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maio 21, 2007

Aniversário

Guardo apenas a tristeza
De não ter sabido ser
O amigo que pedias.
Sou assim, não vou mudar
Por mais que passem os dias.

Fechas os olhos,
Apagas as velas do bolo de aniversário,
Murmuras desejos como quem reza o rosário,
Fechas os olhos porque estão molhados.
Velas…
O nosso amor está de olhos fechados,
No caixão das nossas vidas emprestadas,
Morto.
Morreu em sofrimento,
Numa agonia alimentada às sextas-feiras,
Com golpes de palavras, só asneiras.
Hoje, neste teu dia natal
Apagas as velas no velório da paixão,
No velório desse amor que já nasceu moribundo.
Enterra o seu caixão bem fundo
Que hoje é dia de alegria,
Afinal é o teu dia,
Dia em que nasceste,
E neste dia me venceste.
Que importa há quantos anos foi?!...
Ou foi ontem que viveste,
Ou foi hoje que morreste,
Para mim…
Nunca vivemos juntos o nosso aniversário.
Foi destino, coincidência?
Talvez o amor tenha ciência,
E na sua matemática
A nossa soma seja um acontecimento impossível,
Uma observação discordante no gráfico universal.
Hoje é teu dia de natal.
Nasceste num mês de flores,
Na Primavera de amores
Que tão frugal te tem sido,
Mereces tanto do mundo
Tanto que não tem limite,
Que por te querer dar esse tudo
Nada te dei e perdi-te.
Não amor, nada receies,
Não guardo mágoa nem dor
Ódios ou ressentimentos,
Guardo apenas a saudade
Dos dias que não vivemos
Partilhando sentimentos;
Guardo apenas a tristeza
De não ter sabido ser
O amigo que pedias.
Sou assim, não vou mudar
Por mais que passem os dias.

Christian de La Salette

Publicado por Poeta das 5 às 11:13 AM | Comentários (5)