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<title>Escultor Manuel Pereira da Silva</title>
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<title>Manuel Pereira da Silva, a imagem e a poética do ser humano</title>
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<![CDATA[<p>A obra de <strong>Manuel Pereira da Silva</strong> é fruto de 60 anos de processo contínuo, que resultou em uma linguagem artística perfeitamente adequada à sua expressão plástica. Para perceber sua poética é necessário compreender, ao mesmo tempo, as imbricações da concepção estética, a criatividade da imagética e o percurso de sua produção, manifestadas em meios expressivos diferenciados e em variações técnicas que nos auxiliam, inclusive, na compreensão da arte contemporânea. </p>

<p>Com um percurso que se inicia ainda na década de 1940, Pereira da Silva se revela e nos desvenda seus caminhos, através do desenho, da pintura, de aguarelas e guaches, painéis e murais; utilizando além do suporte tradicional, outros como a madeira, a cerâmica e, essencialmente, da escultura, potencializando a pedra de ançã e o bronze. Mas, a produção estético-artística que avalia sua poética é aquela do desenho, em que deve ser considerado um dos mais significativos artistas da actualidade, e o da pintura, na qual se encontra seu estrato estilístico e onde se pode aferir sua excepcional qualidade de poeta da imagem.</p>]]>
<![CDATA[<p>Este escrito não pretende analisar a extensa produção de Pereira da Silva, procurará, isto sim, ressaltar alguns aspectos que possam caracterizá-lo como artista de seu tempo. Para melhor definir o processo, podemos nos valer de um outro aspecto, em incursão ao seu vocabulário artístico, o do estranhamento. São centenas e centenas de pinturas e desenhos: retratos e alegorias, cenas surreais e registros históricos, em que predomina a figura humana – a mais das vezes a feminina –, transformadas em seres fantásticos que povoam seus sonhos e que nos sobressaltam. Para penetrar esse mundo, concluímos que um critério é necessário, o de reunir o conjunto em núcleos expressivo-simbólicos e através de algum parâmetro, que pode ser o temático, propor analogias entre o real e o emblemático; ou ainda através do procedimento técnico, para perceber sua visão particular de mundo, que se transmuta em relação expressiva entre o ‘motivo’ e o artista.<br />
 <br />
<strong>O desenho em Manuel Pereira da Silva</strong><br />
Para o saber da obra de Pereira da Silva é imprescindível iniciar pela apreciação de sua obra gráfica, em especial o desenho, que engloba conjunto riquíssimo de sua imagética. Parece que ele se deleita em sua criação. Mesmo os esboços – a grande maioria não possui esse carácter – têm autonomia, reflectem miríades de possibilidades de seu vocabulário estético e servem como base para pinturas ou esculturas, pois têm valor próprio, na galeria de valores que o artista elege como parti pris de sua actividade. Porém, é justo registrar que, seu contínuo exercitar provê a necessária praxis – entendida aqui como a actividade que transforma os meios ou a produção – para a pintura, e é realimentado por ela. </p>

<p>Pereira da Silva sempre teve uma queda natural para o desenho, somando proporções geométricas e áureas, matemática e perspectivas. O desenho da figura humana, especialmente a feminina, em suas prolongadas linhas, à maneira art déco, revela uma síntese perfeita entre a sensibilidade e o apuro milimétrico na construção espacial. Ele sabe como ninguém usar o papel como suporte, como base de sua expressão, aliando a isto o completo domínio da técnica e das ferramentas que utiliza. Com apenas alguns traços constrói figuras, mundos peculiares. Cada instrumento é como se fora parte de seu corpo, uma extensão de sua mão e de sua sensibilidade.<br />
A linha é referência para o entendimento do desenho em Pereira da Silva. Sabe cria-las puras, simples, sem requintes, nem desperdícios analíticos, cheias de substância, graves. A linha grande imóvel que é da essência da plástica no plano, e o primeiro segredo do seu dinamismo. Pereira da Silva possui esse poder de simplificação dos traços e de sintetização das formas. Domina com facilidade os elementos formal-construtivos: simetria estilística, harmonia poética, equilíbrio estético, onde o branco do papel é parte da arquitectura imaginária. <br />
Em seu fazer o artista trabalha com aguadas, bico-de-pena, esponja-do-mar, bastonetes e os mais variados procedimentos técnicos para nos brindar com sua criatividade vigorosa. Sua obra emerge em linhas concisas, rápidas, densas, finas; contínuas, de ritmos silenciosos e formas universais, num desenho sempre espontâneo, no entanto bem elaborado, que exprime sua concepção de arte e de beleza. Aspira à concisão de meios na procura única e exclusivamente da uma proposta estética, valendo-se de traços espessos para a conquista de eficácia comunicativa; ou delicados, para estruturas rítmicas. Longas linhas, de traço único, transformam-se em figuras lúdicas, fantásticas, alegóricas e até anedóticas. O espaço branco é sabiamente organizado e depositário do seu/nosso inconsciente colectivo e cósmico, particular e universal. A linha, a figura, a trama colocada num ritmo de beleza e harmonia se fundem, tornando difícil a interrupção da leitura de um desenho para passar ao seguinte! Em todas as mostras que Pereira da Silva realizou lá esteve sempre uma parcela de sua obra gráfica, como a dizer, sem o desenho o artista não poderia existir.</p>

<p><br />
<strong>A obra pictórica de Manuel Pereira da Silva</strong><br />
Para entrar no mundo pictural de Pereira da Silva, adoptamos um critério abrangente que inclui núcleos simbólico-expressivos, formais, conceptuais, procedimentos técnico-poéticos. A leitura da obra de Pereira da Silva exige liberdades múltiplas e uma análise estética livre de comprometimentos, nas quais se deve considerar a realidade perceptiva e transformacional da pintura pela própria acção da arte. A necessidade de se descobrir ou dar sentido a uma obra de arte é uma exigência de entendimento da própria expressão estética e uma forma de introduzir ao público o mundo particular do artista. Hoje, os critérios de apreciação estética, bastante abrangentes, voltam-se mais para a fruição da obra. Segundo Donald Meltzer (The Aprehension of Beauty, 1989), a apreciação de uma obra de arte, o reconhecimento de seu valor estético, deve passar também pela emoção. E, francamente, não é possível uma análise da obra de Pereira da Silva sem o enfoque emocional.</p>

