outubro 04, 2005

Continuação do pesadelo autárquico

Hoje de manhã a TSF revelou 2 sondagens da Marktest para o Diário de Notícias e Universidade Católica. Ambas tinham resultados muito "animadores": em Oeiras Isaltino vai 2 pontos percentuais à frente nas intenções de voto, logo seguido pela Teresa Zambujo.

Em compensação, em Gondomar, o "nosso amigo" major Valentim Loureiro lidera as intenções de voto com 48%...

Quanto a este último aspecto, um dirigente partidário local afirmou que é natural que assim seja, mas que decerto tal não corresponde à realidade: é que a Marktest faz as sondagens pelo telefone, e, em Gondomar o clima de terror é tanto, que as pessoas respondem assim com medo das influências do major...

Não sei o que é preferível, francamente, se a triste realidade da sondagem, se a depressiva realidade da justificação...

Publicado por castafiore às 09:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 26, 2005

À tona de água-7

O que é que está verdadeiramente cá fora, à tona de água? Aquilo que temos como real ou, ao invés, o reflexo invertido? É que, se por qualquer razão nos pusséssemos de cabeça para baixo, o que agora é inverso passava a verdadeiro... Onde começa e onde acaba a linha divisória? Será num simples espelho de água?

Publicado por castafiore às 11:51 PM | Comentários (2) | TrackBack

agosto 04, 2005

Tolerância

Dá que pensar...

... este extraordinário video do Grupo EDF (Electricidade de França) sobre a relatividade das coisas...

E se o mundo, a vida, os espaços não estivessem adaptados para nós, as ditas pessoas "normais", mas sim à medida dos deficientes...???

Seria duro decerto; nada como sentir na pele a diferença para percebermos melhor o que eles devem sentir e aprendermos a ser mais tolerantes..

Publicado por castafiore às 12:00 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 30, 2005

A importância de ser arrastado

Vamos lá ver se de uma vez por todas se consegue clarificar o que está aqui em causa.

Que pode ter havido exagero ou sensacionalismo da comunicação social na forma como a notícia foi transmitida, sem dúvida. Mas nós somos um país pequenino (em todos os sentidos, infelizmente) e nos países pequeninos as notícias são tratadas desta forma. Não esquecer que estamos a falar da mesma comunicação social que abre um telejornal em prime time com a notícia do Mourinho ir ser transferido para o Chelsea onde ganhará um ordenado milionário ou que 2 concorrentes daqueles reality shows patéticos andaram à estalada ao vivo ou aprofundaram intimidades em directo frente às câmaras… Portanto, tudo dentro da mesma linha…

Mas quanto ao resto… quanto ao resto, acho que seria importante não esquecermos o essencial que aconteceu mesmo e tratarmos disto com alguma moderação. E isto aplicar-se-ia a ambas as facções. A tese anti-arrastão defende estarmos perante manipulação da informação e (sic) “branqueamento da realidade”. A principal defensora desta posição, a jornalista Diana Andringa, actual candidata independente do BE à câmara municipal da Amadora, produziu, inclusivamente, um documentário para provar esta circunstância.

Trata-se de um filme de 20 minutos, em minha opinião tecnicamente bem feito e que revela algum trabalho cuidado de investigação detalhada e de suporte mas, também ele, bastante manipulativo da realidade. É que os argumentos que usa e repete, sucessivamente até à exaustão, para defender que não houve arrastão são puramente demagógicos; a saber:
- o elevado n.º de adolescentes na praia naquele dia era pura coincidência e devia-se ao encerramento do ano lectivo;
- algumas pessoas que se encontravam na praia naquele dia não deram por nada;
- os pseudo assaltantes fotografados a fugir com objectos nas mãos, eram os seus legítimos proprietários em fuga (de que fugiam, então, não se percebe se afinal nada aconteceu…);
- nem no Brasil (país que detém os direitos de autor de arrastões) alguma vez ocorreu um arrastão com 500 participantes, pelo que não seria em Portugal que iria ter lugar o primeiro;
- alguns dias passados chega-se à conclusão (não se sabe bem como…) que assaltantes eram “só” 30 ou 40.

