« Bem-vindo | Entrada | Palácio da Justiça »

setembro 06, 2006

Biografia

Manuel Pereira da Silva (7 de Dezembro, 1920 – 2003) é um escultor Português. Nasce no Porto, Portugal.

A obra de Pereira da Silva tem uma orientação formal abstracta inspirada na figura humana, em particular o homem e a mulher.

Em 2000, foi atribuída a Pereira da Silva a Medalha de Mérito Cultural pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

Educação
Em 1939, ingressa na Escola Superior de Belas-Artes do Porto Universidade do Porto. Em 1943, termina o curso com a classificação final de 18 valores. A Tese de final do curso foi sobre "Nuno Alvares Pereira", um dos cavaleiros Portugueses mais conhecidos. Durante o curso foi distinguido com os prémios "Teixeira Lopes" e "Soares dos Reis".

Em 1946 e 1947, estuda em Paris, França na Escola de Belas-Artes de Paris.

Professor do Ensino Secundário entre 1949 e 1991.

Obras Seleccionadas
•Participa na 3ª Exposição dos Independentes, no Coliseu do Porto. (1944)

•Baixos-relevos em Pedra da autoria do Escultor Henrique Moreira com quem colaborou, no Teatro Rivoli e no Coliseu, no Porto. (1945)

•Exposição de Arte Moderna nas Caldas da Rainha. (1954)

•Escultura em Bronze do General Ulysses S. Grant, 18º Presidente dos Estados Unidos da América entre 1868 e 1876. Este monumento foi encomendado pelo Governo Português a Pereira da Silva para a capital da Guiné-Bissau. (1955)

•Pinturas a fresco na Igreja de Stª Luzia, em Viana do Castelo. (1956)

•Mural a fresco da "Branca de Neve" na Rua Santa Catarina, no Porto. (1957)

•Escultura em bronze "A Maternidade" na Praça Marquês de Pombal, no Porto. (1958)

•II Exposição de Arte Moderna de Viana do Castelo. (1959)

•Baixo-relevo em Cerâmica Policromada na capital de Angola. (1960)

•Baixo-relevo em Pedra Ança de "D. Pedro Pitões exortando os cruzados" no Palácio da Justiça, no Porto. (1961)

•2ª Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. (1962)

•Exposição Retrospectiva, de Homenagem à obra de Pereira da Silva pela Associação Artistas de Gaia. (1987)

•GOMES, J. C. (2000) – Três Escultores de Valia: Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Pereira da Silva, Ed. da Confraria da Broa de Avintes.

Alguns dos colegas de Manuel Pereira da Silva foram figuras que enriqueceram de forma substancial a Arte Portuguesa: Arlino Rocha, Júlio Resende, Nadir Afonso, Eduardo Tavares, Fernando Fernandes, Aureliano Lima, Reis Teixeira, Fernando Lanhas, Jorge Vieira, António Sampaio, Guilherme Camarinha, entre outros. Uma boa parte deles fizeram parte do "Grupo dos Independentes" que segundo o pintor Júlio Resende "Entre camaradas gerava-se um movimento de inconformismo face à passividade do burgo. Foi no sentido de contrariar esta situação que entre nós cresceu a ideia de formação do «Grupo dos Independentes». «Independentes» quanto aos posicionamentos estilísticos."

"As Exposições Independentes" do Porto marcam um momento histórico significativo da nossa Pintura. Primeiro, porque reunem pintores de formação diferente ( a razão de ser da palavra "independente" vem da não filiação num "ismo" particular), empenhados numa igual acção colectiva e mergulhados no mesmo entusiasmo".

Egídio Álvaro - Fernando Lanhas na origem da pintura abstracta em Portugal, as "Exposições Independentes".

in Museu de Srralves - Fernando Lanhas. Porto, Edições Asa.