<p>Apesar da sua formação clássica, Manuel Pereira da Silva, influenciado pelas novas correntes que irromperam em Paris de forma um tanto irreverente, que mais se acentuaram após o termino da guerra de 1939/45, também tentou substituir a riqueza de linhas, de feição tradicional, baseada na perfeição da anatomia humana, por uma geometrização de linhas, procurando, de certo modo, assimilar a doutrina revolucionária de Georges Braque e de Pablo Picasso imposta a partir da primeira década do século XX. Mas, sua obra tem princípio e se representa através de um rico mundo interior, de uma imaginária excepcional e representacional de um intelecto febril, sempre de prontidão, em busca de novas imagens e significados. A poética de Pereira da Silva é alimentada por esse universo e pela praxis do fazer artístico, que se auto-revigoram. Sua realidade perceptiva transforma matéria, cores e formas resgatando cada ideia e articulando-a com outras para a metamorfose final. </p>

<p>Alguns dos colegas de Manuel Pereira da Silva foram figuras que enriqueceram de forma substancial a Arte Portuguesa: Arlindo Rocha, Júlio Resende, Nadir Afonso, Eduardo Tavares, Fernando Fernandes, Aureliano Lima, Reis Teixeira, Fernando Lanhas, Jorge Vieira, António Sampaio, Guilherme Camarinha, entre outros. Uma boa parte deles fizeram parte do "Grupo dos Independentes" que segundo o pintor Júlio Resende "Entre camaradas gerava-se um movimento de inconformismo face à passividade do burgo. Foi no sentido de contrariar esta situação que entre nós cresceu a ideia de formação do «Grupo dos Independentes». «Independentes» quanto aos posicionamentos estilísticos." <br />
"As Exposições Independentes" do Porto marcam um momento histórico significativo da nossa Pintura. Primeiro, porque reúnem pintores de formação diferente (a razão de ser da palavra "independente" vem da não filiação num "ismo" particular), empenhados numa igual acção colectiva e mergulhados no mesmo entusiasmo".<br />
Egídio Álvaro – Fernando Lanhas na origem da pintura abstracta em Portugal, as "Exposições Independentes".<br />
in Museu de Serralves – Fernando Lanhas. Porto, Edições Asa.</p>

<p>Na obra do escultor Manuel Pereira da Silva reconhecem-se duas orientações, distintas nos respectivos propósitos estéticos: as peças concebidas em conformidade com a tradição académica do século XIX europeu, em geral respondendo a encomendas, e aquelas que, conservando de uma forma essencial a figura humana como referente, se afastam da sua representação naturalista, antes obedecendo a critérios formais de sentido abstractizante, exercitando uma das vias pelas quais o modernismo acedeu à abstracção pura, entendida esta como a criação de formas nas quais não se evidencia, ou não existe de facto, referente figurativo.<br />
São dois géneros de expressão autónomos na formulação das respectivas linguagens, numa dualidade assumida como a resposta (necessária e possível), quer às solicitações ideais do artista, quer à sua percepção das expectativas dos clientes que lhe foram surgindo. Esta dualidade percorre, como vias que se cruzam, toda a produção de Manuel Pereira da Silva o qual, sem subalternizar a execução de encomendas de expressão plástica mais tradicional, sempre se manteve, em alternância, fiel praticante da ideia de criar uma escultura mais original e mais de acordo com um permanente desejo de modernidade, experimentação e descoberta, numa atitude que o próprio escultor afirmou de ser de "inquietação e fuga à repetição".<br />
Assiste-se de facto, a uma alternância entre dois critérios estéticos, significante da persistência de um conflito, vivido na aceitação humilde dos limites de uma situação social e cultural concreta – e isto ajusta-se bem à personalidade de Manuel Pereira da Silva, sempre procurando equilibrar, ou mesmo compensar, Realismo e Idealismo, entendidos, de forma muito chã, quer como condimentos da sensatez com que a assunção das contingências da vida deve ser temperada, quer como manifestações superiores de uma polaridade dinamizadora do próprio empreendimento artístico, enquanto fenómeno enraizado na vida, como uma totalidade e expressão síntese dela mesma.   </p>

<p>Realismo e Idealismo, são os pólos complementares omnipresentes na atitude profunda de Manuel Pereira da Silva e, assim, responsáveis também, em simultâneo com factores de conjuntura histórica, pelas expressões plásticas recorrentes na sua produção. <br />
 De facto, se as esculturas de Manuel Pereira da Silva mais conformes a tradição, concretizaram, em geral, funções previamente definidas no contexto do relacionamento do artista com os seus clientes e tiveram uma versão definitiva com destino público, já foram poucas, infelizmente, as oportunidades para converter à perenidade dos materiais resistentes e à colocação em espaços apropriados, as formas "abstraccionistas" que criou, apesar de, a maioria delas, serem possuidoras de um carácter de monumentalidade que não deixa dúvidas sobre a ambição que as anima: serem ampliadas para as dimensões convenientes, vazadas nos materiais adequados e colocadas em grandes espaços públicos.</p>

<p>Carga simbólica que merecesse a atenção de eventuais promotores do enriquecimento do património artístico público, não falta a essas composições escultóricas, quase sempre inspiradas no grupo Homem / Mulher – mas felizmente isentas do panfletaríssimo que as tornaria maçadoramente piegas ou moralistas – e seriam, do ponto de vista do significado explícito ou sugerido, mais do que pertinentes num contexto de apelo à solidariedade e à fraternidade.</p>

<p>As primeiras esculturas modernistas de Manuel Pereira da Silva surgiram nos anos pioneiros do abstraccionismo escultórico em Portugal, reconhecidamente protagonizado, a partir do final dos anos 40, no Porto, por Arlindo Rocha, Fernando Fernandes e ainda, alguns anos depois, por Aureliano Lima, a partir da sua mudança de residência para esta cidade. Estes factos conferem, à produção abstractizante de Manuel Pereira da Silva, realizada, até com óbvia analogia estilística, no mesmo período e em situação de convívio com os referidos escultores, inquestionável enquadramento geracional, que importa reconhecer.</p>

<p>Arlindo Rocha e Manuel Pereira da Silva foram colegas de curso na Escola de Belas Artes do Porto e até esporadicamente companheiros no atelier do escultor Henrique Moreira, aos Guindais, como o regista a fotografia publicada na Galeria de Arte Pereira da Silva com o URL: <a href="http://www.pereiradasilva.net/22473.html">http://www.pereiradasilva.net/22473.html</a>, da responsabilidade do então muito popular repórter fotográfico de "O Primeiro de Janeiro", António Silva.</p>