Sinceramente, não me podia estar mais a borrifar para o nome que lhe dão. O facto (e pelos vistos isto deve ser verdade pois mesmo os anti-arrastão aceitam essa situação) de 30 ou 40 indivíduos, de forma organizada, ou não, entrarem por uma praia dentro e começaram a roubar o que podem, já me parece, só por si, bastante grave sem ter que me preocupar com a qualificação técnica a atribuir. Como também me pareceria grave se fosse apenas 1 ou 2 que fizessem o mesmo. Por sua vez, a gravidade não aumenta nem diminui se o marginal ou os marginais em questão forem louros de olhos azuis, chineses, árabes, negros, indianos ou de qualquer outra raça. Esse facto não pode servir para os desculpar nem para os condenar em excesso, mas, simultaneamente, não devem deixar de ser acusados pelo receio de, ao o fazer, se poder estar a incorrer em perseguição racista.

Chamem-lhe o que quiserem, inventem um pseudo critério para o classificarem: o acto em si está mal, a situação em si está errada, os infractores devem ser severamente punidos. Tudo se reduz a estes simples factos e divagar como tem sido feito sobre esta situação é demagogia pura.

Ou será que, como o Miguel Portas afirma, como não eram 500 marginais de raça negra “mas só 30 ou 40 putos” já não faz mal e as pessoas não se devem indignar, nem preocupar, nem levar a mal o que aconteceu…???

De tudo isto, têm sido feitas derivações em todos os sentidos possíveis: religiosos, rácicos, económicos, sociais. Neste campo e por causa disto, já se debateram questões como a imigração, a nova lei da nacionalidade, a exclusão social e até o aborto… Parece-me que não podemos perder a perspectiva do que está aqui verdadeiramente em causa, analisando o facto de todos os seus diversos ângulos e em relação a todos os intervenientes: falta de segurança, desgoverno, permissividade, brandos costumes, desemprego, carências económicas, falta de educação cívica, desresponsabilização, falta de disciplina, omissão de justiça, ausência de autoridade.

Em 2001, num debate sobre terrorismo, Diana Andringa explicou que tinha uma maneira de olhar o terrorismo condicionada pela leitura do livro A condição humana. Disse a jornalista: “Percebi que quando um terrorista comete os seus actos, há qualquer coisa que desligou. Sai da condição humana. O que resulta sobretudo, do facto de não serem tratados como seres humanos. Sou contra o terrorismo, mas também não posso deixar de o tentar perceber”. O mesmo, presumo, pode-se aplicar à sua visão sobre a marginalidade. Tentar percebê-la não está errado, muito antes pelo contrário, tentar desculpá-la e justificá-la vitimizando o criminoso e transformando-o num pobre coitado, isso sim, é profundamente errado. Na minha opinião, também o marginal, tal como o terrorista, saiu da condição humana. Neste ponto em concreto, estamos plenamente de acordo.

Apenas uma última nota quanto ao assunto da exclusão social: por uma questão de respeito para com aqueles que tão pouco têm e que vivem em condições tão difíceis, acho que as pessoas deveriam evitar utilizar este argumento como justificativo todo-poderoso e ilibador de toda a culpa nos casos de marginalidade. É que (infelizmente) existem milhares de pessoas em situação de exclusão social, e desses milhares (felizmente) apenas uma parte residual, apesar de tudo, resvala para a marginalidade. Se outros não o fazem e com enormes dificuldades conseguem continuar a ter uma vida séria e honesta, por vezes sem se saber a custo de quê, então, usar as causas sócio-económicas como desculpa permissiva é no mínimo vergonhoso.

Tudo isto é no mínimo vergonhoso!

Publicado por castafiore às 01:55 AM | Comentários (3) | TrackBack

julho 26, 2005

Prémio Inchado como um perú

Obviamente atribuído a Mário Soares, que "modestamente" considera a sua (re)candidatura à presidência da República Portuguesa como "um acto cívico e pedagógico" (sic), de acordo com notícia de hoje do Diário Digital.

Amor próprio ninguém o pode acusar de não ter.... Quanto à noção da realidade, já será diferente...

Publicado por castafiore às 09:58 PM | Comentários (1) | TrackBack

junho 03, 2005

A França, a SIDA e a publicidade

A SIDA é um flagelo cada vez maior a nível mundial. Isso abrange países não apenas do 3.º mundo. Nos EUA e na Europa morre-se cada vez mais de SIDA, o que não deixa de ser um contrasenso se considerarmos o volume de publicidade e de divulgação de medidas pedagógicas que, à partida, deveriam ser suficientes (mas não são!) para que fossem tomados mais cuidados que, em diversas situações (sexo, drogas, etc.), poderiam provavelmente evitar muitos contágios. Acima de tudo, é preciso ajudar quem padece desta doença e tentar sempre, e cada vez mais, evitar que a propagação feroz, incontida e descontrolada continue!

