junho 19, 2006

A inclusão de Cavaco

Hoje que o Presidente Cavaco Silva iniciou o seu 2.º Roteiro, gostaria de aqui deixar um texto muito bom:

“Cavaco Silva lançou-se no terreno a favor da inclusão social. Como não pretende, pelo menos nesta fase, ouvir dizer mal do Governo, a sua luta centra-se na divulgação das boas práticas, no repto à sociedade civil. Nada de novas verbas do Estado ou de comprometer as finanças públicas. Gastar melhor não significa sempre gastar mais. O projecto do PR passa por rebocar a comunicação social e desta forma alertar as consciências, interrogar cada um dos portugueses sobre o que podem fazer para combater a exclusão social em todas as suas dimensões, da desertificação do interior ao alcoolismo, passando pela violência sobre a mulheres e as crianças – coisas concretas da vida, que há muito afastam uma parte significativa dos portugueses do interesse, e orgulho, pelo País. Pode parecer uma luta quixotesca para um homem habituado ao rigor dos números, dos investimentos e dos resultados, mas é necessária. E não deixa de ser politicamente curioso que o frio Cavaco tenha hasteado para primeiro tema dos seus roteiros, em sintonia com o discurso de Abril, uma luta a favor dos pobres, dos velhos, de quem sofre. Portugal não é só números, indicadores, barómetros, taxas. É sobretudo, pessoas. Quem no-lo relembra, nestes tempos de crise e agravamento das desigualdades, é o professor de economia e finanças colocado em Belém. Alguém disse que o Presidente era de Direita e esta só defende os ricos?”.

(João Marcelino – director editorial - revista Sábado, 1 de Junho 2006)

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maio 18, 2006

O fumo de Sócrates

"É preciso admitir: o Governo de José Sócrates, de facto, não deixa as coisas pela metade. No avião fretado que levou ministros, empresários e jornalistas a Angola, foi aproveitado um buraco nas leis de aviação que permitiu que se fumasse a bordo. Mas os passageiros não se limitaram a dar umas passas - transformaram o avião numa chaminé com asas. E só pararam quando, no regresso, um assessor do primeiro-ministro se sentiu mal e precisou de receber oxigénio a conselho médico.

José Sócrates sabe que este episódio não é um detalhe. Ou melhor: sabe que é um detalhe, sim - e que os detalhes são muito importantes em política. Foi por isso que se deu ao trabalho de encenar o detalhe do jogging nas ruas de Luanda. Foi por isso que se deu ao trabalho de anunciar o detalhe das 333 (e não 332 ou 334) medidas "simplex" contra a burocracia. Foi por isso que se deu ao trabalho de aparecer nas cerimónias de comemoração do 25 de Abril com o detalhe do cravo vermelho ao peito.

Em política, os detalhes são importantes porque funcionam como símbolos.

E o detalhe de um Governo a fumar descontroladamente a bordo de um avião é um símbolo poderoso de duas coisas. Primeiro, de que este Executivo não leva a sério o combate ao tabagismo, apesar de ter sentido a imperiosa necessidade de mudar a legislação há pouco tempo e de impor proibições violentas aos fumadores não ministros. Depois, de que, por mais restritivas que sejam as leis, é sempre possível contorná-las, principalmente se se tem alguma força política ou económica e muita falta de pudor.

Grande parte do poder de José Sócrates, que gosta que o vejam como um guerreiro solitário contra interesses poderosos, é este: ele não é apenas sério, parece sério. Quando permite que numa viagem os ministros que estão à sua volta usem um estratagema para ganhar privilégios que nenhum português tem, deixa de parecer sério e passa a parecer, simplesmente, igual aos outros, o que, para ele, é tão fatal como um cigarro."

(Editorial da Direcção da revista Sábado, 4 de Maio de 2006)

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maio 12, 2006

A Igreja e o sexo

"As religiões devem assumir-se como uma utopia do Bem, defendendo os princípios mesmo em situações-limite, ou devem saber moldar-se às circunstâncias da vida dos crentes e à evolução da espécie humana, seja lá o que isso for?
Como sabemos, as duas vias degladiam-se no interior de todos os credos. Na Igreja Católica, por exemplo, todas as questões ligadas ao sexo têm merecido prudência em excesso. Se a SIDA fosse uma doença da idade média, como a sífilis e outras, seria com certeza um pecado devido à fornicação. Hojé não será bem assim, mas sabe-se como o tolerante e ecuménico João Paulo II recusou sempre qualquer transigência em relação ao preservativo, à discussão da reprodução artificial assistida ou a outros temas polémicos e fracturantes. Até por isso, Bento XVI surpreende. A Igreja portuguesa já aconselha o preservativo como uma elementar precaução quanto às doenças e mesmo o Vaticano vai em breve começar a necessária discussão teológica sobre outras matérias delicadas. São passos aparentemente pequenos, mas que, adaptando uma frase do astronauta Neil Armstrong, são gigantescos para a Igreja. E são bem-vindos."

(João Marcelino, Director editorial da revista Sábado, in Sábado de 4/05/2006)

São mesmo muito bem-vindos! Finalmente será que vamos ter uma Igreja inteligente e acabar de vez com o obscurantismo?

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abril 19, 2006

Lisboa não é Helsínquia

“Na última semana, enquanto o primeiro-ministro fazia jogging matinal na baía de Luanda, o país atrasado que ele governa resolveu pôr a sua feia cabeça de fora. Um relatório do Eurostat mostra que 2/3 dos portugueses nunca usaram a internet. Pior do que nós, só a República Checa, Chipre e a Grécia. Em compensação, José Sócrates pode ficar contente com outros números: a Finlândia, que pelos vistos é o nosso novo modelo económico, está muito bem. Enquanto em Portugal 63% da população nunca entrou na net, no país mais adorado pelo primeiro-ministro, o número desce para uns muito civilizados 23%. Mais uma vez se confirma: quando nós formos a Finlândia todos os problemas se resolverão.
Enquanto isso não acontece, há alguns detalhes irritantes que é preciso consertar. Os números dão razão a Sócrates: Portugal precisa mesmo de um choque tecnológico. Mas também lhe tiram razão: o choque não pode ser grande de mais. Quando o primeiro-ministro anuncia que quer toda a gente a pagar o IRS por computador, ou quando ameaça criar um imposto que só pode mesmo ser liquidado pela internet, ou quando acha que de repente todos os portugueses se vão tornar em ases de informática, mostra que não sabe onde vive. No pais que tristemente lhe caiu no colo, 66% das mulheres, 59% dos homens, e 7 em cada 10 desempregados não reconheceriam a internet mesmo que ela lhes desse um soco na cara. As mudanças, que são desejáveis e acabam com burocracias insuportáveis, não podem presumir que Lisboa é Helsínquia.
Quando se raspa o verniz da modernidade com que o Governo nos quer cobrir, Portugal continua a ser o que sempre foi – atrasado, iletrado e ignorante em novas tecnologias. Um político governa com aquilo que tem, e não com aquilo que gostaria de ter.”

(Editorial da Direcção da revista Sábado, n.º 102, 12 a 19 de Abril de 2006)

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abril 11, 2006

Angola ... outra vez!

"Ir a Angola e não olhar para a realidade da violação dos direitos humanos no país é como ir a Roma e não ver o Papa. Levar a Angola 70 empresários portugueses, potenciais investidores no país, e condená-los a fazer parcerias com as empresas angolanas, como se sabe dominadas pela família de José Eduardo dos Santos, é o mesmo que entregar o ouro ao bandido. E fazer jogging pela manhã na marginal de Luanda com dez seguranças, batedores à frente e um carro da polícia atrás era, no mínimo, dispensável. Para não dizer provocador..."

Leonete Botelho, in Público, 8 de Abril de 2006

Publicado por castafiore às 11:51 PM | Comentários (2)

março 24, 2006

Maratona financeira

Notícia do DN online de 22/03:

"As Finanças recuaram à última hora no convite a todos os funcionários do ministério para que participassem nas próximas meia e minimaratona de Lisboa, domingo, envergando uma camisola com o dístico "consolidar agora para um futuro melhor". Nada mais nada menos que o lema político do Governo inscrito no Orçamento do Estado para 2006.
O convite foi endereçado por e-mail aos vários funcionários, tendo estes de responder se aceitavam o convite para que o ministério procedesse à impressão das referidas camisolas. Depois de um primeiro apelo à participação (com data-limite de 15 de Março), o Ministério das Finanças deu um novo prazo para os funcionários responderem, prazo esse que terminou no passado dia 20 de Março. As camisolas seriam oferecidas pelo ministério, bem como a referida impressão, mas a inscrição na prova teria de ficar a cargo dos eventuais participantes.
Ontem, perante questões colocadas pelo DN, as Finanças disseram que se decidiu anular a iniciativa e que todos os funcionários inscritos seriam avisados da decisão."