<p>Quanto a Fernando Fernandes, também da mesma geração académica, ele foi além de colega de curso, companheiro de Manuel Pereira da Silva na aventurosa estadia em Paris em 1946 e 1947, juntamente com o Pintor Júlio Resende e o Escultor Eduardo Tavares que veio a ser utente do atelier de Manuel Pereira da Silva na Rua da Restauração, o que igualmente se verificou, mais tarde, com o Escultor Aureliano Lima e o Pintor Reis Teixeira.</p>

<p>Este convívio funda-se numa identidade de interesses e preferências artísticas, expressos na comum participação em exposições colectivas e na, por vezes óbvia e frequente, analogia formal das respectivas obras.</p>

<p>Assim, portanto, aos nomes de Arlindo Rocha, Fernando Fernandes e Aureliano Lima, habitualmente citados como introdutores, em Portugal, do abstraccionismo escultórico, terá que se acrescentar o nome de Manuel Pereira da Silva.<br />
Essas esculturas de pendor abstraccionista, mas que dificilmente se despegavam dos referentes iconográficos, podem hoje parecer-nos timidamente inovadoras e pouco ou nada "atrevidas". Elas testemunham, no entanto, o esforço de vanguardismo que contaminou, de vários modos, e sobretudo no período imediatamente subsequente ao fim da II Guerra Mundial, a produção de um restrito número de artistas, empenhados na modernização da expressão artística. Ora Manuel Pereira da Silva pertence, efectivamente, a esse pequeno núcleo de renovadores.</p>

<p>De facto no período imediatamente subsequente à II Guerra Mundial, precisamente aquele em que teve início a actividade profissional de Manuel Pereira da Silva, verificaram-se alterações, importantes, no universo das polémicas artísticas, nomeadamente nos dois maiores centros urbanos portugueses: à querela "clássicos e modernos", acrescentou-se o debate entre os adeptos da modernidade – neo-realistas, surrealistas e abstraccionistas – mas foi quase sempre no recato dos atelier que alguns, pouquíssimos, escultores inquietos, ensaiaram novos caminhos para a sua Arte, em produções que esparsamente vieram a público, e que este, para lá de uma reduzida elite, longamente ignorou.</p>

<p>Humildemente dividido entre um sonho sem limites e as realizações confinadas às dimensões de uma clientela esparsa, modesta de recursos materiais e pouco sedenta de novidades estéticas ao que ainda hoje não manifesta vocação. Manuel Pereira da Silva prosseguiu, sem desfalecimento, confinado na possibilidade de preservar a sua energia criativa mais independente, libertando-a em criações abstractas que conheceram a luz do dia, alternadamente com a realização de encomendas, obedientes estas a padrões estéticos mais convencionais.<br />
Durante os dois anos que esteve em Paris que vivia então um período de renovação espiritual e artística que se espalhou por todo o mundo, Manuel Pereira da Silva conseguiu assimilar de certo modo as técnicas revolucionárias de Picasso, Salvador Dali e Miró. Nesta altura, descobre, também, os grandes mestres do Louvre.</p>

<p><br />
<strong>Retratos</strong></p>

<p>A galeria de retratos, e são muitos, denota o fascínio que a mulher exerce no imaginário do artista. Muito do seu vocabulário estético envolve, como já me referi, a figura feminina, tratada nos seus mais variados aspectos, como a mulher-matriarca, a mulher-guerreira, a mulher-ideal, a mulher-desejo, todas detentoras de um poder que ultrapassa a sua própria percepção e representação de mundo. O simbolismo desta Figura é mostrado claramente em seu tratamento formal – sempre uma figura de destaque, seja solitária ocupando quase todo espaço pictural, a madona, ou acompanhada de uma figura masculina em menor dimensão que lhe dá ainda maior vulto, a matriarca; ou com elementos composicionais que valorizam sua forma e conteúdo, mulher ideal, ou arquitecturalmente construída um pouco à maneira renascentista; ou através de um cromatismo denso, com formas arredondadas e traços alongados e deformados, juntados a códigos de bem e mal, para evidenciar sua poética da mulher-desejo; ou na série de pinturas sobre santas guerreiras. Todas elas guardam um olhar perdido, que se desvia, a maioria das vezes, de seu interlocutor, é a fórmula de estranhamento que transforma sua imagem e sua poiesis.</p>

<p></p>

<p><strong>Baixos-relevos, esculturas e frescos: a valorização do ser humano</strong> <br />
Artista de seu tempo, Pereira da Silva não se furta a colocar sua arte a serviço da comunidade. Esculpe diversos baixos-relevos para instituições governamentais e particulares e executa, não só na cidade do Porto, para o Coliseu, Teatro Rivoli e Palácio da Justiça, mas também para outras cidades como Viana do Castelo, Luanda, em Angola, e Bolama, na Guiné-Bissau.<br />
 <br />
O Palácio da Justiça do Porto foi inaugurado em 20 de Outubro de 1961. Possui uma valiosíssima decoração artística, quer interior quer exterior, confiada a alguns dos melhores Pintores e Escultores Portugueses, num total de vinte e três, que executaram cinquenta baixos-relevos, pinturas a fresco e tapeçarias. Estas obras de arte contemporânea da mais variada concepção integram-se num pensamento comum de representação plástica: a Força do Direito como razão profunda da realidade nacional. O baixo-relevo em granito do escultor Manuel Pereira da Silva, na sala de audiências do 3ºJuízo, faz-nos remontar às origens da nacionalidade e mostra-nos o Bispo do Porto, D. Pedro Pitões, no terreiro da Sé, exortando os cruzados a ajudar D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa. Participarão na decoração do edifício, além de Manuel Pereira da Silva, os escultores Euclides Vaz, Leopoldo de Almeida, Sousa Caldas, Salvador Barata Feyo, Lagoa Henriques, Gustavo Bastos, Irene Vilar, Maria Alice da Costa Pereira, Henrique Moreira, Eduardo Tavares, Arlindo Rocha e os pintores, Martins da Costa, Coelho de Figueiredo, Severo Portela, Amândio Silva, Martins Barata, Dordio Gomes, Guilherme Camarinha, Isolino Vaz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Sousa Felgueiras. No baixo-relevo para o Palácio da Justiça do Porto, Manuel Pereira da Silva é o artista de concepção mais modernizante de todos os que colaboraram em obras de escultura. Numa simplicidade de linhas, D. Pedro de Pitões apresenta-se rodeado de algumas figuras de Cruzados que procuravam ir para terras do Oriente combater os infiéis. Há uma abundância de geometrização, quer nas vestes episcopais, quer nas armaduras dos guerreiros. Mas compreende-se o porquê deste seu anseio. Espírito em formação criativa, ele queria uma pista de identificação artística que fosse o seu próprio sinete. </p>

