maio 26, 2009

Deixai-me

Deixai-me
A minha voz vai selar o sonho de uma caminhada curta mas intensa
Vai calar o grito que trago na alma
E o voo desta ave que voo sempre sem destino
A minha voz vai calar-se porque temeu o mundo
Em garras e lápis de carvão que se partiram sucessivamente
O meu silêncio jazerá para sempre na lápide mais azul que grava o destino de um pássaro à deriva no mar
E se o medo me vier buscar, que me leve sem pausas e traças e num espasmo só
Me deixe ir sem tempo, sem saber, mas com a sabedoria de uma vida tatuada no corpo e em feridas da alma
Deixai-me ser melhor
Deixai-me ser maior
Concretizar os sonhos dos meninos
Da minha herança de sangue
Limpar a crosta que sempre sangrou
Deixai-me ainda sorrir
Sentir na pele o orvalho da manhã
A audição daquela gargalhada sonora
A colheita de um abraço tão forte quanto o teu
Deixai-me ainda sorrir com a idade
Iluminar as rugas
Chorar por mais
Cantar e dançar
E quem sabe… Voltar a voar

de Joana Freitas

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(Espero que te deixem é continuar a sonhar e a escrever assim. Porque seria uma perda para quem gosta de te ler. Obrigado por mais este poema e ficarei à espera de mais, como é obvio!)

Publicado por D_Quixote em maio 26, 2009 07:53 PM
Comentários

Olá Joana. Gostei bastante do seu poema. Leve, harmonioso na sua musicalidade. Os meus parabéns.

Afixado por: Marta Sousa em maio 28, 2009 09:22 AM

Acho importante termos disponíveis estes "cantinhos" onde não se combinam palavras, combinam-se sentimentos e emoções. Parabéns!

Afixado por: Joana em maio 31, 2009 11:41 AM

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Afixado por: xpovnig em fevereiro 1, 2010 09:19 PM
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