Na obra do escultor Manuel Pereira da Silva reconhecem-se duas orientações, distintas nos respectivos propósitos estéticos: as peças concebidas em conformidade com a tradição académica do século XIX europeu, em geral respondendo a encomendas, e aquelas que, conservando de uma forma essencial a figura humana como referente, se afastam da sua representação naturalista, antes obedecendo a critérios formais de sentido abstractizante, exercitando uma das vias pelas quais o modernismo acedeu à abstracção pura, entendida esta como a criação de formas nas quais não se evidencia, ou não existe de facto, referente figurativo.

São dois géneros de expressão autónomos na formulação das respectivas linguagens, numa dualidade assumida como a resposta (necessária e possível), quer às solicitações ideais do artista, quer à sua percepção das expectativas dos clientes que lhe foram surgindo. Esta dualidade percorre , como vias que se cruzam, toda a produção de Manuel Pereira da Silva o qual, sem subalternizar a execução de encomendas de expressão plástica mais tradicional, sempre se manteve, em alternância, fiel praticante da ideia de criar uma escultura mais original e mais de acordo com um permanente desejo de modernidade, experimentação e descoberta, numa atitude que o próprio escultor afirmou de ser de "inquietação e fuga à repetição".


Assiste-se de facto, a uma alternância entre dois critérios estéticos, significante da persistência de um conflito, vivido na aceitação humilde dos limites de uma situação social e cultural concreta - e isto ajusta-se bem à personilidade de Manuel Pereira da Silva, sempre procurando equilibrar, ou mesmo compensar, Realismo e Idealismo, entendidos, de forma muito chã, quer como condimentos da sensatez com que a assunção das contigências da vida deve ser temperada, quer como manifestações superiores de uma polaridade dinamizadora do próprio empreendimento artístico, enquanto fenómeno enraízado na vida, como uma totalidade e expressão sintese dela mesma.


Realismo e Idealismo, são os polos complementares omnipresentes na atitude profunda de Manuel Pereira da Silva e, assim, responsáveis também, em simultâneo com factores de conjuntura histórica, pelas expressões plásticas recorrentes na sua produção.


De facto, se as esculturas de Manuel Pereira da Silva mais conformes a tradição, concretizaram, em geral, funções previamente definidas no contexto do relacionamento do artista com os seus clientes e tiveram uma versão definitiva com destino público, já foram poucas, infelizmente, as oportunidades para converter à perenidade dos materiais resistentes e à clocação em espaços apropriados, as formas "abstraccionistas" que criou, apesar de, a maioria delas, serem possuidoras de um carácter de monumentalidade que não deixa dúvidas sobre a ambição que as anima: serem ampliadas para as dimensões convenientes, vazadas nos materiais adequados e colocadas em grandes espaços públicos.


Carga simbólica que merecesse a atenção de eventuais promotores do enriquecimento do património artístico público, não falta a essas composições escultóricas, quase sempre inspiradas no grupo Homem / Mulher - mas felizmente isentas do panfletarismo que as tornaria maçadoramente piegas ou moralistas - e seriam, do ponto de vista do significado explícito ou sugerido, mais do que pertinentes num contexto de apelo à solidariedade e à fraternidade.


As primeiras esculturas modernistas de Manuel Pereira da Silva surgiram nos anos pioneiros do abstraccionismo escultórico em Portugal, reconhecidamente protagonizado, a partir do final dos anos 40, no Porto, por Arlindo Rocha, Fernando Fernando e ainda, alguns anos depois, por Aureliano Lima, a partir da sua mudança de residência para esta cidade. Estes factos conferem, à produção abstractizante de Manuel Pereira da Silva, realizada, até com óbvia analogia estilística, no mesmo período e em situação de convívio com os referidos escultores, inquestionável enquadramento geracional, que importa reconhecer.


Arlindo Rocha e Manuel Pereira da Silva foram colegas de curso na Escola de Belas Artes do Porto e até esporádicamente companheiros no atelier do escultor Henrique Moreira, aos Guindais, como o regista a fotografia publicada na Galeria de Arte Perira da Silva com o URL: http://www.pereiradasilva.net/30504.html, da responsabilidade do então muito popular repórter fotográfico de "O Primeiro de Janeiro", António Silva.

