maio 26, 2009

Deixai-me

Deixai-me
A minha voz vai selar o sonho de uma caminhada curta mas intensa
Vai calar o grito que trago na alma
E o voo desta ave que voo sempre sem destino
A minha voz vai calar-se porque temeu o mundo
Em garras e lápis de carvão que se partiram sucessivamente
O meu silêncio jazerá para sempre na lápide mais azul que grava o destino de um pássaro à deriva no mar
E se o medo me vier buscar, que me leve sem pausas e traças e num espasmo só
Me deixe ir sem tempo, sem saber, mas com a sabedoria de uma vida tatuada no corpo e em feridas da alma
Deixai-me ser melhor
Deixai-me ser maior
Concretizar os sonhos dos meninos
Da minha herança de sangue
Limpar a crosta que sempre sangrou
Deixai-me ainda sorrir
Sentir na pele o orvalho da manhã
A audição daquela gargalhada sonora
A colheita de um abraço tão forte quanto o teu
Deixai-me ainda sorrir com a idade
Iluminar as rugas
Chorar por mais
Cantar e dançar
E quem sabe… Voltar a voar

de Joana Freitas

free by =lyddie
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(Espero que te deixem é continuar a sonhar e a escrever assim. Porque seria uma perda para quem gosta de te ler. Obrigado por mais este poema e ficarei à espera de mais, como é obvio!)

Publicado por D_Quixote em 07:53 PM | Comentários (2)

maio 18, 2009

Porquê tu?!?

Desta janela do infinito vejo-te de alegria espelhada nos olhos durante o teu passeio matinal à beira mar, onde o vento acaricia os teus cabelos longos e a brisa te entoa histórias mágicas de guerreiros, monstros e navios que já percorreram esse mar agora de águas calmas e límpidas.
Foi aí que te vi pela primeira vez… engraçado, nunca tive intenção de me apaixonar desta maneira. Hoje penso para mim: porquê tu, porque não outra qualquer?!
É incrível como uns olhos e um sorriso bonito nos podem levar à loucura.
Tão bonitas eram as coisas que me dizias, mas no fim mais não eram do que puras mentiras, fantasias de uma mente algo retrógrada e confundida.
Hoje digo sem dó, foi maldito o tempo perdido no perfume do teu corpo que pensei ser “meu” a cada amanhecer, a cada alvorada.
A vida só é bela quando respeitada e tu foste a grande tortura que eu nunca julguei merecer… por vezes somos compensados com estas realidades e às quais não temos resposta.
Entretanto o mundo vai tendo pena de mim e eu só me limito a pensar …
Nos teus olhos… no teu sorriso…

Porque tu?!?!

de Nino Carvalhais

Perfume by ~flue
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(mais um pequeno grande texto teu Nino, destes que lemos e sorvemos as palavras como se fosse nossas, deixando o pensamento voar a cada linha. Obrigado por estes momentos que fielmente vais proporcionando a todos os leitores do café há já tanto tempo.)

Publicado por D_Quixote em 12:43 PM | Comentários (4)

maio 15, 2009

Agridoce

Doces os sonetos que me trazias
Nas madeixas de cabelo ruivo da Primavera dos sonhos
No beijo da promessa das promessas de beijo
Na curiosidade desmedida da novidade
Do encanto que tanto nos surpreende
Com a descoberta de um mundo novo nos olhos de alguém novo
De um amanhã incógnito que tudo pode trazer

E as manhãs envelhecem e ficam dias
Quando vamos sorrindo tristes sem nunca estar risonhos
No calor que se consome na chama de um desejo
Com o rubor na face de um Verão à tarde
Quando amorna a chama e o amor se rende
Num mar azul triste onde num mergulho me envolvo
No acre do acreditar no que queremos crer

Voltamos a descobrir o amor terno
No cair das folhas de um Outono doce
Quando é maduro o amor que se nutre consciente
No carinho dedicado que se dedica a conhecer
Sem medo dos erros, porque todos erramos
Como amantes errantes sem medo da morte
Que um dia nos deixa a todos sós

