setembro 28, 2004

Lavo daí as minhas mãos

Este texto é uma notícia publicada hoje pelo jornal “Correio da Manhã” e é relacionado com a situação da criança de 12 anos, de seu nome Joana, desaparecida em Faro, desde o passado dia 12/09:

“Nem o Ministério da Segurança Social nem a Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco assumem qualquer responsabilidade no arquivamento de uma denúncia feita há cerca de um ano relativa à pequena Joana. O alerta partiu da Associação de Pais da escola local e referia-se a subnutrição e a tarefas domésticas que seriam desempenhadas pela criança que se encontra desaparecida desde o dia 12. Na sequência desta denúncia, os técnicos da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Portimão deslocaram-se, pelo menos duas vezes, à casa de Joana, mas não encontraram nada que fundamentasse as suspeitas. O caso foi arquivado.

Um ano depois, a presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco, Dulce Rocha desculpabiliza esta actuação: “Face ao teor da denúncia, não era previsível que a criança fosse maltratada.

As palavras foram proferidas ontem, dia em que as comissões de protecção se reuniram para avaliar o seu desempenho durante os anos de 2002 e 2003. Num intervalo do encontro, Dulce Rocha foi questionada sobre a responsabilidade dos técnicos que avaliaram a situação de Joana. Como resposta, disse que vai abrir um processo de averiguações, mas deixou claro que as “comissões são independentes” e que respondem somente “perante o Ministério Público”. De resto, Dulce Rocha entende que este caso está a ser empolgado sem necessidade, uma vez que o responsável, em caso de homicídio, “é, obviamente, o criminoso”.

Idêntica postura de desresponsabilização do Estado perante o arquivamento deste caso teve o ministro da Segurança Social, Família e Criança. (…) Fernando Negrão falou em descoordenação de serviços e alteração de mentalidades. “Somos todos responsáveis por esta situação”, disse, destacando “a falta de sensibilidade da sociedade”. “Devemos perder a ideia de que nos não devemos meter na vida dos vizinhos”, frisou Negrão adiantando que “o problema não se resolve com mais meios, mas com a consciência de que as crianças são importantes”.


O texto a “bold” é da minha autoria… Serve apenas para frisar a “inteligência”, “seriedade” e “coerência” dos comentários… Que “felicidade” termos governantes destes! Que descanso e alívio saber o país dirigido por tão boa gente….

O facto de já ser a 2.ª vez este ano que morre uma criança porque um outro relatório também achou que não havia perigo, presumo que seja irrelevante... Não se lembram? No início do ano, no Norte?

Tanto o Ministro Negrão (com a sua vasta experiência na área da Segurança Social...) como a fabulosa Dulce Rocha mereciam ser agraciados com o Prémio Pôncio Pilatos-2004... Pena que o preço a pagar seja em vidas de crianças...

Publicado por castafiore às 11:07 PM | Comentários (0)

setembro 25, 2004

Como é que isto ainda pode ser assim?

“Mais de dois milhões de portugueses viviam abaixo do limiar da pobreza no ano 2000 e não dispunham de casa de banho, água quente ou aquecimento em casa, revela um estudo do INE, divulgado ontem (27/09/2004). Estes são, ainda assim, números melhores que os dos anos 90, pois foi a partir da última metade dessa década que se verificou um decréscimo na taxa da pobreza, particularmente a partir de 1998, "altura da implementação do rendimento mínimo garantido", revelou a investigadora Catarina Silva.

De acordo com o documento - apresentado no Congresso Português de Demografia - pelo menos dois em cada dez portugueses viviam, há quatro anos, com menos de 60% do rendimento médio da população, ou seja, com um orçamento inferior a 283 euros por mês. Além disso, mais de um quinto dos portugueses não tinha dinheiro para comer uma refeição de carne ou de peixe de dois em dois dias.

Ainda que estes números choquem, são melhores do que os verificados em 1995. O estudo revela que em 1995 os mais ricos ganhavam aproximadamente 13 vezes mais do que os mais pobres. Em 2000, a diferença aumentou 10 vezes mais. Ou seja, apesar de a pobreza no nosso país ser alarmante, verifica-se que a partir da segunda metade dos anos 90 há "uma diminuição significativa do problema, sobretudo devido a um aumento das chamadas transferências sociais, como as pensões e os subsídios", revela a investigadora. Ainda sobre o rendimento mínimo nacional, o padre Jardim, presidente da Rede Europeia Antipobreza em Portugal, garante que "tal medida conseguiu, quando apareceu, colmatar situações de pobreza extrema".

Regressando ao estudo do INE, o documento revela que as populações mais frágeis são os idosos (cerca de um terço) e os jovens com menos de 24 anos, sendo as mulheres mais vulneráveis que os homens.”

