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<title>O PIOLHO</title>
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<tagline>A VISÃO DE UM AMBLÍOPE SOCIAL</tagline>
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<title>TELESHOPPING</title>
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<summary type="text/plain">Voz Off: Senhoras e Senhores, bem-vindos a mais uma excelente apresentação do NetShopping. Convosco, Maria, uma simples dona de casa e John Mayor, Jr. , o nosso apresentador…… O público entra em histeria quando entra o apresentador com um sorriso...</summary>
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<![CDATA[<p>Voz Off: Senhoras e Senhores, bem-vindos a mais uma excelente apresentação do NetShopping. <br />
Convosco, Maria, uma simples dona de casa e John Mayor, Jr. , o nosso apresentador…… <br />
O público entra em histeria quando entra o apresentador com um sorriso moldado a Botox e os dentes artificialmente branqueados. <br />
O apresentador - Obrigado, obrigado. Muito obrigado. <br />
Hoje temos para vos apresentar um produto único, ímpar na História da Civilização, aquilo que transformará a vida de qualquer pessoa……. <br />
Sabe o que é, Maria? <br />
A Maria - Não. <br />
O apresentador - Pois não sabe, porque este produto foi inventado no mais profundo segredo e sujeito aos mais rigorosos testes de qualidade. Já imagina o que pode ser, Maria? <br />
A Maria - Não. <br />
O público mexe-se nas cadeiras em expectativa. <br />
O apresentador - Se não tivesse sido tão bem guardado, este segredo estaria hoje a ser fabricado por crianças na China. Imitações muito reais da verdadeira maravilha que temos hoje para vos apresentar e que fará feliz qualquer Lar. <br />
Maria, falta algo na sua vida? <br />
A Maria - Não. <br />
O apresentador - Verdade, Maria? Tem a certeza de que não falta nada à sua família? <br />
A Maria -Tenho. <br />
O apresentador - É uma brincalhona esta convidada de hoje. <br />
Estamos habituados a ter tudo, mas na realidade não tínhamos nada, Pois com esta maravilhosa <br />
invenção vamo-nos aperceber de que realmente a vida em casa era desprovida de sentido. <br />
Os nossos cientistas reuniram num único objecto mais de cem aplicações diferentes que transformarão a vida de cada um numa alegria constante. Tem alguma ideia do que possa ser, Maria? <br />
A Maria - Não. <br />
O público está cada vez mais inquieto e expectante <br />
O apresentador - Pois não vos vou fazer sofrer mais. <br />
Baixa-se e tira debaixo do balcão um tabuleiro coberto <br />
O apresentador - Alguém consegue adivinhar o que possa ser? A nossa empresa tomou uma decisão importante, muito importante, Aleluia! <br />
O público eleva as mãos ao céu e grita em uníssono: Aleluia! <br />
O apresentador - Muito importante, mesmo. Aleluia! <br />
O público: Aleluia! <br />
O apresentador - Louvada seja a administração que toma decisões destas. Aleluia! <br />
O público: Aleluia! <br />
O apresentador - Não vos vou fazer sofrer mais. Não tenho esse direito. Pois não, Maria? <br />
A Maria - Não. <br />
O apresentador - Eu vou revelar esta verdadeira maravilha da Ciência. Horas, dias, meses de estudos intensos. <br />
Mas, antes, vou perguntar outra vez, alguém imagina o que possa ser? <br />
Um elemento do público alvitra: Um jogo de ferramentas?…. <br />
O apresentador - Não meu amigo, é muito mais que isso. <br />
Outro elemento do público: um microondas?…. <br />
O apresentador - Também não, minha amiga. <br />
Não vale a pena esforçar mais a vossa imaginação. Eu vou mostrar, eu vou mostrar, não há como mostrar. Eu próprio não acreditava. Se não visse, não acreditava. Aleluia! <br />
O público: Aleluia! <br />
O apresentador - Pois é. Com tecnologia estudada em ambiente sem gravidade, o grande segredo da última missão da NASA, EU VOU REVELAR, EU VOU REVELAR, EU VOU REVELAR..... <br />
E destapa o tabuleiro, mostrando uma couve lombarda. <br />
O apresentador - Aqui está…… <br />
O Público: Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, entre sorrisos de incredulidade. <br />