Quanto a Fernando Fernandes, também da mesma geração académica, ele foi além de colega de curso, companheiro de Manuel Pereira da Silva na aventurosa estadia em Paris em 1946 e 1947, juntamente com o Pintor Júlio Resende e o Escultor Eduardo Tavares que veio a ser utente do atelier de Manuel Pereira da Silva na Rua da Restauração, o que igualmente se verificou, mais tarde, com o Escultor Aureliano Lima e o Pintor Reis Teixeira.


Este convívio funda-se numa identidade de interesses e preferências artísticas, expressos na comum participação em exposições colectivas e na, por vezes óbvia e frequente, analogia formal das respectivas obras.

Assim, portanto, aos nomes de Arlindo Rocha, Fernando Fernandes e Aureliano Lima, habitualmente citados como introdutores, em Portugal, do abstraccionismo escultórico, terá que se acrescentar o nome de Manuel Pereira da Silva.


Essas esculturas de pendor abstraccionista, mas que dificilmente se despegavam dos referentes iconográficos, podem hoje parecer-nos timidamente inovadoras e pouco ou nada "atrevidas". Elas testemunham, no entanto, o esforço de vanguardismo que contaminou, de vários modos, e sobretudo no período imediatamente subsequente ao fim da II Guerra Mundial, a produção de um restrito número de artistas, empenhados na modernização da expressão artística. Ora Manuel Pereira da Silva pertence, efectivamente, a esse pequeno núcleo de renovadores.


De facto no período imediatamente subsequente à II Guerra Mundial, precisamente aquele em que teve início a actividade profissional de Manuel Pereira da Silva, verificaram-se alterações, importantes, no universo das polémicas artísticas, nomeadamente nos dois maiores centros urbanos portugueses: à querela "clássicos e modernos", acrescentou-se o debate entre os adeptos da modernidade - neo-realistas, surrealistas e abstraccionistas - mas foi quase sempre no recato dos ateliês que alguns, pouqíssimos, escultores inquietos, ensaiaram novos caminhos para a sua Arte, ewm produções que esparsamente vieram a público, e que este, para lá de uma reduzida elite, longamente ignorou.


Humildemente dividido entre um sonho sem limites e as realizações confinadas às dimensões de uma clientela esparsa, modesta de recursos materiais e pouco sedenta de novidades estéticas ao que ainda hoje não manifesta vocação. Manuel Pereira da Silva prosseguiu, sem desfalecimento, confinado na possibilidade de preservar a sua energia criativa mais independente, libertando-a em criações abstractas que conheceram a luz do dia, alternadamente com a realização de encomendas, obedientes estas a padrões estéticos mais convencionais.

Durante os dois anos que esteve em Paris que vivia então um período de renovação espiritual e artística que se espalhou por todo o mundo, Manuel Pereira da Silva conseguiu assimilar de certo modo as técnicas revolucionárias de Picasso, Salvador Dali e Miró. Nesta altura, descobre, também, os grandes mestres do Louvre.

Em 1955 Manuel Pereira da Silva foi o primeiro classificado num concurso público para um monumento a Ulysses Grant, erigido em frente ao edifício dos Paços do Concelho de Bolama, na Guiné-Bissau.

"Ulysses Grant foi um general e estadista americano, nascido em 1822 e falecido em 1885. Andou na Guerra do México, em 1847, e participou activamente na Guerra da Secessão, lutando ao lado dos Nortistas, tendo dado o golpe de misericórdia aos Sulistas em 1865. Candidato a Presidente dos Estados Unidos, venceu por maioria esmagadora, tendo governado de 1868 a 1876, como 18ºPresidente. De 1877 a 1880 fez uma viagem triunfal em volta do mundo, onde foi sempre calorosamente recebido."

