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setembro 26, 2006

Parnasianismo

O Parnasianismo foi um movimento essencialmente poético que reagiu contra os abusos sentimentais dos românticos.

Alguns críticos chegam a considerá-lo uma espécie de Realismo na poesia. Tal aproximação é relativa, pois apesar de algumas identidades (objetivismo, perfeição formal) as duas correntes apresentam visões de mundo distintas. O autor realista percebe a crise da auto-imagem religiosa da burguesia européia, já não acredita em nenhum dos valores da classe dominante e a fustiga social e moralmente. Em compensação, o autor parnasiano mantém uma soberba indiferença frente aos dramas do cotidiano, isolando-se na sua "torre de marfim”, onde elabora teorias formalistas de acordo com a inconseqüência e a superficialidade vitoriosa em vários setores artísticos, no final do século XIX.

Neste sentido, o Parnasianismo pode ser associado à Belle Époque - época dourada das elites européias, que se divertem com os lucros do espólio imperialista. O can-can, os cabarés e cafés parisienses, os janotas que bebem licor e as prostitutas de alta classe formam a imagem frenética de um mundo enriquecido e alegre. Uma certeza inabalável preside esse mundo: a de que ele é eterno e superior. Assim, o Parnasianismo será a tradução poética de um período de euforia e de relativa tranqüilidade social, no qual a forma se sobreporá às idéias.

Seu surgimento deu-se na década de 60, através da revista Parnase Contemporain, dirigida por Théophile Gautier. O poeta mais expressivo do grupo colaborador, Charles Baudelaire, mais tarde romperia com a pesada estética parnasiana.

CARACTERÍSTICAS

1) OBJETIVISMO E IMPESSOALIDADE
O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento subjetivo, tão caros aos românticos, são vistos como inimigos da poesia. O Eu precisa se apagar frente do mundo objetivo, eclipsar-se. O espetáculo humano, cenas da natureza ou simples objetos são registrados, sem que haja interferências da interioridade do artista.

2) ARTE PELA ARTE
Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita, que só vale por si própria. Ela não tem nenhum sentido utilitário, nenhum tipo de compromisso. É auto-suficiente e justifica-se apenas por sua beleza formal.

3) CULTO DA FORMA
O resultado da visão descompromissada é a celebração dos processos formais do poema. A verdade de uma obra de arte passa a residir apenas em sua beleza. E a beleza é evidenciada pela elaboração formal. Logo:

POESIA = VERDADE = BELEZA = FORMA

Mas para os parnasianos forma seria a maneira de que poema pode ser apresentado, seus aspectos exteriores. Forma seria, então, a técnica de construção do poema. Isso representava uma simplificação primária do fazer poético e do próprio conceito de forma que passava a ser apenas uma fórmula. Uma fórmula resumida em alguns itens básicos:
a) Metrificação rigorosa: os versos devem ter o mesmo número de sílabas poéticas, preferencialmente doze sílabas (versos alexandrinos), os preferidos na época.
Ou apresentar uma simetria constante, do tipo: primeiro verso de oito sílabas, segundo de quatro sílabas, terceiro de oito sílabas, quarto com quatro sílabas, etc.

b) Rimas ricas: os poetas devem evitar as rimas pobres, isto é, aquelas estabelecidas por palavras da mesma classe gramatical, como substantivo com substantivo, adjetivo com adjetivo, etc.

c) Preferência pelo soneto: os parnasianos reivindicam a tradição clássica do soneto, composição poética de quatorze versos - articulada obrigatoriamente em dois quartetos e dois tercetos - e que se encerra com uma "chave de ouro", espécie de síntese do poema, manifesta tão somente no último verso.

d) Descritivismo: eliminando o Eu, a participação pessoal e social, só resta ao parnasiano uma poética baseada no mundo dos objetos, objetos mortos: vasos, colares, muros, etc. São pequenos quadros, fortemente plásticos (visuais), fechados em si mesmos, com grande precisão vocabular e freqüente superficialidade.