<p>"África" Cerâmica Policromada, Manuel Pereira da Silva realizou este baixo-relevo, em faiança policromada, destinado à decoração da fachada de um edifício situado na marginal da Baía de Luanda, Angola. Para o efeito Manuel Pereira da Silva improvisou atelier numa arrecadação industrial desocupada, nos arredores do Porto. Tal com no baixo-relevo do Palácio de Justiça idêntico tratamento teve o baixo-relevo executando para Angola em que há uma abundância de geometrização. As figuras dos gentios, a flora e os animais espalham-se pelo imenso trabalho numa concepção modernizante que Manuel Pereira da Silva procurava impor às suas obras. </p>

<p>“A Paixão de Cristo” Frescos da Capela Mor da Igreja de Stª Luzia, Viana do Castelo. A Capela-mor em círculo e a cúpula esférica foram povoadas de figuras ligadas à Paixão de Cristo, sendo o friso da base segmentado em quadros alusivos ao drama da Paixão, num colorido suave e de linhas modernizantes que se identificavam plenamente com o dramatismo comovente da tragédia do calvário, sendo a cúpula, mais de carácter espiritual, preenchida com a figura de Cristo em ascensão gloriosa, rodeado de anjos que empunham flautas, numa concepção perfeita e de rara espiritualidade.</p>

<p>Estátua a Ulysses Grant, vencedora do concurso público lançado para o efeito, pelo Ministério do Ultramar, erigida frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau. Ulysses Grant foi um general e estadista americano, nascido em 1822 e falecido em 1885. Andou na Guerra do México, em 1847, e participou activamente na Guerra da Secessão, lutando ao lado dos Nortistas, tendo dado o golpe de misericórdia aos Sulistas em 1865. Candidato a Presidente dos Estados Unidos, venceu por maioria esmagadora, tendo governado de 1868 a 1876, como 18ºPresidente. De 1877 a 1880 fez uma viagem triunfal em volta do mundo, onde foi sempre calorosamente recebido. Pois foi este famoso estadista que defendeu abertamente a posse da Guiné para Portugal. Em memória de alguém que, sendo grande, soube advogar com generosidade uma causa justa, o Governo Português encomendou a Manuel Pereira da Silva a respectiva estátua que, não obstante os ventos revolucionários da independência guineense, ainda se encontra no mesmo lugar.</p>

<p><strong>À guisa de conclusão</strong><br />
Para se falar da arte de Pereira da Silva, este escrito não seria suficiente. Estas são nada mais do que algumas pinceladas sobre seu trabalho. Pereira da Silva elabora um panteão rico de elementos humanos – a paisagem não lhe interessa de perto, são quase um detalhe em sua obra, com uma poética pessoal, expressa de forma puramente pictórica, vazada nos moldes de um conceito e linguagem próprios. Penetra em profundidade na essência de seu objecto de interesse: composições com belos ritmos de linha, formas e cores. Construção lógica do espaço expressa, inclusive, por elementos abstractos. Sentimento poderoso da natureza sensorial do instante e da hora. A obra de arte é na sua essência um instrumento para a criação, que deve ser usufruída não só pelo artista, mas também pelo espectador. Pereira da Silva demonstra que isto é completamente possível, através de uma caligrafia própria, na qual empenha seu conhecimento e imaginação. Cria um mundo onde pode e nos faz poder viajar para além das fronteiras de nosso intelecto e de nossos sentimentos, deixando livres nossa compreensão e percepção. Há em sua obra uma continuidade admirável de pesquisa, que evidencia o crescimento de uma personalidade autêntica, que não se preocupa em acompanhar o gosto do momento, se para isto tiver que abrir mão de sua poética fantástica. A obra de Pereira da Silva tem uma orientação formal abstracta inspirada na figura humana, em particular o homem e a mulher. </p>]]>
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<title>Coliseu do Porto e Teatro Rivoli</title>
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<issued>2006-11-05T19:18:05Z</issued>
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<summary type="text/plain">Baixos-relevos em Pedra da autoria do Escultor Henrique Moreira com quem Manuel Pereira da Silva colaborou, no Coliseu e Teatro Rivoli, no Porto. (1945)...</summary>
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<![CDATA[<p>Baixos-relevos em Pedra da autoria do Escultor Henrique Moreira com quem Manuel Pereira da Silva colaborou, no Coliseu e Teatro Rivoli, no Porto. (1945)</p>]]>
<![CDATA[<p>Arlindo Rocha e Manuel Pereira da Silva foram colegas de curso na Escola de Belas Artes do Porto e até esporádicamente companheiros no atelier do escultor Henrique Moreira, aos Guindais, como o regista a fotografia publicada na Galeria de Arte Perira da Silva com o URL: http://www.pereiradasilva.net/30504.html, da responsabilidade do então muito popular repórter fotográfico de "O Primeiro de Janeiro", António Silva.</p>

<p>Manuel Pereira da Silva foi um aluno brilhante tendo terminado o curso na Escola de Belas Artes do Porto com a classificação de 18 valores.</p>

<p>O Mestre Joaquim Lopes, Director da Escola de Belas Artes do Porto foi o professor de Desenho de Manuel Pereira da Silva, até ao final do curso.</p>

<p>Era um clássico, pelo que as suas aulas assentavam na correcção do desenho, deixando para depois do curso concluido a liberdade de expressão que cada um quisesse tomar. Soube dar a todos os seus alunos a base necessária para cada um ser, pelo menos, um bom executante.</p>

<p>Para a cadeira do Desenho de Ornato calhou a Manuel Pereira da Silva mestre Acácio Lino, que foi fortemente influenciado pela força atractiva do Impressionismo quando esteve a estagiar em Paris.</p>

<p>Nas aulas de Escultura teve como mestre Rodolfo Pinto Couto  que tinha sido aluno de Teixeira Lopes e colega de Oliveira Ferreira e Alves de Sousa.</p>

<p>Durante o curso, Manuel Pereira da Silva foi sempre um aluno brilhante, daqueles de quem os professores gostam, sendo por isso contemplado com os prémios Soares dos Reis e Teixeira Lopes. </p>

<p>Do primeiro guarda grata recordação, por se tratar de um relógio de pulso Omega que usou sempre ao longo da sua vida e que, segunda as suas palavras , não o venderia nunca fosse por que preço fosse, por assinalar uma época muito importante na sua vida de aluno da Escola de Belas artes do Porto; do segundo já a recordação tem mais de estimulante que valor material, porquanto o seu valor monetário era de tal modo escasso que nem para um fato chegava.</p>

