cidadão como um ser natural e definitivamente estúpido. São poucos os responsaveis que se salvam desta desgraça. Responsaveis de qualquer nivel e em qualquer campo, desde o político ao desportivo!

Os ministros não se entendem? Não, que ideia, de maneira nenhuma, pelo contrário, eles até andam de beijinho na boca!

Aumentam os impostos, os preços, o desemprego? Isso até é bom, vai melhorar o nivel de vida e o bem estar dos cidadãos, aliás, a culpa foi do governo anterior. Sim, aquele que caiu há dois anos, ainda se lembram?

E, depois, temos a atenção a ser monopolizada pelos vergonhosos casos de pedofilia, a brotar como cogumelos por todo o lado, ou não houvesse gente com larga experiência em notícias ribombantes.

Valha-nos Deus! Apenas somos o país mais atrasado da UE! Se calhar é por isso que nos estão a empurrar para o Atlântico!

Publicado por polilog em 12:25 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 22, 2003

O BLOG tinha razão

Certo! Até parece que o Presidente da República e o Bastonário dos Advogados leram o blog antes de falar. Claro que não foi isso. Só que cada um deles, à sua maneira e de acordo com a respectiva posição institucional, interpretou a razão e o sentimento que ainda dominam algumas cabeças e almas que reagem de acordo com princípios e valores.

Foi impressionante a intervenção lógica e emocional do Bastonário, suportada pela experiência, pela competência e pela responsabilidade, virtudes e qualidades aparentemente em vias de extinção.

Nesta câmara de horrores em que se está a transformar o país foi uma lufada de ar fresco, de esperança e de regeneração que purificou o expectro televisivo e a comunicação social em geral.

Vamos a ver se isso provoca um rebate e a instalação de um eficaz antivírus em algumas consciências aparentemente muito infectadas. Assim seja!

Publicado por polilog em 12:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 21, 2003

Propinas, notícias e governo

Os media vivem um boom. A dificuldade é escolher, no meio de tanta abundância, a notícia mais chocante que irá reter a atenção domesticada do Zé Papalvo.

Propinas, estudantes, pedofilia, um crime hediondo algures, e aí temos horas seguidas de noticiário, entrevistas, comentários. Tanta gente a viver á custa do mesmo! E tanta gente a esfregar as mãos de contente: enquanto eles estão entretidos com aquilo não se fala disto! Certo, não é?

Quem é que tem a coragem de pôr como notícia os graves problemas correntes do país e as asneiras que se fazem na sua governação quando há tanta coisa a encher o olho e o ouvido da BigBrotherice lusitana?

As propinas, e muitos dos outros factos, na realidade não são um problema: são somente um sintoma de como este país está mal.

As escutas telefónicas não são apenas uma vergonha para as pessoas envolvidas. Quando reveladas são um escândalo monstruoso pela chocante violação da privacidade dessas pessoas e da dignidade das instituições. A falta de respeito pela pessoa não augura nada de bom à comunidade que a aceita ou promove. A falta de dignidade das instituições não augura nada de bom ao Estado que não a impede e não a sanciona.

As instituições e as pessoas que permitem ou promovem essas revelações deviam ser reus de crime grave contra a Nação e o Estado porque são estas coisas que destroiem a alma nacional e que põem o país, a prazo, pelas ruas da amargura interna e externa. E quem faz isso não o faz sem interesse embora o possa fazer com uma vergonhosa e criminosa impunidade.

Publicado por polilog em 01:38 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 17, 2003

Promoções & concorrência

Promoção = Concorrência desleal + Publicidade enganosa

É isto o que parece verificar-se em certas cadeias de supermercados. Pegam num artigo interessante e fora da sua linha habitual de produtos, afixam-lhe um preço ultacompetitivo, dão-lhe um destacado realce no folheto periódico, acrescentam-lhe o indispensavel (* limitado ao stock existente) e pronto, já está.

Só que alguns minutos depois da abertura, no primeiro dia de validade da promoção, o stock já esgotou.

- Será que isto é legal?
- Será que as entidades competentes não fazem nada?
- Será que a concorrência se deixa ultrapassar desta maneira?
- Será que os consumidores se deixam ludibriar desta forma?

O melhor será prestar atenção ao próximo folheto que apareça na caixa do correio. Ou ao que já lá está. E não ficar parado. Nem calado.

Publicado por polilog em 04:13 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 15, 2003

Um país de juízes iluminados, infaliveis e implacaveis

Cada cidadão, neste país, transformou-se num juiz iluminado, infalivel, implacavel. Veja-se a maneira como se projecta o veridicto definitivo e justiceiro sobre qualquer desgraçado que apareça como suspeito no televisor: Aquele? Basta olhar para a cara, vê-se logo! Já devia estar dentro!