4) TEMÁTICA GRECO-ROMANA
Apesar de todo o esforço, os parnasianos não conseguem articular poemas sem conteúdo e são obrigados a encontrar um assunto desvinculado no mundo concreto para motivo de suas criações. Escolhem a Antigüidade Clássica, aspectos de sua história e de sua mitologia.


O PARNASIANISMO NO BRASIL

A primeira manifestação parnasiana no Brasil data de 1882, ano em que se publica o medíocre Fanfarras, de Teófilo Dias. Mas o movimento estrutura-se e ganha prestígio popular com a constituição da famosa tríade parnasiana: Olavo Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira.

OS POETAS DO PARNASIANISMO

1) OLAVO BILAC (1865-1918)
VIDA: Nasceu no Rio de Janeiro, numa família de classe média. Estudou Medicina e depois Direito, sem se formar em nenhum dos cursos. Jornalista, funcionário público, inspetor escolar, secretário do prefeito do Distrito Federal, exerceu constante atividade republicana e nacionalista, realizando pregações cívicas em todo o país, inclusive pelo serviço militar obrigatório. Era um exímio conferencista e representou o país em vários encontros diplomáticos internacionais. Foi coroado como "príncipe dos poetas brasileiros", encarnando a liderança do grupo parnasiano. Por isso, ingressou na Academia de Letras, na condição de fundador. Paralelamente, teve certas veleidades boêmias e estas inclinações noturnas não deixaram de escandalizar e, ao mesmo tempo, fascinar a época.

OBRAS: Poesias (Reunião dos livros Panóplias, Via-láctea e Sarças de fogo -1888); Tarde (1918).

Podemos indicar os seguintes assuntos como dominantes em sua poética:
• a Antigüidade greco-romana
• a temática da perfeição
• o lirismo amoroso
• a reflexão existencial.
• o nacionalismo ufanista


2) ALBERTO DE OLIVEIRA (1857-1937)
VIDA: Nasceu no interior do Rio de Janeiro e formou-se em Farmácia. Exerceu várias funções públicas, entre as quais o magistério e tornou-se um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Sua lírica descritivista e convencional lhe garantiu um lugar no gosto médio da época, substituindo Olavo Bilac na condição de "príncipe dos poetas brasileiros", em 1924, quando o Parnasianismo já fora destruído pelas novas elites artísticas do país. Morreu em Niterói, aos oitenta anos.

OBRAS PRINCIPAIS: Meridionais (1884); Versos e rimas (1895); O livro de Ema (1900).

Seus poemas reproduzem mecanicamente a natureza e objetos decorativos. Enfim, uma poesia de rimas exatas e métrica correta. Uma poesia sobre coisas inanimadas. Uma poesia tão morta como os objetos descritos. Vaso grego é um exemplo desta mediocridade.


3) RAIMUNDO CORREIA (1859-1911)
VIDA: Nasceu no Maranhão e formou-se advogado, em São Paulo. Trabalha no interior do Rio de Janeiro como magistrado e, em Ouro Preto, como secretário de Finanças. Passa em seguida para a diplomacia, trabalhando em Lisboa. Volta mais tarde à antiga capital federal, onde mais uma vez exerce a magistratura. Morre, com cinqüenta e dois anos, em Paris, onde fazia um tratamento de saúde.

OBRAS PRINCIPAIS: Sinfonias (1883); Aleluias (1891).

A exemplo dos demais componentes da tríade parnasiana, Raimundo Correia foi um consumado artesão do verso, dominando com perfeição as técnicas de montagem e construção do poema. Alguns críticos valorizam nele o sentido plástico de suas descrições da natureza. O gelo descritivista da escola seria quebrado por uma emoção genuína - fina melancolia - que humanizava a paisagem.