Como nada parece resultar, as campanhas desdobram-se. E como "uma imagem vale por 1000 palavras" nada como fotografias-choque para fazerem passar a mensagem.

Em França, encontra-se actualmente a decorrer uma mega-campanha que utiliza apenas 2 imagens: tratam-se de 2 fotografias muito intensas, uma virada para o público masculino e outra para o feminino, deixando de forma muito clara a noção que, em determinadas circunstâncias, sexo sem preservativo é uma sentença de morte assinada de forma consciente e deliberada pelo(a) próprio(a).

As fotografias são estas:

A legenda, que aqui não se consegue ler bem, diz: "sem preservativo é com a própria doença que fazes amor".

Eficazes, sem dúvida!

Mas não são para estomâgos fracos nem para mentes retrógadas!

Não me interpretem mal: sou a primeira a aplaudir este tipo de intervenção, mas não deixa de me causar estranheza que o mesmo país que lança e divulga uma campanha destas, com este tipo de fotografias, com esta postura adulta, dura e crua, seja exactamente o mesmo onde esta campanha publicitária é proíbida por ordem do Supremo Tribunal de Justiça, por se considerar a respectiva fotografia chocante e ofensiva dos mais nobres princípios religiosos (leia-se, católicos, claro!)...

Memória curta, dois pesos e duas medidas ou apenas e tão sómente a fabulosa e "isenta" participação da Igreja Católica?

Você decide...

Publicado por castafiore às 12:49 AM | Comentários (3)

maio 28, 2005

Mentalidades

Foi apenas ao ler um artigo na revista Visão desta semana que me apercebi, em choque, de quão retrógada ainda é a mentalidade do povo Português, em certas matérias... E não apenas dos Portugueses, em bom rigor. Num excelente artigo sobre a homossexualidade ("Ser gay em Portugal") recordei dois factos reveladores:

1.º - apenas no início da decáda de 80, com a revisão do Código Penal, a homossexualidade deixou de ser considerada um crime, lado a lado com o incesto, adultério e prostituição...

2.º - apenas há 15 anos que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da lista das doenças mentais...

É extraordinário! E chocante! Como é que alguém, um legislador, um povo, uma moral colectiva, que seja, acha que tem idoneidade ética ou moral para poder classificar alguém como criminoso apenas por causa das suas preferências sexuais, quando elas vão no sentido de gostar de pessoas do mesmo sexo....???!!!??? E não vale a pena aduzir argumentos ou exemplos como o do processo Casa Pia, pedofilia, etc. Confundir os elementos é comum e frequente, e um truque a que muitos pseudo-moralistas recorrem.

Homossexualidade, pedofilia e abuso de menores, são 3 realidades distintas e independentes que não se podem nunca considerar de forma una. Senão, repare-se apenas que em termos de incidência a grande percentagem de abuso de menores e pedofilia ocorre com heterossexuais.

Como o referido artigo chama, e bem, a atenção, a questão das mentalidades é tão gritante quanto a forma como a homossexualidade foi utilizada na última campanha eleitoral, em tentativas sórdidas de tentar denegrir a imagem de políticos com piadas e insinuações torpes sobre as suas eventuais escolhas sexuais... O que é que as restantes pessoas terão a ver com isso é o que eu me interrogo... E o que é isso pode influir na forma como se governa um país, ou exerce uma profissão também é matéria que me escapa!

Decididamente ainda estamos muito na idade da pedra no que toca a estas matérias...

Publicado por castafiore às 01:16 AM | Comentários (1)

maio 17, 2005

Religião

Outro dia li ou ouvi esta frase sobre o assunto:

"Na palavra religião vi a demência dos fanáticos de todas as congregações perante a vontade de Deus. A verdadeira santidade está nas boas acções que praticamos e na coragem de lutarmos em nome dos indefesos".

Não podia estar mais de acordo.

Publicado por castafiore às 12:56 AM | Comentários (1)

maio 16, 2005

Inquisição legitimada

O Supremo Tribunal de Justiça francês proibiu a divulgação do cartaz publicitário da marca Marithé et François Girbaud, com a designação "A Última Ceia" por o considerar violador dos mais elementares princípios fundadores da religião católica e por acusar a marca de mercantilizar com desrespeito ícones religiosos.

O cartaz, como se pode ver, é uma réplica do famoso quadro de Leonardo da Vinci, onde 11 mulheres substituem as tradicionais figuras dos apóstolos, vestidas com roupas da marca. A pseudo figura de Cristo é também uma mulher vestida da mesma forma. O 12.º apóstolo e a 13.ª figura do quadro é o único homem representado que surge de tronco nu e de costas, abraçado a uma das mulheres...