O apresentador - Este aparelho não necessita de energia para funcionar. <br />
Reparem, destacamos uma destas peças – arranca uma folha e abana-a junto à cara, vejam como me sinto refrescado mesmo no calor do estúdio. Uma simples peça com nervuras baseadas na concepção das asas do Boeing 747 é um aparelho de refrigeração individual e singular. <br />
Quanto valeria um aparelho com esta finalidade, no mercado? 70 ou 80 euros? <br />
Arranca outra folha e agride Maria com ela. <br />
O apresentador - Vejam, vejam bem. Uma arma de defesa pessoal. Simples, prática e eficaz. Não poluente, não carece de pólvora e, por não provocar danos letais evita milhões de Euros em advogados para vos defender. <br />
O Público aplaude entusiasmado. <br />
O apresentador - Doeu, Maria? <br />
A Maria - Doeu muito. <br />
O apresentador - Pois foi fabricado para manter longe qualquer intruso da sua casa. Agora não precisa de fazer cursos de defesa pessoal, nem gastar a sua Poupança-Reforma em sistemas de alarme e seguros de recheio. <br />
Voçê pode utilizar no carro e evitar um ataque de “carjacking”, um roubo por esticão e ainda pode aproveitar para descomprimir jogando um pouco de ténis com este acessório. <br />
Quanto custa um kit com arma de fogo, advogado, alarme, seguro de recheio, o seu próprio automóvel e uma raquete de Ténis? <br />
Milhares e milhares de Euros. <br />
O público aplaude efusivamente excitado e abana a cabeça em sinal de aprovação e incredulidade. <br />
Arranca outra folha. <br />
O apresentador - E nos dias de chuva, um prático guarda-chuva que lhe vai permitir evitar constipações, pneumonias, dias perdidos em convalescença enquanto podia estar a divertir-se com a família na neve ou na praia. <br />
O público aplaude. <br />
O apresentador - E o dinheiro que gastaria em médicos e remédios para a sua cura? E o aumento do premo do seguro de saúde? <br />
Mas não ficamos por aqui…… <br />
Arranca mais outra folha. <br />
O apresentador - E nesses dias de frio em que os vidros do seu automóvel teimam em se manter embaciados? <br />
Passa com a folha num vidro cheio de pó e fica um traço grosso do vidro limpo. <br />
Meus Senhores e minhas senhoras não há tempo para descrever todas as vantagens deste produto. Uma última apenas…. <br />
Pega numa faca e corta a couve a meio tirando uma lagarta. <br />
O público: Ohhhhhhhhhh. <br />
O apresentador - Pois é, também podemos utilizar para guardar o nosso animal de estimação. Reparem no seu ar feliz e saudável…… <br />
E, por fim, uma utilização mais íntima. Quantas vezes, durante um passeio familiar pelo campo, ficaram incomodadas por uma vontade súbita de ir à casa de banho? <br />
Esqueça aqueles rolos de papel inestéticos que escondemos debaixo do sovaco. Agora pode dizer que vai levar a mascote a passear e – arranca outra folha- hélas. Um utensílio óptimo para a sua higiene íntima. <br />
O Público irrompe em aplausos. <br />
O apresentador - E quanto pode custar esta maravilha da Ciência? Mil Euros? Quinhentos? Cem? <br />
Nada disso. Por apenas 99,99 Euros mais despesa de envio este magnífico aparelho pode ser seu e fazer as delícias de toda a família. <br />
Surpreenda o seu marido, os seus filhos. Provoque a inveja das suas amigas. A sensação na sua vizinhança. Torne-se já proprietária desta magnífica invenção. <br />
Não perca tempo. Ligue já 600 800 800 e veja a sua vida transformada para melhor <br />
Junto enviaremos na embalagem, um magnífico livro de instruções com mais de 500 páginas. <br />
E, para as primeiras 10 chamadas, oferecemos este completo conjunto de pensos higiénicos com vários tamanhos e texturas, com alas e sem alas e ainda ….. <br />
O público fica expectante e curioso. <br />
O apresentador - …3 maravilhosos tampões vaginais. <br />
Aproveite já. <br />
Tem 30 dias para experimentar sem qualquer compromisso. <br />
O público entra em ovação histérica. <br />
O apresentador - Não esqueça 600 800 800, o número da Felicidade. É tão fácil e barato ser feliz….<br />
</p>]]>