4) OUTROS POETAS
Fora a tríade, o nome mais significativo do período é o de Vicente de Carvalho, poeta santista que, em suas obras principais (Ardentias, Poemas e canções), tematiza preferencialmente o oceano dentro de uma técnica parnasiana. Pelo menos um crítico viu nesta obsessão pelo mar um legado cultural do Romantismo. O certo, entretanto, é que, apesar da beleza de algumas descrições, livres do rigor formal da escola, o poeta manteve quase sempre a objetividade, fugindo de um registro original ou subjetivo da natureza.

Publicado por Ana Carolina e Ana Paula às setembro 26, 2006 04:14 PM

Comentários

Só está faltando algumas informações,mas o conteúdo está legal!!

Publicado por: pikena às agosto 15, 2007 08:36 PM

eu queria saver de como fui a historia de parnasianos no brasil e no mundo etc.??????????????

Publicado por: luz maria chacon alarcon às junho 2, 2008 08:16 PM

essa coisa ai não tem imagens

Publicado por: roniclei às agosto 22, 2008 12:45 PM

q mrda!!!!!!!!!!!

Publicado por: fabiano às setembro 13, 2008 12:56 AM

Achei muito interessante consegui concluir todo o meu traballo.

Publicado por: Janaina Goulart Dornelles às setembro 26, 2008 05:52 PM

achei muito imteresante...

Publicado por: renata às outubro 9, 2008 12:32 PM

Muito bom!

Agradeço, Renata!

Infeliz de quem faz comentários deprimentes, e nem consegue delinear paravras acerca do tema, como esse ronicleibatista@hotmail.com...
Parabéns para você, Renata, pela disposição e iniciativa.

Publicado por: Ana Cecília às outubro 10, 2008 12:08 AM

XD xD XD xD xD XD xD

Publicado por: Mister M às março 4, 2009 11:15 AM

Oi..achei muito interessante e completo o site,só não achei uma coisa que procurava,qual foi o PRINCIPAL representante brasileiro do parnasianismo...se puder me ajudar,me responda pelo email...tata.t.a_lora@hotmail.com...obrigada

Publicado por: thaís às maio 7, 2009 02:39 AM

Muito interressante o Site. Me ajudo muito na minha pesquisa! Parabéns Site Show ^^

Publicado por: wellington às setembro 23, 2009 07:51 PM

muito interassante,achei td q precisava

Publicado por: beatriiz às novembro 13, 2009 05:01 PM

muito bom mesmo, foi muito util

Publicado por: fernanda às dezembro 11, 2009 12:30 AM

chupa seu filha da puta!!!!enfia esse trabalho nocú pq tá uma bostaa!!! aprende a fazer um trabalho direito!!abraços

Publicado por: Macaco às dezembro 13, 2009 11:11 PM

Eu tenho uma apostila que tem esse conteúdo que você postou, mas estou precisando da referência. você pode me ajudar?

Publicado por: Jocélio às junho 10, 2010 12:19 AM

Eu tenho uma apostila que tem esse conteúdo que você postou, mas estou precisando da referência. você pode me ajudar?

Publicado por: Jocélio às junho 10, 2010 12:22 AM

gostei do conteudo,agora da para fazer o meu trabalho, e para akeles ke so sabem postar comentarioos sem interesse (vao a....)

Publicado por: Crivaldo às junho 13, 2010 09:20 PM

Muito bom :)

Publicado por: Ana às junho 21, 2010 10:24 PM

Muito obrigada! encontrei tudo que precisava p meu trabalho ! ótimo conteúdo !

Publicado por: Juliana Pinheiro às novembro 7, 2010 08:34 PM

Parabéns!! Usei o seu esquema para dar aulas no Pré-vestibular e como modelo para que os alunos da Universidade do Curso de Letras tivesem uma ideia de com estruturar um esquema informativo.
Sou mestre em estudos linguisticos e professora da Universidade do Estado da Bahia. Continue assim, publicando seu conhecimento.Não se importe com comentários grosseiros e sem fundamento.

Publicado por: Maria Iraides da Silva Barreto às julho 14, 2011 02:32 AM

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