<p><br />
A sua tese final - a figura de Nuno Alvares Pereira - mereceu-lhe nota alta, mas não a sua predilecção, em virtude de ter sido um tema sorteado e nunca aquele que se coadunaria melhor com a sua sensibilidade.</p>]]>
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<title>Ulysses Grant</title>
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<summary type="text/plain">1955 Ulysses Grant 18º Presidente dos E.U.A. Estátua a Ulysses Grant, vencedora do concurso público lançado para o efeito, pelo Ministério do Ultramar, erigida frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau....</summary>
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<![CDATA[<p>1955</p>

<p>Ulysses Grant       </p>

<p>18º Presidente dos E.U.A.</p>

<p>Estátua a Ulysses Grant, vencedora do concurso público lançado para o efeito, pelo Ministério do Ultramar, erigida frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau.<br />
</p>]]>
<![CDATA[<p>"Ulysses Grant foi um general e estadista americano, nascido em 1822 e falecido em 1885. Andou na Guerra do México, em 1847, e participou activamente na Guerra da Secessão, lutando ao lado dos Nortistas, tendo dado o golpe de misericórdia aos Sulistas em 1865. Candidato a Presidente dos Estados Unidos, venceu por maioria esmagadora, tendo governado de 1868 a 1876, como 18ºPresidente. De 1877 a 1880 fez uma viagem triunfal em volta do mundo, onde foi sempre calorosamente recebido."</p>

<p>"Pois foi este famoso estadista que defendeu abertamente a posse da Guiné para Portugal. Em memória de alguém que, sendo grande, soube advogar com generosidade uma causa justa, o Governo Português encomendou a Manuel Pereira da Silva a respectiva estátua que, não obstante os ventos revolucionários da independência guineense, ainda se encontra no mesmo lugar."</p>

<p>in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.</p>

<p><br />
Apesar da sua formação clássica, Manuel Pereira da Silva, influenciado pelas novas correntes que irromperam em Paris de forma um tanto irreverente, que mais se acentuaram após o termino da guerra de 1939/45, também tentou substituir a riqueza de linhas, de feição tradicional, baseada na perfeição da anatomia humana, por uma geometrização de linhas, procurando, de certo modo, assimilar a doutrina revolucionária de Georges Braque e de Pablo Picasso imposta a partir da primeira década do século XX.</p>

<p><br />
Daí muitos dos seus trabalhos espalhados pelo seu atelier, quase todos tendo por tema a família, parecem ter uma postura à parte em relação a todos os outros de concepção clássica que os emparceiram.</p>

<p><br />
Por muito retrógrada que seja a afirmação, a verdade é que a escultura que ultimamente se tem implantado em todo o País, não encontra receptividade emotiva nas pessoas acorrentadas à força do tradicionalismo que assenta na beleza das formas.</p>

<p><br />
Dilema terrível este de se fazerem comparações entre a Arte presente e a Arte do passado, quando a leitura analítica aplicada aos dois sistemas tem de ser totalmente oposta: para a Arte do século XX, ainda sem classificação marcante, mais revolucionária  no seu conceito estético, alheia à emoção visual, é a interioridade que tende a captar a mensagem de cada autor e nunca a sensibilidade.</p>

<p><br />
É sempre uma espécie de equação labiríntica que cada observador deve alimentar, face ao abstraccionismo da mensagem que o artista concebeu no acto da criatividade.</p>

<p>É possível, e nunca se sabe o que o futuro nos reserva, que este ciclo de Arte sem beleza visível venha a esgotar-se por falta de inspiração criativa, processando-se então um retrocesso em busca de dos valores perdidos.</p>

<p>Ou então o ser humano vai deixando morrer gradualmente dentro de si a força da emoção artística, limitando-se esta a ser um valor híbrido disposto a "comer" o que a publicidade lhe impuser como paradigma do génio criativo.</p>

<p>Se nos lembrarmos que todos os movimentos no campo da Arte são cíclicos, só esperamos que as gerações futuras, por força dos elementos hereditários que lhes estão subjacentes, encontrem o equilíbrio necessário para não destruirem de vez os padrões de beleza secular.</p>

<p>Fazerem-se obras para a classe intelectual, que se serve de uma adjectivação hiperbólica e confusa para demonstrar à saciedade a leitura subjectiva de cada trabalho de características abstractas, talvez seja uma erro.</p>

<p>A valia da Arte deve assentar fundamentalmente na simplicidade de princípios e nunca na complexidade charadística de certas obras que nos são apresentadas como concepções de alta qualidade.</p>

<p>Tudo passa com o tempo, porque ele tem o condão de peneirar de forma impiedosa o que concebe, só deixando passar pela rede apertada da sua malha analítica o que realmente tem valor para adquirir a perenidade.</p>

<p>Poderá ser um conceito um tanto impiedoso, mas o tempo não tem sensibilidade e por isso arruma para a prateleira do obsoleto tudo aquilo que assenta na banalidade.</p>]]>
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<title>Igreja de Santa Luzia</title>
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<modified>2006-11-05T19:12:02Z</modified>
<issued>2006-11-05T19:09:34Z</issued>
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<summary type="text/plain">1956 Capela Mor da Igreja de Stª Luzia Viana do Castelo...</summary>
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<![CDATA[<p>1956</p>

<p>Capela Mor da Igreja de Stª Luzia</p>

<p>Viana do Castelo</p>]]>
<![CDATA[<p>Posteriormente recebe uma encomenda da Confraria da Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo.</p>

<p>"A Capela-mor em círculo e a cúpula esférica foram povoadas de figuras ligadas à Paixão de Cristo, sendo o friso da base segmentado em quadros alusivos ao drama da Paixão, num colorido suave e de linhas modernizantes que se identificavam plenamente com o dramatismo comovente da tragédia do calvário, sendo a cúpula, mais de carácter espiritual, preenchida com a figura de Cristo em ascensão gloriosa, rodeado de anjos que empunham flautas, numa concepção perfeita e de rara espiritualidade."</p>

<p>"Graças à força da comunicação social, o ainda jovem Manuel Pereira da Silva passou a colher os primeiros frutos da fama e de ter daí em diante um vasto auditório, face aos milhares de fiéis que durante o ano sobem ao alto do monte de Santa Luzia."</p>

<p>in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.<br />
</p>]]>
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<title>&quot;África&quot;</title>
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<modified>2006-11-05T19:08:59Z</modified>
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<summary type="text/plain">Angola, Luanda Cerâmica Policromada...</summary>
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<![CDATA[<p>Angola, Luanda</p>