Se, por acaso e por qualquer razão, a simpatia vai para o suspeito então o caso muda de figura: Os juízes estão todos feitos! Prendem quando lhes convem: não se vê logo que aquele homem é inocente?

O mais engraçado é que, se para uns um deteminado suspeito é um criminoso empedernido e sem remissão, para outros o mesmo criminoso é um inocente injustamente perseguido.

Vamos lá, é altura de crescer um pouco e de ter um pouco mais de bom senso, de humanidade. Desde quando os crimes aparecem chapados na cara? O que é que cada um conhece do processo ou da pessoa de quem se fala? Qual é a capacidade ou competência de cada um para julgar? Será uma reportagem apressada e, eventualmente, motivada o suficiente para condenar quem quer que seja? E se isso acontecer connosco ou com os nossos?

Publicado por polilog em 02:10 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 10, 2003

A AR e os filósofos gregos

Os debates na AR são o maior e o mais longo espectáculo do país.

Imagine-se o gozo que teriam os antigos filósofos gregos, sobretudo os das escolas de dialética e de retórica, a assistirem a estes debates. A conclusão provavelmente seria:

- Bem, se praticarem um pouco mais talvez os admitamos como aprendizes: o discurso ainda não é completamente vazio!

Publicado por polilog em 12:30 PM | Comentários (13) | TrackBack

outubro 08, 2003

Ministro, precisa-se (M/F)

Precisa-se, urgente, ministro obedecendo aos seguintes requisitos:
- porte confirmado de gravata ou écharpe laranja – cores vivas;
- baixo perfil – nunca superior ao primeiro ministro;
- ausência de conflituosidade com a comunicação social;
- que não faça ondas dentro ou fora do partido;
- levesa política;
- capacidade de encaixe e adaptação;
- disposição para aceitar pacificamente orientações para a sua área;

Oferece-se:
- pompa e circunstância da praxe;
- mordomias habituais;
- apoio incondicional dos “boys” desde que devidamente recompensados;
- contrato até à próxima remodelação;
- a devida recompensa por saida antecipada;

Não se garante:
- cobertura de azelhices e de azares com a comunicação social;
- a permanência do governo até às próximas eleições.

Resposta urgente ao:
Governo Nacional
Conselho Manipulador da Política Nacional
Departamento de Azelhices e Casos Imprevistos

Publicado por polilog em 02:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

O esperado, inesperadamente

O esperado aconteceu inesperadamente e de forma inesperada. A incapacidade da classe política dominante para conduzir a coisa política não poderia deixar de ter consequências deste tipo. O seu autodeslumbramento, a sua autodivinização, a sua incapacidade de olhar para o lado ou para trás teria de levar a acidentes. E eles aí estão.

É a maçariquice a vir ao de cima, em particular a maçariquice militante dos “boys” que, insolentemente, infestam todo o aparelho do estado e subúrbios. Esquecem ou não sabem que uma maioria não dá impunidade, uma coligação não dá infabilidade, um emblema de partido não exime a responsabilidade. Depois vem o “estoiro”, a revelação das incapacidades escondidas, as incompetências, a impreparação, a falta de verdadeira cultura democrática, a falta de autêntico sentido de estado.

Seguem-se os jogos de “imagem”, de informação e contra-informação, as declarações e medidas para desviar a atenção dos papalvos.

O problema é que, com tudo isto, o país continua na mesma, quer dizer, cada vez pior, cada vez mais atrasado, cada vez mais longe das suas referências.

Publicado por polilog em 12:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 06, 2003

O Presidente e os Políticos

O Presidente está incomodado com a maneira como o comum dos cidadãos reage aos políticos. Tem razão o Presidente: os cidadãos reagem tendencialmente mal aos Políticos.

O Presidente não tem razão na forma como põe a questão: o problema não está na maneira como os cidadãos reagem aos políticos mas, sim, nas atitudes e comportamentos dos Políticos que provocam essa reacção. O problema está naquilo que os Políticos fazem ou deixam fazer e naquilo que os políticos não fazem ou não deixam fazer.

Quando o Presidente reage como reagiu pode ser-lhe atribuida alguma atitude corporativa na medida em que tambem ele é Político. Contudo a sua função permite-lhe e obriga-o a uma visão abrangente, contemplando sempre os dois lados da questão, sem esquecer que, tanto ele como os outros Políticos, estão nos lugares em que estão porque esses cidadãos descontentes os puzeram lá.

Será, alem do mais, pouco razoavel considerar como exemplares e iluminados os milhares de Políticos em serviço, eleitos ou não, e considerar como atrasados e ingratos, senão pior, os milhões de cidadãos que, pagando civicamente os seus impostos, reagem mal à conduta ou às obras de alguns desses Políticos.

Publicado por polilog em 01:58 PM | Comentários (0) | TrackBack