junho 27, 2007

S/T



Concerto Promenade

Publicado por m_vm em 12:02 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 18, 2006

Pontas de pé

Há momentos mágicos...



Pontas de Pé



Por delicadeza

Bailarina fui
Mas nunca dancei
Em frente das grades
Só três passos dei

Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dancei no avesso
Do tempo bailado

Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei

Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado

Bailarina fui
Mas nunca bailei
Minha vida toda
Como cega errei

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi:

«Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi a minha vida»

Sophia de Mello Breyner Andresen


Publicado por m_vm em 11:37 PM | Comentários (2)

janeiro 16, 2006

Concerto Promenade

A Sala do Coliseu já estava cheia quando chegamos. Os lugares eram excelentes. Primeira plateia, segunda fila, mesmo junto à orquestra que, nestes concertos, está no meio do público.

Observo quem veio, e vieram todos.

A "tia" da Foz, mais os filhos e o pai dos filhos. Nos extremos sentavam-se o pai e o filho mais velho, protectores. Ao lado do filho mais velho, a mãe. e depois as duas raparigas, mais novas, a chamar a atenção do pai e da mãe.

A bisavó que passou o tempo a tirar bolachas "Maria" da carteira e a distribuir às bisnetas, que a filha e a filha da filha já não tinham idade para se calarem com tal goludice.

O senhor de cabelo branco e bengala, olhos transparentes e com uma luz que irradiava o prazer do momento.

A senhora do fato rosa pálido, que adormecia na sombra da sala mal soavam os primeiros acordes e acordava com o seu próprio ressonar.

E as crianças, muitas e curiosas da novidade daquela música diferente.

Ouvimos Dvorak, Sinfonia nº 9, "Do Novo Mundo", em Mi Menor, op 95, pela Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo Maestro Marc Tardue.

E ouvimos a história de Dvorak e a história da peça contada em voz-off e com projecção de imagens num ecrã gigante. Aí comecei a imaginar a alegria da pequenada se o compositor ali aparecesse em carne e osso recriado, e a conversar "em directo"....

Ouvimos de seguida uma peça escolhida por uma pessoa conhecida e de importância na cidade. Veio o próprio explicar as razões da escolha, mas esqueceram-se de dizer ao senhor - pai e avô - que as crianças se fartam depressa de palavras escusadas e que os músicos arrefecem mas longas esperas dentro daquela sala enorme. O público, educado, bateu palmas a meio da "leitura" a dizer: já chega!!. É que na mão dele ainda repousavam muitas fichas de notas.....

Foi então tempo de escutar o pianista Constantin Sandu , de longo curriculum e parca apresentação. Ficou "a saber a pouco" o pouco que tocou...

... porque a hora já ia longa e era preciso chegar ao final, com o público, em peso, a seguir ordens simples do maestro e a fazer a sala estremecer de entusiasmo.

Não, não tirei fotografias, mas havia gente a tirar que eu vi os flashes!

Publicado por m_vm em 11:25 PM | Comentários (3)