No email dirigido aos funcionários podia ler-se ainda a seguinte frase: "O equilíbrio orçamental é um elemento indispensável ao quadro de estabilidade macroeconómica no qual se reforça a confiança dos investidores internos e externos e com ela o investimento na economia portuguesa. Este assegura o potencial de crescimento e o bem-estar das futuras gerações. Por isso, a consolidação orçamental é também um acto de solidariedade intergeracional a favor dos nossos filhos e dos nossos netos."

Oh Sr. Ministro... Isto é que é literalmente vestir a camisola... ou não... já que afinal esta ideia "genial" não vingou... Isto quase ganha o prémio da patetice do ano, mas como ainda vamos em Março, infelizmente que muitas mais virão...

Publicado por castafiore às 12:02 AM | Comentários (1)

março 07, 2006

Um presunto ou um homicidio

Antonio Hernandez, um espanhol de 41 anos, deu entrada no passado dia 24/02 na prisão de Huelva, em Espanha, onde irá cumprir uma pena de prisão de 12 anos por um crime cometido em 1985, em conjunto com outras 4 pessoas – um assalto sem violência a uma vivenda, de onde roubaram uma televisão, um rádio e um presunto.

12 anos de prisão!!! Talvez um pouco demais...

Em Portugal, a mãe e o tio de Joana, a menina assassinada no Algarve foram condenados a 20 e 19 anos de prisão respectivamente, num crime que no nosso fabuloso país de brandíssimos costumes, poderia, quando muito ser punido com um máximo de 25 anos...

19 anos de prisão!!! Talvez um pouco de menos...

E isto, apesar do Ministério Público ter recorrido e pedido uma pena de 23 anos e de os advogados de defesa desta maravilhosa família quererem decretar nulo o julgamento, por os reús se considerarem... inocentes, claro...!!!

A vida de uma criança no nosso país vale apenas mais 7 anos do que uma televisão, um rádio e um presunto, todos juntos, no país vizinho...

É reconfortante esta valoração comparada, não é?

Publicado por castafiore às 09:45 PM | Comentários (3)

março 03, 2006

Queda para a arte...

Manuel Maria Carrilho, de visita à exposição da Fundação Serralves em exibição no Palácio de São Bento, estraçalhou-se contra uma escultura em madeira, representando uma árvore com vários galhos, um dos quais... já não é!

Este homem é tão cultural que até os seus acidentes pessoais são de alguma forma artísticos.... Extraordinário!

Publicado por castafiore às 12:11 AM | Comentários (3)

fevereiro 26, 2006

Alerta

Porque é urgente repor a verdade:

"Alerta para a macaquice estatística que no mês passado levou as Universidades de Yale e de Columbia a cair num logro sobre o estado ambiental do nosso país. Com base em fontes estatísticas não indentificadas e que ninguém duvida serem erradas de alto a baixo, chegaram à conclusão brilhante de ser Potugal um dos países do mundo com melhor performance ambiental. Com - imagine-se - dados como 100% da população ligada à rede dos esgotos e a beneficiar de eficiência de saneamento, atribuem-nos o 11.º lugar no "ranking" do índice de desempenho ambiental.
Errar é humano, mas já agora, convinha emendar o erro - não vá a UE, deslumbrada com a descoberta estatística das Universidades americanas, decidir que o país afinal não precisa dos vários milhões de euros que vai receber para saneamento básico e que são a nossa última oportunidade para deixar de viver a chapinhar em águas sujas e a contaminar lençóis freáticos...
Estranho é que o Ministério do Ambiente não tenha sequer levantado o sobrolho de admiração. Ou será que, aproveitando a dinâmica Gates, está a pensar decretar a realidade pela medida de estatística americana ?!?..."

(in revista Única, jornal Expresso de 25/02, Luísa Schmidt)

Querido Primeiro-Ministro, uma vez que até já foi Ministro do Ambiente, nem isso sequer lhe dá vontade de tomar algumas medidas mais concretas e pragmáticas em nome do dito cujo? Sabe que quando se deteriorar de vez (e já estivemos mais longe...) não há retorno possível...

Publicado por castafiore às 09:21 PM | Comentários (1)

fevereiro 04, 2006

Uma cidade sem gente a viver na rua

A notícia tem já 2 ou 3 dias e diz respeito à única sem-abrigo de Viana do Castelo que foi alojada provisoriamente numa pensão daquela cidade pelos serviços da Segurança Social, entidade que vai, entretanto, tentar arranjar uma solução definitiva para o problema da mulher que passou os últimos dias e noites nas ruas da cidade.

A solução deverá passar ou pela sua colocação numa instituição de solidariedade social ou pela sua integração numa família de acolhimento.

Paralelamente, vai ainda ser tentada a atribuição de uma pensão social à mulher, «que não dispõe de qualquer forma de subsistência», para que «não tenha que se dedicar à mendicidade».

Laurinda Dantas Arantes, 50 anos, é natural de Serdedelo, Ponte de Lima, e há mais de uma semana que vivia nas ruas de Viana do Castelo, onde se têm registado temperaturas mínimas de quatro e cinco graus negativos.

Um cartão estendido no chão era o seu colchão e tapava-se com um velho cobertor. «Claro que tenho muito frio, mas o que é que hei-de fazer? O que eu quero é que não me façam mal», disse à Lusa.

Laurinda Arantes queixou-se das pessoas que a «escorraçavam» porque não a queriam ver junto às suas casas ou aos seus estabelecimentos. Comia o que um ou outro transeunte lhe oferecia ou o que conseguia comprar com as esmolas que ia angariando durante o dia.

Diz que «serviu em casas de gente muito rica», como que para lembrar que «já soube muito bem o que é o conforto». «Foi a vida que me atirou para a rua. Só eu e Deus é que sabemos como são as noites ao relento. É o frio, é o medo, é como se a gente fosse um farrapo».

Publicado por castafiore às 04:40 PM | Comentários (0)

janeiro 26, 2006

Balanço instantâneo

Porque me parece uma análise muito bem feita. No Público de 23 de Janeiro.

“Venceu o candidato mais misterioso. De mais difícil qualificação. Mais previsível, na vitória, mais imprevisível no comportamento. Na verdade, o que merece ser sublinhado é que tem as mãos livres. Pode fazer o que entender com o Governo e com os partidos que o apoiaram. Não se comprometeu, a não ser com princípios gerais e intenções bondosas. Venceu graças à reputação, não às ideias, que não exprimiu, nem ao programa, que não tornou claro.

O primeiro e o segundo candidatos mais votados foram os mais independentes, talvez os mais populistas, mais próximos dos movimentos sociais, mais... contra ou à margem dos partidos instalados. Que daí não venha mal ao mundo: pode ser que os partidos aprendam!

Manuel Alegre é a grande surpresa desta campanha. O seu resultado, de irremediável crueldade para Mário Soares, é a tradução exacta do mal-estar socialista. A votação de Alegre é uma derrota e um problema para Sócrates. Mas não creio que Alegre saiba o que fazer com estes votos.

Mário Soares pagou pelos seus erros. Erros desnecessários. A sua candidatura não teve sequer a grandeza dos grandes combates. Pela simples razão que não havia grande combate. Soares, que se podia ter poupado a isto e do mesmo nos podia ter dispensado, pode evidentemente queixar-se de Sócrates e do PS. Mas convenhamos: é sobretudo dele que se pode queixar. Revelou ter perdido o contacto com a população e com o eleitorado. Assim como mostrou ter uma ingénua confiança na sua Corte. Esta é, no género, a maior e a mais colorida do país. Mas a sua auto-suficiência é superior à sua lucidez. E Soares, contra os instintos pretéritos, confiou nela. Sem perceber que quem vê a Corte, não vê o país.

José Sócrates revelou ser capaz do pior. O seu comportamento foi lamentável. A única preocupação era a de sair incólume desta eleição. Em vista do que não olhou a meios. Torpedeou Alegre, por vingança partidária. Enganou-se na escolha do candidato, o que mostra pouca clarividência e nenhum talento. A um verdadeiro combate, com riscos, preferiu uma derrota. Escolheu Soares, mas não lhe deu apoio. A fim de poder garantir que a derrota era do candidato e não a sua nem do seu partido. Por motivos menores e com malícia, desejou a vitória dos adversários.

