junho 11, 2004

Mas tá tudo doido ou quê?

A Visão deste semana, na secção "Em foco - Debate" trás o seguinte artigo:

Quotas para homens
"Foi o Presidente do Instituto de Ciências Médicas Abel Salazar, no Porto, a trazer a público a ideia: devem criar-se quotas para homens nos cursos de Medicina. Mas o tema é debatido, há mais tempo, entre parte da classe médica, alarmada com a crescente feminização da carreira. Nos cursos deste ano há mais 1.500 mulheres do que homens. Um argumento dos apoiantes das quotas é que muitos homens não se sentem bem com uma urologista. Outro é que as médicas grávidas não podem fazer cirurgias longas. O Ministro da Saúde manifestou alguma compreensão para com a tese, o que levou algumas feministas a pedir a sua demissão. Mas a polémica ameaça tornar-se séria: estão a ser estudados novos critérios de selecção para entrar em Medicina, para que não conte apenas a nota dos exames. Será que as candidatas mulheres continuarão em maioria?"

Apenas uns breves comentários a um texto patético que de certa forma parece dar cobertura à ideia de base, não menos patética:

1 - Quando a situação era a inversa, estranhamente não se ouviram mulheres a pedinchar quotas; deitaram mãos ao trabalho, estudaram e chegaram lá;

2 - Enquanto durante muitos anos a classe médica era integralmente dominada por homens, todas as mulheres do mundo tiveram ginecologistas homens; incomodadas com a circunstância ou não, não deixaram de ter filhos ou cuidar da sua saúde; que sensíveis e púdicos estão os homens de hoje em dia...;

3 - ... e que cavalheiros também....: preocupam-se que uma mulher grávida não possa fazer cirurgias longas mas nada dizem contra os turnos de 8 horas nas linhas de montagem das fábricas...;

E para terminar 2 singelos esclarecimentos para o autor do texto:
- quem terá pedido a demissão não são certamente "feministas", como rapidamente foram catalogadas, mas apenas pessoas lúcidas e de bom senso...
- ... e sim, meu amigo, presumo que mesmo com outros critérios de selecção que não apenas as notas dos exames, as candidatas mulheres continuarão decerto em maioria...

... quando durante séculos se teve de lutar arduamente pelos mais básicos direitos que aos homens foram sempre entregues de mão beijada, não é certamente uma mera diferença numérica, ou novas formas de escolha que fazem a diferença ... é apenas uma questão de integridade!!!

Publicado por castafiore em junho 11, 2004 11:22 PM
Comentários

É ridículo, todas as soluções que passem por quotas são injustas, há sempre algúem que vai ficar fora não por falta de mérito mas por não preencher os requisitos das quotas. Em qualquer situação acho errado.

Afixado por: amnésia em junho 14, 2004 12:03 PM