abril 13, 2005

Teia ... de aranha? - 3

Todo o dia para cima e para baixo, subi e desci vezes sem conta. Contrariamente ao que pode parecer, descer não é muito cómodo, fico muitas vezes de cabeça para baixo. Ao fim de algum tempo sinto-me tonta. Mas tinha de acabar. E não é fácil. Nuns sítios tenho de cruzar, noutros de fazer um ziguezague; noutros ainda preciso de desenhar círculos. O desenho não é aleatório; previamente pensei muito nele. Tem de ficar exactamente como o imaginei. E não pode ser trabalho mal feito. O fio tem de ser de qualidade, bem confeccionado. Apesar de ter mudado a hora, foi-se fazendo tarde... e escuro! Receei não conseguir terminar atempadamente! Onde iria dormir? Felizmente já vou tendo alguma prática! Quando finalmente acenderam a luz o resultado excedeu as expectativas! A minha casa estava linda! Original e bem diferente das anteriores. Já posso descansar e ficar repousadamente à espera de visitas....

Publicado por castafiore às 12:13 AM | Comentários (0)

abril 28, 2004

Vale a pena

Vale a pena pensar nas pequenas coisas do dia-a-dia, naquelas em que geralmente não reparamos, simplesmente porque nos parecem demasiado insignificantes para perdermos o nosso tempo com elas.

Achamos o nosso tempo tão importante, andamos sempre tão ocupados, com o tempo tão bem (ou tão mal) contado, que nunca pensamos naqueles para quem o tempo é realmente importante: 1 mês é determinante para uma mãe que corre o risco de ter um bébé prematuro; 1 semana é fundamental para o empresário que tem de conseguir o financiamento para pagar os salários dos seus trabalhadores; 1 dia, cada dia, tem um significado muito próprio para o paciente que tenta vencer uma doença muito grave; 1 hora é crucial para o estudante que vai fazer um exame e ainda não acabou de estudar a matéria; 1 minuto é a grande diferença para o viajante que acabou de perder o avião; e 1 segundo, ou menos ainda, conta tudo para o atleta de alta competição que acabou de bater o recorde do mundo por causa disso.

Tentarmos compreender a nossa dimensão, tentarmos relativizar a importância das coisas... vale a pena! Lembrarmo-nos do que é realmente importante e concentramo-nos nisso a sério, com o mesmo empenho que pomos no resto... também vale a pena.

Se pensarmos que porque nunca experimentámos o perigo de uma batalha, a solidão de uma prisão, a agonia da tortura ou a dor da fome, e concluirmos que, por isso mesmo, temos mais sorte do que 500 milhões de habitantes do mundo, devíamos considerar com mais calma aquilo que julgamos ser um problema.

Se nos lembrarmos que, porque podemos ir à igreja que escolhemos ou porque escolhemos não ir a nenhuma, porque podemos expressar livremente as nossas convicções políticas e as nossas crenças ideológicas, sejam elas quais forem, sem o perigo concreto de sermos presos, torturados ou mortos, se pensarmos que por isso temos mais sorte do que 3 milhões de pessoas no mundo... devíamos voltar a pensar naquelas coisas pequenas com que todos os dias nos irritamos.

Se temos algumas poupanças no banco, algum dinheiro na carteira ou uns trocos que sejam, amealhados em qualquer lado, e pensarmos que isso nos engloba nos 8% da população mundial que vive "bem" em termos económicos ... se calhar valia a pena voltarmos a pensar outra vez ainda...

... pensarmos se vale a pena e no que é que realmente vale a pena, pensarmos a sério e enevergonharmo-nos com muitos dos nossos pensamentos e preocupações, tantas vezes mesquinhas e egoístas quando analisadas numa outra escala mais global. Achar que com os problemas dos outros "podemos bem" não resolve igualmente a situação. Os problemas podem ser dos outros hoje mas poderão ser nossos amanhã... e é então que será muito importante saber se aprendemos o que é que realmente vale a pena.

Publicado por castafiore às 12:00 AM | Comentários (1)