Sócrates deve julgar que ganhou. Mas desenganar-se-á rapidamente. Vai ter enormes sarilhos. Por causa da colossal votação de Manuel Alegre. Por o candidato oficial do PS ter obtido 14% dos votos. E por o seu partido não ter assumido compromissos nem cumprido os deveres. Mas as suas principais dificuldades serão outras. Ele acha que tem Cavaco Silva nas mãos e que este é a sua alma gémea. E que com ele conta para as sua políticas duras. Em breve descobrirá que se engana. Cavaco Silva será tudo menos um incondicional.

No seu discurso da noite eleitoral, Sócrates mostrou quem é. Pisou o segundo candidato mais votado, obrigando os canais de televisão a passar para ele. O seu despotismo veio à superfície. Aqueles, infelizmente, num gesto inqualificável, submeteram-se! No seu discurso, Sócrates tentou cavalgar a ficção. Qualificou de “particularmente difíceis” as circunstâncias da candidatura de Mário Soares, quando tal não é verdade. As circunstâncias eram as de um país que, há menos de um ano, lhe tinham dado uma formidável vitória eleitoral. Eram as de um tempo, único na história, em que um governo socialista beneficiava de uma maioria parlamentar robusta! Para Sócrates, as “circunstâncias particularmente difíceis” começam hoje!”

(António Barreto)

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janeiro 25, 2006

O Código da Vinci

De acordo com notícia de ontem do Público, a Opus Dei quer que o filme que está a ser realizado com base na obra homónima de Dan Brown, seja interdito a menores para preservar as crianças da influência negativa de uma "manipulação da história".

"Tal como protegemos as crianças das cenas explícitas de sexo e de violência, devemos protegê-las da violência que se exprime de uma forma mais subtil e insidiosa", disse Marc Carrogio, responsável pelas relações da Opus Dei com a comunicação social.

E viva a liberdade de pensamento...

Publicado por castafiore às 12:06 AM | Comentários (1)

janeiro 18, 2006

Pérolas de sabedoria

Excertos de uma entrevista publicada na Sábado, de 6 a 11 de Janeiro, com Teresa Caeiro, ex-Secretária de Estado da Segurança Social e posteriormente Secretária de Estado das Artes e Espectáculos (em vez de Secretária de Estados dos Assuntos Militares como entusiasticamente anunciado por Paulo Portas uma vez ser a 1.ª mulher com perfil certo para o cargo por ser filha e neta de militares...):

- "Eu sou vampírica em relação às obras produzidas pelos outros, adoro absorver a criação dos outros mas do lado de cá."

- "A minha vocação relativamente às artes é mais abrangente, não no sentido em que seja uma pessoa de tal modo da cultura que abarque tudo."

- "Muitas vezes gostaria de estar mais tempo só e com mais calma e paz de espírito para poder vampirizar a produção extraordinária que existe a todos os níveis."

- "Por outro lado penso que a roda que nos faz evoluir em termos de civilização cultural passa muito também pela experimentação e pela vanguarda. Aí só o tempo dirá o que vai cristalizar e ficar sedimentado como uma fractura válida e alternativa."

- "Ai que vergonha. Confesso que na altura as pessoas me diziam que a arquitectura exigia muita matemática e isso assusta-nos um bocadinho à partida."

- "Procuro ler muitas revistas de arquitectura e design porque nem sempre podemos apanhar aviões para ir à Pensilvânia."

Palavras para quê...???

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janeiro 15, 2006

Que infantilidade, Inês!

Além de apreciar imenso o estilo de escrita, aprecio imenso o conteúdo dos textos da Inês Pedrosa. Muitas das apreciações, análises e considerações, muitas das opiniões que ela exprime semanalmente na Crónica Feminina podiam ser escritos por mim, de tal forma reflectem a maior parte das minhas próprias opiniões.

Imaginem a minha desilusão, esta semana ao ler a crónica habitual no Expresso. Com o título "O novo PREC", e dedicada ao abuso de poder por parte do Estado na forma como colide com as liberdades privadas, tem como suporte a indignação pela lei que em ESPANHA proíbe que se fume em locais públicos com determinadas características e dimensões.

Eu própria suspeito do fundamentalismo dessas medidas, apesar de não ser fumadora e de me incomodar imenso e cada vez mais, estar a almoçar ou a tomar uma bebida e a conversar com amigos e ter de estar a engolir o fumo do cigarro alheio... Acresce que existem outros vícios privados sobre os quais julgo que seria mais importante o Estado legislar e intervir pelos estragos que, mesmo na esfera privada de cada um, podem acabar por causar na comunidade...

Ainda assim não posso deixar de me indignar quando leio a seguinte frase na referida crónica: "Protegem-nos como crianças (a obrigatoriedade do cinto de segurança em adultos é outro sintoma desta negação da liberdade individual), ou seja, desconsideram a nossa capacidade de escolher a nossa própria vida."

Em 1.º lugar, comparar a tudo o resto a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, e considerar tal medida como uma negação da liberdade individual parece-me uma afirmação com uma dosagem de infantilidade que não é digna de alguém com as capacidades intelectuais da Inês Pedrosa.

Em 2.º lugar, parece-me que levarmos a conversa para esse campo acaba por fazer de nós fundamentalistas também, mas no extremo oposto. Recordo-me sempre, em situações como esta, da frase que o meu Pai ouviu num restaurante poucos dias depois do 25 de Abril de 1974, e que o deixou à beira de um ataque de nervos: "Ainda bem que agora temos a liberdade para eu até poder passar com os sinais vermelhos...!!!" E vivam as mentalidades esclarecidas dos nossos Tugas!

Em 3.º lugar, para alguém que, como a Inês Pedrosa, tantas e tão boas crónicas escreveu sobre a falta de civismo dos Portugueses ao volante, o facto de sermos o País da Europa onde mais se morre na estrada, o facto dos acidentes serem quase integralmente causados por excesso de velocidade e excesso de álcool e a circunstância de com isso se acabarem de forma violenta, ou estropiá-las para sempre, vidas que apenas tiveram o azar de estar no sítio errado, na hora errada, parece-me um profundo contrasenso esta explosão de revolta adolescente de considerar que a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança é uma negação da liberdade individual...

Desculpe-me lá, cara Inês, mas você não deve começar sequer por ter uma pálida ideia do que são privações de liberdade individual "à séria" para ter sequer a falta de senso para comparar uma coisa à outra. Devia abster-se de o fazer por respeito e consideração para com todas as pessoas que diariamente no mundo vêem os seus direitos mais básicos e as suas liberdades individuais mais elementares serem-lhes retiradas...

Finalmente, e em 4.º e último lugar, desculpem que vos diga que enquanto houver pessoas que fazem afirmações destas e comparações destas é natural que haja uma certa tendência para desconsiderar a capacidade de cada um escolher a sua própria vida. Portugal é, infelizmente, um País com um nível excessivamente elevado de boçalidade intelectual. E enquanto assim for existem pessoas que precisam que pensem por elas e que à força lhes seja demonstrado o que podem ou não fazer para permitir uma sã convivência entre todos. Se isso tiver de passar por estradas com tolerância zero, proibição absoluta de beber álcool antes de guiar, penas de prisão pesadas para os praticantes de street racing, mais pesadas ainda para condutores que em violação do código da estrada assassinam inocentes, paciência!!!

Pessoalmente, prefiro suportar a alegada violência de ter de apertar o cinto de segurança para me deslocar 2 quarteirões até casa dos meus pais do que pensar que posso ser projectada para fora do meu carro, por não o ter colocado, quando o próximo adolescente-imbecil-sem-carta-e-podre-de-bêbado-que-saíu-às-escondidas-com-o-mercedes-do-pai, embater a 160 kms./hora, no meu carro por trás porque nem sequer sabia a diferença entre o travão e a embraiagem... E curiosamente, a única violação que acho que é feita à minha liberdade pessoal num caso desses, é a do responsável sair impune dessa situação porque tem "a sorte" de só ter 17 jovens e inconscientes aninhos...

Publicado por castafiore às 09:58 PM | Comentários (1)

janeiro 09, 2006

Cavaco e Sócrates

Porque me parece um texto mutíssimo bem escrito e de uma extraordinária lucidez, gostaria de partilhar a crónica do António Pinto Leite, no Expresso de sábado passado.

