setembro 28, 2009

Jardim

Eu vejo você caminhar,
Eu vejo o brilho no teu olhar.

Sinto-me preso a você em cada momento,
A cada juramento.

Juras não fazem sentido,
Eu as quebro contigo.

Comigo tudo faz sentido,
Vem sentir o que eu sinto.

Um sentimento,
Um sofrimento.

Perdido no tempo espaço.
Espaço que aumenta com o tempo.

Vejo no presente momento
Que você fora mais que um presente.
Uma benção.

Bendita sois vós, que me cobriste de amor.
Um amor que não cessa, posto que cada história seja eterna, mas
Que de terna não ficaste nada, porque nem uma migalha tu me deste.

Fizeste do teu jeito,
Amou-me sem me amar e assim me fez enamorar.

Inquilino no teu coração,
Fez-me caminhar contra o vento e mergulhar em profunda solidão.

Desde então, passo noites frias a pensar,
A relembrar cada parte do teu rosto,
Nutrindo esse ardor que brota em minha face e me esquenta de um profundo dissabor.

À minha dor,
Toda e qualquer flor
Que brota no meu jardim!

de Fernando Inazumi

image taken of the film "Antichrist" by Lars Von Trier
copyright of the authors

(um poema fresco e cheio de ritmo que nos chega do outro lado do oceano... obrigado Fernando pelo poema, espero que envies mais!)

Publicado por D_Quixote em 01:20 PM | Comentários (7)

setembro 25, 2009

um convite

O Poetry Café, orgulhosamente apresenta um dos seus talentos, já em livro.

Marina Raquel M. Ferraz é uma jovem de 20 anos, reside na Figueira da Foz, tendo nascido e vivido até aos 14 anos em Coimbra. Estuda em Braga, na Universidade do Minho, no curso de Ciências da Comunicação. Desde dos seis anos que Marina tinha um sonho: Ser escritora. O sonho realizou-se. Acompanhem-na neste magnifico livro de poesia, Fragmentos de Mim.

"Este livro embarca-nos numa viagem pelo submundo da imaginação. Nesta saga poética, a autora Marina Raquel M. Ferraz não esconde a turbulência sentimental que a percorre: amor, desamor, violência, caos, desilusão, coragem, amizade... Com uma linguagem quem vem retomar a tradição poética portuguesa, a autora expressa-se com uma poesia pejada de significado, na qual se percebe uma grande sobriedade de processos formais." (Luz das Letras)

Espero que todos os leitores do Poetry que residam perto possam ir lá, degustar um pouco da poesia da Marina.

Links úteis:
http://www.luzdasletras.com/autores_editados_raquel_ferraz.htm
http://www.luzdasletras.com/fragmentos_de_mim.htm

Publicado por D_Quixote em 09:27 AM | Comentários (2)

setembro 17, 2009

A última Caravela

Quando a vida me cessar e eu morrer,
Farei da Caravela que me levar
Meu nobre leito de morta sobre o mar.
Catedral eterna, cruz desfeita a arder.

E de mastros erguidos sobre a vida,
Rompendo em trevas este mar de morte,
Hei-de deixar entregue á sua sorte
Meus sonhos abertos em torre esguia!

Virá ela em febre e desalento,
Em galope doido e violento,
Trazendo as minhas asas cansadas.

E hás-de um dia da tua janela,
Ver voltar a minha Caravela.
Olha os meus sonhos: - Velas rasgadas!

de Vanda Veloso


Carabela by ~Anacondo
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(Escuro e profundo, como tudo o que tu costumas escrever... Obrigado Vanda por mais um dos teus poemas!)

Publicado por D_Quixote em 12:59 PM | Comentários (3)

setembro 15, 2009

e uma oração sussurra

há uma direção que sonda os passos,
mapeia o inesperado,
soluciona numa aventura de almas

os rumos do destino

nascem das águas, embalam os sentidos,

mãos crentes percorrem
[como numa prece]
os corpos tornados rosários

e uma oração sussurra.

de Sónia Regina

prayer by =desEXign
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(Palavras para quê? O teu poema traz-me paz, obrigado por conseguires escrever assim!)

Publicado por D_Quixote em 11:56 PM | Comentários (2)

setembro 14, 2009

poeticamente

Alongo o meu dia cansado
entendo o sabor de automatismos –
leio poemas, atento categorias, compreendo...
os poetas que nunca souberam o meu nome
não o irão agora saber, pois adiantei-me no meu passo –
pequeno bem sei – eu escrevi [poema] em vez de poeta,
porque para poeta...que descrição teria eu? e o que a tornaria válida?
mais válida?
parâmetros (subjectivos), apontamentos (intuitivos), deduções
ilações conscientes demais para dizer a realidade do [poeta]
sentimentos, sofrimentos, momentos do poeta, quando poeticamente
escreve, quando poeticamente lê, quando poeticamente sintetiza
uma réstia da própria capacidade para homologar sonhos
no seu performance de ser mais [poeta] de que o próprio [poema].
[poema] o último que poeticamente li, ocultava o poder
de me derramar sobre o próprio poema
[poema] [poema] quantos o dizem desconhecendo
que quando o proferem ferem a sua tonalidade e o amassam
no não-prodígio de qualqer tipo de essência humana –
também ela essência do [poema], também ela a vertigem poética
do dizer mais silêncio do não-ter-que-dizer [poema] mais alto
para simplesmente começar por poe...e continuar e suspender
um – ma pela volta à corrida de todo o abecedário já tão finalizado
por todas as letras que o sabem preencher.
- mais poe-ma do que matéria poética aglomerada em capítulos
codificados por numerações (vivam os números)
o meu [poe-ma] extraviou-se do mundo e entre as duas sílabas
que o vão compondo incessantemente com um travessão,
estará a continuidade de todo o conteúdo reajustado
entre duas consciências poéticas.

de Patrícia Santos

Poetry of the body by ~KimberlyAnn
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(questões complexas na forma poetica... obrigado Patricia pelo teu contributo tão profundo, ficarei à espera de mais...)

