janeiro 23, 2009

Eterno

Quero estar nos teus braços
Ver-te sorrir
Falar contigo
Perder-me em ti
Encontrar-me em ti

Quero abraçar-te
E ver passar o tempo
Senti-lo passar como areia por entre os meus dedos
Senti-lo contigo

Quero mais uma vez saber
Que é eterno
Por que é isso que és
Eterno, eterno pra mim

de Katila Sango

Penedo do Guincho #2 by Nana Sousa Dias
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(Está é a primeira aventura da nossa amiga Kati pelas linhas da poesia. Por isso merece sempre o nosso aplauso e o nosso apoio. Continua a escrever Kati, sempre que o coração mandar e houver tinta e papel.)

Publicado por D_Quixote em 10:03 AM | Comentários (486)

janeiro 12, 2009

Poema de Luz

Escuto a minha voz no vazio absoluto do meu quarto.
São apenas palavras sem sentido,
das linhas de um poema nunca antes lido.
Sonhei um dia que fosse um poema de luz...
Candeia que te guia e conduz na busca do teu caminho.
Caminho que te traga para mais perto de mim,
para preencher este meu espaço...
Sentir bem perto o calor do teu coração
num longo e terno abraço.
E onde te possa sussurrar baixinho:
Que não estou só neste Mundo,
mas que aqui sem tu só,
estarei sempre...sozinho.

de Luis Nascimento

Alone by ~Hidden-target
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(um poema simples mas muito ilustrativo da solidão... gostei...)

Publicado por D_Quixote em 10:53 AM | Comentários (2294)

janeiro 07, 2009

Conta-me

Conta-me
Do teu vestido verde
Seda pura
Corte liso
Conta-me
Do que é preciso
Para que vistas luar
E sombra
Pele e luz.

de Edgardo Xavier
in Amor Despenteado editado pela Casa das Cenas

free and green by ~alanc79
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(pequenino e leve, mas muito fresco, obrigado por este poema! Ficarei à espera de mais!)

Publicado por D_Quixote em 11:01 AM | Comentários (10)

janeiro 04, 2009

A ESCRITA DE NÓS

Tu és tesão, tu és amor!
Tu és tesão no poema!
Tu és poema no tesão!
Tu és o voar
Onde gosto de estar!
Eu sou sofreguidão, sou o acalmar,
Eu sou o escriba no papel,
A colagem do teu pairar,
Como que aberta para mim
A te saborear, em ti a entrar.
Como o cansaço que se atenua
Na satisfação da escrita,
Com o formato dos nossos desejos,
No torneado dos nossos corpos!
Assim, segurando nossas cabeças,
Olhos nos olhos a penetrar,
Como ao nos comungarmos
Um no outro nos perdêssemos.
E só queremos o nosso amor
De nossos íntimos a fusão
E só queremos nossas bocas,
Da alma o pecado,
O pecado da nossa imaginação,
Que mais nos solta os desígnios,
O interior que escondemos,
Mais avilta o animal que somos
A carne que nos sentimos.
Dos lençóis do nosso ter
Grita no papel o nosso ser.

de Nito Viana


Poetry by ~zebr
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(E a poesia é assim marcante quando é assim sentida. Como sempre amigo António, a tua poesia deixa a sua marca no palco do café. É bom ver como te tornaste um dos colaborantes mais assiduos com os teus escritos. Aquele abraço de gratidão!)

Publicado por D_Quixote em 12:44 PM | Comentários (10)

janeiro 03, 2009

Um som...

Arrancar as lacunas de um coração
como quem sabe que a arritmia destas minhas palavras
se sobram no encanto de um órgão que as carrega
em demasia para se saber livre de cansaços
que não pode suportar

Cum cum
Cum cum

Desses sons que deslizam
pelo horizonte inquebrantável desse órgão em mim,
condição inacabada de um viver ensinado
por ciclos de energia
estreada e terminada
nos encontros que se entendem
sempre num mesmo som

Cum cum
Cum cum

de um sentir,
um coração.


de Antonio Puglieli

Broken Heart by ~sndr
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(com o coração cheio de poesia... é assim que espero que 2009 seja. E que melhor forma do que começar com poemas assim?)

Publicado por D_Quixote em 11:23 AM | Comentários (2)

janeiro 02, 2009

Além Tejo

Se um dia fores ao Alentejo
traz-me de lá um beijo
com sabor a rosmaninho...
traz-me a brisa do campo,
traz-me o cheiro do feno
traz-me a seara amarela
traz-me essa terra tão bela
que transborda de ternura...
traz-me o raiar do sol na manhã clara
traz-me um ramo de poejos
para poder cheirar
traz-me um milhão de beijos
para tos poder dar
traz-me a terra que é tão bela
no teu olhar de menino
traz-me a vida que é na terra
que vem encontrar seu destino
Alentejo d’minha alma
tão longe me vais ficando
Alentejo que és tão belo
vai-me a saudade matando...

de Ana Fonseca Silveira

Alentejo. by ~WestCrosse
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(E começo o ano assim, com um poema lindo sobre esta terra tão nossa... Obrigado Ana pelo envio deste poema. Que 2009 seja um ano de muita poesia e coisas boas para ti!)

Publicado por D_Quixote em 12:18 PM | Comentários (2)