outubro 28, 2008

Cancro Negro

A alegria efémera oxida à flor da pele
E enferruja o coração.
A luz que me atravessa vai deixar
Sombras que nunca passarão.

O Sol que hoje brilha irá dar lugar à treva
Que o dia irá incorporar.

Daí que o escuro pese sobre mim:
De tanta luz me alimentei
Foi uma sombra que ganhei.

de José Vieira

Broken heart by ~fabu
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(negro, sombrio e belo... tal e qual como eu gosto... obrigado José por este poema, espero que gostes da edição tanto como eu gostei de te ler. Abraço!)

Publicado por D_Quixote em 02:05 PM | Comentários (10)

outubro 27, 2008

Põe os teus olhos nos meus

Põe os teus olhos nos meus
Repousa nos meus braços...
Sente a leveza das minhas mãos
Pelo teu corpo,
Na ternura dos meus abraços...
Suspira lentamente ao meu ouvido
E diz-me as palavras
Que eu tanto quis ouvir...
Fá-las sair...!
Lentamente dos teus lábios...
Como se a tua boca fechada
Buscasse a expressão adequada
Para me falar de amor!
Fala-me ao ouvido
Conta-me histórias de ti
Não te escondas nas palavras
Que eu nunca entendi...
Deixa-te levar nas asas do vento
Faz sentido voar quando se esta feliz
e faz sentido um lamento
quando quem ama não diz...
o que sente por nós!

de Sofia Silveira

In Your Arms. by ~maegunTERROR
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(Obrigado Sofia por este poema tão lindo, tem uma musicalidade que quase nos embala num abraço. Que bom que é ler poemas assim. Beijinhos e envia mais poemas!)

Publicado por D_Quixote em 10:14 AM | Comentários (5)

o regresso

Olá amigos e amigas,

desculpem esta minha ausência de uma semana, mas foi uma semana que, no campo profissional, revolucionou a minha vida.
Finalmente passei no exame final da ordem e não sou mais estagiário. Agora, depois de uma semana de muito festejo e intenso trabalho, espera-me mais e muito trabalho ainda, com afinco e dedicação para ir angariando clientes e algumas avenças.

A vida, espera-se, regressa ao normal e as edições no poetry café também... embora agora tenha uma semana de spam para limpar, concentremo-nos na poesia... Obrigado enorme a todos por continuarem aí ao longo destas pequenas/grandes etapas da minha vida.

vocês fazem parte do meu coração e assim vos agradeço!

Publicado por D_Quixote em 10:11 AM | Comentários (6)

outubro 11, 2008

Diário da tua ausência – os caminhos para ti estão diferentes

Os caminhos para ti estão diferentes, eu sei. Pensei que conhecia esta cidade como a palma da minha mão ou o carinho do teu sorriso mas a verdade é que dou comigo perdido a caminho da tua antiga casa e não me lembro mais dos contornos dos teus lábios quando sorrias para mim. O caminho mais directo para te ver é agora uma rua de sentido único e com sinal proibido para o meu lado. As pontes que existiam e que eu atravessava para te ver já não existem, foram mudadas. E a linha do metro criou um rasgo num percurso outrora simples, como o tempo criou uma marca enorme de distância entre nós. Uma cicatriz feia que tentamos esconder com uma madeixa caída de cabelo mas que nos lembra sempre um corte, um fraccionamento que houve para não mais as coisas voltarem a ser como eram, como antes foram.
Estranho tentar e não dar mais com o caminho, estranho tentar e não encontrar-te nas memórias como dantes encontrava. Tudo muda com o tempo e nós não seremos excepção. Repara que já nem somos as mesmas pessoas ao telefone, somos dois estranhos e as referências que tínhamos esbateram-se deixando como resquício estas conversas ocas e repetitivas sobre como estamos, como vai a família, o que tens feito… Quando a verdadeira pergunta seria, o que tens feito para alem de morreres todos os dias nos escombros da nossa ausência, o que tem feito o fantasma da tua felicidade no espaço tão vazio que sobrou depois de queimadas todas as esperanças, todas as pontes, todas as memórias. O que tens feito tu na vida pouca que te vai restando dentro do coração que batia por nós? O que tens feito?
Os caminhos para chegar a ti estão diferentes… tanto que já nem os conheço ou reconheço, nem me pareço mais encontrar-te nas poucas memórias que ainda me restam de ti.

de João Natal

Porto VCI by ~nunooliveira
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(Após os vossos pedidos, o meu regresso à cronica que começou há tantos anos atrás. Estranho que dois anos depois de ter apresentado a denuncia contra a MRP ainda não haja despacho de acusação do processo. Mas não será por isso que deixarei de escrever e criar. O meu grande e sentido abraço a todos, pelo vosso carinho e por pedirem os meus escritos!)

Publicado por D_Quixote em 11:56 AM | Comentários (17)

outubro 06, 2008

Uma mistura de revolta...

Lá fora a noite é escura assim como escuro está o meu quarto enquanto escrevo estas palavras de desalento, salpicos de mau humor e pedaços destroçados de algo que está para além de mim mas ao mesmo tempo nas entranhas da minha pele… algo tão próximo que quase lhe sinto o cheiro, não preciso pensar muito para transcrever isto em palavras, linhas… é como se tudo já estivesse escrito e as mãos limitam-se a copiar algo que já aconteceu, momentos súbitos de desaire que muitas vezes não são possíveis de transpor num texto, numa frase, muito menos serem ditas…
A única maneira que encontro para espairecer é por vezes nestes momentos mais íntimos em que eu e o papel nos tornamos nos melhores amigos, sinto que posso falar de tudo… o espaço está em branco e á espera de ser preenchido pelos meus desabafos, por tudo o que de mal me consome e rebaixa, não esquecendo também as alegrias e os bons momentos sem os quais me é impossível viver…
Tenho dias em que me sinto um relógio parado… o mundo avança e eu fiquei sem pilha… os minutos, os segundo e as horas passam mas os ponteiros estão imóveis sem o mínimo reflexo de vida… o tempo não dá tréguas, não espera e passa cada vez mais rápido… é então que chegamos a um ponto em que acordamos mas já estamos tão para trás que o caminho que se atravessa á nossa frente é de tal maneira vertiginoso que se torna quase impossível de percorrer… por vezes sinto uma sensação de abandono da minha pessoa, um vazio que ocupa o espaço entre o meu Eu livre e o meu EU preso num tempo passado quase fictício que já mal conheço…
Trago na garganta o grito contido da revolta mas, não penso mais, passo os dias a perder-me e a encontra-me e numa constante luta pelo meio para me manter “vivo”…
Chega… preciso dar tréguas à minha solidão...
No mundo dos sonhos esperas-me de braços abertos e sorriso nos lábios, quando sinto as tuas mãos nas minhas todo o meu ser renasce e todo o resto fica para trás… é tudo imaginação mas já é tarde, já tive a minha dose de frustração por hoje... o sonho cobre-me de silêncios e tudo à minha volta fica envolto em harmonia… pelo menos até de manhã!!!

de Nino Carvalhais

solitude by *anjelicek
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(um regresso à edição de poesia com um grande texto do Nino... mais um Nino, mais um... aquele abraço de gratidão e amizade!)

Publicado por D_Quixote em 10:07 AM | Comentários (16)