<p>Cerâmica Policromada <br />
</p>]]>
<![CDATA[<p>Manuel Pereira da Silva realizou este baixo-relevo, em faiança policromada, destinado à decoração da fachada de um edifício situado na marginal da Baía de Luanda. Para o efeito Manuel Pereira da Silva improvisou atelier numa arrecadação industrial desocupada, nos arredores do Porto.</p>

<p>Tal com no baixo-relevo do Palácio de Justiça idêntico tratamento teve o baixo-relevo executando para Angola em que há uma abundância de geometrização. As figuras dos gentios, a flora e os animais espalham-se pelo imenso trabalho numa concepção modernizante que Manuel Pereira da Silva procurava impor às suas obras.</p>]]>
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<title>Palácio da Justiça</title>
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<summary type="text/plain">O Palácio da Justiça do Porto foi inaugurado em 20 de Outubro de 1961. Possui uma valiosissima decoração artística, quer interior quer exterior, confiada a alguns dos melhores Pintores e Escultores Portugueses, num total de vinte e três, que executaram...</summary>
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<![CDATA[<p>O Palácio da Justiça do Porto foi inaugurado em 20 de Outubro de 1961.</p>

<p>Possui uma valiosissima decoração artística, quer interior quer exterior, confiada a alguns dos melhores Pintores e Escultores Portugueses, num total de vinte e três, que executaram cinquenta baixos relevos, pinturas a fresco e tapeçarias. Estas obras de arte contemporânea da mais variada concepção integram-se num pensamento comum de representação plástica: a Força do Direito como razão profunda da realidade nacional.</p>

<p>O baixo-relevo em granito do escultor Manuel Pereira da Silva, na sala de audiências do 3ºJuízo, faz-nos remontar às origens da nacionalidade e mostra-nos o Bispo do Porto, D. Pedro Pitões, no terreiro da Sé, exortando os cruzados a ajudar D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa.</p>

<p>Conforme consta do catálogo do Palácio de Justiça do Porto - MCMLXI, da Bertrand (Irmãos), Lda.</p>

<p>Participarão na decoração do edifício, além de Manuel Pereira da Silva, os escultores Euclides Vaz, Leopoldo de Almeida, Sousa Caldas, Salvador Barata Feyo, Lagoa Henriques, Gustavo Bastos, Irene Vilar, Maria Alice da Costa Pereira, Henrique Moreira, Eduardo Tavares, Arlindo Rocha e os pintores, Martins da Costa, Coelho de Figueiredo, Severo Portela, Amândio Silva, Martins Barata, Dordio Gomes, Guilherme Camarinha, Isolino Vaz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Sousa Felgueiras.</p>

<p>"No baixo-relevo para o Palácio da Justiça do Porto, Manuel Pereira da Silva é o artista de concepção mais modernizante de todos os que colaboraram em obras de escultura." </p>

<p>"Numa simplicidade de linhas, D. Pedro de Pitões apresenta-se rodeado de algumas figuras de Cruzados que procuravam ir para terras do Oriente combater os infiéis. Há uma abundância de geometrização, quer nas vestes episcopais, quer nas armaduras dos guerreiros."</p>

<p>in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.</p>

<p>Mas compreende-se o porquê deste seu anseio. Espírito em formação criativa, ele queria uma pista de identificação artística que fosse o seu próprio sinete.</p>]]>

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<title>Biografia</title>
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<modified>2006-11-05T19:37:53Z</modified>
<issued>2006-09-06T17:45:02Z</issued>
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<summary type="text/plain">Manuel Pereira da Silva (7 de Dezembro, 1920 – 2003) é um escultor Português. Nasce no Porto, Portugal. A obra de Pereira da Silva tem uma orientação formal abstracta inspirada na figura humana, em particular o homem e a mulher....</summary>
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<![CDATA[<p>Manuel Pereira da Silva (7 de Dezembro, 1920 – 2003) é um escultor Português. Nasce no Porto, Portugal.</p>

<p>A obra de Pereira da Silva tem uma orientação formal abstracta inspirada na figura humana, em particular o homem e a mulher. </p>

<p>Em 2000, foi atribuída a Pereira da Silva a Medalha de Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.</p>

<p>Educação<br />
Em 1939, ingressa na Escola Superior de Belas-Artes do Porto Universidade do Porto. Em 1943, termina o curso com a classificação final de 18 valores. A Tese de final do curso foi sobre "Nuno Alvares Pereira", um dos cavaleiros Portugueses mais conhecidos. Durante o curso foi distinguido com os prémios "Teixeira Lopes" e "Soares dos Reis".</p>

<p>Em 1946 e 1947, estuda em Paris, França na Escola de Belas-Artes de Paris.</p>

<p>Professor do Ensino Secundário entre 1949 e 1991.</p>

<p>Obras Seleccionadas<br />
•Participa na 3ª Exposição dos Independentes, no Coliseu do Porto. (1944) </p>

<p>•Baixos-relevos em Pedra da autoria do Escultor Henrique Moreira com quem colaborou, no Teatro Rivoli e no Coliseu, no Porto. (1945) </p>

<p>•Exposição de Arte Moderna nas Caldas da Rainha. (1954) </p>

<p>•Escultura em Bronze do General Ulysses S. Grant, 18º Presidente dos Estados Unidos da América entre 1868 e 1876. Este monumento foi encomendado pelo Governo Português a Pereira da Silva para a capital da Guiné-Bissau. (1955) </p>

<p>•Pinturas a fresco na Igreja de Stª Luzia, em Viana do Castelo. (1956) </p>

<p>•Mural a fresco da "Branca de Neve" na Rua Santa Catarina, no Porto. (1957) </p>

<p>•Escultura em bronze "A Maternidade" na Praça Marquês de Pombal, no Porto. (1958)<br />
 <br />
•II Exposição de Arte Moderna de Viana do Castelo. (1959) </p>

<p>•Baixo-relevo em Cerâmica Policromada na capital de Angola. (1960)<br />
 <br />
•Baixo-relevo em Pedra Ança de "D. Pedro Pitões exortando os cruzados" no Palácio da Justiça, no Porto. (1961) </p>

<p>•2ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. (1962)<br />
 <br />
•Exposição Retrospectiva, de Homenagem à obra de Pereira da Silva pela Associação Artistas de Gaia. (1987) </p>