"Dentro de algumas semanas, tudo leva a crer, Aníbal Cavaco Silva e José Sócrates irão iniciar uma caminhada em conjunto. Conhecem-se mal. São ambos reservados de feitio e determinados de temperamento. Cavaco Silva preocupar-se-á, essencialmente, com dois aspectos do primeiro-ministro: o carácter e o sentido de Estado. Poucos políticos privilegiarão de modo tão agudo o relacionamento de confiança, o sigilo da intimidade institucional, a blindagem à intriga palaciana ou jornalística, como Cavaco Silva.
José Sócrates, presumo, colocará a si mesmo várias questões. Desde logo, a questão básica: será bom ser primeiro-ministro com Cavaco Presidente? A resposta é simples: Cavaco Silva é o melhor Presidente da República que um bom primeiro-ministro pode ter e o pior Presidente que um mau primeiro-ministro pode ter.
Se for um bom primeiro-ministro, íntegro, articulado, preparado, corajoso e orientado para os resultados, José Sócrates terá em Cavaco Silva um excelente aliado. Se for errático nos objectivos ou mal preparado nas políticas, não terá um relacionamento fácil com Cavaco, certamente que não.
Para um engenheiro é essencial a previsibilidade, perceber como que conta. José Sócrates leu, certamente, os textos programáticos de Cavaco Silva. Se for eleito, Cavaco Silva vai fazer exactamente o que diz que vai fazer e agirá sempre de um modo racional. Finalmente, é importante para José Sócrates entender que lidará com um Presidente diferente, pela primeira vez estará em Belém um homem marcadamente pragmático, que privilegia resultados. Enquanto Portugal não sair da crise o país sentirá a ansiedade de Cavaco Silva. Será muito estimulante, mas muito exigente.
Se tudo correr como se prevê, Cavaco Silva e José Sócrates vão conviver quatro anos. Pela lógica das respectivas eleições e pela natureza do sistema de governo, vão depender um do outro. Cavaco Silva será eleito com a expectativa de que será capaz, mesmo com as limitações do seu cargo, de devolver a confiança a Portugal. Os portugueses colocam em Cavaco uma elevada expectativa de que, com ele, Portugal sairá da rota de empobrecimento em que se encontra.
Cavaco Silva seria criticado se a situação actual não viesse a ser invertida. Ora, para conseguir inverter a situação, com as limitações que um Presidente tem, Cavaco Silva precisa que Portugal tenha um bom primeiro-ministro. Quanto melhor primeiro-ministro Sócrates for, melhor será o mandato presidencial de Cavaco.
Pelo seu lado, José Sócrates falhará rotundamente se, daqui por quatro anos, a situação de Portugal não se tiver invertido. Apesar de algumas medidas corajosas, Sócrates corre o risco de fazer um enorme esforço e acabar soterrado pelo declínio em que o país se encontra.
Para dar a volta à situação precisa de um clima de confiança. Precisa também de cobertura política para aprofundar algumas reformas, nomeadamente no combate ao despesismo interno. Cavaco Silva é, assim, para Sócrates, uma janela de oportunidade, rigorosamente a única que as presidenciais lhe oferecem.
Em suma, José Sócrates precisa de Cavaco Silva e Cavaco Silva precisa de José Sócrates. Com o prestígio que o eleitorado atribui ao Presidente da República, seria suicidário para José Sócrates afrontar um Presidnete com o peso que Cavaco Silva, se vier a ser eleito, terá. Na frágil situação em que Portugal se encontra, seria temerário se Cavaco Silva conflituasse com José Sócrates.
José Sócrates é a jangada de que Cavaco disporá para atravessar o rio do seu primeiro mandato. Cavaco Silva é a bóia de que José Sócrates dispõe para não se afogar no mar picado da crise.
Cavaco Silva e José Sócrates estão condenados, não só a entenderem-se, mas a cooperar. Acredito que assim sucederá. Se não for por encanto pessoal recíproco, será por pragmatismo, porque ambos precisam um do outro. E também porque um povo a empobrecer - e saturado de políticos de pequena estatura - não perdoaria que assim não fosse."

Publicado por castafiore às 12:07 AM | Comentários (1)

outubro 08, 2005

Brincar aos médicos

Ainda na Visão desta semana o artigo sobre o homem que ao que parece anda a esfaquear pessoas em Lisboa, sem que se conheça a causa ("Homicídio porque sim" - pág. 94).

O que achei extraordinário na noticía foi isto:
""Foi um rebuliço", diz fonte hospitalar do Curry Cabral", unidade onde foram assistidas as vítimas. "Nenhuma equipa das urgências está preparada para receber, de rompante, três casos a necessitar de cirurgia urgente.""

...????... !!!! Desculpem, mas terei lido mesmo bem...???? Será que isto é normal???? Uma equipa de urgências não está preparada para intervir em 3 situações em simultâneo que precisem de operações....????? Então para que é que servem as Urgências??? Crises de acne juvenil, pé de atleta ou uma conjuntivite, talvez, desde que não seja tudo ao mesmo tempo, claro....

Isto é ridículo e deixa-me mesmo muito sossegada se alguma vez tiver de ir por qualquer razão mais grave para uma urgência hospitalar.... Oxalá consiga ir depressa... é que se lá chegou alguém antes de mim com uma unha encravada, estou bem arranjada...

Publicado por castafiore às 12:54 AM | Comentários (1)

Crianças maltratadas

A leitura do artigo de capa da Visão desta semana é suficiente para deixar qualquer um de nós, num estado lastimoso.

Como se a notícia da existência de crianças maltratadas não fôsse suficientemente má em si própria, ficamos a saber que Portugal é o país da OCDE onde existem mais crianças maltratadas.... É extraordinário não é? Somos uns verdadeiros burguessos... Garanto que este é o tipo de situações que me faz ter vergonha do meu País... Maltratar crianças é do mais baixo, primitivo e animalesco possível...

Perdão, animalesco não, porque tanto quanto sei nenhuma espécie do mundo animal faz isto às suas crias... Geralmente o que acontece quando à nascença algumas são rejeitadas é que outras mães desse grupo as recolhem e protegem, os elefantes quando se deslocam em manada levam as crias fechadas em círculo no meio para as proteger, as corças quando bebem em rios de águas infestadas de corcodilos formam roda à volta dos mais novos que, sendo menos rápidos, têm menos hipóteses de sobrevivência a um ataque feroz.

Nós os Portugueses, em compensação, maltratamos as nossas crianças. Espancamos, violamos, abandonamos, matamos. Não protegemos nem ajudamos aqueles que por serem mais frágeis e indefesos mais precisam do nosso amparo.

Da leitura dos 3 casos relatados no artigo em questão, todos relativamente conhecidos e divulgados, fiquei doente. Um em particular deixou-me verdadeiramente transtornada: a história do Daniel, uma criança de 6 anos, deficiente, morto em consequência dos abusos sexuais do namorado da mãe que enquanto lhe dava banho o violava com um pau de piaçaba, até lhe ter perfurado o intestino, o que lhe causou a morte... Apenas imaginar o sofrimento desta criança é suficiente para se ficar de rastos... Existe alguma coisa mais horrível do que isto????

Talvez exista! Talvez o facto da criança, antes da sua morte ter ido algumas vezes a hospitais onde o seu estado físico causou estranheza aos médicos e enfermeiros, pelas lesões que apresentava e ninguém fez nada, ninguém disse nada, ninguém procurou saber o que se passava. Talvez isto seja também horroroso pelo que implica.

Talvez ainda, o facto do monstro que fez isto estar acusado da prática de um crime que lhe pode valer apenas 15 anos de prisão: abuso sexual de criança agravado por morte.

Quer-me a mim parecer que homicídio qualificado seria o mínimo a considerar num caso destes. É que 25 anos de prisão, ainda assim, parece-me pouco perante um crime destes.

Que a vergonha e o horror desta situação se abatam sobre todos nós, que seja uma humilhação pública bem merecida de sofrermos quando quisermos brincar aos países civilizados... Vergonha pela permissividade na sua ocorrência!Vergonha pela brandura dos nossos costumes e leis! Vergonha pela cobardia em tomarmos medidas mais definitivas em situações destas!

Afinal, estamos bem baixo em termos de escala de civilização... Diria mesmo que batemos no fundo!

Publicado por castafiore às 12:30 AM | Comentários (2)

Carlos e a máquina de fazer pão

Pode ser uma gota de água no oceano, mas gostei de ler a história da viagem de regresso do Gonçalo Cadilhe a El Salvador (Viagens, revista Única, Expresso de 1 de Outubro), do seu reencontro com o amigo Carlos, um padeiro que habita um bairro paupérrimo e que gastava 1/3 do seu ordenado mensal (€ 120,00) no aluguer da máquina de amassar pão, onde fabricava os pães que depois vendia durante o dia, sustento do seu agregado familiar (mulher e 4 filhos).

O Gonçalo Cadilhe, em conjunto com amigos e familiares, quotizaram-se e pela quantia de cerca de € 2.500,00 compraram a máquina, que lhe ofereceram, para que aquela despesa deixasse de lhe pesar e os rendimentos provenientes da venda do pão sejam mais significativos.