Publicado por D_Quixote em 09:20 PM | Comentários (1)

setembro 13, 2009

Submersa

Estou submersa
estou a tua espera
quero estar a tua espera
submersa...
a olhar, ouvir a acreditar...
que tu e só tu me vens buscar
que me traras de volta
deste vazio completo de ti
deste respirar sufocante
que caminha sobre a minha pele
do cheiro da madrugada
que entra mim
dos labios que sugam os meus dedos
das mãos que agarram o meu corpo
do uivar pelo teu nome.

de Maria Pereira

fake stories II by =eelmikashigaru
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(Um poema quente e sensual que me faz submergir de novo no dia a dia activo do Poetry Café... este poema é quente... muito muito quente...!)

Publicado por D_Quixote em 10:43 AM | Comentários (4)

setembro 12, 2009

DEIXOU DE CHOVER

Sempre que chovia,
Ficava por aqui, dentro de mim
Uma sensação estranha
De sentir ao contrário
De viver ao contrário
Dos outros
Porque sempre que chovia
Era como se nascesse em mim
Um contentamento desmedido
Por colher na chuva o alimento
Para mais uns tempos de melancolia
De nostalgia
Era como se a chuva me levasse à beira do abismo
De onde queria cair
Era como se ela alimentasse,
de forma fácil,
Imediata
O estado de tristeza
Que queria ter
Em que queria viver
Talvez para tornar eterno
O meu registo de sempre…
E para mim a chuva era perfeita
Para os outros não, mas para mim era
Até o embaciar dos vidros
Dos carros
Das casas
Para mim era perfeito
Isolava-me, ninguém me via
Isolava-me até,
da minha própria solidão
Mas,
Um dia conheci um homem
Pródigo de palavras,
mas de sentimentos abissais,
Que me fez mudar
Esse gosto insólito
O gosto de gostar da chuva,
Mas, só para ser mais fácil ficar triste
Permanecer triste
Continuar triste
Esse homem
Quase sem nada dizer
Em silêncio até…
Atirou-me uma âncora sem aviso
Passou a fazer-me companhia
Durante toda a noite
Arrancou de mim a solidão
E a necessidade de a sentir
Sem que doesse
E sei lá como..
Sei lá como
A chuva começou a parecer-me apenas chuva
Apenas precedente da bonança
Fenómeno normal de uma estação
Depois de ter conhecido e
De ter comigo esse homem
Já nem sei se chove!

de Olivia Santos

The rain by ~OjosVerde
copyright of the photographers

(e volta uma monção de poesia... com saudades da chuva talvez, sempre aliviava um pouco este calor. Obrigao Olivia por mais um poema lindo dos teus, espero que esteja tudo bem contigo e que continues a escrever coisas bonitas como esta!)

Publicado por D_Quixote em 06:12 PM | Comentários (24)

Font - Bauhaus 93

Amigos... para verem o novo template convem instalarem esta fonte de caracteres se ainda não a tiverem.

Bauhaus 93

Publicado por D_Quixote em 05:53 PM | Comentários (4)

Como Queiras, Amor...

Como queiras, Amor, como tu queiras.
Entregue a ti, a tudo me abandono,
seguro e certo, num terror tranquilo.
A tudo quanto espero e quanto temo,
entregue a ti, Amor, eu me dedico.

Nada há que eu não conheça, que eu não saiba,
e nada, não, ainda há por que eu não espere
como de quem ser vida é ter destino.

As pequeninas coisas da maldade, a fria
tão tenebrosa divisão do medo
em que os homens se mordem com rosnidos
de malcontente crueldade imunda,
eu sei quanto me aguarda, me deseja,
e sei até quanto ela a mim me atrai.

Como queiras, Amor, como tu queiras.
De frágil que és, não poderás salvar-me.
Tua nobreza, essa ternura tépida
quais olhos marejados, carne entreaberta,
será só escárneo, ou, pior, um vão sorriso
em lábios que se fecham como olhares de raiva.
Não poderás salvar-me, nem salvar-te.
Apenas como queiras ficaremos vivos.

Será mais duro que morrer, talvez.
Entregue a ti, porém, eu me dedico
àquele amor por qual fui homem, posse
e uma tão extrema sujeição de tudo.

Como tu queiras, meu Amor, como tu queiras.

de Jorge de Sena
in 'Post-Scriptum'

Jorge de Sena by autor desconhecido

(E que melhor forma de regressar ao activo com a homenagem devida a um homem que tanto deu à poesia em português?... obrigado a todos pela paciencia, espero que gostem da nova roupagem do Poetry Café... a poesia regressa!!!)

Publicado por D_Quixote em 02:20 PM | Comentários (1)

setembro 09, 2009

Em obras

Reabre brevemente com outro formato, novas ideias e muita poesia...


Publicado por D_Quixote em 12:56 PM | Comentários (3)