março 20, 2007

A política de trincheira


Há umas semanas defendia-se uns quantos apoios de praia (um eufemismo para descrever umas construções abarracadas onde se serve café e sumos a preços insultuosos); depois, o mar levou os ditos apoios e passou a defender-se o parque de campismo (um abarracamento permanente em plena faixa costeira que nunca deveria ter existido ali). Agora, que o mar cumpre o seu papel e ameaça o parque de campismo, o que é que se vai defender? A própria vila da Costa?
Entretanto, as várias autoridades continuam a reagir como se tudo isto não estivesse programado para acontecer. Estava e só não via quem não queria.
Ou muito me engano ou andaremos de trincheira em trincheira até à derrota final. Espero ao menos que a derrota final possa ser uma vitória: começar de novo.
(há uns tempos que não ia à Costa propriamente dita. Há um par de semanas, contudo, arrisquei uma ida às praias da vila na meia maré. Escuso-me a descrever a saída do mar, agora que não há nem praia, nem escadas, feita atirando-me literalmente para as pedras dos pontões, mas não deixei de ficar estupefacto com um novo prédio de vários andares que está a ser construído, em frente à praia do Barbas, ao pé da Carolina do Aires. Por este andar, daqui a quanto tempo é que estarão a criar valas para defendê-lo?)

Publicado por pedroadãoesilva em março 20, 2007 01:53 PM | TrackBack
Comentários

O eu muito me engano, ou o mar vai voltar á arriba.

Afixado por: FPSM em março 20, 2007 10:20 PM

o problema nao é de agora, ja vem de alguns anos!
defenderemos com unhas e dentes por aquilo q é nosso, campistas desde pequenos, bodyboarders desde há muito.as teorias ficam para os politicos!esta na hora de agir!
um abraço

Afixado por: sao joao locals em março 21, 2007 02:50 AM

Óptimo texto que espelha exactamente o que penso do assunto.
O problema foram as décadas e décadas de desordenamento costeiro patrocinado pelo betão e com a conivência de autarcas, governantes e instituições públicas que definem o que se pode e não se pode fazer - à imagem daquilo que se vê um pouco por todo o país!
A destruição dos cordões dunares, a dragagem de areias a norte da cova do Vapor e a própria construção desregrada de esporões ao pontapé, só contribuíram para o deteriorar da situação. Se lhe somarmos hoje em dia o aquecimento global, temos um bico de obra em mãos.
Pelo que tenho lido de especialistas independentes e pelo meu parco conhecimento da matéria, a solução passa em primeiro lugar pela deslocalização das populações para interior, e posteriormente a alimentação artificial das praias com areia e reconstrução do cordão dunar!

O que é mais caricato em toda esta história, foi não só o volte-vace do INAG que antes não olhava a alimentação artificial das praias com areia com bons olhos, e hoje transmite esta solução como uma descoberta da pólvora, quando Álvaro Reis (professor e especialista em dinâmica costeira da UNIv. de Aveiro) já havia insistentemente referido esta solução (e não a construção de mais esporões) como a mais viável, a um engenheiro responsável do INAG, num recente seminário em Aveiro.
Mais caricato ainda, é observar presidentes de junta, presindente da Câmara Municipal de Almada e vereador para a Protecção Civil de Almada insurgirem-se contra o INAG devido à manifesta ineficácia do "dique" que "protege" o "parque de campismo", e terem há uns tempos aprovado um projecto de investimento imobiliário que visava não só a requalificação da zona da cova do Vapor e Trafaria, mas também a instalação nesta zona de empreendimentos de luxo e campo de golfe. Honra seja feita, neste particular, ao INAG por ter tido a coragem de chumbar tal projecto. Coerência não é de facto o forte desta gente.

hasta
abraço

Afixado por: Cuze em abril 5, 2007 04:04 PM
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