É que o Carlos tem um encargo acrescido: o pagamento ao banco do empréstimo que fez para comprar os tijolos de que precisa para construir as paredes da sua casa e ir assim, a pouco e pouco, substituindo as placas de zinco, por outro material mais consistente...

É uma lição de vida que se retira daquele texto, daquela história.

Não o conheço Gonçalo e decerto que o Carlos lhe agradeceu imensamente, mas, sem que conheça sequer o Carlos, deixe-me agradecer-lhe também em nome dele.

Publicado por castafiore às 12:19 AM | Comentários (0)

setembro 18, 2005

Filhos de uma justiça menor

"(...) Salvador é um dos 170 antigos funcionários da falida Cooperativa Agrícola do Vale do Sorraia, que há quase 10 anos (des)esperam por receber o dinheiro que lhes é devido por indemnizações de antiguidade subsídios e salários em atraso. E o desespero continua: revogando duas decisões judiciais anteriores (1.ª instância e Relação), um controverso acórdão do Supremo Tribunal de Justiça retirou aos trabalhadores a prioridade dos créditos da massa falida da empresa, tendo dado primazia à Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Significa isto que só depois de o maior banco português (e possuído pelo Estado) ser ressarcido dos mais de dez milhões de euros de que é credor, é que a situação dos ex-funcionários merecerá atenção."

(Tiago Fernandes, in Visão, 25 de Agosto de 2005)


Esta decisão, muito polémica, como o artigo refere, e inclusivamente tecnicamente (leia-se, juridicamente) muito questionável do ponto de vista da sua correcção, ou mesmo legalidade, foi subscrita pelos juízes-conselheiros do STJ, de seu nome, e a saber: Neves Ribeiro (relator), Araújo Barros e Oliveira Barros.

Os mesmos, certamente, que juntamente com tantos outros magistrados judiciais, protestam contra as medidas do Governo de redução das férias judiciais (de 60 para 30 dias) porque isso os obriga a ter férias numa altura específica do ano o que consideram ilegal (por acaso também acontece o mesmo, por exemplo, com os professores, mas até agora ainda nenhum se lembrou de vir reclamar contra isso...), ou contra o facto dos Serviços Sociais do Ministério da Justiça irem ser extintos e terem de passar a usufruir "apenas" das mesmas outras regalias que os restantes funcionários públicos, integrados no sistema geral da ADSE (que por acaso, para quem não saiba, é, por sua vez, bastante mais generoso em termos de regalias e reembolsos, do que o sistema de Segurança Social, de que o comum mortal beneficia...).

Nada disto decerto preocupa Salvador Domingos, de 59 anos, o ex-funcionário da Cooperativa Agrícola que o artigo da Visão refere. Não é por falta de interesse cívico, de qualquer forma, que ele não se preocupa com isto.

Desempregado, sem família, sózinho, talvez tenha os seus dias demasiado ocupados a tentar obter 100 euros mensais para pagar o exíguo quarto onde vive, e mais alguns cêntimos que diariamente lhe permitam matar a fome...

É tudo uma questão de perspectiva, decerto, mas cada vez me convenço mais, que no nosso Portugal de hoje, a Justiça, infelizmente, não é cega. Antes fôsse, porque esta que nós temos, de olhos bem abertos e que escolhe a dedo aqueles poucos que resolve agraciar, infelizmente é cada vez mais digna das tristemente célebres ditaduras da América Latina.... Ali, Justiça significa aplicação da lei tout court, mas interpretando-a sempre da forma mais conveniente a quem tem mais poder; nos países civilizados geralmente costumam ponderar-se muitas outras variantes e consideram-se muitas outras perspectivas: sociais, económicas, culturais, pessoais, até....

... pelos vistos ainda não chegámos lá...

Publicado por castafiore às 09:22 PM | Comentários (0)

setembro 17, 2005

Marcha-atrás

"As Nações Unidas não esclarecem se é devido à crise económica ou ao clima de austeridade instalado no País, mas garantem, no Relatório do Desenvolvimento Humano, que os padrões de vida dos portugueses se degradaram no último ano, quando comparados com outros países desenvolvidos.

Entre 2004 e 2005, Portugal passou da 26.ª para a 27.ª posição, no Índice de Desenvolvimento Humano, trocando de lugar com a Eslovénia, um dos novos parceiros da União Europeia. Esta mudança significa que aquela República da antiga Jugoslávia garante, actualmente, melhor qualidade de vida que Portugal, em matéria de educação, esperança de vida e rendimento real ajustado.

A Noruega continua a liderar este índice das Nações Unidas, seguida da Islândia, país que, no ano passado, se encontrava na 7.ª posição. Uma das maiores surpresas este ano é a queda da Suécia da 2.ª para a 6.ª posição, bem como da Holanda que perdeu 7 lugares. Quanto a subidas destaca-se o Luxemburgo, que surge como o 4.º país com maior desenvolvimento humano.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) considera que Timor-Leste foi um dos Estados que mais conseguiu melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, tendo subido 18 lugares na lista, passando países como o Sudão, o Paquistão e o Quénia, entre outros."

(Paulo Santos, in Visão, 10 de Setembro de 2005)

Publicado por castafiore às 02:42 PM | Comentários (0)

setembro 15, 2005

E não se pode exterminá-lo...???

Refiro-me àquele estranhíssimo ser, de seu nome José Castelo Branco, que, ao assumir-se como apoiante da candidatura de Mário Soares, proferiu a seguinte frase: "Não me apetece muito ter o senhor professor como Presidente e a senhora dona Cavaca como primeira-dama"...

Bem sei que, em democracia, todos têm direito a expressar as suas ideias, mas ter de gramar com estas pseudofilosofias é dose...

Publicado por castafiore às 01:13 AM | Comentários (3)

Sorry baby, the honeymoon is over...

Ainda no espírito de partilha das minhas leituras atrasadas, um excerto da execlente crónica da Áurea Sampaio, na Visão de 25 de Agosto, sob o título "Consumido pelo fogo":

"... Já agora, apenas uma ou duas coisas a propósito das férias de José Sócrates. Não vale a pena questionar aspectos menores destas duas semanas de lazer. Vendo bem, ele regressou tão mal disposto e tão stressado que até justificaria passar mais algum tempo no safari. E é verdade que, se as tivesse interrompido, os fogos não desapareceriam por artes mágicas. Mas há vertentes impossíveis de ignorar: ele é o chefe do Governo e isso implica deveres, sobretudo quando há mortos (13 durante a sua ausência), dezenas de feridos, centenas de desalojados, milhares em desespero e sofrimento, ora porque combatem ora porque perderam tudo. Por isso Sócrates tinha a obrigação de estar presente nestes momentos dramáticos, de dar a cara em nome da solidariedade humana e política e de ser o exemplo para aqueles que, no terreno, fazem esforços sobre-humanos na luta contra as chamas. Não o fez e isso terá um preço. O que fica por esclarecer é se a sua ausência implicou atrasos nos pedidos de ajuda internacional e no desencadear de outras medidas urgentes. Afinal, não seria de bom-tom dramatizar uma situação com um primeiro-ministro fora do País. Talvez isto nunca se saiba, mas o mais certo é qualquer réstia de estado de graça de Sócrates ter sido consumida nas labaredas deste Verão.".

Pois é... novamente...

Publicado por castafiore às 12:45 AM | Comentários (0)

setembro 14, 2005

O carisma do rock 'n roll

Uma das vantagens das férias (e dos fins de semana...) é que geralmente consigo sempre ler muito mais, e muito mais intensamente, do que durante os restantes períodos. Estas férias (que ainda continuam, mas agora em terras lusas) não estão a ser excepção.

Estou inclusivamente a pôr em dia a leitura de algumas revistas "Visão" que tinha deixado menos bem lidas.

Aproveito para transcrever um excerto de um artigo do Pedro Norton, na revista de 31 de Agosto:

"Um Estado só poder ser respeitado se se der ao respeito. Se os seus representantes máximos souberem cultivar, obviamente sem conservadorismos barrocos, uma consideração mínima pelos símbolos e pelas tradições que lhe dão corpo. Ao condecorar em Belém um Bono Vox de jeans e chapéu de cowboy o Presidente da República não contribui - ao contrário do que possa pensar - para construir uma imagem "moderna" ou cosmopolita do País. Muito pelo contrário, associa Portugal à imagem de um país provinciano cujo Presidente se presta a tudo para receber uma estrela rock internacional."

Pois é.... infelizmente é mesmo assim...

Publicado por castafiore às 12:20 AM | Comentários (1)

agosto 10, 2005

A indústria dos incêndios

Apesar do tema dos incêndios já ser recorrente gostava de partilhar um excelente texto disponível na SIC online, datado de 9 de agosto de 2005 e assinado pelo José Gomes Ferreira, Sub-director de Informação daquele canal de televisão.

"Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.

Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?

Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair? Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis? Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.

Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime...

Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal? Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.


Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.

Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.

2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores

4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.

5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.

6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.

Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo."

Publicado por castafiore às 10:32 PM | Comentários (0)

julho 20, 2005

Assassinos!!! - III

Não sou especialmente adepta nem entusiasta da revista Sábado; no entanto esta semana comprei-a e, porque ao ler o editorial da direcção (As desculpas do terrorismo), senti que expressava bem aquilo que penso sobre este assunto, deixo-vos aqui a parte relevante:

"Só há uma coisa em que os terroristas são melhores do que a matar - é a arranjar desculpas. A responsabilidade pela morte de dezenas de pessoas em Londres é, pelo que diz Bin Laden e os seus seguidores, da guerra no Iraque. E, antes disso, da invasão do Afeganistão. E, antes disso, da existência de bases militares americanas na Arábia Saudita. E, antes disso, do massacre de muçulmanos na Bósnia, que os ocidentais não quiseram evitar. E, antes disso, da formação do Estado de Israel. E, antes disso, como foi invocado pelo próprio Bin Laden numa mensagem gravada numa caverna, e para que não restassem dúvidas de que eles de facto têm boas e antigas razões para estarem furiosos connosco, da reconquista de Espanha aos mouros em 1492.

Quer dizer: mesmo sem o Iraque, o Afeganistão, a Arábia Saudita, a Bósnia ou Israel, o atentado terrorista em Londres teria sempre como desculpa uma batalha do século XV. O Dr. Mário Soares e todas as outras pessoas que comentaram o atentado com frases cheias de "mas", "porém, "todavia" e "contudo" deviam meditar sobre este supremo pecado cometido pelos reis católicos Fernando e Isabel.

Uma pessoa de bem cora por ter de repetir o óbvio, mas parece que é preciso: os homens que mataram dezenas de inocentes na semana passada não agiram por motivos nobres. Eles não estavam a "reagir" ao "imperialismo americano". E os seus correligionários que esta quarta-feira mandaram pelos ares mais 20 crianças que estavam a pedir doces a soldados da coligação em Bagdade também não. Eles estavam a agir, de forma fria e premeditada, como têm feito desde antes do 11 de Setembro - e teria acontecido exactamente a mesma coisa fosse qual fosse o Governo dos Estados Unidos."

Até eu, que não podia ser mais anti-Bush, tenho de concordar com isto. É tempo de pararmos de desculpabilizar os coitadinhos dos terroristas, auto-flagelando-nos com culpas e remorsos que nos tentam impingir!! De uma vez por todas termos coragem de lhes chamar aquilo que eles são realmente: assassinos, cobardes!! Chega!!

Publicado por castafiore às 12:33 AM | Comentários (5)

junho 26, 2005

Corrupção

Em Portugal existiu até 1992, altura em que foi extinta, uma Alta Autoridade Contra a Corrupção (AACC). Nessa mesma data em que no nosso país se extinguia esse organismo, diversos países europeus criaram organismos semelhantes.

Numa entrevista à revista Visão desta semana, Luís Sousa, investigador do ISCTE fala sobre o assunto e sobre as razões que levaram a tal extinção:

"A classe política apontou a existência de poucos resultados. Com o alargamento de competências, que lhe permitia investigar as entidades soberanas, começaram os problemas, sobretudo no que dizia respeito às declarações patrimoniais. E isso explica que os partidos com representação parlamentar, à excepção do Partido Comunista, tenham votado o seu fim. O certo é que, no momento em que foi extinta, a AACC tinha mais de 2.000 processos em investigação. Apesar de alguns deles implicarem empresas públicas, as denúncias não partiram da classe política".

Palavras para quê? Estamos em Portugal!

Publicado por castafiore às 12:32 AM | Comentários (3)

junho 07, 2005

Educação

Uma referência também para a excelente crónica da Inês Pedrosa, publicada na revista Única do jornal Expresso do último sábado, com o título "A obsessão de educar".

O tema é a actual convulsão que a nível nacional parece agitar pais e professores e associações de pais e movimentos de famílias cristãs e católicas por causa dos famigerados programas de educação sexual nas escolas.

Subscrevo a crónica da Inês na íntegra porque se a tivesse escrito eu própria decerto não seria mais adepta do que lá consta. E como compreendo o seu desabafo inicial: " Alguém devia dedicar-se a inventar a fórmula química do bom senso para a pôr à venda em frasquinhos, como medicamento genérico.".

Publicado por castafiore às 12:00 AM | Comentários (5)

junho 06, 2005

Sebastião Salgado

Uma breve nota para a fabulosa reportagem fotográfica deste não menos fabuloso fotógrafo, publicada na revista Visão desta semana. O tema são as baleias da Patagónia. Uma colecção a P&B de fazer cortar a respiração. Vale a pena ir espreitar!

Publicado por castafiore às 11:36 PM | Comentários (0)

junho 03, 2005

A França, a SIDA e a publicidade

A SIDA é um flagelo cada vez maior a nível mundial. Isso abrange países não apenas do 3.º mundo. Nos EUA e na Europa morre-se cada vez mais de SIDA, o que não deixa de ser um contrasenso se considerarmos o volume de publicidade e de divulgação de medidas pedagógicas que, à partida, deveriam ser suficientes (mas não são!) para que fossem tomados mais cuidados que, em diversas situações (sexo, drogas, etc.), poderiam provavelmente evitar muitos contágios. Acima de tudo, é preciso ajudar quem padece desta doença e tentar sempre, e cada vez mais, evitar que a propagação feroz, incontida e descontrolada continue!

Como nada parece resultar, as campanhas desdobram-se. E como "uma imagem vale por 1000 palavras" nada como fotografias-choque para fazerem passar a mensagem.

Em França, encontra-se actualmente a decorrer uma mega-campanha que utiliza apenas 2 imagens: tratam-se de 2 fotografias muito intensas, uma virada para o público masculino e outra para o feminino, deixando de forma muito clara a noção que, em determinadas circunstâncias, sexo sem preservativo é uma sentença de morte assinada de forma consciente e deliberada pelo(a) próprio(a).

As fotografias são estas:

A legenda, que aqui não se consegue ler bem, diz: "sem preservativo é com a própria doença que fazes amor".

Eficazes, sem dúvida!

Mas não são para estomâgos fracos nem para mentes retrógadas!

Não me interpretem mal: sou a primeira a aplaudir este tipo de intervenção, mas não deixa de me causar estranheza que o mesmo país que lança e divulga uma campanha destas, com este tipo de fotografias, com esta postura adulta, dura e crua, seja exactamente o mesmo onde esta campanha publicitária é proíbida por ordem do Supremo Tribunal de Justiça, por se considerar a respectiva fotografia chocante e ofensiva dos mais nobres princípios religiosos (leia-se, católicos, claro!)...

Memória curta, dois pesos e duas medidas ou apenas e tão sómente a fabulosa e "isenta" participação da Igreja Católica?

Você decide...

Publicado por castafiore às 12:49 AM | Comentários (3)

maio 28, 2005

Mentalidades

Foi apenas ao ler um artigo na revista Visão desta semana que me apercebi, em choque, de quão retrógada ainda é a mentalidade do povo Português, em certas matérias... E não apenas dos Portugueses, em bom rigor. Num excelente artigo sobre a homossexualidade ("Ser gay em Portugal") recordei dois factos reveladores:

1.º - apenas no início da decáda de 80, com a revisão do Código Penal, a homossexualidade deixou de ser considerada um crime, lado a lado com o incesto, adultério e prostituição...

2.º - apenas há 15 anos que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista das doenças mentais...

É extraordinário! E chocante! Como é que alguém, um legislador, um povo, uma moral colectiva, que seja, acha que tem idoneidade ética ou moral para poder classificar alguém como criminoso apenas por causa das suas preferências sexuais, quando elas vão no sentido de gostar de pessoas do mesmo sexo....???!!!??? E não vale a pena aduzir argumentos ou exemplos como o do processo Casa Pia, pedofilia, etc. Confundir os elementos é comum e frequente, e um truque a que muitos pseudo-moralistas recorrem.

Homossexualidade, pedofilia e abuso de menores, são 3 realidades distintas e independentes que não se podem nunca considerar de forma una. Senão, repare-se apenas que em termos de incidência a grande percentagem de abuso de menores e pedofilia ocorre com heterossexuais.