(artigo de M.ª Leonor Paiva, in Jornal de Notícias, edição online, 28/09/2004)


Que vergonha! O que é que se passa connosco?

Publicado por castafiore às 11:13 PM | Comentários (0)

setembro 23, 2004

Portugal - um retrato ambiental

O primeiro episódio da série documental "Portugal - Um Retrato Ambiental", da autoria de Luísa Schmidt e realização de Francisco Manso, começará a ser exibida no dia 23 de Setembro (5ª feira) na RTP 1 às 23h 10m.

A este episódio, que faz um retrato geral da situação ambiental em Portugal nas últimas décadas, seguir-se-ão outros três no mesmo dia de semana e à mesma hora com os seguintes temas:

- Episódio 2 "Das Catástrofes às Fontes de Energia"

- Episódio 3 "Águas"

- Episódio 4 "Paisagens e Ordenamento do Território"

A partir desta data a RTP 1 abre em antena às 5ª feiras à noite um espaço de produção nacional de documentário, consolidando desta forma o seu objectivo de operador de serviço público de televisão.

Publicado por castafiore às 10:36 PM | Comentários (1)

setembro 22, 2004

No meu bairro está tudo rico!

Desde quinta-feira vai uma enorme euforia no meu bairro. Foi logo a seguir ao ministro das Finanças ter dito a Judite de Sousa, na RTP-1, que são os 30 mais ricos deste país que investem em PPR, PPR-E, PPA e CPH. É que, a ser assim, 90% desses 30% vivem no meu bairro. E o certo é que o foguetório não tem parado, já se organizaram várias festas de ricos e já houve muita gente do meu bairro que não trabalhou sexta e sábado (os ricos, como se sabe, têm a mania de não trabalhar aos sábados).

O sr. Joaquim da mercearia convenceu a mãe, há dez anos, a fazer um PPR, tendo em conta que a Segurança Social pública não anda lá muito católica e seria bom prevenir o futuro da senhora. Desde quinta, o sr. Joaquim fechou a mercearia e só espera pela herança que a mãe, que não anda bem de saúde, lhe vai deixar. E ele que não sabia que era filho de uma das pessoas mais ricas de Portugal!

O sr. João da padaria convenceu-se, há três anos, que era bom fazer um PPR-E, porque o filho ia bem no liceu e depois quereria certamente não só concluir um curso universitário, como também tirar talvez um MBA. Nessa altura, o PPR-E daria jeito. Agora está com um problema em casa. O miúdo ouviu o Bagão Félix, dizer que o pai está entre os 30% mais ricos de Portugal e agora já não quer estudar. Diz que não precisa. Chatices de ricos...

A sra. Ana, ajudante na farmácia, resolveu começar a colocar uns trocos numa Conta Poupança Habitação, visando a compra de uma casinha quando chegar aos 30, ela que têm agora 24. Desde quinta que não aparece no emprego e mandou dizer que não consta que os ricos trabalhem. Acha estranho que a conta bancária continue próxima do zero no final do mês. Mas se o dr. Bagão disse que ela é rica, é porque é verdade.

Quanto ao José, empregado de uma agência imobiliária, que passa o dia a mostrar casas a clientes, resolveu há uns anitos arriscar uns dinheiros num Plano Poupança Acções. Ouviu o dr. Catroga dizer que era uma forma de reanimar o mercado de capitais, que daria uma boa rentabilidade os investidores. Agora que soube que está rico, já escreveu ao dr. Catroga a agradecer a indicação.

E assim a festança não pára no meu bairro. Mas ando preocupado. Soube que o eng. Belmiro se estava a preparar para fazer um PPR e poupar no seu IRS e agora já não o vai poder fazer. O eng. Jardim Gonçalves, que tem muitos filhos e netos, ia apostar nos PPR-E. Também já não vai a tempo. O dr. Artur Santos Silva, que é muito forreta, estava a pensar fazer um CPH no banco de que é residente - só para poupar 127 euros no IRS! Não pode, porque o dr. Bagão lhe topou os intentos. E finalmente o eng. Mira Amaral ia colocar a sua choruda reforma em PPA. Vai ter de gastá-la noutro sítio.

E eis como finalmente temos um ministro que acaba com os ricos para dar aos pobres. Bem haja, dr. Bagão! E assim já não precisa de investir no combate à fraude e à evasão fiscal, nem investigar a sério o rendimento das profissões liberais, nem combater 50% das empresas que declaram prejuízos, nem estabelecer uma colecta mínima para restaurantes, mercearias e outros pequenos negócios para os quais, como é óbvio, não há qualquer possibilidade de controlo fiscal.
Carregue nesses 30% de ricos que investem em PPR, PPR-E, PPA, CPH - e vai ver como resolve o défice e a justiça fiscal desce sobre este país! Força! Que não lhe doam as mãos!