Por muito que me esforce ainda não consegui ver desrespeito ou falta de consideração; vejo uma interpretação com sentido de humor e alguma dose de saudável provocação... Devo ser eu que sou muito liberal, decerto, porque isto a mim parece-me um acto digno da Santa Inquisição nos tempos aúreos do Cardeal Torquemada...

Publicado por castafiore às 09:52 PM | Comentários (2)

maio 13, 2005

Mais uma...

Mais uma criança brutalmente assassinada pela avó e pelo pai... Desta vez tinha 5 anos, chamava-se Vanessa, morava no Porto e depois da tareia que a deixou a agonizar a sua extremosa família não a levou ao hospital para não desconfiarem deles; quando a criança finalmente morreu atiraram o corpo ao rio!

Não vale a pena qualquer comentário a mais um acto de pura bestialidade praticado por seres que não me parece poderem ser apelidados de humanos. E não me venham com a conversa da treta que são pessoas de fracos recursos, moralmente miseráveis, desculpabilizados pela toxicodependência... Culpabilizados, isso sim, parece-me que deveriam ser. Eles e as autoridades que permitem que famílias destas tenham crianças à sua guarda.

E seja tal permissão derivada da total ausência de controlo destas situações, seja por, como no caso da Joana, acharem que estas situações não são de perigo!

De acordo com a "Visão" a linha SOS Criança recebeu em 2004 o maior número de chamadas jamais registado: 5.125. Presumo que poucas devem ter dado azo a investigações ou a resultados .... Pelo menos neste caso não deram! Ainda bem que existem para ajudar e defender aqueles que por serem pequeninos, por vezes não sabem ou não podem defender-se...

De acordo com aquela mesma revista, na missa de 7.º dia mandada rezar pela mãe da criança assassinada (que a abandonou à nascença mas que não dava autorização ao casal que a criou até aos 5 anos e que eram seus padrinhos para a adoptar, apesar das inistências destes...), o padre que a rezou, na paróquia de Lordelo do Ouro, no Porto, de seu nome Domingos Oliveira disse, porém, no final da homilia: "matar uma criança no seio materno ainda é mais violento do que matar uma menina de 5 anos!"...


Se não fôsse a tragédia subjacente só poderia tratar-se do argumento de um filme surrealista de Fellini... Palavras para quê...?????

Publicado por castafiore às 12:01 AM | Comentários (2)

maio 10, 2005

Torturas várias

Ontem à noite, domingo, estava eu na minha saga de visionamento ininterrupto dos meus episódios de X-files, e após 3 seguidos decidi parar e ir dormir antes de começar a ver homenzinhos verdes com antenas por todo o lado. Eis senão quando desligo o DVD e zás.... fico sintonizada na TVI que estava a dar um qualquer programa especialissímo sobre a famigerada "Quinta das Celebridades" que pela 1.ª vez me forcei a ver por um período superior a 15 segundos...

Aquilo é realmente muito mau! O que leva alguém a sujeitar-se a fazer aquelas figuras? Só pode ser uma enorme necessidade de dinheiro e uma total impossibilidade de o obter por outra qualquer forma.... Que degradante tudo aquilo é: desde o cenário, às pessoas, a própria apresentadora ... enfim, não há palavras.

E fiz uma associação a este breve excerto que tinha lido recentemente, noutro contexto:

"Sociedade do supérfulo. Uma raparigazita ganhou a sorte grande na lotaria infantil. Lá está ela no palco, radiante de excitação, ao lado do apresentador; cinco auxiliares de cena sobem ao palco com um gigantesco embrulho transparente contendo mil bonecas. Mas que raio de presente é este? Mil vezes a mesma boneca, mil camponesas da Floresta Negra iguais umas às outras. Os pais, presentes na sala, pensam a princípio tratar-se de uma graça crítica feita a seu propósito e riem timidamente. Mas o apresentador, que não sabia do que constava o primeiro prémio, fica desarmado e não volta a referir o assunto. A criança tenta sufocar um soluço com os pequenos punhos mas perde o controlo e desata a chorar com todas as froças. O público fica num desassossego, os pais irritam-se e ouvem-se apupos e protestos. "Organização de tortura infantil!" grita a mãe numa queixa raivosa; lança-se sobre o palco, seguida de outras pessoas, e afasta a filha para o lado, protegendo-a do primeiro prémio."

(Botho Strauss, in A Dedicatória)

E a nós quem nos protege?

Publicado por castafiore às 12:22 AM | Comentários (0)