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<title>Primeira e Derradeira  Poesia</title>
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<summary type="text/plain">Pediram-me pra escrever uma poesia Nem imagino como essa merda se faz, Porque isso letras com rima e metria Não são coisas que agradem ao rapaz. difícil é o tema que não seja de amor, que aborrece quem lê e...</summary>
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<![CDATA[<p>Pediram-me pra escrever uma poesia <br />
Nem imagino como essa merda se faz, <br />
Porque isso letras com rima e metria <br />
Não são coisas que agradem ao rapaz. </p>

<p>difícil é o tema que não seja de amor, <br />
que aborrece quem lê e só poeta goza. <br />
Com sentimento e muito fingido ardor <br />
consegue escrever na merda, não na prosa </p>

<p>Ontem reparei numa casa de banho, <br />
que a luz se acendia com o movimento. <br />
Então, quando se fez escuro, chocalhei <br />
pendente das calças, cá o instrumento </p>

<p>a luz, o caminho iindicou para o urinol <br />
e, aí satisfiz a vontade da bexiga vazar, <br />
Inda deu pra ver a máquina do Control <br />
e no fim deixou-me com este pensar: </p>

<p>"Para acender a luz basta me abanar <br />
e do escuro breu nasce um belo dia, <br />
como fazem as mulheres para aliviar <br />
o peso da bexiga e a deixar bem vazia? </p>

<p>Ó burro Ptolomeu e não sei que mais, <br />
enquanto buscas de pé o teu caminho <br />
elas, nas sanitas, sentam-se nos ombrais <br />
e iluminam-se acenando com o bracinho". </p>

<p>Prontos, já chega de poesia e poetas, <br />
nunca me peçam mais nenhuma. <br />
Não sou de andar a escrever petas, <br />
Nem alimentar fogos com caruma.."<br />
</p>]]>

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<title>ESTÓRIA DA FORMIGA E DA CIGARRA</title>
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<summary type="text/plain">Havia uma estória que contava a vida de duas amigas, a cigarra e a formiga. A formiga era uma burra do caraças, passava o tempo a trabalhar carregando compras do supermercado para a toca. Tinha o vício do despesismo e...</summary>
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<![CDATA[<p>Havia uma estória que contava a vida de duas amigas, a cigarra e a formiga. <br />
A formiga era uma burra do caraças, passava o tempo a trabalhar carregando compras do supermercado para a toca. <br />
Tinha o vício do despesismo e aproveitava todas as promoções de “desconto no cartão”. <br />
Quem a quisesse ver feliz era a empurrar carrinhos cheios de alimentos nos corredores das lojas. Não obstante a proeminência do rabo tinha uma vida sexual muito passiva, porque o formigo passava o tempo em frente à televisão a comer amendoins, a emborcar latas de cerveja, a coçar os genitais e a arrotar. <br />
A cigarra, pelo contrário, era uma boémia. <br />
Para ela a vida era dormir até às 3 da tarde, tomar um sumo de laranja, comer uma saladinha e, ala Cardoso, praia até a pele ficar estorricada como um folhado. <br />
Adorava curtir com os nadadores-salvadores e espalhar bronzeador nas nádegas desnudadas pelo fio dental. <br />
Por volta das 8 da tarde, duche, jantar pago ou festa social e, no fim, discoteca até às 6. <br />
Muitas vezes, se encontrava um outro insecto que tivesse carro descapotável o destino era a cama dele, donde regressava com umas lecas na carteira. <br />
Ela não era uma putita qualquer, era mais uma moça muito dada a amizades efémeras. <br />
Viviam uma por cima da outra e, não raras vezes, na sala iluminada ela entrevia pela janela o formigo com aquela camisola de alças soventa e a lata de cerveja na mão, meio adormecido e as televendas reflectidas no espelho da cristaleira. “Mais uma noite em jejum – pensava ela na sua amiga ” <br />
Um belo dia visitou a casa da formiga e, de comum acordo, enfiaram dois Rohipnols na cerveja do formigo, deixando-o em estado de letargia, bem obnúvio. <br />
Subiram de par em par os degraus que levavam a casa da formiga e estiveram meia hora a besuntar o traseiro da formiga com um produto gorduroso até lhe conseguir enfiar uns jeans e uma blusa bem transparente. Rapidamente decidiram não levar “soutien” e …..24 de Julho. <br />
Copos para cá, música para lá e os neons começaram a despertar sentimentos bem profundos no coração dos insectos machos. Um louva- a-deus apaixonou-se pela cigarra e um moscardo convidou a formiga para uma volta de mota no Guincho. <br />
Do que então fizeram não reza a estória, nem temos nada a ver com isso. Sabemos apenas que o formigo acordou mais cedo que o esperado e, estrambulhado, dirigiu-se à cama, onde deu por falta da esposa. Inteligente, no dia seguinte, tomou banho, vestiu o seu melhor fato e dirigiu-se a S. Bento para uma audiência com o Sapócrates, onde lhe relatou o sucedido. <br />
Conclusão: dois dias depois um decreto-lei proibia as cigarras em espaços fechados. <br />
Agora, quem quiser os prazeres da cigarra, tem de o fazer na via pública.<br />
</p>]]>