(Comentário de Nicolau Santos, jornal Expresso, 18/09/2004)

Publicado por castafiore às 09:51 PM | Comentários (0)

setembro 21, 2004

Nada perdemos

"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares... (Escritor português, a propósito da perda de sua Mãe, a escritora e poetisa Sophia de Mello-Breyner)

Publicado por castafiore às 11:14 PM | Comentários (0)

setembro 19, 2004

Madame Butterfly

Também fui ao Coliseu ver este espectáculo pela Companhia Portuguesa de Ópera.

Sem os fundamentalismos das óperas de São Carlos e sem os purismos da linha "pura e dura" dos fanáticos deste tipo de espectáculo, posso dizer que gostei muito da encenação simples e despretenciosa a valorizar acima de tudo a música.

E que música....

Sem dúvida uma das mais fabulosas obras de Puccini, sem dúvida uma das mais bonitas óperas de sempre e a história continua a ser uma das mais sentidas homenagens ao amor puro e absoluto; a ária "Un bel di vedremo" continua a fazer arrepios.

Publicado por castafiore às 11:20 PM | Comentários (0)

setembro 18, 2004

Angels and demons

Apesar do enorme sucesso que o livro "O código da Vinci" faz em todo o mundo, o seu autor, até agora desconhecido para o público português, já tinha escrito outros livros.

Sem ser uma fantástica obra literária, é uma história que prende desde o princípio, uma intriga interessante e engraçada que, ainda para mais, tem a vantagem de ensinar muita coisa. É que muitos dos factos que constam do livro como históricos ou reais, são mesmo, ao contrário do que muita gente prefere pensar.

Para isso basta uma investigação na net sobre certos assuntos e verificamos que aprendemos muita coisa com aquele livro.

Mas ....

Para quem quiser ler mais coisas do escritor Dan Brown recomendo porém uma outra obra, anterior a esta, mas com o mesmo herói: "Angels and Demons", por enquanto só na versão americana original e disponível na Amazon.uk (não na Amazom.com porque vindas dos EUA as encomendas de livros pagam uma pequena fortuna na alfandega).

A história ainda é mais interessante e a intriga mais densa. Li o livro em 5 dias e recomendo-o vivamente. Não ganha nenhum Nobel da literatura mas distrai, diverte e ensina. Já não é nada mau...

Publicado por castafiore às 11:43 PM | Comentários (0)

setembro 14, 2004

Madonna

Fui ver o concerto e gostei muito!

Em termos de espectáculo audio-visual, encenação, apresentação e coreografias não podia ser melhor. Profissionalismo a 100%! Em termos de som.... Que me perdoem os especialistas mas o som do Pavilhão Atlântico não me convence...

Mesmo assim, 20 valores! Madonna reinventou-se de novo... E bem.

Publicado por castafiore às 01:48 AM | Comentários (0)

setembro 12, 2004

Quem me roubou

Quem me roubou o tempo que era um
Quem me roubou o tempo que era meu
O tempo todo inteiro que sorria
Onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro
E onde por si mesmo o poema se escrevia

(Sophia de Mello Breyner Andresen, "Quem me roubou", inédito, Setembro de 2001, in revista Relâmpago)

Publicado por castafiore às 10:55 PM | Comentários (0)

setembro 04, 2004

Açores-Propaganda e Realidade

Gostaria de partilhar este pequeno artigo que veio publicado na revista Única do Expresso da semana passada, porque o seu conteúdo é verdadeiramente extraordinário e infelizmente muito, mas mesmo muito exemplificativo do nosso Portugal:

"A quem visita os Açores cai-lhe o coração aos pés ao observar o triste cenário das suas famosas lagoas, sobretudo a das Sete Cidades e a das Furnas, na Ilha de São Miguel. Abafadas pela eutrofização - algas em excesso -, as lagoas já quase parecem pântanos. A das Sete Cidades, que era um dos "ex-libris" da região, praticamente deixou de ser azul e verde. Preocupado com o problema, esta semana, um dos jornais dos Açores, o "Expresso das Nove", questionou a directora regional do Turismo sobre o assunto e pelo facto de muitos turistas se sentirem defraudados com as imagens que lhes prometem os prospectos turísticos e como a realidade é diferente. Em vez de acentuar que o problema vai ser resolvido, na habitual lógica das promessas políticas, Isabel Barata decidiu ser sincera. E respondeu que o Governo vai garantir que todos os panfletos com fotos antigas vão sair de circulação, além de que as novas campanhas vão mostrar outros recantos. E assim acabou por explicar como o Governo vai tentar continuar a tapar o sol com a peneira."

Vale a pena fazer algum comentário???????

Publicado por castafiore às 10:26 PM | Comentários (0)