<p>•GOMES, J. C. (2000) – Três Escultores de Valia: Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Pereira da Silva, Ed. da Confraria da Broa de Avintes. <br />
</p>]]>
<![CDATA[<p>Alguns dos colegas de Manuel Pereira da Silva foram figuras que enriqueceram de forma substancial a Arte Portuguesa: Arlino Rocha, Júlio Resende, Nadir Afonso, Eduardo Tavares, Fernando Fernandes, Aureliano Lima, Reis Teixeira, Fernando Lanhas, Jorge Vieira, António Sampaio, Guilherme Camarinha, entre outros. Uma boa parte deles fizeram parte do "Grupo dos Independentes" que segundo o pintor Júlio Resende "Entre camaradas gerava-se um movimento de inconformismo face à passividade do burgo. Foi no sentido de contrariar esta situação que entre nós cresceu a ideia de formação do «Grupo dos Independentes». «Independentes» quanto aos posicionamentos estilísticos." </p>

<p>"As Exposições Independentes" do Porto marcam um momento histórico significativo da nossa Pintura. Primeiro, porque reunem pintores de formação diferente ( a razão de ser da palavra "independente" vem da não filiação num "ismo" particular), empenhados numa igual acção colectiva e mergulhados no mesmo entusiasmo".</p>

<p>Egídio Álvaro - Fernando Lanhas na origem da pintura abstracta em Portugal, as "Exposições Independentes".</p>

<p>in Museu de Srralves - Fernando Lanhas. Porto, Edições Asa.</p>

<p><br />
Na obra do escultor Manuel Pereira da Silva reconhecem-se duas orientações, distintas nos respectivos propósitos estéticos: as peças concebidas em conformidade com a tradição académica do século XIX europeu, em geral respondendo a encomendas, e aquelas que, conservando de uma forma essencial a figura humana como referente, se afastam da sua representação naturalista, antes obedecendo a critérios formais de sentido abstractizante, exercitando uma das vias pelas quais o modernismo acedeu à abstracção pura, entendida esta como a criação de formas nas quais não se evidencia, ou não existe de facto, referente figurativo.</p>

<p>São dois géneros de expressão autónomos na formulação das respectivas linguagens, numa dualidade assumida como a resposta (necessária e possível), quer às solicitações ideais do artista, quer à sua percepção das expectativas dos clientes que lhe foram surgindo. Esta dualidade percorre , como vias que se cruzam, toda a produção de Manuel Pereira da Silva o qual, sem subalternizar a execução de encomendas de expressão plástica mais tradicional, sempre se manteve, em alternância, fiel praticante da ideia de criar uma escultura mais original e mais de acordo com um permanente desejo de modernidade, experimentação e descoberta, numa atitude que o próprio escultor afirmou de ser de "inquietação e fuga à repetição".</p>

<p><br />
Assiste-se de facto, a uma alternância entre dois critérios estéticos, significante da persistência de um conflito, vivido na aceitação humilde dos limites de uma situação social e cultural concreta - e isto ajusta-se bem à personilidade de Manuel Pereira da Silva, sempre procurando equilibrar, ou mesmo compensar, Realismo e Idealismo, entendidos, de forma muito chã, quer como condimentos da sensatez com que a assunção das contigências da vida deve ser temperada, quer como manifestações superiores de uma polaridade dinamizadora do próprio empreendimento artístico, enquanto fenómeno enraízado na vida, como uma totalidade e expressão sintese dela mesma. </p>

<p><br />
Realismo e Idealismo, são os polos complementares omnipresentes na atitude profunda de Manuel Pereira da Silva e, assim, responsáveis também, em simultâneo com factores de conjuntura histórica, pelas expressões plásticas recorrentes na sua produção.</p>

<p><br />
De facto, se as esculturas de Manuel Pereira da Silva mais conformes a tradição, concretizaram, em geral, funções previamente definidas no contexto do relacionamento do artista com os seus clientes e tiveram uma versão definitiva com destino público, já foram poucas, infelizmente, as oportunidades para converter à perenidade dos materiais resistentes e à clocação em espaços apropriados, as formas "abstraccionistas" que criou, apesar de, a maioria delas, serem possuidoras de um carácter de monumentalidade que não deixa dúvidas sobre a ambição que as anima: serem ampliadas para as dimensões convenientes, vazadas nos materiais adequados e colocadas em grandes espaços públicos.</p>

<p><br />
Carga simbólica que merecesse a atenção de eventuais promotores do enriquecimento do património artístico público, não falta a essas composições escultóricas, quase sempre inspiradas no grupo Homem / Mulher - mas felizmente isentas do panfletarismo que as tornaria maçadoramente piegas ou moralistas - e seriam, do ponto de vista do significado explícito ou sugerido, mais do que pertinentes num contexto de apelo à solidariedade e à fraternidade.</p>

<p><br />
As primeiras esculturas modernistas de Manuel Pereira da Silva surgiram nos anos pioneiros do abstraccionismo escultórico em Portugal, reconhecidamente protagonizado, a partir do final dos anos 40, no Porto, por Arlindo Rocha, Fernando Fernando e ainda, alguns anos depois, por Aureliano Lima, a partir da sua mudança de residência para esta cidade. Estes factos conferem, à produção abstractizante de Manuel Pereira da Silva, realizada, até com óbvia analogia estilística, no mesmo período e em situação de convívio com os referidos escultores, inquestionável enquadramento geracional, que importa reconhecer.</p>

<p><br />
Arlindo Rocha e Manuel Pereira da Silva foram colegas de curso na Escola de Belas Artes do Porto e até esporádicamente companheiros no atelier do escultor Henrique Moreira, aos Guindais, como o regista a fotografia publicada na Galeria de Arte Perira da Silva com o URL: http://www.pereiradasilva.net/30504.html, da responsabilidade do então muito popular repórter fotográfico de "O Primeiro de Janeiro", António Silva.</p>

<p>Quanto a Fernando Fernandes, também da mesma geração académica, ele foi além de colega de curso, companheiro de Manuel Pereira da Silva na aventurosa estadia em Paris em 1946 e 1947, juntamente com o Pintor Júlio Resende e o Escultor Eduardo Tavares que veio a ser utente do atelier de Manuel Pereira da Silva na Rua da Restauração, o que igualmente se verificou, mais tarde, com o Escultor Aureliano Lima e o Pintor Reis Teixeira.</p>

<p><br />
Este convívio funda-se numa identidade de interesses e preferências artísticas, expressos na comum participação em exposições colectivas e na, por vezes óbvia e frequente, analogia formal das respectivas obras.</p>

<p>Assim, portanto, aos nomes de Arlindo Rocha, Fernando Fernandes e Aureliano Lima, habitualmente citados como introdutores, em Portugal, do abstraccionismo escultórico, terá que se acrescentar o nome de Manuel Pereira da Silva.</p>

