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novembro 05, 2006

Coliseu do Porto e Teatro Rivoli

Baixos-relevos em Pedra da autoria do Escultor Henrique Moreira com quem Manuel Pereira da Silva colaborou, no Coliseu e Teatro Rivoli, no Porto. (1945)

Arlindo Rocha e Manuel Pereira da Silva foram colegas de curso na Escola de Belas Artes do Porto e até esporádicamente companheiros no atelier do escultor Henrique Moreira, aos Guindais, como o regista a fotografia publicada na Galeria de Arte Perira da Silva com o URL: http://www.pereiradasilva.net/30504.html, da responsabilidade do então muito popular repórter fotográfico de "O Primeiro de Janeiro", António Silva.

Manuel Pereira da Silva foi um aluno brilhante tendo terminado o curso na Escola de Belas Artes do Porto com a classificação de 18 valores.

O Mestre Joaquim Lopes, Director da Escola de Belas Artes do Porto foi o professor de Desenho de Manuel Pereira da Silva, até ao final do curso.

Era um clássico, pelo que as suas aulas assentavam na correcção do desenho, deixando para depois do curso concluido a liberdade de expressão que cada um quisesse tomar. Soube dar a todos os seus alunos a base necessária para cada um ser, pelo menos, um bom executante.

Para a cadeira do Desenho de Ornato calhou a Manuel Pereira da Silva mestre Acácio Lino, que foi fortemente influenciado pela força atractiva do Impressionismo quando esteve a estagiar em Paris.

Nas aulas de Escultura teve como mestre Rodolfo Pinto Couto que tinha sido aluno de Teixeira Lopes e colega de Oliveira Ferreira e Alves de Sousa.

Durante o curso, Manuel Pereira da Silva foi sempre um aluno brilhante, daqueles de quem os professores gostam, sendo por isso contemplado com os prémios Soares dos Reis e Teixeira Lopes.

Do primeiro guarda grata recordação, por se tratar de um relógio de pulso Omega que usou sempre ao longo da sua vida e que, segunda as suas palavras , não o venderia nunca fosse por que preço fosse, por assinalar uma época muito importante na sua vida de aluno da Escola de Belas artes do Porto; do segundo já a recordação tem mais de estimulante que valor material, porquanto o seu valor monetário era de tal modo escasso que nem para um fato chegava.


A sua tese final - a figura de Nuno Alvares Pereira - mereceu-lhe nota alta, mas não a sua predilecção, em virtude de ter sido um tema sorteado e nunca aquele que se coadunaria melhor com a sua sensibilidade.

Publicado por pereiradasilva às 07:18 PM | Comentários (3)

Ulysses Grant

1955

Ulysses Grant

18º Presidente dos E.U.A.

Estátua a Ulysses Grant, vencedora do concurso público lançado para o efeito, pelo Ministério do Ultramar, erigida frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau.

"Ulysses Grant foi um general e estadista americano, nascido em 1822 e falecido em 1885. Andou na Guerra do México, em 1847, e participou activamente na Guerra da Secessão, lutando ao lado dos Nortistas, tendo dado o golpe de misericórdia aos Sulistas em 1865. Candidato a Presidente dos Estados Unidos, venceu por maioria esmagadora, tendo governado de 1868 a 1876, como 18ºPresidente. De 1877 a 1880 fez uma viagem triunfal em volta do mundo, onde foi sempre calorosamente recebido."

"Pois foi este famoso estadista que defendeu abertamente a posse da Guiné para Portugal. Em memória de alguém que, sendo grande, soube advogar com generosidade uma causa justa, o Governo Português encomendou a Manuel Pereira da Silva a respectiva estátua que, não obstante os ventos revolucionários da independência guineense, ainda se encontra no mesmo lugar."

in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.


Apesar da sua formação clássica, Manuel Pereira da Silva, influenciado pelas novas correntes que irromperam em Paris de forma um tanto irreverente, que mais se acentuaram após o termino da guerra de 1939/45, também tentou substituir a riqueza de linhas, de feição tradicional, baseada na perfeição da anatomia humana, por uma geometrização de linhas, procurando, de certo modo, assimilar a doutrina revolucionária de Georges Braque e de Pablo Picasso imposta a partir da primeira década do século XX.


Daí muitos dos seus trabalhos espalhados pelo seu atelier, quase todos tendo por tema a família, parecem ter uma postura à parte em relação a todos os outros de concepção clássica que os emparceiram.


Por muito retrógrada que seja a afirmação, a verdade é que a escultura que ultimamente se tem implantado em todo o País, não encontra receptividade emotiva nas pessoas acorrentadas à força do tradicionalismo que assenta na beleza das formas.


Dilema terrível este de se fazerem comparações entre a Arte presente e a Arte do passado, quando a leitura analítica aplicada aos dois sistemas tem de ser totalmente oposta: para a Arte do século XX, ainda sem classificação marcante, mais revolucionária no seu conceito estético, alheia à emoção visual, é a interioridade que tende a captar a mensagem de cada autor e nunca a sensibilidade.


É sempre uma espécie de equação labiríntica que cada observador deve alimentar, face ao abstraccionismo da mensagem que o artista concebeu no acto da criatividade.

É possível, e nunca se sabe o que o futuro nos reserva, que este ciclo de Arte sem beleza visível venha a esgotar-se por falta de inspiração criativa, processando-se então um retrocesso em busca de dos valores perdidos.