"Pois foi este famoso estadista que defendeu abertamente a posse da Guiné para Portugal. Em memória de alguém que, sendo grande, soube advogar com generosidade uma causa justa, o Governo Português encomendou a Manuel Pereira da Silva a respectiva estátua que, não obstante os ventos revolucionários da independência guineense, ainda se encontra no mesmo lugar."

in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.


Posteriormente recebe uma encomenda da Confraria da Igreja de Santa Luzia, em Viana do Castelo.

"A Capela-mor em círculo e a cúpula esférica foram povoadas de figuras ligadas à Paixão de Cristo, sendo o friso da base segmentado em quadros alusivos ao drama da Paixão, num colorido suave e de linhas modernizantes que se identificavam plenamente com o dramatismo comovente da tragédia do calvário, sendo a cúpula, mais de carácter espiritual, preenchida com a figura de Cristo em ascensão gloriosa, rodeado de anjos que empunham flautas, numa concepção perfeita e de rara espiritualidade."

"Graças à força da comunicação social, o ainda jovem Manuel Pereira da Silva passou a colher os primeiros frutos da fama e de ter daí em diante um vasto auditório, face aos milhares de fiéis que durante o ano sobem ao alto do monte de Santa Luzia."

in Joaquim Costa Gomes - Três Escultores de Valia: António Fernandes de Sá, Henrique Moreira e Manuel Pereira da Silva. Ed. Confraria da Broa de Avintes.


Da colaboração com o Arquitecto Carlos Neves realiza uma decoração mural a fresco da sapataria "Branca de Neve" na Rua Santa Catarina, no Porto e duas figuras decorativas em edifícios no Jardim do Marquês de Pombal, no Porto.

Em 1958 Aureliano Lima "radica-se no Porto e logo a seguir em Vila Nova de Gaia, chegando a ter atelier conjuntamente com o escultor Manuel Pereira da Silva, na Rua Afonso de Albuquerque."

"Recordo ainda as primeiras visitas ao atelier emprestado da Rua Afonso de Albuquerque, perto da Escola do Torne, onde com Pereira da Silva (Aureliano Lima) partilhava esse acto quase inicial de fazer escultura moderna, fora dos circuitos oficiais ou académicos, longe dos olhares dos críticos que, poucas vezes se interessaram pela escultura em Portugal."

in Serafim Ferreira – A Arte em Portugal no séc.XX: A Terceira Geração. Lisboa: Livraria Bertrand.

Publicado por pereiradasilva às setembro 6, 2006 05:45 PM

Comentários

Porventura tem o contacto do Moreira das Neves da Covilhã que me poderia facultar?

Publicado por: Valle Pereira às abril 3, 2008 08:49 PM

sou eu o proprio moreira neves que envio o contacto 919329252

Publicado por: moreira neves às julho 31, 2008 04:31 PM

NE9s52 hzlmoxqfqidk, [url=http://pkpfndewrljt.com/]pkpfndewrljt[/url], [link=http://szpgutqbynzn.com/]szpgutqbynzn[/link], http://fwonrrcgmhte.com/

Publicado por: rtsrqx às novembro 6, 2009 01:55 AM

Keep it coming, wirrets, this is good stuff.

Publicado por: Sagar às outubro 29, 2011 11:54 PM

yeIy5f , [url=http://cgyesugsuajn.com/]cgyesugsuajn[/url], [link=http://ctxqkpffwehm.com/]ctxqkpffwehm[/link], http://wbpqwrjhdaeu.com/

Publicado por: ixbczk às novembro 1, 2011 06:56 PM

F9Asok , [url=http://jvublepguhdn.com/]jvublepguhdn[/url], [link=http://uwnbwqjgtxqr.com/]uwnbwqjgtxqr[/link], http://jnsodldkwgev.com/

Publicado por: pgjqsojvj às novembro 6, 2011 04:22 PM

Comente




Recordar-me?