Como o referido artigo chama, e bem, a atenção, a questão das mentalidades é tão gritante quanto a forma como a homossexualidade foi utilizada na última campanha eleitoral, em tentativas sórdidas de tentar denegrir a imagem de políticos com piadas e insinuações torpes sobre as suas eventuais escolhas sexuais... O que é que as restantes pessoas terão a ver com isso é o que eu me interrogo... E o que é isso pode influir na forma como se governa um país, ou exerce uma profissão também é matéria que me escapa!

Decididamente ainda estamos muito na idade da pedra no que toca a estas matérias...

Publicado por castafiore às 01:16 AM | Comentários (1)

maio 16, 2005

Inquisição legitimada

O Supremo Tribunal de Justiça francês proibiu a divulgação do cartaz publicitário da marca Marithé et François Girbaud, com a designação "A Última Ceia" por o considerar violador dos mais elementares princípios fundadores da religião católica e por acusar a marca de mercantilizar com desrespeito ícones religiosos.

O cartaz, como se pode ver, é uma réplica do famoso quadro de Leonardo da Vinci, onde 11 mulheres substituem as tradicionais figuras dos apóstolos, vestidas com roupas da marca. A pseudo figura de Cristo é também uma mulher vestida da mesma forma. O 12.º apóstolo e a 13.ª figura do quadro é o único homem representado que surge de tronco nu e de costas, abraçado a uma das mulheres...

Por muito que me esforce ainda não consegui ver desrespeito ou falta de consideração; vejo uma interpretação com sentido de humor e alguma dose de saudável provocação... Devo ser eu que sou muito liberal, decerto, porque isto a mim parece-me um acto digno da Santa Inquisição nos tempos aúreos do Cardeal Torquemada...

Publicado por castafiore às 09:52 PM | Comentários (2)

fevereiro 26, 2005

Consciência tranquila

“O resultado de domingo desanuviou uma outra fronte: a do Presidente da República. O que resulta das eleições é que o resto do mandato presidencial será tranquilo e honroso. O que bem feitas as contas aos seus dois mandatos, não deixa de ser merecido.”

(António Mega Ferreira, “O dia seguinte”, in revista Visão de 2 de Março de 2005)


Ou que é como quem diz: com tantas vozes a criticarem o Dr. Jorge Sampaio pelo seu acto de ter demitido a Assembleia da República, acusando-o inclusivamente de ilegalidade e de actos inconstitucionais, parece que 45% dos Portugueses legitimaram tais actos. Um país de prevaricadores, para quem quiser continuar a tampar o sol com a peneira ou de gente farta de ser tomada por parva e finalmente com coragem para se manifestar, para quem quiser ser honesto!

Publicado por castafiore às 12:24 PM | Comentários (0)

dezembro 05, 2004

Portugal e o Mar

Este é o título genérico da revista Ùnica do Expresso de 20 de Novembro, por sinal interessantissíma, com artigos extraordinariamente bem conseguidos e que revelam a história de amor mais antiga e conturbada de sempre: a do nosso país com o oceano...

Os poemas que aqui deixei nos 2 últimos dias são retirados de lá, do artigo de abertura intitulado "A nação do mar", com fotografias aéreas do Rui Ochôa que só por si já valem tudo.

Para aprendermos a gostar mais de nós próprios e a darmos valor ao imenso e riquissímo património biológico, cultural, ecológico, paisagistíco e económico que tantas vezes ignoramos.

Publicado por castafiore às 02:24 AM | Comentários (0)

setembro 28, 2004

Lavo daí as minhas mãos

Este texto é uma notícia publicada hoje pelo jornal “Correio da Manhã” e é relacionado com a situação da criança de 12 anos, de seu nome Joana, desaparecida em Faro, desde o passado dia 12/09:

“Nem o Ministério da Segurança Social nem a Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco assumem qualquer responsabilidade no arquivamento de uma denúncia feita há cerca de um ano relativa à pequena Joana. O alerta partiu da Associação de Pais da escola local e referia-se a subnutrição e a tarefas domésticas que seriam desempenhadas pela criança que se encontra desaparecida desde o dia 12. Na sequência desta denúncia, os técnicos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Portimão deslocaram-se, pelo menos duas vezes, à casa de Joana, mas não encontraram nada que fundamentasse as suspeitas. O caso foi arquivado.

Um ano depois, a presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, Dulce Rocha desculpabiliza esta actuação: “Face ao teor da denúncia, não era previsível que a criança fosse maltratada.

As palavras foram proferidas ontem, dia em que as comissões de protecção se reuniram para avaliar o seu desempenho durante os anos de 2002 e 2003. Num intervalo do encontro, Dulce Rocha foi questionada sobre a responsabilidade dos técnicos que avaliaram a situação de Joana. Como resposta, disse que vai abrir um processo de averiguações, mas deixou claro que as “comissões são independentes” e que respondem somente “perante o Ministério Público”. De resto, Dulce Rocha entende que este caso está a ser empolgado sem necessidade, uma vez que o responsável, em caso de homicídio, “é, obviamente, o criminoso”.

Idêntica postura de desresponsabilização do Estado perante o arquivamento deste caso teve o ministro da Segurança Social, Família e Criança. (…) Fernando Negrão falou em descoordenação de serviços e alteração de mentalidades. “Somos todos responsáveis por esta situação”, disse, destacando “a falta de sensibilidade da sociedade”. “Devemos perder a ideia de que nos não devemos meter na vida dos vizinhos”, frisou Negrão adiantando que “o problema não se resolve com mais meios, mas com a consciência de que as crianças são importantes”.


O texto a “bold” é da minha autoria… Serve apenas para frisar a “inteligência”, “seriedade” e “coerência” dos comentários… Que “felicidade” termos governantes destes! Que descanso e alívio saber o país dirigido por tão boa gente….

O facto de já ser a 2.ª vez este ano que morre uma criança porque um outro relatório também achou que não havia perigo, presumo que seja irrelevante... Não se lembram? No início do ano, no Norte?

Tanto o Ministro Negrão (com a sua vasta experiência na área da Segurança Social...) como a fabulosa Dulce Rocha mereciam ser agraciados com o Prémio Pôncio Pilatos-2004... Pena que o preço a pagar seja em vidas de crianças...

Publicado por castafiore às 11:07 PM | Comentários (0)

setembro 22, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30 mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é residente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal.
Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!

(Comentário de Nicolau Santos, jornal Expresso, 18/09/2004)

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setembro 04, 2004

Açores-Propaganda e Realidade

Gostaria de partilhar este pequeno artigo que veio publicado na revista Única do Expresso da semana passada, porque o seu conteúdo é verdadeiramente extraordinário e infelizmente muito, mas mesmo muito exemplificativo do nosso Portugal:

"A quem visita os Açores cai-lhe o coração aos pés ao observar o triste cenário das suas famosas lagoas, sobretudo a das Sete Cidades e a das Furnas, na Ilha de São Miguel. Abafadas pela eutrofização - algas em excesso -, as lagoas já quase parecem pântanos. A das Sete Cidades, que era um dos "ex-libris" da região, praticamente deixou de ser azul e verde. Preocupado com o problema, esta semana, um dos jornais dos Açores, o "Expresso das Nove", questionou a directora regional do Turismo sobre o assunto e pelo facto de muitos turistas se sentirem defraudados com as imagens que lhes prometem os prospectos turísticos e como a realidade é diferente. Em vez de acentuar que o problema vai ser resolvido, na habitual lógica das promessas políticas, Isabel Barata decidiu ser sincera. E respondeu que o Governo vai garantir que todos os panfletos com fotos antigas vão sair de circulação, além de que as novas campanhas vão mostrar outros recantos. E assim acabou por explicar como o Governo vai tentar continuar a tapar o sol com a peneira."

Vale a pena fazer algum comentário???????

Publicado por castafiore às 10:26 PM | Comentários (0)

julho 16, 2004

Só o olhar não mente

Tão pouco tempo passado sobre a morte dessa mulher extraordinária, sob tantos aspectos, como foi Sophia de Mello Breyner Andresen, achei curioso recuperar um artigo que um dos seus filhos sobre ela escreveu há 5 anos atrás.

Uma carta de amor integralmente merecida e a melhor homenagem possível de um ser humano para outro, de um filho para uma mãe.

O título que Miguel Sousa Tavares deu ao seu artigo não foi o mesmo com que "baptizei" este post; preferi realçar a frase por ele escrita e que melhor pode definir uma pessoa como ela era: só o olhar não mente e todo o real é verdadeiro.

Com muitas saudades...