Ou então o ser humano vai deixando morrer gradualmente dentro de si a força da emoção artística, limitando-se esta a ser um valor híbrido disposto a "comer" o que a publicidade lhe impuser como paradigma do génio criativo.

Se nos lembrarmos que todos os movimentos no campo da Arte são cíclicos, só esperamos que as gerações futuras, por força dos elementos hereditários que lhes estão subjacentes, encontrem o equilíbrio necessário para não destruirem de vez os padrões de beleza secular.

Fazerem-se obras para a classe intelectual, que se serve de uma adjectivação hiperbólica e confusa para demonstrar à saciedade a leitura subjectiva de cada trabalho de características abstractas, talvez seja uma erro.

A valia da Arte deve assentar fundamentalmente na simplicidade de princípios e nunca na complexidade charadística de certas obras que nos são apresentadas como concepções de alta qualidade.

Tudo passa com o tempo, porque ele tem o condão de peneirar de forma impiedosa o que concebe, só deixando passar pela rede apertada da sua malha analítica o que realmente tem valor para adquirir a perenidade.

Poderá ser um conceito um tanto impiedoso, mas o tempo não tem sensibilidade e por isso arruma para a prateleira do obsoleto tudo aquilo que assenta na banalidade.

Publicado por pereiradasilva às 07:12 PM | Comentários (3)

Igreja de Santa Luzia

1956

Capela Mor da Igreja de Stª Luzia

Viana do Castelo

Posteriormente recebe uma encomenda da Confraria da Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

"A Capela-mor em círculo e a cúpula esférica foram povoadas de figuras ligadas à Paixão de Cristo, sendo o friso da base segmentado em quadros alusivos ao drama da Paixão, num colorido suave e de linhas modernizantes que se identificavam plenamente com o dramatismo comovente da tragédia do calvário, sendo a cúpula, mais de carácter espiritual, preenchida com a figura de Cristo em ascensão gloriosa, rodeado de anjos que empunham flautas, numa concepção perfeita e de rara espiritualidade."

"Graças à força da comunicação social, o ainda jovem Manuel Pereira da Silva passou a colher os primeiros frutos da fama e de ter daí em diante um vasto auditório, face aos milhares de fiéis que durante o ano sobem ao alto do monte de Santa Luzia."

in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.

Publicado por pereiradasilva às 07:09 PM | Comentários (3)

"África"

Angola, Luanda

Cerâmica Policromada

Manuel Pereira da Silva realizou este baixo-relevo, em faiança policromada, destinado à decoração da fachada de um edifício situado na marginal da Baía de Luanda. Para o efeito Manuel Pereira da Silva improvisou atelier numa arrecadação industrial desocupada, nos arredores do Porto.

Tal com no baixo-relevo do Palácio de Justiça idêntico tratamento teve o baixo-relevo executando para Angola em que há uma abundância de geometrização. As figuras dos gentios, a flora e os animais espalham-se pelo imenso trabalho numa concepção modernizante que Manuel Pereira da Silva procurava impor às suas obras.

Publicado por pereiradasilva às 07:06 PM | Comentários (3)

Palácio da Justiça

O Palácio da Justiça do Porto foi inaugurado em 20 de Outubro de 1961.

Possui uma valiosissima decoração artística, quer interior quer exterior, confiada a alguns dos melhores Pintores e Escultores Portugueses, num total de vinte e três, que executaram cinquenta baixos relevos, pinturas a fresco e tapeçarias. Estas obras de arte contemporânea da mais variada concepção integram-se num pensamento comum de representação plástica: a Força do Direito como razão profunda da realidade nacional.

O baixo-relevo em granito do escultor Manuel Pereira da Silva, na sala de audiências do 3ºJuízo, faz-nos remontar às origens da nacionalidade e mostra-nos o Bispo do Porto, D. Pedro Pitões, no terreiro da Sé, exortando os cruzados a ajudar D. Afonso Henriques na tomada de Lisboa.

Conforme consta do catálogo do Palácio de Justiça do Porto - MCMLXI, da Bertrand (Irmãos), Lda.

Participarão na decoração do edifício, além de Manuel Pereira da Silva, os escultores Euclides Vaz, Leopoldo de Almeida, Sousa Caldas, Salvador Barata Feyo, Lagoa Henriques, Gustavo Bastos, Irene Vilar, Maria Alice da Costa Pereira, Henrique Moreira, Eduardo Tavares, Arlindo Rocha e os pintores, Martins da Costa, Coelho de Figueiredo, Severo Portela, Amândio Silva, Martins Barata, Dordio Gomes, Guilherme Camarinha, Isolino Vaz, Augusto Gomes, Júlio Resende e Sousa Felgueiras.

"No baixo-relevo para o Palácio da Justiça do Porto, Manuel Pereira da Silva é o artista de concepção mais modernizante de todos os que colaboraram em obras de escultura."

"Numa simplicidade de linhas, D. Pedro de Pitões apresenta-se rodeado de algumas figuras de Cruzados que procuravam ir para terras do Oriente combater os infiéis. Há uma abundância de geometrização, quer nas vestes episcopais, quer nas armaduras dos guerreiros."

in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.

Mas compreende-se o porquê deste seu anseio. Espírito em formação criativa, ele queria uma pista de identificação artística que fosse o seu próprio sinete.

Publicado por pereiradasilva às 07:02 PM | Comentários (3)