<p><br />
Essas esculturas de pendor abstraccionista, mas que dificilmente se despegavam dos referentes iconográficos, podem hoje parecer-nos timidamente inovadoras e pouco ou nada "atrevidas". Elas testemunham, no entanto, o esforço de vanguardismo que contaminou, de vários modos, e sobretudo no período imediatamente subsequente ao fim da II Guerra Mundial, a produção de um restrito número de artistas, empenhados na modernização da expressão artística. Ora Manuel Pereira da Silva pertence, efectivamente, a esse pequeno núcleo de renovadores.</p>

<p><br />
De facto no período imediatamente subsequente à II Guerra Mundial, precisamente aquele em que teve início a actividade profissional de Manuel Pereira da Silva, verificaram-se alterações, importantes, no universo das polémicas artísticas, nomeadamente nos dois maiores centros urbanos portugueses: à querela "clássicos e modernos", acrescentou-se o debate entre os adeptos da modernidade - neo-realistas, surrealistas e abstraccionistas - mas foi quase sempre no recato dos ateliês que alguns, pouqíssimos, escultores inquietos, ensaiaram novos caminhos para a sua Arte, ewm produções que esparsamente vieram a público, e que este, para lá de uma reduzida elite, longamente ignorou.</p>

<p><br />
Humildemente dividido entre um sonho sem limites e as realizações confinadas às dimensões de uma clientela esparsa, modesta de recursos materiais e pouco sedenta de novidades estéticas ao que ainda hoje não manifesta vocação. Manuel Pereira da Silva prosseguiu, sem desfalecimento, confinado na possibilidade de preservar a sua energia criativa mais independente, libertando-a em criações abstractas que conheceram a luz do dia, alternadamente com a realização de encomendas, obedientes estas a padrões estéticos mais convencionais.</p>

<p>Durante os dois anos que esteve em Paris que vivia então um período de renovação espiritual e artística que se espalhou por todo o mundo, Manuel Pereira da Silva conseguiu assimilar de certo modo as técnicas revolucionárias de Picasso, Salvador Dali e Miró. Nesta altura, descobre, também, os grandes mestres do Louvre.</p>

<p>Em 1955 Manuel Pereira da Silva foi o primeiro classificado num concurso público para um monumento a Ulysses Grant, erigido em frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau.</p>

<p>"Ulysses Grant foi um general e estadista americano, nascido em 1822 e falecido em 1885. Andou na Guerra do México, em 1847, e participou activamente na Guerra da Secessão, lutando ao lado dos Nortistas, tendo dado o golpe de misericórdia aos Sulistas em 1865. Candidato a Presidente dos Estados Unidos, venceu por maioria esmagadora, tendo governado de 1868 a 1876, como 18ºPresidente. De 1877 a 1880 fez uma viagem triunfal em volta do mundo, onde foi sempre calorosamente recebido."</p>

<p>"Pois foi este famoso estadista que defendeu abertamente a posse da Guiné para Portugal. Em memória de alguém que, sendo grande, soube advogar com generosidade uma causa justa, o Governo Português encomendou a Manuel Pereira da Silva a respectiva estátua que, não obstante os ventos revolucionários da independência guineense, ainda se encontra no mesmo lugar."</p>

<p>in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.</p>

<p><br />
Posteriormente recebe uma encomenda da Confraria da Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo.</p>

<p>"A Capela-mor em círculo e a cúpula esférica foram povoadas de figuras ligadas à Paixão de Cristo, sendo o friso da base segmentado em quadros alusivos ao drama da Paixão, num colorido suave e de linhas modernizantes que se identificavam plenamente com o dramatismo comovente da tragédia do calvário, sendo a cúpula, mais de carácter espiritual, preenchida com a figura de Cristo em ascensão gloriosa, rodeado de anjos que empunham flautas, numa concepção perfeita e de rara espiritualidade."</p>

<p>"Graças à força da comunicação social, o ainda jovem Manuel Pereira da Silva passou a colher os primeiros frutos da fama e de ter daí em diante um vasto auditório, face aos milhares de fiéis que durante o ano sobem ao alto do monte de Santa Luzia."</p>

<p>in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.</p>

<p><br />
Da colaboração com o Arquitecto Carlos Neves realiza uma decoração mural a fresco da sapataria "Branca de Neve" na Rua Santa Catarina, no Porto e duas figuras decorativas em edifícios no Jardim do Marquês de Pombal, no Porto.</p>

<p>Em 1958 Aureliano Lima "radica-se no Porto e logo a seguir em Vila Nova de Gaia, chegando a ter atelier conjuntamente com o escultor Manuel Pereira da Silva, na Rua Afonso de Albuquerque."</p>

<p>"Recordo ainda as primeiras visitas ao atelier emprestado da Rua Afonso de Albuquerque, perto da Escola do Torne, onde com Pereira da Silva (Aureliano Lima) partilhava esse acto quase inicial de fazer escultura moderna, fora dos circuitos oficiais ou académicos, longe dos olhares dos críticos que, poucas vezes se interessaram pela escultura em Portugal."</p>

<p>in Serafim Ferreira – A Arte em Portugal no séc.XX: A Terceira Geração. Lisboa: Livraria Bertrand. <br />
</p>]]>
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<title>Bem-vindo</title>
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<modified>2006-11-05T18:57:05Z</modified>
<issued>2006-09-06T17:31:24Z</issued>
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<summary type="text/plain">Bem-vindo Obrigado por visitar o nosso Blog. pereiradasilva.weblog.com.pt é um blog que pretende divulgar os trabalhos do Escultor Manuel Pereira da Silva. As obras aqui expostas são originais, estão datadas, assinadas e pertencem à colecção do seu filho Pedro Nunes...</summary>
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<![CDATA[<p>Bem-vindo<br />
Obrigado por visitar o nosso Blog.</p>

<p> </p>

<p>pereiradasilva.weblog.com.pt é um blog que pretende divulgar os trabalhos do Escultor Manuel Pereira da Silva.</p>

<p> </p>

<p>As obras aqui expostas são originais, estão datadas, assinadas e pertencem à colecção do seu filho Pedro Nunes Pereira da Silva, responsável pela criação e manutenção deste espaço.</p>

<p> </p>

<p>Os nossos contactos são:</p>

<p>Pedro Nunes Pereira da Silva</p>

<p>R. General Humberto Delgado nº246</p>

<p>4410-061 Serzedo</p>

<p>Portugal</p>

<p> <br />
T.+351966779055</p>

<p> <br />
<a href="http://www.pereiradasilva.net">Galeria de Arte Pereira da Silva</a></p>

<p> </p>

<p><a href="http://pereiradasilva.home.sapo.pt">Pereira da Silva Website</a></p>

<p> <br />
</p>]]>

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