E Ela Dança
Às vezes, quando a casa estava adormecida à noite, ela dançava pela sala fora, tal qual como escreveu ("bailarina fui mas nunca bailei"). Às vezes, convencia-se que havia ladrões em casa e acordava-me do sono para espreitar debaixo da minha cama, e às vezes havia ladrões a sério, com cara de assassinos e crachá da PIDE, que chegavam pela alvorada do dia, mas verdadeiramente ela não tinha medo dos ladrões nem dos esbirros do "velho abutre": só tinha medo de fantasmas.
Naquela casa, aprendemos cedo duas coisas sobre a poesia. A primeira, era que os poetas eram todos uns personagens extraordinários, que apareciam a horas imprevistas e diziam coisas surpreendentes. De todos, o mais fantástico era o Ruy Cinatti, que nos convenceu que era o nosso irmão mais velho, regressado de outra vida em Timor e que esteve à beira de conseguir transformar-nos em guerrilheiros contra a precária disciplina familiar. Vinham e iam constantemente poetas tristes ou alegres, cerimoniosos ou tumultuosos e até um, o Ruy Belo, que me levava à Luz ver o Benfica e jogava futebol comigo no jardim.
A segunda coisa sobre poesia que aprendemos é que a poesia é para ser dita e para ser escutada: é oral, não cabe nos livros. Eu não sabia nada de aritmética, nem de botânica ou mineralogia mas, aos dez anos, já tinha aprendido, de ouvido, a recitar sonetos de Shakespeare em inglês do século XVI, ou o "Erl König", do Goethe, em alemão. E quando ela trouxe para casa um disco com poemas do Lorca recitados em espanhol pela Germaine Montero, ouvi-o tantas, tantas vezes, que fiquei a saber de cor o imenso "Llanto por Ignácio Sanchez Mejia". À mesa, entre a sopa e o prato principal, dentro de um automóvel a caminho do sul ou na missa das sete da tarde na Igreja da Graça, de repente ela começava a recitar poesia com a mesma naturalidade com que os outros falavam de coisas triviais ou respondiam em latim ao "orate, frates!" do padre. Às vezes, naquele terror que as crianças têm que os pais pareçam estranhos em público, apetecia enfiarmo-nos pelo chão abaixo quando, à mesa de um café no Chiado, ou numa loja, em plenas compras de Natal, ou caminhando connosco pela rua de mãos dadas (por vezes, distraída, perdia-nos), ela começava a recitar poesia em voz alta, como se o mundo inteiro à sua volta lhe fosse de repente absolutamente alheio. Um dia, no eléctrico a caminho de casa, ela fixou-se num letreiro, por cima de uma janela, que rezava assim: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche." E então, no meio daquele silêncio envergonhado dos passageiros, que fingem não ver e não se ouvir uns aos outros, ecoou a voz dela, clara e silabada, recitando um poema: "se alguma janela o incomoda, peça ao condutor que a feche e que nunca mais a abra."
A mim, todavia, ensinou-me o mais importante de tudo: ensinou-me a olhar. Ensinou-me a olhar para as coisas e para as pessoas, ensinou-me a olhar para o tempo, para a noite, para as manhãs. Ensinou-me a abrir os olhos no mar, debaixo de água, para perceber a consistência das rochas, das algas, da areia, de cada gota de água. Ensinou-me a olhar longamente, eternamente, cada pedra da Piazza Navone, em Roma, sentados num café, escutando o silêncio da passagem do tempo. Fez-me mergulhador e viajante, ensinou-me que só o olhar não mente e que todo o real é verdadeiro. Quem ler com atenção, verá que esta é a moral que atravessa toda a sua escrita.
A outra lição decisiva foi a da liberdade. Não só a liberdade física, não só a liberdade na luta pela justiça, "num sítio tão imperfeito como o mundo", mas ainda a liberdade na busca de um caminho próprio onde as coisas tenham uma ética e façam sentido e, acima de tudo, a liberdade da nossa própria solidão. Prémios, condecorações, homenagens, são-lhe de tal forma alheios que ninguém mais o entende. Dêem-lhe, sim, silêncio e tempo, manhãs como a "manhã da praça de Lagos" e noites com "jardins invadidos de luar". E ela dançará. Ao longo das sílabas dos poemas, como dançava na minha infância.

(MIGUEL SOUSA TAVARES, in Jornal Público, 12 de Junho de 1999)

Publicado por castafiore às 12:07 AM | Comentários (0)

abril 14, 2004

Saramago

Ainda sobre a polémica que o mais recente livro de José Saramago está a provocar gostava de partilhar convosco o artigo, ou melhor parte do artigo, que Boaventura Sousa Santos escreveu na revista Visão desta semana, porque me parece colocar uma pedra de toque importante sobre esta matéria e porque traduz muito bem aquilo que eu própria penso sobre a matéria:
"Na Democracia Representativa (DR), os cidadãos elegem os decisores políticos, isto é, renunciam a decidir para além do voto, delegando nos eleitos as decisões e esperando que eles decidam a contento. Na Democracia Participativa (DP), os cidadãos tomam as decisões de modo organizado. Porque obriga a uma partilha do poder decisório, a complementaridade entre DR e DP é difícil, não impossível. Penso, aliás, que nessa complementaridade está o futuro da democracia. Os inconformistas quase nunca têm razão nos precisos termos em que se manifestam. Mas quase sempre têm razão na identificação do problema que os inconforma e no sentido geral da solução que eventualmente lhe será dada. Aos inconformistas só a História, nunca os contemporâneos, pode dar razão."

Publicado por castafiore às 12:11 AM | Comentários (2)

abril 09, 2004

Vasco Pulido Valente vs. José Saramago

Na revista Visão desta semana, na secção "Em foco - Os outros" entre as habituais citações-maravilha, vem uma a que tem de se dar particular destaque; reza assim:
"Saramago é um escritor pouco interessante e nada original (o Nobel, um prémio político, não garante a qualidade) e a ideia do voto em branco, além de conformista, é eminentemente estúpida." (Vasco Pulido Valente)
Apesar de já o ter comprado, ainda não li o último livro de José Saramago onde a questão do voto em branco é abordada. Pessoalmente gosto de Saramago como escritor. Reconheço-lhe uma qualidade literária e intelectual fora do vulgar; o facto de ter ganho o prémio Nobel (o VPV que me perdoe, mas sim, é garantia de qualidade - só alguém muito tapado ou ressabiado pode achar o contrário...) enche-me de orgulho, pelo facto de ser um escritor Português. Isso não me obriga a estar sempre de acordo com as ideias das pessoas a quem reconheço essas qualidades. Neste caso em concreto, até provavelmente estarei de acordo pois a questão do voto em branco e o peso democrático e político dessa opção é uma questão sobre a qual há muito que ando a refletir. No entanto, e sobre isso, guardo a minha opinião para depois da leitura do "Ensaio sobre a lucidez".
O que aqui não posso deixar de comentar é a prepotência do comentário do Vasco Pulido Valente. E mesmo sabendo que cada um tem direito às suas opiniões, o facto de ouvir esta enormidade obriga-me moralmente a classificá-la daquilo que é: uma imbecilidade pronunciada por um indíviduo a quem infelizmente se continua a dar mais credibilidade e relevo do que aqueles que alguma vez mereceu... Será que em relação a ele ninguém consegue ver a realidade? Quem é este homem para merecer que alguém lhe oiça as opiniões?? Não sabe pensar nem escrever, fala com grandes dificuldades de articulação e as suas aparições televisivas e radiofónicas raiam o patético! Alguém há muito tempo o rotulou de "brilhante", e todos os outros com receio de serem tomados por parvos se não concordassem assentiram... Caramba! Não vêem que o rei vai nu, completamente nu, no caso dele???????

Publicado por castafiore às 07:46 PM | Comentários (2)

março 30, 2004

O aborto, ainda – Clara Ferreira Alves

No passado dia 24 de Janeiro, a crónica “Pluma Caprichosa" da Clara Ferreira Alves, na revista ÚNICA do Expresso, tinha o título O aborto, ainda. Assinando por baixo do seu texto, gostaria de aqui transcrever apenas a parte final, respirando fundo de alívio, por saber que, apesar de tudo, há pessoas que pensam assim.
"Hoje a moral vigente é outra, mas a moral vigente, tal como a estupidez moral vigente, é elástica. Nenhuma mulher aborta por gosto, e a maioria aborta por desgosto. Se a vida humana começa dentro dela no instante da concepção ou semanas depois, nunca o saberemos. A vida humana, como a morte, começa e acaba quando a determinamos. Quando o nosso corpo e a nossa inteligência e a nossa moral a determinam. A ciência e a religião deviam ajudar e não ser utilizadas como ditadura de uns tantos, os que acham que as mulheres são assassinas, sobre os outros. Eu não devo mandar no útero das mulheres que querem ter dez filhos. E elas não devem mandar no meu.".
Obrigada, Clara; sem qualquer ponta de ironia. Obrigada, mesmo!

Publicado por castafiore às 12:15 AM | Comentários (0)