| RAVENS & MUSES |
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± EgoGeocêntrico
Convince yourself, nothing really comes in Como detesto esta divisão do meu apartamento mental. As cores psicadélicas no tecto e o verniz cintilante nas paredes, emite um heroísmo irreal de vomitar. Preciso de um par de estalos. Slap here. Raparigas belas. Porquê o rosto carancudo? Talvez elas próprias precisam de algum desprezo da nossa parte. Talvez, inocentes nunca são, sejam tímidas. Talvez as aparências têm sido estimadas demasiado.
maio 07, 2004 | 2 darklings
± anti
Mastigo estas batatas fritas - take away, do Burguer King - que há minutos perderam o seu valor estaladiço, enquanto me desisto de esforçar as minhas cordas vocais para produzir um insulto, um desabafo, de como elas estão uma merda. Mastigo silenciosamente, e com falta de nexo, rebobino e desenrolo noções - os meus olhos vidrados por onde feixes de luz trespassam, uma sala de cinema, a sessão vai começar - que me têm ocorrido nas últimas caminhadas mortas, silenciosas, quase inexistentes, de retorno a casa. O pouco de romantismo que havia em mim, dissipou-se. Inspirações fugiram, ideiais murcharam, encaro toda a superstição e costumes e crenças e valores de forma antipática e céptica, ou quando posso, apática. Passeio a alma na costa eterna da Caparica, dunas à esquerda, o oceano à direita, eu em frente, pensando pensamentos brancos e salas vazias. Testemunhar, com extrema empatia infelizmente, polos que se convergem assimetricamente, no seio de um círculo aliado. Tão difícil detestar alguém muitíssimo amigável que nos faz sentir inveja pura por dentro, a consideração porquê ele, porque não eu, o estar ali convivendo a uma distância desprezável mas estando, ao mesmo tempo, mais perto do fim do universo do que duma tal conversa cujos estilhaços possuem um sabor efémero de chocolates leves que acompanham as nossas bicas. Enfim. Faço tudo com a finalidade de pôr termo ? tentar, tentar é mais apropriado ? a agonia que me corrompe, que me atrai à religião da auto-destruição e comiseração. Faço tudo, isto é, corro, entro em agitação, concentro a essência no movimento, e não no objectivo, porquê para além deste, só encontramos os mesmos dilemas que nos esperam pacientemente. Não ficar parado, senão, penso. E penso, logo e imediatamente, sofro. Ah, filho da puta da maldição. Tinha só pousado três horas seguidas por um voo brusco. É compreensível. ± the reddening
'Vale mais sozinho do que mal acompanhado.' Vem aí aquela época que se culmina no dia 14 com corações vermelhos e pombinhos a encher jardins. Tenho náusea. Vem-me o periodo. Vou fazer os meus preparativos para que, no começo desse dia tão especial, fingir que o mundo não existe nessas 24 horas e praticar a mirra nos cupidos que passeiam no céu. Vale mais sozinho do que mal acompanhado, vale mais sozinho do que mal acompanhado, vale mais sozinho do que mal acompanhado, vale mais sozi- ± ANGER
Rage seeks secret leaks.± rich in numbers, poor in love
Quando tens o cartão do telemóvel cheio de dinheiro.... Ou é porque vives longe dos teus pais e não tens de fazer relatórios de cinco em cinco minutos. Ou é porque não tens namorada, e não podes mandar palavras de amor em SMS, após cada intervalo de trinta segundos. Nunca na vida foi tão mau e melancólico ser rico em alguma coisa. ± Turn the page
Estou nove dias atrasado. Novos anos não me dizem muito. Após o instante final da contagem decrescente, assumi-me no papel de célula cancerígena, disposto a abater, com o que tivesse mais à mão, todas as outras que festejavam estupidamente e que olhavam para as bolhas de orgasmos múltiplos que fornicavam celestialmente no céu. De que se riem? Devia ter pedido como prenda de Natal, um pack de mísseis que arrasasse o país todo na passagem de ano. Enfim. É um jardim em todo o lado e eu sou uma tábua de madeira, húmida e antiga. Se crescesse alguma coisa, só poderia ser bolor, e só cresceria em linha recta. ± morri aqui e já não moro cá
Mas morreu alguém aqui? E assim que abandono o meu único cubículo seguro, passo por aquela porta, sinto a hostilidade e o funeral a esbater-me na cara como um soco. Não os percebo. Chega a ser irritante. Se não fosse a merda da empatia, que por acaso tenho em excesso, eu estaria bem mais satisfeito com a vida, e talvez sim, indiferente, mas satisfeito, completo, já que disfrutava do luxo de poder limpar certas variáveis da minha equação, trezentos mil anos luz de distância, duma ponta a outra. Pensando bem, o problema sou eu. Tanta agitação interna, carvão no lume, de origem desconhecida. Tanto disso, que um pouco de provocação, é no mínimo, destrutivo. Só quero estar naquele conforto outra vez. Quero me relembrar do cheiro transcendente dos cabelos de uma mulher, no meio do bosque. Naquele conforto outra vez. E tudo ficará bem. |
| Diego Penumbra © 2004 |