Mas nada nesta vida é eterno
E o Inverno vem para nos abraçar como se fosse
O último abraço que um corpo morto sente
Pois aprendemos que estamos aqui para perder
Vivemos para envelhecer e perder quem amamos
Até ao dia em que se tivermos sorte
Alguém envelhece para nos perder a nós

de João Natal

Like the Sunshine by ~shecomesincolors
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Publicado por D_Quixote em 01:12 PM | Comentários (3)

maio 13, 2009

Corres-me nas veias

Corres-me nas veias confesso...
quando esses teus olhos
que sem ter mãos me tocam
e sem ter olhos me beijam
quando os teus olhos me despem e fazem tua
quando o desejo de ti
o desejo de nós
esta vontade
esta necessidade
de precisar de cada teu beijo
das tuas mãos
a caminharem na minha pele
desse teu corpo suado colado
ao meu
a sentir nossos espamos de prazer...
Corres-me nas veias confesso... e adoro.

de Maria Pereira

Veins by ~neebow
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(e a tua poesia agora corre nas nossas tambem. Obrigado Maria por mais este teu poema tão lindo e sensual)

Publicado por D_Quixote em 12:23 PM | Comentários (6)

maio 08, 2009

Escuridão

Refugio-me na penumbra…
Descobri a beleza do lado negro!
A sombra que me protege,
permite-me pensar, dá-me segurança…
O negro da noite é incompreendido
Não é triste a escuridão!
Apenas diferente para quem vive ao sol…
Diferente, por isso fascina-me
é o meu refúgio predilecto!
Porque posso ser só eu,
sozinha no escuro, escondida?
Sou capaz de me mover e ultrapassar certas barreiras
O pensamento adquire outra realidade
As trevas não precisam de ser sombrias
São só um outro plano...
Mais obscuro, mais sentimental?
Gosto de me perder na profundidade do escuro
Perder a noção das cores
ou conhecer a sua verdadeira realidade.

de Ana Silva

Melancolie III by =Lady-Dementia
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(e ainda bem que saiste da "sombra" para mostrar que tambem escreves Ana. Obrigado e ficarei à espera de mais escritos teus.)

Publicado por D_Quixote em 12:11 PM | Comentários (1)

maio 07, 2009

Para quem quiser ler

Vivo do outro lado do mundo
Sem conseguir situar-me.
Vou flutuando por aí
Sem ter lugar.
Sorrio perdida
Admirando o que por mim passa.
São personagens eternas
Que o tempo não quer esquecer.
Experimento o sabor da vida
Que atravessa o meu caminho
E não consigo chegar ao fim.
Estou em constante luta
Com tudo o que me rodeia.
Quero encontrar
O meu lugar neste caos.
Mas ele não existe.
Deixo de flutuar
Para me retirar do palco em que me encontro.
É difícil partir sabendo que nunca fiz parte.
Do outro lado,
Vou construir a minha história
Para quem quiser ler.

de Alexandra Mendonça

lost by *raun
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(no fundo todos vivemos assim um pouco... perdidos em nós mesmos à procura do caminho certo, à procura de alguem que nos queira "ler". Pelo menos aqui todos queremos ler a tua poesia Alexandra, espero que envies mais.)

Publicado por D_Quixote em 11:48 AM | Comentários (2)

maio 06, 2009

TRAVESSIA

Atravesso

O campo de fragas

(onde flores silvestres se escondem
Nas esconsas frestas)

Percorro-as
Na sua cinzentez viçosa

Vivas

Plenas do sangue da terra

magma embrutecido
Que me conta histórias da aldeia.

de Carla Milhazes

Wayside stones... by ~BrokenLens
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(suave e simples... como a vida devia ser e não é. Adorei os tons de cinzento deste poema. Obrigado Carla por o teres enviado.)

Publicado por D_Quixote em 10:38 AM | Comentários (2)

maio 04, 2009

Introspecção

Não sou o leito de morte
nem o tempo de luto
em espiral

Não sou resquício
qualquer
desmentido póstumo

Sou assim
episódico
esporádico
intempestivo verbo
declaração de silêncio...

de Sérgio LDS

Introspecção by Sérgio LDS
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(todos nós precisamos de um tempo assim... de olhar para dentro. De viver num poema dentro do peito e da cabeça. De fazer um balanço sobre a nossa vida. Até eu estou a atravessar um momento destes. Depois dos problemas com os códigos no poetry. Espero que as coisas agora voltem ao normal.)

Publicado por D_Quixote em 11:52 AM | Comentários (1)