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<title>NÓS VERSUS ELES, OU O YIN E O YANG PORTUGUESES</title>
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<modified>2008-12-07T22:23:20Z</modified>
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<summary type="text/plain">O Português, de Portugal, deve ser a única língua falada no Mundo em que a 1ª e a 3ª pessoa do plural definem toda a sociedade. Creio, mesmo, que não deve haver outro povo tão simplista como os descendentes de...</summary>
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<email>scp.pt@hotmail.com</email>
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<![CDATA[<p>O Português, de Portugal, deve ser a única língua falada no Mundo em que a 1ª e a 3ª pessoa do plural definem toda a sociedade.<br />
Creio, mesmo, que não deve haver outro povo tão simplista como os descendentes de Viriato. Somos próprios e únicos. A primeira pessoa do plural designa essencialmente os bons e a terceira, os maus. É uma espécie adaptada do Yin e do Yang. Se não, vejamos:<br />
Mas quem é o nós e o eles, afinal?<br />
O Nós é o gajo que se levanta, ao domingo, às sete da manhã para lavar o Mercedes 190D - matrícula de importação, com as ceroulas velhas do sogro, que deveriam ter ido parar ao lixo;<br />
O Nós anda sempre com roupa de marca, comprada nos ciganos, apesar dos preconceitos raciais que temos contra eles;<br />
O Nós é o tipo que, obrigado por Lei a transportar no carro um colete reflector, o coloca bem à vista do agente da autoridade, dependurado nas costas do banco do carro e, quando precisa de o utilizar, simplesmente esquece da sua utilidade;<br />
O Nós, antes de entrar no carro, é o gato dócil a quem uma simples chave penetrando no orifício auricular e rebuscando toda a cera que lá se encontra, satisfaz (Dá um prazer que só apetece ronronar). No fim, aquela unha grande do dedo mindinho, cuja existência se deve apenas a esse fim, limpa a dita chave ao funcionar como alavanca para jogar longe a bola amarela da cera.<br />
O Nós enfia a Maria no carro, mais os filhos e os sogros e enche o porta-bagagem com mantas, um tacho com arroz de cabidela feito pela velhota e um garrafão de vinho que há-de refrescar na corrente do rio. O melão compra-se pelo caminho.<br />
O Nós é o que procura a protecção divina no crucifixo dependurado no espelho retrovisor e depois comete três infracções ao Código da Estrada, por cada quilómetro percorrido;<br />
O Nós usa o carro, em média, 500 metros por dia, mas comprou um GPS para não se perder. E, se encontra uma brigada policial, estende essa distância até aos 10 quilómetros, só para avisar os outros condutores com sinais luminosos e encher o ego, pensando que cada um com que se cruza, agradece e venera como a um herói nacional;<br />
O Nós limpa o nariz com o dedo indicador e estica o macaco ao longo da lateral do banco do condutor, vaidoso por ninguém ter dado por isso;<br />
O Nós ocupa todas as sombras existentes na beira-rio, como se fosse proprietário do local, deixa os miúdos à solta, como Rottweilers para afugentar outros camaradas e abre de par em par as portas do carro para que todos vejam os três telemóveis e oiçam a música que berra no leitor de CDs;<br />
O Nós almoça e passeia-se, entre as restantes mantas piqueniqueiras, de palito na boca exibindo a proeminência do abdómen;<br />
O Nós, ecologista, como é, junta todo o nosso lixo em sacos de plástico e deixa-o ao monte para evitar cheiros no carro e porque alguém o há-de ir buscar;<br />
O Nós acaba o passeio no hipermercado, onde todos entram, para a Maria comprar um kilo de arroz carolino, porque é mais barato 20 cêntimos que na mercearia do vizinho e dá o jantar aos garotos no Mc Donald´s;<br />
O Nós acelera para casa afim de não perder um minuto dos resumos da bola;</p>

<p>O Eles são…ora eles são …eles. Os outros, aqueles a quem o Nós desconta os impostos e não entrega ao Estado, os que nos querem obrigar a cumprir a Lei, ou os que elege e já esqueceu. São o… Yang.<br />
</p>]]>

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